Disclaimer: Harry Potter pertence a J.K. Rowling, Bloomsbury Publishing, Scholastic Inc. e AOL/Time Warner Inc. Só os personagens originais e a fanfic pertencem a Fanfiker_Fanfinal, que me deu permissão pra traduzir.

Nota: Mil perdões pela demora. Andei um pouco desanimada com a tradução, principalmente porque acho que eu devia ter traduzido todos os capítulos da fic antes e ter postado como uma oneshot porque ela é melhor assim, lida de uma vez só. Mas enfim, já que comecei...

Então gente, preciso dizer, esse capítulo me matou toda vez que reli enquanto traduzia.

Quando o li pela primeira vez, há algum tempo, quase morri de vergonha alheia pelo Harry e ri como uma hiena. Eu precisava parar a leitura nos devaneios dele pra tampar a cara de tanta vergonha que sentia por ele (a vergonha aumenta mais pro final do cap, vcs vão entender porquê).

Atualização dedicada a Drarry's Home que tava tendo filhotinhos pela att e mandou PM me lembrando já que aparentemente eu tinha esquecido no churrasco.

Sem mais enrolação, boa leitura.


Com lavanda, por favor

Fanfiker_Fanfinal

Tradução de Potterfoy


Esse maldito Malfoy é muito bom com as curas e as poções. Harry sente logo em seguida um alívio em seu pulso, as poções tomadas pontualmente parecem lhe fazer bem. Volta ao escritório, continua preenchendo relatórios, retorna a sua rotina, com seu companheiro Wellington e seu amigo Ron, com ocasionais visitas a Toca e esporádicas saídas com Hermione e Ron ao mundo bruxo. Sua vida não pode ser mais satisfatória, e enquanto Harry se pergunta quando deveria convidar ao radiante Kevin uma noite para se conhecerem melhor, uma coruja chega a Grimmauld. O pergaminho leva um selo que Harry reconhece no instante. Estranhando, abre-o e começa a ler.

"Parabéns!

O senhor é nosso ganhador do sorteio realizado no dia dois de fevereiro.

E foi agraciado com um bônus de cinco sessões gratuitas que incluem os seguintes serviços:

Massagem com pedras vulcânicas.

Massagem desportiva com óleos naturais.

Tratamento com poções para qualquer mal.

Massagem relaxante com música ambiente.

Pode passar para receber o prêmio quando quiser. Poderá escolhera seu terapeuta!

Muita saúde.

A equipe da Casa Saúde Malfoy"

Harry pisca, erguendo os óculos como se essa ação fosse explicar-lhe a razão daquela coruja; a razão pela qual ele agora DEVE ir a clínica de Malfoy. Talvez exista alguma armadilha, alguma segunda intenção? Mas logo pensa em Kevin, e se propõe a verificar com ele; Kevin não vai mentir-lhe.

E Potter pensa na reação de Kevin quando o veja, talvez dizendo: fico tão feliz, senhor Potter, que seja o ganhador… me escolha e te farei subir ao céu.

Harry sorri ao sentir a dureza em sua parte baixa, mas então o quiromago que aparece em sua imaginação é dono de olhos cinzas decididos e cabelo liso e loiro. O moreno deixa de lado o pergaminho, os devaneios e ordena a Kreacher que lhe prepare o jantar.

Uma semana depois Harry recebe outra coruja para recordar-lo que deve resgatar seu prêmio já. O moreno está tentado a jogar o pergaminho na cara de Malfoy, com insulto incluído. Cretino irritante. Em vez disso, aparata de novo n'A Torre.

— Não deveria deixar que brinquem comigo — se diz o jovem, mais como um conselho que outra coisa.

Kevin não está, então fala com outro dos empregados para resgatar o bônus, que o parabeniza sorridente e lhe dá data e hora para a primera massagem, a relaxante. Seis dias depois Harry vai muito animado a clínica; teve um dia de cão no Departamento de Aurores e só tem vontade de desconectar. Ao chegar, a recepção se encontra livre, e o moreno entra para esperar perto do balcão, quando logo uma porta se abre ao lado da recepção e um loiro sai por ela.

— Maldita seja minha sorte — murmura Harry ao se dar conta de quem é.

Draco se vira e sorri de canto para Harry, apoiando as mãos de uma extremidade a outra da mesa, indaga:

— O que posso lhe oferecer, Héroi do mundo bruxo?

— Deixa de besteira, Malfoy. Tenho um horário pra hoje — e se abstém de acrescentar "e não é com você".

Draco abre a agenda de anotações de horários sem deixar de olhá-lo de forma divertida e então localiza o agendamento.

— Muito bem, venha por aqui — aponta a cabine quatro, a mais afastada de todas. O loiro se apoia em uma das paredes, os braços cruzados e completa: — Tire suas roupas, Potter. Toda, por favor.

