O que será que vai acontecer?? Hummmmmmmmmmmmm...

Boa Leitura!!

CAPITULO 3

Austero e perspicaz, o juiz Henry Larson aguardou que todos se acomodassem em seu espaçoso gabinete antes de encarar os noivos severamente.

— Consertando o erro, Sesshoumaru? — repreendeu.

Rin olhou apreensiva para o futuro marido, imagi­nando como ele reagiria ao comentário, considerando seu estado de espírito. Para seu alívio, ele não se mostrou ofendido, respondendo simplesmente:

— Estou tentando.

— E bem a tempo, ao que parece.

Rin estremeceu. Não queria que Sesshoumaru levasse a culpa por algo que ela fizera, ou melhor, deixara de fazer.

— O atraso foi culpa minha — esclareceu.
O juiz arqueou as sobrancelhas.

— Nesse caso, fico aliviado por ver que ele a convenceu a se casar. É um bom homem.

— Sem dúvida — confirmou ela, sem hesitar.
Sesshoumaru passou o braço em torno da cintura dela.

— Henry, importa-se se Rin ficar sentada durante a cerimónia? Acho que ela não deve permanecer de pé mais que o necessário.

Só então Rin percebeu que vinha jogando o peso do corpo ora num pé, ora no outro, num esforço vão para aliviar a cãibra à base das costas. Agradecida, sorriu para Sesshoumaru e ganhou um sorriso dele também. Foi um sorriso comedido, mas suficiente para quebrar as linhas rígidas em torno de sua boca e derreter o gelo que ela considerava parte de sua natureza.

Mas surpresa mesmo ela teve quando ele pousou a mão sobre sua imensa barriga.

— Sei que a forcei a aceitar este casamento — reconheceu, a meia voz. — Se não for isso o que quer, ainda pode mudar de ideia.

Ela se arrepiou ao ouvir as palavras. Ele usara as mesmas antes de fazerem amor, havia nove meses. Re­lembrou aquela noite especial, a noite em que geraram o bebê agora apertado contra a palma da mão dele. Tam­bém naquela ocasião ele sorrira, com a mesma paixão selvagem conferindo a seus olhos um azul profundo. In­defesa, ela se atirara de cabeça em seus braços, e em sua cama.

— Você guarda mesmo as lembranças, hein? — provocou Sesshoumaru, sagaz. — Também não consegue tirar aquela noite de sua cabeça, não é?

Droga, como ele adivinhara? Era tão fácil assim interpretá-la?

As palavras ásperas esfolavam suas emoções, deixando-a vulnerável e exposta.

— Se não quer que eu pense nisso, não sorria desse jeito! A última vez que sorriu assim foi...

— Na véspera de ano-novo? — Sesshoumaru deu outro sorriso, do tipo impiedoso, que a fez recordar quão gulosamente já sorvera aquela boca. — Nossa, querida, basta isso? Um sorriso? Devia ter me contado há anos!

Ao redor pelo gabinete, os familiares de Rin conver­savam sem parar, rindo e gargalhando a curtos interva­los. Não que ela tivesse ideia do que diziam. Com o olhar atraído pelo de Sesshoumaru, viu-se em águas perigosas e sua única opção era aprender a nadar, ou morrer afogada. Naquele momento, afogar-se parecia a opção mais segura. Lutou por ar, desesperada ao perceber que até o ato sim­ples de respirar se tornara impossível.

— Sesshoumaru, acho que não posso continuar com isto.

Ele deu um sorriso predador, os olhos externando fome incontrolável e desejo selvagem.

— Mas eu não posso perder você.

O juiz Larson ofereceu uma cadeira. Rin deixou-se afundar no estofado de couro, aliviada por não ter mais de fitar Sesshoumaru nos olhos.

— Estão prontos?

Sesshoumaru posicionou-se ao lado da cadeira.

— Rin?

Cabia a ela decidir. Podia dizer à família que mudara de ideia. Todos a apoiariam, apesar da preocupação, e da decepção. Ou podia dar um pai a seu bebê. O juiz a olhava paciente, compreensivo e sábio.

— Estou pronta — declarou, a respiração levemente ofegante.

