Mark acordou com o barulho de uma sacudidela nas barras de sua cela. Era ali que tinha passado o tempo desde que o tinham pegado na escola.
Mesmo com essa consequência, o que poderia vir pela frente não o amedrontava o não o fazia se arrepender do que fez.
Ele havia visto o policial orc na escola e na delegacia e sua raiva só aumentou por isso. Mas de qualquer forma, estava satisfeito com sua vingança. Levaram-no até o interrogatório e lá contou o motivo de seus atos.
Mark fazia um trajeto de casa para a escola e vice-versa que até era pacífico, até o menino humano ser alvo de chacota de alguns outros jovens, orcs meliantes. Bondade e maldade existem, independente da raça de alguém. E nesse caso, a maldade levou a algo mais grave.
Não se dando por satisfeitos, os mesmos bullies atacaram Mark, o que foi o principal motivo para que atacasse os alunos.
Por enquanto, seguindo os seus direitos, Mark deveria esperar por um defensor público que aceitasse seu caso. Caso esse em que testemunhas deveriam ser ouvidas, incluindo Judy Snow.
Judy não tinha dormido direito àquela noite e por isso acordou sonolenta. Ao encarar o espelho, julgou sua aparência como horrível. Lavou o rosto tentando levar para longe também as lembranças do dia anterior, mas sabia que no momento isso era impossível.
Judy não conseguiu evitar dar um pulo ao ouvir seu celular tocando, embora estivesse familiarizada com o ringtone de chamadas. Ao atender viu que era da escola.
-Alô? - disse ela com a voz trêmula.
-Professora Snow - disse a secretária - ligamos pra comunicar que não teremos aulas durante um mês, pelo menos os seus alunos e os outros professores. A polícia fechou a sala para investigações e imaginamos que os alunos estejam traumatizados para voltar.
Não só eles, pensou ela enquanto ouvia.
-Depois te avisamos quando vamos voltar - prosseguiu a secretária - até logo.
E desligou. Sem nenhum "como você está?". Aquilo era só uma burocracia para alguns, e pra ela e seus alunos, uma grande experiência traumática que marcou suas vidas.
Judy então tentou comer alguma coisa e talvez, dar uma volta na vizinhança, o mais discretamente possível, para ver se conseguia evitar pensar no tiroteio.
Não era costume de Judy sair de casa meio sem motivo, bem o que o momento estava parecendo para ela. De qualquer forma, puxou o capuz do moletom sobre a cabeça,numa tentativa de se esconder de tudo e de todos. Botou is pés para fora de casa e começou a andar.
Quem mais viu eram humanos, atarefados, ocupados com suas vidas, jndo de um lado para o outro resolver seus próprios problemas. Ao virar a próxima rua, decidiu dar volta, rumando de volta pra casa. Notou a pequena caixa de correio remexida e então abriu para ver suas últimas correspondências recebidas. Havia um único envelope, e os brasões municipais nele a fizeram estremecer. O remetente dizia: POLÍCIA DE LOS ANGELES. Abriu com mais apreensão e descobriu que se tratava de uma intimação para depor como testemunha.
Bem que os policiais tinham avisado, pensou ela. Pelo menos até o dia chegar, teria tempo de se recompor, o melhor que conseguisse frente à como se sentia.
