Capitulo IV – canções de embalar

Jiraya virou-se varias vezes na cama para tentar dormir, mas não conseguia. A sua cabeça estava num turbilhão de pensamentos que não o deixavam descansar. Já tinha passado dois meses desde que Tsunade havia abandonado a aldeia, e desde esse momento o sanin vive numa constante agonia desespero e cheio de preocupação.

- Por favor tem cuidado meu amor! – dizia o sanin enquanto fintava uma foto deles os dois na sua mesa de cabeceira.

Depois de algumas horas na escuridão a tentar puxar o sono, Jiraya finalmente levantou-se e dirigiu-se ate um calendário que tinha atrás da porta do quarto.

- Portanto ela contou-me no dia 7, por isso…- disse o sanin começando a contar os meses no seu calendário.

- Maio…. Dia 7 de Maio acaba o tempo…- disse ele assinalando essa semana. Jiraya tencionando fazer uma visita a Tsunade nessa semana para conhecer o seu filho e assumir a sua paternidade, pois Jiraya estava já a habituar-se a ideia de ser pai, poder treinar o seu filho era uma ideia que estava a fascina-lo e poder voltar para a sua Tsunade era o que mais queria.

Passado mais dois meses numa tarde de Dezembro, Jiraya observava as famílias unidas a fazerem compras de natal. Nem mil palavras davam para descrever a angustia e desespero que habitava dentro de Jiraya. Não conseguindo conter-se mais Jiraya foi direito ao telefone e ligou para Tsunade. O telefone tocou inúmeras vezes, ninguém atendeu, ao fim de algum tempo a chamada foi recebida pelo atendedor de chamadas.

-er.. Tsunade? Querida eu sei que estas ai e que não queres atender… - começou ele. Jiraya estava correcto, ao reconhecer o numero de telefone Tsunade não atendeu, mas escutava Jiraya sentada ao lado do telefone a comer uma maça.

- eu vim pedir-te mais uma vez desculpas… eu sei que estas muito chateada comigo, mas eu amo-te e quero ficar contigo para sempre, quero ver o meu filho crescer feliz com nos os dois. – continuou ele. Tsunade continuava sem atender, o tempo da mensagem terminou e o sanin desligou o telefone. Tsunade tinha vontade de ir a correr direito a ele, beija-lo e voltarem a ser felizes. Passou uma mão na barriga já bem grandinha ao fim de 4 meses. O telefone tocou novamente, era ele outra vez, a chamada foi novamente atendida pelo atendedor.

- querida tudo aquilo que eu disse, é imperdoável e era falso… mas o que sinto por vocês dois, é verdadeiro… eu… eu quero estar junto a vocês… quero abraçar-vos… quero acordar a meio da noite para lhe dar um biberão… quero brincar enquanto lhe dou o comer.. eu quero tudo… amor… aquilo que disse foi sem intenção… juro por deus que vos amo e quero-vos aos dois. – disse o sanin com uma voz triste, notava-se pelo tom que ele estava a chorar. Tsunade estava sentada no sofá ainda a comer a maça, nesse momento uma lágrima começou a correr-lhe no rosto. O telefone tocou mais uma vez.

- Tsunade? Sou eu outra vez, queria… eu estive a ler um livro de crianças pequenas… e vi que a partir dos 4 meses os bebes já podem ouvir e reconhecer os sons… - disse ele ainda com a voz a tremer.

Tsunade deu um salto, não esperava que Jiraya soube-se algo sobre bebes, muito menos ler um livro sobre eles… e se Jiraya estivesse realmente arrependido, deveria Tsunade dar-lhe uma segunda chance?

- querida eu sei que estas ai a ouvir-me, por isso queria que pusesses o telefone perto da barriga,… para eu poder falar ao meu filho… - Pediu o sanin. Tsunade ficou admirada, decididamente Jiraya não parava de a surpreender…a Sanin aceitou a proposta e chegou o telefone a barriga. Jiraya aguardou um tempo estimado que Tsunade demoraria ate executar o pedido.

- Bebe? É o papá que esta a falar… eu sei que estas muito zangado comigo, mas o papá adora-te, toma bem conta da mama… já agora tenho umas coisas para te dizer… - disse Jiraya com a voz ainda a tremer. Tsunade ficou curiosa para saber o que Jiraya tanto queria dizer, foi então que o ouviu a cantar:

Inicio

- Talvez eu não te tenha amado;

Tanto quanto eu poderia;

Talvez eu não te tenha tratado;

Tão bem quanto eu deveria

Se eu te fiz sentir-se em segundo plano

Desculpa, eu estava mentir

Porque tu sempre estiveste no meu pensamento

Talvez eu não te tenha abraçado

Em todos aqueles solitários momentos

Acho que eu nunca lhe disse

Que sou tão feliz porque vocês serem meus

Eu devia ter feito e dito pequenas coisas

Simplesmente nunca aproveitei o tempo

Mas tu sempre estiveste no meu pensamento

Sempre estiveste no meu pensamento

Diz-me, diz-me que o teu doce amor não morreu

Dá-me, dá-me só mais uma chance

Para vos agradar

Eu prometo que vos agradarei

Fim

A chamada terminou novamente e Tsunade pousou o telefone, deixando cair a cabeça na mão esquerda que estava apoiada e com a mão direita massageava a sua barriga.