Harry o olha furioso, e tira os sapatos com aborrecimento. Deixa seu casaco de frio pendurado no gancho da parede e seu suéter bege sobre a pequena cadeira ao lado. Como não escuta movimento, o moreno se vira, para encontrar com Malfoy na mesma posição anterior, mas com certo brilho nos olhos.

— Não vai sair pra que eu me troque?

— Que foi, Potter? Tem vergonha que te veja nu?

O loiro parece desfrutar incomodando-o.

— Não é pela vergonha, Malfoy, mas pelo protocolo — responde Harry igualmente aborrecido. — E se decide não segui-lo por ser o chefe, te recordo que meu prêmio era escolher massagem e terapeuta, e eu escolho que saia enquanto me troco.

— Hum, claro, claro — Draco parece ainda mais divertido e descruza os braços, saindo da sala.

Maldito Malfoy, e ele, por que continua indo ali? Bem poderia ter mandado ir a merda o prêmio, mas claro, tanto Hermione, como seu chefe, como seu companheiro lhe aconselharam não ignorar o bilhete ganhador, e é que as massagens da clínica são muito caras e cobiçadas. E Harry também cobiça certo castanho que tem a desgraça de trabalhar para um chefe tão odioso como Malfoy, quem certamente o faz cumprir horas extras e lhe paga uma merreca. Tudo isso são suposições de sua raiva, porque agora Draco e seu negócio parecem estar bem considerados no mundo mágico e ele não vai...

— Potter, ainda falta muito? — escuta uma voz. — Vou entrar, te dei o tempo suficiente que dou a todos os clientes para que se desnudem.

Harry sentou-se na maca com uma pequena toalha tampando suas partes íntimas. Ficou com os óculos postos como se ele lhe concedesse certa invulnerabilidade enquanto Draco o olha e levanta um pergaminho.

— Vejo que escolheu Kevin como massagista. Terá que me desculpar, mas ele teve que atender uma emergência médica.

— Quê? Achava que quem cuidava das emergência aqui era você.

— Não todas, Potter. Tenho pessoal de qualidade que me ajuda muito.

O moreno se agita nervoso na maca, e replica:

— Bom, não importa, me manda então qualquer outro companheiro seu — segura a toalha com a mão direita, no caso de que aconteça de cair.

O loiro caminha uns passos e volta a encara-lo.

— Veja, Potter, o caso é que hoje todos os demais tem o dia livre, temo que o único aqui sou eu.

Demônios, se agora alcança a varinha deixada sobre a mesinha e lança-lhe um Crucio, ninguém no Ministério vai saber, não é? Para que vão fazer o Priore Incantatem no Menino Que Sobreviveu?

— Maldito seja, Malfoy, você fez de propósito. Esperou que eu tirasse a roupa pra me dizer isso. Bom, voltarei a me vestir. Dê-me outra data então — e desce da maca sem esperar resposta.

Agora sim o loiro parece ofendido.

— Por Merlin, Potter, que queixa você tem de mim? Te tratei duas vezes, tratei sua mão e pela aparência com certeza está muito melhor, não tenho ouvido nenhum agradecimento da sua parte ainda, só reclamações e reclamações. Realmente me odeia tanto?

Harry pestaneja, espantado pelas palavras de seu nêmesi.

— Não te odeio, Malfoy.

— Prove-o — diz o outro com os olhos fixos nele.

— É só que... não estou confortável.

— Imagine que sou outra pessoa — diz o loiro, aborrecido.

— Se supõe que devo relaxar — adiciona Harry, um tanto surpreendido de que Malfoy não o deixe de uma vez.

— Ninguém me disse ainda que não relaxou em uma de minhas sessões: pra você seria uma honra ser o primeiro.

O que são esse sorriso e esse tom? Definitivamente Draco deveria deixar de lançar frases ambíguas ou Harry, em seu estado de necessidade, vai mal interpretar. Suspira. O dia foi realmente duro e ele precisa dessa massagem. Não amanhã, nem dentro de três dias, mas hoje. Por muito que lhe custe, precisa de Malfoy e das sensações de paz.

— Está bem, mas se me irritar, eu saio e não volto. É melhor, que outro aproveite meu prêmio, assim não volto a ver sua cara.

— Não se confunda, Potter, não estou rogando nada. Se você fica tão mal comigo, a porta da rua é serventia da casa — deixa o pergaminho em um canto e quando se vira, Harry já tirou o óculos e está lhe entregando.

— Que posição você quer? — diz, um pouco ruborizado, algo que não passa despercebido ao dono.