Sesshoumaru pegou-lhe a mão e apertou-a gentilmente.

— Vá em frente, Henry.
Então, aconteceu.

A dorzinha chata à base da coluna que a incomodara a manhã toda cresceu, transformando-se numa contração forte. Ofegante, apertou a mão de Sesshoumaru e olhou-o em pânico.

Ele entendeu na hora.

— Henry?

O juiz ergueu os olhos dos papéis.

— Tem algo a dizer antes de começarmos?

— Só um pedido. Rin e eu preferimos a versão abreviada, se não se importar.

O juiz também entendeu de imediato.

Sem palavras, Sesshoumaru deu a entender que não deviam passar a informação aos convidados. Se soubessem que Rin entrara em trabalho de parto, ficariam tão alvoro­çados que o casamento jamais se realizaria.

Experiente, o juiz já avaliara o temperamento da família de Rin e rapidamente escolheu a melhor estratégia.

— Na verdade, Sesshoumaru, eu é que ia sugerir isso — replicou, astuto. — Como estou com a agenda cheia, se ninguém se opuser, vou casar vocês dois sem floreios.

— Já não era sem tempo — retrucou a irreprimível Mika.

— Apenas nove meses de atraso — resmungou Izara, sem poder evitar.

Sesshoumaru olhou para Rin, que apertara de novo sua mão. Outra contração! Não tinham muito tempo!

— Henry!

— Meus caros...

— Esperem! E as flores?

Sesshoumaru não sabia qual irmã de Rin interrompera, senão a teria estrangulado.

— Vou comprar um caminhão de flores para Rin, assim que estivermos casados. Prossiga, Henry.

— Estamos reunidos aqui hoje...

— O bebê merece flores — manifestou-se Yoshida, o pai de Rin, pela primeira vez.

— Pai, não preciso de flores — replicou Rin, aflita.

— Acho que vi uma banca bem em frente ao cartório. Alguém pode dar um pulo lá e comprar um buque.

— Está bem. — Sesshoumaru pegou a carteira e sacou um maço de cédulas. — Quem se habilita?

Um dos sobrinhos de Rin apresentou-se, pegou o di­nheiro e disparou porta afora.

O juiz reiniciou o discurso sem demora:

— Estamos aqui reunidos hoje para unir este homem e esta mulher em matrimónio.

— Mas não vamos esperar Shinzo? — indagou outra irmã de Rin. — Só mais cinco minutos.

— Shinzo vai perder uma ou duas palavras — ralhou Sesshoumaru. — Sua Excelência está com a agenda aper­tada, não é, Henry?

Rin ofegou, e o juiz Larson começou a transpirar na testa.

— Muito apertada. Acho melhor procedermos à versão curtíssima. Sesshoumaru Taisho, aceita Rin Ozawa como sua legítima esposa?

— Nunca vi coisa igual — reclamou Izara, insatisfeita.

— Aceito!

— E você, Rin...

— Eu aceito, eu aceito! — antecipou-se Rin.

— Mas que espécie de casamento é este? — protestou Yoshida.

— Já é meu segundo casamento, pai! A única diferença é o marido!

— E que bela diferença! — festejou a mãe.

— Trouxe a aliança, Sesshoumaru? — apressou o juiz.

— Claro! — Sesshoumaru abriu a caixinha, abriu a mão es­querda de Rin à força e colocou o solitário em seu dedo anular. Não esperou a sentença do juiz. — Você é minha agora, Rin Taisho. Na riqueza e na pobreza, na doen­ça e na saúde, e no nascimento dos filhos. Querida, está definitivamente presa a mim.

— Você fala de um jeito, Sesshoumaru. Só gostaria... — Rin fechou os olhos e estremeceu.

— Do que gostaria, amor? — quis saber ele.

— De poder lhe dar algo.

— Logo vai me dar. — Sesshoumaru olhou para o juiz. — Henry, tudo em ordem?

— Quase. Se alguém sabe de algum impedimento para este matrimónio, que fale agora ou se cale para sempre. — Após um segundo, concluiu: — Eu os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva.

— Não vai dar tempo. — Sesshoumaru agarrou a cadeira pelo espaldar e carregou Rin para a porta. — Saiam da fren­te! Henry, será que consegue batedores da polícia?

