Meninas esta ai mais um capítulo espero que gostem.

Vocês vão agora saber os motivos de Inuyasha para Separar-se de kagome derrepente para se casar com Kikyou.

Obrigada a todas pelos reviews e peço que continuem a mandar!

Beijos Bom fim de semana.

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Capítulo III

Inuyasha estava se saindo bem.

Por mais difícil que fosse, conseguira controlar o desejo que sentia por Kagome. Mas só até o momento em que fora até a parte de trás da casa, procurando seu canivete suíço, e a vira nua.

Bem, quase nua.

Cerrando os dentes e jogando a camisa suada para o lado, Inuyasha desceu o machado com força sobre o pedaço de madeira que se encontrava sobre um anteparo, fazendo o chão vibrar.

Kagome poderia muito bem estar nua, tão pequeno era o biquíni cor-de-rosa que parecia apenas esconder aquele corpo voluptuoso.

De costas para a casa, colocou outra tora sobre o anteparo, cortando-a ao meio com um só golpe. Então cortou outra, outra e mais outra, até que o cós de sua calça jeans estivesse ensopado de suor. Contudo, isso não aliviou em nada o desejo que fazia seu sangue ferver.

A pilha de lenha que cortava já daria para um inverno e meio, mas era preciso continuar ocupado e de costas para a casa. Não poderia sequer olhar para lá, pois Kagome estava ali com as meninas. Usando aquele biquíni cor-de-rosa.

Fechando os olhos, com a lembrança do que vira ainda perturbando sua mente, balançou a cabeça por um momento, como se quisesse desanuviá-la. Só lhe restava rogar para que seus empregados não vissem daquele jeito, tão exposta e desejável. Seria pior do que um estouro de manada.

Outra tora sofreu a violência da descarga de seu desejo reprimido, sendo partida em duas.

__ Oi.

Com a cabeça baixa, Inuyasha encostou a cabeça do machado no anteparo e se apoiou sobre o cabo, sem se virar.

__ Olá.

__ Você na vai nem mesmo olhar para mim? __ indagou Kagome.

__ Ainda está usando aqueles fiapos de pano que alega ser um traje de banho?

__ Sim, estou __ respondeu ela, soltando uma risada suave. __ Inuyasha, isso é tolice.

Colocando outra tora sobre o anteparo, ele ergueu o machado e a partiu em duas com um golpe rápido e seco. Mesmo sem olhar, foi possível sentir o modo como ela se surpreendeu.

__ O que foi que eu fiz? __ indagou Kagome, em tom magoado.

__ Nada.

__ Inuyasha, se isso...

__ Volte para junto das meninas.

__ Claro, chefe. Fique feliz fazendo companhia para si mesmo.

Ele soltou um suspiro exasperado. O problema era o desejo e a culpa que o dominavam na presença dela. Estava furioso consigo mesmo. Não se achava merecedor da gentileza deKagome.

Então olhou por sobre o ombro. Ela estava descendo a trilha da colina, rumando para a beira da piscina, onde as meninas brincavam, sob a sombra da varanda de pedra. Kagome não apenas estava usando uma saída de praia que lhe cobria todo o corpo, mas também caminhava de cabeça baixa, com os braços enlaçados ao redor de si mesma.

Para piorar, seu olhar se desviou para o outro anteparo de cortar lenha, logo atrás dele, onde havia uma bandeja como jarro de água gelada, um copo alto e um sanduíche embrulhado.

Inuyasha soltou um gemido. Precisava fazer algo o mais breve possível, ou acabaria ficando maluco.

Inuyasha incentivava o cavalo, tentando, sem sucesso, fazê-lo obedecer seus comandos, pois sua atenção estava em outro lugar. Não via Kagome desde o desjejum, que já fora bastante tenso, graças à grosseria injustificada que cometera na tarde anterior, na colina. Mas, naquele momento, ela e as meninas estavam chegando para brincar no gramado ao lado da casa, que tangenciava a cerca do chiqueiro.

Ao longe, pode ver-lhe a expressão preocupada, como se houvesse algo errado. Aquilo o perturbou ainda mais. Como que pressentindo a distração de seu cavaleiro, o agressivo puro-sangue empinou as patas dianteiras e quase o derrubou da sela.

Decidido a ficar em algum lugar em que Kagome ficasse fora de alcance de sua vista, sinalizou para que Bankotsu o acompanhasse para outra área do curral. Assim que recomeçou a tarefa de amansar o animal, ouviu a voz de suas filhas, gritando:

__ Papai, venha depressa!

Virando o cavalo na direção da casa e saindo em disparada, desceu da sela ao lado da cerca do curral e correu para o chiqueiro.

Aproximando-se, verificou que as meninas estavam em segurança, do lado de fora da cerca, mas Kagome estava caída na lama, cercada pelos porcos-africanos, que cheiravam seu rosto e seus cabelos, enlameando-a.

__ Não se mexa! __ gritou ele.

Mas ela continuou se debatendo. Conseguiu se ajoelhar, mas voltou a cair de costas.

__ Creio que não fomos apresentados adequadamente, mas acho que eles gostaram de mim __ brincou Kagome, mas era possível notar o medo em sua voz.

Entrando no chiqueiro, Inuyasha afugentou os animais aos gritos, erguendo-a nos braços e colocando-a sobre o ombro para conseguir andar pela lama até a porteira.