— Já deveria saber: deite de barriga pra baixo. Mas espera, vou lançar um feitiço em sua mão para não doer — e toma o antebraço de Harry apontando para seu pulso com a varinha. Sem desgrudar os olhos dos de Harry, murmura algo para logo concentrar-se em realizar vários giros com ela. Harry prende a respiração enquanto isso acontece; a mão de Malfoy sente-se cálida e Harry sempre imaginou que aquela serpente era um ser frio e carente de sentimentos. Quando cura, parece outra pessoa. Harry se chuta mentalmente por gostar desse lado de Malfoy. Uma vez que está deitado de barriga para baixo apenas ouve o outro garoto, e se concentra em sua voz.

— Agora vou relaxar um pouco o ambiente — e lança algum feitiço que faz que todo o solo que Harry pode ver por causa da posição se transforme em um mundo aquático com vida. Talvez por isso tudo está pintado de branco; porque assim, os próprios massagistas podem alterar-los à vontade. Imediatamente depois Harry escuta ondas do mar.

— Não gosto de pôr música, acho que isso é mil vezes mais relaxante, e como você é um cliente um tanto difícil de satisfazer, me dei permissão de escolher assim.

— O problema não é o lugar, Malfoy, e sim você — diz através da maca.

— Assim será um desafio pra você: por algum motivo se tornou auror, não?

Harry se abstém de responder; não é bom alterar-se, não agora. Pode olhar os peixes dançando enquanto as ondulações da água cristalina relaxam sua vista e o barulho das ondas lhe ninam.

— Se quiser mais peixes, ou menos peixes, só precisa pedir. Dizendo em voz baixa, já basta, pro caso de querer pedir cavalos marinhos e deixar essa preferência em segredo. Ou se preferir que em vez de água apareçam ondas de areia, tenho muitos fundos desérticos. O ambiente muda a seu gosto.

— E depois vai enfeitiçar o teto? — pergunta Harry, divertido.

— Claro, e se você se cansa de tudo só tem que fechar os olhos: fácil, né?

— Hum.

O ar é preenchido pelo cheiro do óleo de lavanda, que Draco espalha pelas costas de Harry de forma muito suave. Começa massageando a nuca do moreno, depois seus ombros, sem fazer nenhuma pressão especial nos músculos, simplesmente acariciando. Harry sente a nuca como um ponto muito sensível e tenta lembrar se algum de seus amantes o tocou ali; certamente, mesmo que não recorde. Continua contemplando as arraias, aqueles peixes achatados que se movem dançando de uma forma sutil, etérea, justo como Malfoy está fazendo em si. Será que Narcissa Malfoy vem ali receber massagens? Provavelmente, a mulher parece bastante vaidosa, e os aurores comentavam que o local é frequentado por bruxos de alta classe social. A princípio, Harry pensou em ir embora; se Kevin não estava, não queria nenhum outro, mas Malfoy parece ser especialmente bom em dar aquelas massagens, também. Tem um físico um pouco menos definido que Kevin, cujos braços parecem muito mais grossos a pesar de ser tão jovem. Logo, com o silêncio interrompido unicamente por aquelas ondas se quebrando e a maravilhosa paisagem aquática, Harry se sente bem.

De repente, o massagista passa as mãos pelas laterais de seu tronco e o moreno se tensa; o reflexo de seu corpo, e a triste explicação de ter passado muito tempo sem um encontro como Merlin manda. Logo, as mãos do loiro se espalham pelas costas, e parece que chegam a todas as partes. Talvez Malfoy tenha enfeitiçado seus dedos para aumenta-los e assim ter maior alcance de pele? Lamentavelmente, não está em posição de virar-se e olhar. Sente um formigamento em seu baixo ventre e fecha os olhos; quando abre de novo, Malfoy tinha passado para suas pernas, e se tensa de novo ao sentir-las na parte interna das coxas; um lugar muito sensível para Harry. Sua respiração começa a acelerar, Malfoy para de repente e se ouve um som de impacto contra uma mesa; depois, mais aroma de lavanda. Deixa de respirar durante vários segundos, marcando um ritmo descontrolado e se consola pensando que é só aquela região; quando Malfoy chegar a suas panturrilhas, aquela sensação de estarem lhe apalpando de forma intima passará, naturalmente. Mas o loiro terminou com suas coxas, e chegou a suas panturrilhas e ainda tem a mesma sensação: está se excitando. Começa a contar os tipos de peixes que há para se distrair, mas as mãos do loiro pressionam diferentes pontos lhe causando outro formigamento, dessa vez um pouco mais abaixo de seu abdômen.