O juiz pegou o telefone.

— Vão estar à espera na frente do cartório. Não se apavore, Sesshoumaru. Vão chegar à maternidade a tempo.

Izara deixou cair o queixo, de repente entendendo tudo. Agarrou o braço do marido.

— Oh, minha nossa, ela está em trabalho de parto! Rin, começou agora?

— Achei que era só dor nas costas, mas...

— Oh, igualzinho à vez em que tive Richey. Quando percebi que tinha chegado a hora... Oh, Sesshoumaru, é melhor correr, se não quiser que ela tenha o bebê aqui mesmo no corredor.

A cadeira de rodízios deslizava tão facilmente quanto uma cadeira de rodas. Rin agarrava-se ao braço da ca­deira e à mão da irmã Mika.

— Aguente firme, querida — consolou Sesshoumaru. — A po­lícia vai nos abrir caminho.

Ele assim esperava.

Ao longo do corredor, a correria provocava cenas có­micas. Uma jovem advogada pulou para fora do caminho e colidiu com um atendente. A pasta dela voou e se abriu, espalhando o conteúdo por todo o chão lustroso.

— Oh, devíamos pedir desculpas — lamentou Rin, afastando a aba larga do chapéu.

— Estamos em situação de emergência — observou Sesshoumaru, conduzindo habilmente a cadeira. — Além disso, seu pes­soal vem logo atrás. Eles podem dar uma mãozinha.

Olhando por sobre o ombro, viu a família de Rin pas­sar pelo local do incidente com toda a delicadeza de um trem expresso. Mais papéis se lançaram ao ar. O aten­dente se viu prensado contra a parede. A pasta da ad­vogada voou de novo, espalhando o pouco que ela con­seguira recolher.

Sesshoumaru e Rin chegaram à entrada do cartório. Ele a ergueu nos braços.

— Fim da linha, querida.

— Por quê?

— Há uma escadaria, lembra-se? Não estou vendo a ambulância, mas os batedores da polícia já chegaram.

Ela colocou os braços em torno do pescoço dele e segurou-se bem. O barrigão se apertava contra o peito dele, fazendo-o sentir também as contrações fortes. Aflito, ele tentou não se afobar na descida dos degraus.

Droga, não devia ter insistido na realização da ceri­mónia! Fora muito egoísmo de sua parte. Devia ter man­dado o casamento às favas e corrido com Rin para a maternidade. Se acontecesse algo com o bebê devido a sua negligência, jamais se perdoaria.

Diante do carro da polícia, Sesshoumaru colocou Rin de pé gentilmente.

— Oh, não — sussurrou ela, olhando-o aflita.

— O que foi agora?

Ela olhou para baixo.

— Acho que a bolsa se rompeu. Sesshoumaru apavorou-se de vez.

— A bolsa de água se rompeu — explicou ao jovem policial, que enrubesceu. — Temos de levá-la para a ma­ternidade rápido. Tem um cobertor aí?

O rapaz arranjou um cobertor e abriu a porta traseira do carro. Assim que Sesshoumaru acomodou Rin no banco, acen­deu as luzes, ligou a sirene e arrancou, avançando rapi­damente pelas ruas.

— As contrações estão cada vez mais próximas — anunciou Rin, nervosa, e gemeu alto. Seu chapéu estremecia a cada contração, cobrindo-lhe o rosto solidariamente.

Rápido! Uurgia Sesshoumaru em pensamento. Como se ouvisse, o policial afundou o pé no acelerador.

— Só mais cinco minutos, querida. Aguente firme só mais cinco minutos.

— Não sei se vou aguentar tanto tempo! Tenho que empurrar o bebê!

— Não, ainda não! Não empurre!

— Mas tenho que empurrar! — insistiu Rin, os olhos flamejantes. — Sinto que é hora! — Apertou os braços dele, com força suficiente para interromper a circulação.

— Não empurre! Você tem que...

O que ela tinha de fazer, afinal? Nunca se sentira tão indefeso e despreparado na vida.

— Respirar? — sugeriu o jovem policial ao volante.

— Isso, respirar! — acatou Sesshoumaru. — Respire fundo!