- Porque Jiraya?, porque é que tiveste de estragar tudo? – disse a Sanin deixando cair uma lagrima em cima da sua barriga. O telefone tocou novamente.

- Eu posso ver como tu és linda podes sentir o meus olhos em ti. Sou preocupado e sigo-te e vejo que chegas-te bem a casa e certifico-me de que não me viste, sempre a espera que me vejas, ás vezes pergunto-me por quê é que tu me olhas e piscas o olho e então vejo o meu reflexo nos teus olhos, oh por favor fala comigo, mostra alguma piedade tu tocas-me de muitas maneiras mas de qualquer forma "Um dia morrerei por ti", eu escrevo num papel e gostaria de fugir dos meus reflexos nos teus olhos, oh por favor amor fala comigo, mostra alguma piedade tu tocas-me de muitas maneiras mas sou idiota porque não posso ter-te, não posso deixar-te ai porque quero-te de volta mas não entendo como podes manter-me aprisionado e a cada hora acordado, sinto a tirares-me forças, oh por favor fala comigo, mostra alguma piedade não te posso deixar ir.- disse Jiraya desligando o telefone. Durante os 5 meses seguintes nenhum telefonema foi feito, Tsunade estava a conseguir esquecer Jiraya, mas o mesmo não se passava com o Sanin que olhava com impaciência para o mês em que o seu bebe iria nascer. O sanin não esquecera a promessa que tinha feito e quando o seu filho nasce-se Jiraya iria fazer-lhe uma visita.

Porem as coisas correram de uma maneira um pouco diferente, na semana em que Jiraya tencionava ir visitar Tsunade, Konoha fora atacada pela monstruosa raposa de nove caudas. O seu melhor aluno e amigo, e também hokage morreu nessa guerra, assim como muitos outros ninjas.

Quando a paz voltou a Konoha já era Agosto, numa manha Jiraya preparou a sua mala e saiu de casa. Não sabia ao certo onde Tsunade se encontrava, mas tinha um palpite, pois Jiraya lembrava-se de uma vez em conversa Tsunade lhe ter dito que tinha uma casa numa cidade um pouco longe de Konoha. Essa cidade tinha um grande hospital e muitos casinos que eram a perdição da sanin. Sem demora Jiraya pôs-se a caminho, após 2 dias de viagem o sanin chegou finalmente a cidade.

- bem agora é só começar a procurar… - disse ele começando a caminhar pela pequena aldeia e rapidamente conseguiu sentir o chakra emitido por Tsunade e por Shizune, estavam as duas juntas. O sanin bloqueou o seu chakra e aproximou-se da casa, ao aproximar-se conseguiu sentir um terceiro chakra que vinha da casa, era pequeno, mas forte. Jiraya entrou no terreno dirigiu-se ate a casa e espreitou pela janela, conseguiu ver Tsunade a baloiçar um berço junto à cama.

- vai agora que ele esta a dormir – conseguiu ouvir Shizune dizer. Logo ali Jiraya ficou bem contente porque só nessas palavras já sabia que o seu filho era um rapaz. Ouviu a porta principal a fechar-se delicadamente, Jiraya encolheu-se ao máximo para não ser visto. Conseguiu ver Tsunade a passar na direcção do hospital, era essa a sua oportunidade, se Tsunade estava a ir para o hospital é porque tinha alguma reunião, e não demoraria menos de 20 minutos. O sanin deslocou-se sem levantar suspeitas ate a porta da cozinha que estava aberta, entrou com muito cuidado para que Shizune não o ouvisse, lentamente dirigiu-se ate a sala com muita calma e concentração o sanin juntou o chakra na palma da mão, aproximou-se da ninja medica por traz " desculpa Shizune" pensou ele antes de lhe colocar a mão nas costas e a ninja medica desmaiar. Cuidadosamente Jiraya colocou-a no sofá, deu uma olhada pela casa e ficou triste, não havia ali nada que lhe pertencesse ou que o pudesse identificar, foi ai que o ninja realmente se apercebeu que Tsunade não o queria por perto nem queria que o seu filho soubesse quem era o pai. Jiraya consegui ouvir do quarto um choro minúsculo, provavelmente acordara o bebe quando Shizune desmaiou. O sanin dirigiu-se ate ao quarto, olhou em redor, ali também não havia nenhum sinal dele, mas parou a fixar o nome que estava fixo no berço que suportava o bebe.

"Anouk"

- que lindo nome – disse o sanin enquanto se dirigia ate ao berço. Quando olhou viu um bebe robusto de cabelo branco era já grandinho pois já tinha 3 meses tinha as bochechas rosadas e gordinhas.