— Mais peixes, mais peixes — sussurra, e o chão logo se enche de mais tipos de criaturas marinhas de diferentes formas e cores. Volta a conta-los, ignorando o fato de que seu membro começa a despertar em forma de ereção. Como contar parece funcionar, Harry convoca mais peixes, e mais e mais, enquanto as mãos do maldito toco-como-quero-Malfoy vão para cima e para baixo, jogando esse óleo de lavanda e tocando em pontos de suas pernas onde jamais um homem lhe tocou, onde nem sequer ele sabia que tivesse aqueles pontos tão sensíveis; as mãos trabalham com leveza, soltas, tocando tímidas mas decididas, e todo o concerto de apalpações fazem parecer como se Malfoy estivesse tocando algum instrumento musical de cordas, com veemência, com respeito e ternura, com um cuidado que jamais teria pensado que pudesse nascer no coração de um ex comensal.

Nesse passo os peixes já não cabem no mar e Harry tem a boca seca de tanto contar. Enfim parece haver um pequeno descanso porque já não sente as mãos em nenhuma parte; se dispõe a dormir um pouco quando as nota no traseiro; agarrando-o, com força. Harry pula e recua sem poder evitar porque qualquer movimento o pega de surpresa. Escuta a voz de Malfoy.

— Não estou fazendo nada indecente, Potter. Todos meus empregados tocam as nádegas do cliente. Mas se te causa incômodo eu pulo metade da massagem e pronto. De qualquer jeito, você é auror, deve ter enfrentado mal maior que esse, não?

Qual o problema desse cretino? Agora o culpa por ser tão sensível... e ainda por cima lhe diz que tem permissão para tocar seu traseiro.

— Sem piadas, Malfoy, quero relaxar. Mas sim lhe pediria que me avisasse aonde vai me tocar, para que me antecipe a seus movimentos.

— As massagens não funcionam assim; você mesmo confiou no momento que em se deitou e me deixou fazer. Seu corpo está a minha mercê agora, por sua própria decisão, relaxe ou não terá servido para nada. Quer mais peixes, outro óleo talvez, coloco música? Canto algo pra você?

Tem certeza que o grande idiota está se divertindo; não pode deixar esse costume de incomoda-lo que tem tão enraizado desde Hogwarts. Decide que é pior que Malfoy fale, ao menos estando calado pode pensar em coisas agradáveis.

— Não. Não fale — diz o moreno, cansado, e convoca mais peixes.

A massagem continua e Harry aperta os punhos. Ofega de forma involuntária porque Malfoy continua tocando e tocando e sua mente já não pode contar peixes; decide que pegou birra deles, assim que sussurra "sem peixes" e então se dedica a fantasiar.

"Aquelas mãos tinham chegado ao lugar onde Harry manteve a entrada bem proibida, e seu jovem amante, que ainda não tinha rostro, tocava-o como um deus; sabia aonde tinha que pressionar, aonde manter-se mais tempo, aonde menos, enquanto tocava um concerto com seu traseiro. Depois, pouco a pouco notou que lhe abria as nádegas e um dedo travesso navegava até fazer círculos em sua entrada. Após vários movimentos circulares que o deixaram louco, o dedo médio se introduziu devagar, muito devagar, e era esse dedo porque Harry amava vê-lo desaparecer quando ele o fazia a outros, escoltado pelos dedos restantes, que pareciam acolher o resto da nádega. Depois, outro dedo se uniu, pressionando dentro, mas sem buscar nada em concreto. Aqueles dois dedos brincalhões se dedicaram a fazer movimentos circulares outra vez, mas então com um objetivo: dilatar Harry. Sentiu uma respiração quente em sua nuca e um braço rodear seu abdômen, estudando seus músculos com avidez; logo repartiu beijos pela coluna vertebral e então os dedos alcançaram a próstata e..."

Harry desfaz aquela incrível fantasia porque se seu membro não o ergueu alguns centímetros da maca pela dureza existente, talvez tenha feito um buraco nela. E se impõe o sentido comum: não seria grato nem educado gozar em uma das toalhas de Malfoy. Uma coisa é que o imbecil lhe veja pelado, outra coisa é que o veja pelado e gozado.

Tenta normalizar sua respiração enquanto continua sendo massageado, volta a convocar peixes e volta a conta-los. Decide que jamais receberá essa massagem novamente, porque o loiro tem razão, Kevin já lhe tocou ali outras vezes, mas ele sempre fez massagens para desfazer qualquer contratura e mesmo que acabe sendo um pouco erótico, não é o mesmo que essa. Nenhum pouco. Não entende como os clientes podem dormir com isso, e talvez tenha que perguntar a Wellington — porque duvida que Ron tenha ido a um massagista alguma vez — se tem tido sensações estranhas.

Finalmente aqueles dedos deixam de tortura-lo, e Harry pode recuperar seu controle mental e fazer diminuir um pouco a ereção presente.

— Pode se virar, Potter. Cubra seu minúsculo documento com a toalha, ou terei que massagea-lo também para que tenha um tamanho adequado.

Draco Malfoy está extrapolando. Harry se contém para não assassina-lo, e diz a si mesmo que se a ereção voltar em alguns minutos, vai bater na cara dele com o pau. Forte, até que perca a consciência. O loiro parece engolir uma risada, e Harry teme ter se expressado em voz alta.