— Eu sei! — esbravejou Rin. — Fiz um curso de preparação para o parto.

Sesshoumaru sentiu-se culpado. Rin comparecera às aulas sozinha.

— Bem, lembra-se de alguma coisa?

— Claro que me lembro! Não está ouvindo minha res­piração... — Ela deixou escapar um grito abafado.

— Ofegar! — exclamou Sesshoumaru. — Tente ofegar. Li em algum lugar que isso ajuda.

Rin recuperou a fala.

— Quer que eu ofegue? Tente você ofegar com as vís­ceras contraídas como... oooohhhhh!

Ele a estreitou nos braços.

— Acredite, querida, minhas vísceras estão contraídas.
Ela enterrou o rosto no ombro dele, deixando cair no assento o chapéu de renda branca e fitas de cetim.

— Por que me engravidou? Eu só queria dormir com você, não ter um filho seu.

O oficial ao volante enrubesceu de novo.

— Acho que ganhou um pacote completo — retrucou Sesshoumaru, brando.

— Você fez um estrago enorme, Taisho!
Sesshoumaru não pôde evitar o sorriso orgulhoso.

— Desculpe — sussurrou, apaziguador. — Se a faz se sentir melhor, saiba que não planejei engravidá-la.

— Não, não me faz sentir melhor. E fez um ótimo trabalho, para quem não planejou nada. — Mais uma contração a fez expirar por entre os dentes. — Devia ter considerado essa possibilidade quando me seduziu. Como explica? Você é o cérebro da dupla, não eu.

— Caso não tenha percebido, não era meu cérebro que estava no comando naquela noite.

— Grande! Decide se libertar dos cálculos pela pri­meira vez na vida e olhe o que acontece!

— Ela deve estar em transição. É o pior estágio do trabalho de parto. Muito doloroso. Elas sempre falam assim na transição, mas não é o que querem dizer de verdade.

— É o que quero dizer, sim! Era para ter sido só uma aventura. Eis meu castigo por uma noite de amor incrível!

Sesshoumaru ergueu o sobrolho.

— Incrível?

— Incrível. Espetacular. Mas devia ter sido mais.

Era difícil para ele entender a lógica dela.

— O que devia ter sido mais?

— Eu devia ter arrancado mais do que uma noite de amor em troca desta agonia. Acho que mereço meses, talvez anos de amor espetacular!

— Verei o que posso fazer por você.

— Acontece que não vai ter oportunidade! — Ela agarrou-lhe as lapelas do paletó, quase descosturando-as. — Nunca mais vai acontecer. Você só teve uma chance, e acertou no alvo. Parabéns, querido.

— Só pode estar em transição — murmurou o policial.
Sesshoumaru afastou as mechas de cabelo úmidas da testa dela, nem um pouco desolado. Estavam casados. Teria um ano para fazê-la mudar de ideia, e muitas oportuni­dades para acertar no alvo.

— Grande tacada, não, querida?

Num segundo, Rin passou de raivosa a tristonha, os olhos marejados de lágrimas.

— Nem sequer escolhi os nomes. Se ficar muito tempo assim, o bebê pode ficar com complexo e nos odiar para sempre.

— Se for menino, pode se chamar Yoshida, como seu pai, ou Richard, como seu irmão — sugeriu Sesshoumaru. — Se for menina... que tal Abigail?

— Abigail? — Ela repetiu o nome mais vezes, baixinho. — Eu gosto. É doce. Um pouco antiquado, mas bonito.

— Combinado, então? Se for menina, vai se chamar Abigail. Se for menino...

— E seu pai? Não gostaria de dar o nome dele a seu filho?

Sesshoumaru mostrou-se azedo.

— Acho que Yoshida vai ficar mais satisfeito.

Outra contração se fez, durando uma eternidade.

— Ai, Sesshoumaru, como dói! Por que dar à luz dói tanto? Ele detestava sentir-se de mãos atadas.

— Eu lamento. Se pudesse sentir as dores por você, eu sentiria.

— Não daria certo — choramingou ela, conformada.
Tratava-se de uma conversa irracional, ridícula mes­mo, mas parecia distraí-la do parto em andamento.

— Por que não?