- olá bebe… sou eu o papá… - disse Jiraya para a criança que começava a sorrir e a esticar-lhe os braços.

- sabes o papá não pode demorar muito tempo aqui porque senão a tua mãe trata de te por órfão de pai! – disse ele dando os seus dedos para a criança apertar. Jiraya sentiu a estranha sensação de que a criança estava a percebe-lo e que se recordava dele. O sanin ficou ali durante minutos a conversa com a criança e brincar com ela.

- Bebe o papá vai ter de ir embora. – disse numa voz triste, e rapidamente a criança parou de sorrir e começou a fazer beicinho.

- hee eu sei também não me queria ir embora… mas a mama não deixa… mas um dia vamos estar juntos! Prometo. – disse ele fazendo uma festa na cara do menino.

- vais crescer longe de mim… vais ver que é melhor… - disse o sanin com uma lágrima no canto do olho.

- queres que eu fique ne? Mas não vai poder ser Anouk… pois sei, nada tenho para te dar, mas vou-te selar para te salvar se deus assim quiser – afirmou Jiraya começando a desapertar o Bodie do bebe deixando-o com o peito a mostra, nesse momento o Sanin fez uma seria de movimentos e colocou a palma da sua mão direita no ombro esquerdo do filho. O bebe começou a chorar com força pois ficou marcado pelo Jutso de Jiraya.

- enquanto viveres aqui, não correras perigo! – disse Jiraya passando a mão na cabeça do seu bebe para o acalmar.

- vamos, meu filho, e não chores mais, dorme no berço ao luar… dorme e relembra esta minha canção, estarei contigo a sonhar… - cantou o sanin embalando o bebe e acabou por adormecer agarrado aos dedos do pai. Delicadamente Jiraya separou as mãos sem acordar o bebe e saiu da casa, voltando assim novamente para Konoha.

Ao fim de 40 minutos de Tsunade ter saído de casa já estava de volta, admirou-se por a sua criança ainda estar a dormir. Quando entrou na sala a sanin ficou com uma cara seria, Shizune estava a dormir no sofá e tinha os livros caídos antes dela, o que se teria passado ali? Foi direita ao quarto, o bebe dormia profundamente, então voltou a sala.

- Shizune! Shizune! – chamou a sanin sacudindo a amiga.

- ahh? .. - perguntou Shizune ensonada

- o que é que se passou? – perguntou Tsunade preocupada

- não sei, eu ia estudar… senti algo quente nas costas… e depois adormeci… - disse a ninja levantando-se num salto.

- um quente nas costas?... alguém esteve aqui… e adormeceu-te… - disse Tsunade dando uma olhada pela casa

- o Anouk? – perguntou Shizune muito preocupada

- esta a dormir, calma ninguém o levou… mas gostava de saber… quem esteve aqui…- disse a sanin apanhando os livros do chão.

- Tsunade… do pouco que eu me lembro…eu antes de adormecer… senti um chakra… só que logo a seguir adormeci.. – afirmou Shizune ajudando Tsunade.

- e? reconheceste? Quem era? – perguntou Tsunade voltando a deixar cair os livros.

- era o Jiraya… - grunhiu Shizune com a voz rouca.

- o Jiraya? Mas o que é que?... espera ai… - disse Tsunade ao mesmo tempo que dava um pulo e ia a correr para o quarto do bebe. Shizune seguiu-a, delicadamente Tsunade levantou a criança que ainda dormia, e começou a observar o filho.

- pois já podia imaginar isto… - disse Tsunade passando as mãos nas costas do menino.

- o que foi? – questionou Shizune inclinando-se para ver melhor

- isto aqui… é um selamento de protecção… o Jiraya selou o filho com um jutso de protecção, isto quer dizer que enquanto o Anouk viver nesta casa, nada de mal lhe irá acontecer. – esclareceu Tsunade voltando a deitar a criança

- estas zangada? – perguntou Shizune

- não… acho que ele fez bem, eu própria ando a tentar fazer este jutso, mas as especialidades do Jiraya são precisamente selamentos, e eu também não lhe queria pedir… assim ele agiu sozinho – disse a sanin saindo do quarto

- como vez ele preocupa-se com o bem estar do filho. – disse Shizune picando Tsunade

- estou a ver isso, finalmente esta interessado, mas também isso não lhe vai de valer muito… - disse Tsunade já chateada com o assunto.

- não achas que ele merece uma segunda hipótese? – perguntou Shizune, numa tentativa dos dois sanins se reconciliarem.

- não Shizune! Isso não vai acontecer e a partir de hoje nunca mais quero ouvir falar no Jiraya nesta casa! Ouviste? É uma ordem! – ordenou Tsunade irritada.

Shizune obedeceu, e nunca mais o nome dele se prenunciou dentro daquela casa, foi simplesmente ignorado e esquecido.