— Você é um imbecil, Malfoy. Não sei como seus subordinados te aguentam — diz, irritado, e depois que coloca a toalha sobre sua pélvis (apertando, no caso da força do seu membro superar a do seu braço), o loiro, que estava de costas para ele, se vira.

— Era uma piada, Potter, mas se te incomoda é evidente que eu tenho alguma razão — abre as mãos em sinal de trégua. — Eu continuo com minha massagem e você com seu relaxamento. Enfeitiço o teto?

— Sim, por favor, qualquer coisa será melhor que ver você. — Draco aponta ao teto branco e imaculado com sua varinha e de novo há água por cima, só que agora se nota uma luz traspassando o líquido, como se um mergulhador fosse emergir da água. Porra, esses feitiços são bons, certamente acalmavam a uma criança pequena. Narcissa e Lucius faziam o mesmo com Draco quando era pequeno? — O que posso convocar aqui?

— Aqui nada, só olhar e desejar se aforgar — replica o outro, massageando de novo a coxa.

Talvez Malfoy também esteja carente de sexo, e por isso é tão insuportável. Sente um pouco de pena porque talvez não tenha tantas oportunidades como ele, sendo famoso e tal. Logo se dá uma chute mental por ter pensado assim. Ele jamais usa sua fama para aproximar-se de alguém, por isso não tem nenhum sentido. Harry olha suas pernas peludas, que talvez incomodam Malfoy, porque ele parece não ter pêlo em nenhuma parte, com essa tonalidade tão pálida. Harry tinha levado as mãos para as laterais, apertando para baixo a toalha, para o caso da sua ereção querer dar um olá. Ao acabar sua massagem nas articulações das pernas, Malfoy se dirige até sua cabeça e levanta a cabeceira da maca.

— Está há muito tempo deitado, assim estará mais confortável — diz, e Harry se encontra semi sentado, e a verdade é que lhe agradece, mas não perde a oportunidade de regar com um pouco de sarcasmo.

— Não poderei olhar o teto.

— Não te agrada tanto quanto os peixes; além do mais, já estou terminando.

Ambos cruzam olhares, e Harry decide então fechar os olhos. E então lhe tocam ali: em um ponto onde não pode ser que tenha essas reações. Abre os olhos: Malfoy havia conjurado uma cadeira de frente a ele, está sentado e suas mãos descansam na parte interna dos seus pés, com o polegar roçando ligeramente.

— Agora deve estar se perguntando por que toco seus pés; se chama reflexologia, Potter, e seus queridos trouxas o estudam. Uma das poucas coisas interessantes que tem. Cada ponto do corpo está fixado aqui, de forma que posso tocar seu fígado pressionando aqui — Draco passa seu dedo índice pela sola direita, na metade do pé.

Harry quer perguntar por que é tão prazeroso aquele toque na parte interna de ambos pés (1), mas não quer saber: certamente Malfoy vai usar isso para escarnecer e já não quer mais brigas. Draco passa os dedos por lugares estratégicos em um de seus pés e levanta a vista para topar com o olhar míope de Harry, quem o vê como um borrão branco, mas se sente observado; Malfoy o acaricia como se quisesse arrancar suspiros de prazer, Harry tem que apertar outra vez a toalha e decide fechar os olhos. Mas como já havia gastado uma carta de autocontrole, a mente o trai ajudando as necessidades de seu corpo.

"Draco Malfoy era um nojento e portanto bateu na cara dele. Com seu pau. Forte, só que o grandíssimo insuportável lhe sorriu, e suas mãos apareceram para acariciar o membro a seu bel-prazer. O loiro não deixava de olha-lo enquanto sua mão subia e baixava, e quando achou tê-lo torturado com suas infames mãos, adicionou a boca a equação, e Harry engoliu saliva ao notar a língua do loiro girando ao redor de sua glande. O tremendo babaca o fazia devagar, muito, muito devagar, e de repente a outra mão brincava com seus testículos, e Malfoy todo estava concentrado nele, inevitavelmente. Harry, confuso e irritado por seus pensamentos tão impróprios, pegou pelos braços o Malfoy de sua imaginação e lhe estampou contra a maca.

— Agora eu que vou te dar uma massagem, Malfoy, mas não vou ser tão cuidadoso.

— Não importa, Potter, sou um garoto grande e posso aguentar."

A aparente submissão do loiro injetou mais sangue em seu membro, e as mãos de Harry agora eram punhos.

— Seus... seus pais sabem que se dedica a isso? —Harry se ouve patético, com a voz rouca e lança um olhar rápido a toalha que o cobre, temendo tê-la feito explodir em pedacinhos: está intacta, cobrindo uma região ligeiramente saliente.