O policial freou o carro diante da entrada de emer­gência da maternidade e saltou, escancarando a porta traseira.

Rin ainda respondeu:

— Porque você não pode sentir.

A porta do quarto de Rin na maternidade, Sesshoumaru se­gurava um buque de flores, mais constrangido do que nunca.

Ela o viu e sorriu deleitada.

— São para mim? Não precisava.

Ele deu de ombros e estendeu-lhe o ramalhete.

— Shinzo não chegou mesmo a tempo da cerimónia. E Yoshida tinha razão. Você merece flores no dia de seu casamento.

A profusão de cores contrastou lindamente com a renda branca da camisola vitoriana que Rin usava, as fitas que atavam as flores derramando-se sobre a cama. Ela mais parecia uma noiva do que uma mulher que acabara de dar à luz.

Sesshoumaru pegou dois botões de rosa e prendeu-os entre os cachos da cabeleira castanho-escura.

— Você merece mais. Muito mais. Mas vai ter de se contentar com isto, por ora.

— Obrigada. São lindas. — Rin olhou para o berço ao lado da cama. — Por falar em linda...

Sesshoumaru via a filha pela primeira vez. A emoção tirou-lhe a fala. Estendeu a mão para tocá-la, mas deteve-se. Ela era perfeita demais. A criatura mais perfeita que já vira. Um dia antes, sentira seu chutinho dentro do útero da mãe. Agora, podia contar todos os seus dedinhos. Como aquilo era possível? Quase desafiava a compreensão.

— Quer pegá-la? — perguntou Rin.

— Não se importa?

— Claro que não. Você é o pai dela.

Com toda a delicadeza, ele deslizou a mão por sob as costas e cabeça do bebê. Nossa, como era pequenina. Qua­se se encaixava na palma de sua mão. Ergueu-a e acomodou-a no braço. Ela o fitava com olhos grandes e so­lenes, piscando os cílios fartos. Então, deu um grande bocejo e adormeceu num instante. Simplesmente ador­meceu. Era inacreditável.

— Abigail — murmurou, passando o dedo pela cabe­cinha ruiva. — Pequena Abigail.

Rin olhou-o curiosa.

— É um nome de família?

— Não. É só um nome.

Uma enfermeira entrou trazendo um berço móvel.

— Receio ter de levar essa pequena. O pediatra quer fazer um exame completo nela, e a mãe precisa descansar.

Sem dar a Sesshoumaru tempo para protestar, tirou o bebê adormecido de seus braços e acomodou-o no berço.

Sesshoumaru viu a filha se afastar sentindo os braços muito vazios. Segurara Abigail por poucos minutos, mas formara-se um vínculo irrevogável. Queria-a de volta. Que­ria a filha onde pudesse vê-la, ouvi-la, protegê-la.

— Foi um dia e tanto — comentou Rin, com um suspiro.

Sesshoumaru voltou-se para ela, lembrando-se de que tinha uma esposa também. Foi sentar-se na beirada da cama.

Leves manchas lilases sob os olhos escuros denunciavam o cansaço dela.

— Num prazo de vinte e quatro horas, você se tornou esposa e mãe. Uma proeza.

— Não perco tempo — reconheceu ela, com um sorriso.
Ela queria dizer algo mais, só que não encontrava as palavras. Vendo-a apertar os dedos na borda do lençol, ele concluiu que era algo sério. O medo assaltou-o. Iria ela pedir-lhe que fosse embora? Diria que o casamento fora um erro? Declararia que, agora que Abigail tinha um nome, não havia por que esperarem um ano para se divorciarem?

— Algum problema? — indagou, sem demonstrar apreensão. Afinal, era um homem insensível.

— Eu... peço desculpas — murmurou Rin, embara­çada. — Disse coisas terríveis a caminho daqui. Não sei o que deu em mim. Mas sinto muito se o ofendi. Você não merecia nada daquilo.

Profundamente aliviado, Sesshoumaru não pôde evitar o sorriso.

— Não precisa pedir desculpas. Você não me ofendeu.

— Ainda bem. Não sei como eu teria tido Abigail sem você.

— Sua família teria ajudado.

— Não teria sido a mesma coisa.