— Claro que sabem, por que iria esconder? —responde Malfoy divertido.

Não é justo. Malfoy faz o trabalho duro, ele é quem lhe dá prazer, mas aparentemente o babaca desfruta enquanto Harry tem que fazer verdadeiros esforços para não gritar, para não pegar Malfoy, arrancar essa roupa e fodê-lo nessa cabine; com peixes e cavalos marinhos e com suas infantis ondas.

— Não sei, não te imaginava dedicando-se a isso.

— Percebo certa animosidade em sua frase, se atreve a negar? — responde o outro, levantando-se e adquirindo assim uma postura muito digna. Como Harry não contesta, adiciona: — Terminei, pode se vestir.

Aponta ao teto com a varinha fazendo desaparecer a imagem de ondas aquáticas, assim como a ondulação do mar. O cubículo fica em silêncio, e Harry leva uns minutos para se recuperar. Mas há algo do qual não pode se desfazer, então sai correndo em busca do banheiro. Cinco minutos depois, com sua túnica na mão e alguns cabelos próximos a testa ligeramente molhados, se dispõe a ir embora. Novamente, Malfoy, com sua impecável aparência, encontra-se atrás do balcão da recepção; sem um cabelo fora do lugar, enquanto ele sai feito uma zona.

— Até logo — diz Harry por educação, mas o loiro lhe para com sua voz.

— Espera, Potter — saindo detrás do balcão, se apoia nele, faz um gesto para que o outro se aproxime e o olha intensamente. Contempla os óculos torcidos, o cabelo despenteado com mechas molhadas e os lábios ligeramente vermelhos, como se houvesse se mordido com muita força. — Sabe, não seria errado praticar todas essas coisas que passavam por sua cabeça.

A princípio, Harry parece entrar em pânico, mas como sempre, sua boca fala antes de pensar.

— Não sei do que tá falando, Malfoy.

— Sim, você sabe, não se faça de tonto.

O moreno franze o cenho, tentando encontrar algum sentido que seja diferente de humilhação. Não é possível que Malfoy pense nele desse jeito.

— Então por que desfruta tanto das minhas sessões?

Bem, lhe descobriram. Nada que não se espere, tem sido muito evidente ali dentro. A primera vez também não se portou como um santo. Então decide enfrentar a verdade, mas não será ele quem vai dizer.

— Bom, Malfoy, e o que te importa?

— Não gosto que batam punhetas em meu banheiro — solta o outro, à queima-roupa, sem anestesia, e olhando-o com esses gélidos olhos cinzas.

Harry abre a boca para perguntar como caralhos sabe disso. Mas lembra de Malfoy e o quanto desfruta da sua incomodidade. Suspira e confessa.

— Não voltará a acontecer, relaxa, não virei mais.

A reação do Slytherin o desestabiliza: o loiro cruza as pernas, abre os braços e proclama:

— Não seja tão radical, Potty. Muitos homens já se excitaram com as massagens.

Sim, pensa Harry, mas eu só o fiz com você.

— Claro.

— Então, que bicho te mordeu?

— Por que insiste em me incomodar?

Bem, aí está sua primeira chance. Se não for embora agora, é possível que se estranhem outra vez, porque Potter não está disposto a deixar que lhe faltem com respeito, e menos ainda por ser gay.

— Não o faço. Estou flertando contigo, mas você é muito imbecil para se dar conta. — agora sim Harry perdeu a cor do rosto. — Oh, claro, você gosta de homens, não, Potter? Lá dentro não pensava em nenhuma Weasley, ou Granger. Acha que não notei que ficou duro? Em quem pensava? Em mim, talvez?

O cúmulo da indecência: a única conversa duradoura que tem com o loiro depois da guerra e é para jogar em sua cara sua homossexualidade. A irritação de Harry cresce em momentos, e lembra que Malfoy não gosta de ser comparado.

— E por que não em Kevin? Ele é muito mais agradável que você.

O loiro parece um pouco irritado, mas sabe reagir.

— Bom, poderia ser, mas vejo que você tem certa fraqueza pelos tipos astutos e atraentes como eu.

Harry agora incomoda-se bastante que ele ainda por cima sugira que é impossível não notá-lo. E se cansa de seu enorme ego.

— Bom, Malfoy, o que é que você tem, a bola de cristal de Trelawney?

— Algo melhor, mas vai se irritar se te falo. — o loiro está jogando verde, não é? Com um pouco de medo, Harry responde:

— Vou embora se não o fizer.

— Vá, então. Mas nunca saberá se os desejos são correspondidos. — Malfoy e os desafios. Esse garoto realmente precisa de um irmão, ou alguém para dividir: estar só com esse pai comensal fez estragos em sua personalidade. — Seca a baba, Potter. Compreendo que só o fato de imaginar ter algo comigo tenha te deixado impressionado.