Não, não teria. Pelo menos não para ele. Tivera Rin nos braços naquela última meia hora de trabalho de par­to, acalmando-a e encorajando-a enquanto lutava para trazer a filha de ambos ao mundo. E ela se agarrara a ele, despejando uma confissão atrás da outra. Sempre quisera um bebê. Um menino. Não, uma menina. Não, gêmeos. Ao final, nada importava senão a saúde do bebê.

Então veio o arrependimento. Ela quisera avisá-lo. Pe­gara o telefone centenas de vezes, mas sentira medo. Ele teria insistido no casamento.

— Você sabe por quê.

— Mas eu não queria me casar de novo. Não até en­contrar alguém em quem confiasse. Alguém capaz de me amar. Não suportaria uma união como a anterior, sem apoio emocional do marido. Não sou um cacto. Um cacto?! Sesshoumaru abafara o riso.

— Não, claro que não.

Aquela altura, tinha de concordar com tudo o que ela dizia, por mais ilógico que fosse.

— Preciso de ar fresco, luz e adubo. E de água. Muita água. Não posso cuidar de todo o jardim. De vez em quando, tenho de ser aguada e tratada também. Kohako vivia se es­quecendo disso. Deixava que eu secasse e sufocasse.

Só então Sesshoumaru entendera. Cada palavra atingia-o como uma martelada, porque ela tinha razão. Kohako, com todo seu charme e esperteza, só pensava em si mesmo. Du­rante toda a vida, tomara aquilo que considerava seu de direito.

Tendo vivido sempre em solidão, apartado de gente e emoções, Sesshoumaru queria o que Rin oferecia, a promessa que brilhava em seus grandes olhos escuros. Queria seu calor, carinho e paixão, bem como o bebê que juntos ha­viam gerado.

Mas a dolorosa verdade era... não tinha nada a oferecer-lhe em troca. Podia pegar. Mas não podia dar.

Súbito, pôs-se a rememorar um dos mais lindos mo­mentos de sua vida:

— Surgiu o topo da cabecinha — dissera o médico. — Pode assistir ao nascimento pelo espelho, se quiser.

Os minutos seguintes foram os mais miraculosos da vida de Sesshoumaru. Segurando Rin pelas costas, apertava-a contra o peito, apoiando-a no trabalho de parto. Pasmo, sentiu quando os músculos de seu útero se contorceram no último esforço hercúleo.

E aconteceu. O bebê escorregara de uma vida para a outra, passando da escuridão à luz de um novo mundo.

— E uma menina — anunciara o médico, animado.

— Abigail — sussurrara Rin.

O bebê fez uma careta e emitiu o som mais maravilhoso do mundo, seu primeiro choro.

— Meu pai se alegra — comentara Sesshoumaru, satisfeito.

— Quer dizer que não está chateado? — indagou Rin, arrancando-o do devaneio.

Sesshoumaru levou um segundo para voltar à realidade.

— Não, Rin. Você não disse nada que eu já não soubesse.

— Que bom.

— Você precisa descansar. Vou deixá-la.
As faces dela se coloriram.

— Obrigada por tudo, Sesshoumaru. Pelo casamento e por ter me trazido para cá a tempo. E por estar lá quando precisei de você.

— De nada. — Ele hesitou. Precisava reparar uma omissão. — Esqueci uma coisa.

— O quê?

— Ainda não beijei a noiva.

Antes que ela pudesse rechaçá-lo, ele se inclinou e tomou-lhe os lábios. Foi um contato gentil, um sussurro de sensações. Quisera ser breve, mas a tentação de demorar-se, de restabelecer contato com aquela boca macia era grande demais para resistir. Aprofundou a união, derrubando a fraca resistência dela para explorar os de­licados recessos internos. Ela suspirou, sua respiração um bálsamo quente, e ele sorveu sua essência.

Uma noite. Uma noite espetacular, descrevera ela. Era tudo o que tinham tido. Não obstante, cada agridoce mo­mento daquela noite fixara-se indelevelmente em sua me­mória. Aos poucos, foi afastando-se, um único pensamen­to dominando-lhe a mente. Não foi o bastante. De jeito nenhum. Rin era sua mulher. Dera-lhe uma filha. Es­tavam unidos, por sangue e pelas circunstâncias. E não a deixaria romper aquela ligação. Não em um ano.