Bem, o loiro quer jogar com insinuações sexuais: Potter não tem problema com isso; ao menos, não com ele, porque sente que desperta seu mais puro instinto Slytherin e sua capacidade de cuspir veneno está a altura do outro.

— Você? Não me faça rir, não seria capaz de seguir meu ritmo.

— Suas dores na bunda por causa do quadribol seriam arranhões comparados com meu ritmo sexual.

— Que carente, Malfoy — Harry reprime uma risada porque seu comentário foi tão infantil...

— Se chama paixão, mas não acredito que algum dos pobretões tenha te mostrado.

Harry ainda acha difícil imagina-lo como um pervertido, lhe diverte.

— Quem diria com esse ar esnobe e essas ideias de serpente.

— O Malfoy que você conhece não tem nada a ver com o verdadeiro — ali, Harry sente curiosidade. Não, nunca conheceu Malfoy porque esse só lhe mostra um lado, melhor dizendo, o lado mais horroroso de sua personalidade, se é que há algo nele que valha a pena.

— Você é falso?

— Não. É que você não é meu amigo — o loiro parece furioso. Sabe que está sendo atacado por sua personalidade e tem as garras amostra.

— Quem ia querer ser? Você fala sobre si mesmo durante o dia todo, em seguida, sobre o seu pai, e ainda lista todos e cada um de seus pertences e isso não é nada que eu tenha interesse em escutar.

— Também posso te fazer escutar coisas que são um privilégio, mas claro, duvido que possa me levar a esse êxtase, Potty — porém, o grandíssimo cretino sabe que é asquerosamente atraente e abusa disso. Passa uma mão pelo cabelo e suas mechas voltam a estar no mesmo lugar.

— Fala de sexo? Que pervertido, Malfoy.

— Me limito a fazer o mesmo que você tem estado fazendo na minha sessão, sem minha permissão — Harry sente a tentação de arrancar a camisa branca que não se ajusta ao corpo dele.

— Desde quando tenho que te consultar sobre o que passa por minha mente?

— Desde que eu sou o protagonista.

Pausa. É a terceira vez que Potter escuta isso, a terceira vez que Malfoy insinua — e muito convencido — que tem tido pensamentos impuros com ele. De que forma pode ter adivinhado? Poderia ter estado pensando em Kevin. De repente recorda o momento do "vou lançar um feitiço em sua mão para não doer". A mão doeu da mesmo jeito, e o loiro murmurou algo enquanto olhava em seus olhos. De repente tudo encaixa.

— Um… um momento… usou legilimência em mim?

— Você é um péssimo oclumente — o pérfido nem nega. Harry se sente violado; se sente vítima de alguém que tem bem poucos princípios, de alguém que, Harry pensou por um momento, havia se redimido. Mas continua sendo o mesmo saco de merda, e vai se lembrar disso.

— Você se dedica a ler a mente das pessoas… é um lixo.

— Deveria se perguntar porque se sou lixo você passa a sessão se excitando comigo.

Isso é razoável e Harry tampouco sabe o que fazer. Algo anormal acontece em seu corpo e mente.

— É verdade, irei ao psicomago. Marcarei uma consulta no St. Mungus.

— Oh, não precisa, são muito caros. Eu posso te fazer a terapia adequada, passa, passa.

Harry se vira e decide que não pode perder mais tempo com esse pretensioso que além do mais viola sua intimidade, por isso se dirige a porta, mas esta não se abre.

— Malfoy.

O loiro continua apoiado, não se moveu do lugar e a clínica está vazia.

— Vou esperar que alguém saia e irei.

— Não há ninguém, Potter. Eu dei o dia de folga a meus funcionários e de passagem também dei a mim mesmo.

— Oh, e tanta honra por quê?

— Suponho que você está desapontado por não ter ofegado. Bem, agora é sua chance.

— Vai pro inferno, convencido — Harry só quer insultar. Quer voltar para casa, a sua sombria e triste casa de Grimmauld, para matar-se na punheta porque não consegue um encontro com ninguém decente. E agora não poderá fazê-lo com Kevin.

— Falo sério, Potter. Posso te ajudar — Draco parece apagar todo gesto de orgulho. Harry, pela primeira vez, acha que soa sincero. E se realmente está flertando com ele?

— Vamos ver, qual é sua terapia?

— Vem comigo — diz-lhe Malfoy, e se o loiro acha que vai fazer das dele, se enganou. Porque agora não tem nenhum contrato nem está pagando por nada; pode ir quando tiver com vontade e quer ir com a sensação de não ter fugido, mas sim de ter enfrentado esse idiota. Senta-se em uma poltrona diante de uma mesa.

— No seu relatório diz que tem fantasias com o loiro mais bonito do mundo bruxo, quem o senhor odeia.

Agora Malfoy parece fazer uma paródia e Harry vai seguir seu jogo. É fácil, porque ele se aliviou no banheiro e Malfoy não. E se realmente lhe excita tê-lo a sua frente... bem, ele pode dar-lhe um susto.

— Eh… algo assim.

— Algo assim? — realmente pego de surpresa, uau.

— Não sou bom explicando as coisas e não vou contá-las a você, Malfoy — Harry no fim joga as costas para trás, revira os olhos. Draco parece absolutamente fascinado com a interpretação do moreno. Sinceramente, não pensava que o outro caísse tão facilmente: deve estar realmente necessitado.

— E, hum, vamos ver, temos vários casos semelhantes, não importa. Nós vamos fazer sem palavras.

Se levanta e manda Harry fazer o mesmo: agora estão frente a frente e nem um desvia o olhar do outro. É como se eles se carregassem de adrenalina.

— O que acontece quando te toco aqui? — Malfoy suaviza a voz e toca devagar o ombro de Potter; o hombro que anteriormente foi acariciado sem reservas.

— Me relaxa.

— E aqui? — e agora o loiro desce para tocar no centro do peito, obtendo o que quer: a carreira errática de suas pulsações.

— Me tranquiliza — pega Potter mentindo, agora que seus olhares não conectam porque o moreno fechou os olhos.

— Tem certeza?

— Não. Me deixa nervoso — Potter diz, irritado, olhando-o com raiva.

Malfoy se aproxima demais, invadindo o espaço pessoal do Gryffindor, e estende um braço para passar por trás, tocando assim as costas dele.

— E aqui?

Harry novamente fechou os olhos e Malfoy está muito perto, respirando em seu rosto.

— Hum. Mais uma vez, eu gosto de suas mãos, Malfoy.

Draco observa como seu nemêsis morde novamente o lábio, algo que tem estado fazendo durante toda a consulta e que lhe parece extremamente sensual. Agora é ele quem tem que parar suas pulsações.

— Bem melhor, a terapia funciona. Você gosta das minhas mãos ou o que elas fazem? — Malfoy já não invade seu espaço vital, agora está grudado em seu corpo. Essa frase é sussurrada em seu ouvido enquanto a mão direita se levanta para acariciar a nuca.

— Hum...

Malfoy não pode suportar. Sabe que está se excedendo, mas quer ver até onde o outro é capaz de chegar sem envergonhar-se. A mão esquerda se aproxima a seu púbis e roça descaradamente a virilha de Harry com seu polegar.

— Pode ser ainda mais prazeroso.

Aquela parece ser a última chance acabada.

— Merda, Malfoy! Não toque!

O loiro é afastado e já não pode sentir o cheiro e calor do Gryffindor. Sorri.

— Isso é um pouco irônico vindo de você. Levo duas horas te tocando e não tenho ouvido queixas.

— Era diferente, era uma massagem — Potter morde novamente o lábio e por Merlin, se ele fizer outra vez, Draco é capaz de se empalar ele mesmo com o membro do outro.

— Uma massagem que você transformou em algo sujo e grosseiro. Uma massagem com final feliz que eu estou pedindo pra dividi última vez, Potter. Os Malfoy não imploram.

Silêncio. Olhares conectando, de novo, medindo se aquele é um território perigoso ou excessivamente perigoso.

— Você quer me humilhar, é isso.

— Sim, eu quero te humilhar, mas te dar prazer também. Não há nada que me cause mais interesse mórbido.

— Acho que sim: fazer legilimência.

Draco se desespera: tem muita paciência com as poções, mas não com as pessoas lentas, e menos ainda com os Gryffindors idiotas que não reconhecem a léguas um flerte descarado.

— Sim ou não, Potter, estou me cansando. Além disso, se me rejeitar só tenho que fazer uma chamada e alguém disposto virá me dar o que te peço.

Harry sente aumentar suas pulsações, e não é precisamente de paixão. E se Malfoy pensa que depois de dizer que está interessado pode se corrigir substituindo-o por outro, pode ir a merda. No entanto, sai muito educado:

— Faça, então. Divirta-se. Adeus.

O moreno sai apressadamente da clínica utilizando um contra feitiço; a maioria dos comércios continuam abertos, mas alguns já fecham. Pestaneja, não sabe o que aconteceu ali dentro, não sabe porque caralhos ele estava tão excitado e por que com tanta raiva ao mesmo tempo, e menos ainda por que se prestou a fazer o jogo do Slytherin se ele é um babaca: uma coisa está clara: não quer ver Malfoy pelo resto de sua vida.

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(1) A parte do pé que se descreve tem como ponto reflexo a próstata, e por isso Harry sente prazer.

Passem pela minha nova tradução, Manual do Perfeito Gay da PerlaNegra, essa bebê merece mais atenção. sz