Nunca.

— Vai voltar? — quis saber ela, sonolenta.

— Claro, querida. Pode contar com minha volta.

Sesshoumaru foi até um telefone público, tirou o fone do gancho e digitou uma sequência de números. Desligou antes que a ligação se completasse. As mãos tremiam-lhe. A causa só podia ser a comoção pelo nascimento de Abigail. De qualquer forma, precisava se conter. Não daria rédeas às emoções. Não agora. Não era seguro.

Controle. Tinha de recuperar o autocontrole.

Fechando os olhos, invocou uma cena específica. Des­cobrira que rever-se criança indefesa ajudava-o a contro­lar as emoções e impedia-o de se magoar. Foram anos de prática, um interminável panorama de planícies estendendo-se aos horizontes de sua mente. Um grosso car­pete de neve cobria cada centímetro do solo gelado. A neve não reluzia ao sol. Não havia sol. Nem som. Nem movimento. Nem vida. Apenas manchas cinza-azuladas violavam a pureza da paisagem, bem como o céu acima, encobrindo todo o brilho. A imagem não trazia dor, tampouco oferecia paz. Era só uma imagem. E lá, naquela terra erma, ele mantinha o autocontrole.

Tirou o fone do gancho novamente e redigitou a mesma eqúência de números. No quarto toque, uma gravação atendeu:

— Não podemos atender no momento. Deixe seu recado... por favor.

A voz feminina acrescentara o "por favor" a contra­gosto, por obrigação. A um sinal agudo seguiu-se um silêncio glacial.

— É Sesshoumaru — declarou, por fim. — Só achei que gostaria de saber. Sou pai agora. Minha filha é linda e se chama Abigail. Dois quilos e oitocentos gramas. Ligue-me quando puder e marcaremos uma visita. Ah, e...

Outro som agudo anunciou o término do tempo para recado.

— O casamento foi lindo — completou Sesshoumaru, o queixo duro. — Pena que tenha perdido.

Devagar, desligou o telefone. E foi embora.


Ihhhhhh Quem sera essa mulher misteriosa a quem Sesshy ligou??

Será uma amante??

Será uma amiga??

Será uma familiar??

Hummmmmm... Não se sabe!!

Assita...OPA... leia os proximos capitulos e verá!!

HAHAHAHAHAHHA

Dessa vez eu não vou responder as reviews por que estou com um pouquinho de pressa!

Alias, vou responder a uma Mensagem, não review, mensagem mesmo que uma pessoa mandou para o meu e-mail e eu achei super certO!

A mensagem foi enviada por: grimmjow-sama

Por que essa fic está diretamente direcionada para as mulheres?
Isso tudo é ódio dos homens? haha
Sabe, isso é meio preconceituoso de sua parte x)
Nós homens, também gostamos de histórias românticas,
melosas e cheias de amor...ahuhauauauh.Nós temos um lado romântico também,
não gostamos apenas de Hentai! ;P
Confesso que entrei nesse mundo de fics a pouco tempo, mas sinceramente,
estou adorando!Elas conseguem te
prender!Não sei porque!E não é qualquer história que consegue me prender
! E você realmente consegue fazer com que, nós leitores
fiquemos presos a cada paragrafo, linha, palavra.Você realmente está de
parabéns!

E continue a escrever logo. :)

Meu comentario: meninooooooooooooooooooooooooooooooooo...acho super certo!! Amei sua mensagem e postei ela, pois assim outras leitoras que tem a mesma ideia refliam. Eu adimito meu feminismo e a partir de agora eu serei a favor as MULHERES e aos HOMENS! eeeeeee!!

Fico feliz que um menino esteja lendo uma fic minha!! E outros eu sei que gostam também!!

huuuuuuuuu

EMOÇAO!!

Bom agora que eu expressei minha opinão, vamos aos agradecimentos: v-chan, queenrj, Hinata-chan, Acdy-chan e é claro a grimmjow-sama.

Meninos e meninas um beijo no kokoro de voces!! E Bom domingo!!

Ah nao deixe de expressar sua opinião hein!

Megumi.Legume