__ Isso não é necessário. Posso na...

__ Fique quieta!

Sem dizer a menor cerimônia, ele a colocou de pé do lado de fora, perto do lugar onde estavam as meninas.

__ Bem obrigada __ falou Kagome, dando um passo atrás para recuperar o equilíbrio.

__ O que diabos você foi fazer lá dentro?

__ Derrubei o jarro ao apoiá-lo na cerca e estava tentando pegá-lo.

O olhar dele se voltou para as filhas.

__ Vocês duas não a avisaram que é proibido entrar ali?

As gêmeas recuaram um pouco e não disseram nada.

__ Inuyasha...

ele olhou para Kagome.

__ Não tente defendê-las. As meninas sabem muito bem que é responsabilidade delas informá-la sobre as regras da fazenda.

__ A culpa foi minha. Não achei que fosse perigoso.

__ Dez daqueles animais são machos reprodutores! Não viu aquelas presas? Você poderia ter sido destroçada. É óbvio que não sabe nada sobre porcos-africanos, nem quão violentos eles podem ficar.

Kagome se aproximou um passo, retirando a lama dos braços com as mãos.

__ Então, porque está tão bravo? Por ter sido obrigado a parar de trabalhar para me resgatar? Porque eu poderia ter me machucado, o que me impediria de trabalhar? Por causa do meu erro? __Kagome colocou as mãos na cintura. __ Ou você precisava apenas de uma desculpa para gritar comigo?

__ Não estou gritando!

O som de risada preencheu o ar.

Virando-se para o lado, ele avistou três de seus empregados na cerca do curral, entretidos com a cena. Bastou um olhar severo para fazê-los voltar depressa ao trabalho. Então voltou a encará-la. Ela estava coberta de lama e as meninas estavam logo atrás, como se fossem duas pequenas guarda-costas.

__ Não me venha falar de perigo, quando você mesmo arrisca sobre aqueles cavalos selvagens. Age como se ainda fosse um garoto!

__ Mas eu tenho feito isso minha vida inteira!

__ E eu estou nisso há quatro dias, então acho que você poderia me dar um pequeno desconto!

Virando-se de repente, ela pegou o cesto, sinalizou para as meninas e as três rumaram depressa para a casa.

Inuyasha tirou o chapéu de cowboy e o jogou com força no chão, respirando de maneira ofegante. Kagome poderia ter morrido! Depois de andar de um lado para outro por alguns minutos, rumou para casa também.

__ Nem ouse deixar uma trilha de lama aqui dentro, Inuyasha Taisho __ gritou Kagome, assim que ele chegou à varanda. __ Acabei de limpar o piso.

Aquilo o fez parar onde estava.

__ Então venha aqui fora.

__ Não. Volte ao trabalho e me esqueça.

As gêmeas apareceram à porta.

__ Onde ela está, Ayeme?

Hesitante, a menina olhou para a irmã.

__ No banheiro, papai __ respondeu Asagi. __ Está se lavando.

Retirando as botas e dobrando as barras enlameadas da calça para cima, Inuyasha entrou com passos firmes e parou à frente do banheiro. A porta estava entreaberta e Kagome estava apenas de calcinha e sutiã, curvada sobre a pia, lavando os braços, o rosto e os cabelos, que já estavam cobertos de espuma.

Ao ver aquele corpo seminu, Inuyasha sentiu seus hormônios atingirem uma contagem quase inumana. Ficou boquiaberto, vendo a enxaguar-se e pegar uma toalha para se enxugar.

__ Ora, mas você é mesmo ousado! __ esbravejou Inuyasha ao vê-lo, cobrindo-se com a toalha e se adiantando para fechar a porta diante dele.

Mas a mão de Inuyasha a impediu. A água que escorria daqueles cabelos avermelhados formavam trilhas que lhe escorriam pelos ombros, pelo pescoço, por entre os seios...

__ Pare de me olhar dessa maneira, Inuyasha, porque não estou muito satisfeita com você no momento.

Fitando-a nos olhos, ele tentou manter sua atenção ali.

__ Aquilo foi uma reação impensada de minha parte.

__ Você exagerou __ falou Kagome, dando-lhe as cosas enquanto colocava um robe, antes de voltar a encará-lo. __ Não precisava me humilhar em público. E as meninas são muito pequenas para se lembrarem de regras como aquela. Elas se submetem às decisões dos adultos durante a maior parte do tempo. __ Seus rostos ficaram próximos, o indicador dela estava batendo com força no peito dele. __ E você é quem deveria ter me falado das regras.

__ Sim, já percebi isso. E peço desculpas.

__ Desculpas aceitas.

Ao ouvi-la, Inuyasha franziu o cenho.

__ Pelo seu tom, não é bem o que parece.

__ Esse é o seu problema, meu caro. Não consegue aceitar que uma questão já esteja encerrada.

Era óbvio que havia algo mais implicado naquela frase do que a crise do momento. E isso não o agradou em nada.

__ Por que ficou tão bravo, papai?

Ele se virou. Suas filhas o estavam olhando com olhos arregalados, quase cheios de lágrimas. Sentindo-se culpado, ajoelhou-se para falar com elas.

__ Porque fiquei assustado.

__ Por quê? __ indagou Ayame.

Por experiência, Nash sabia que seria necessário responder uma série de perguntas lógicas antes que as garotas ficassem satisfeitas.

__ Porque pensei que os porcos fossem machucar a srta. Kagome.

__ Mas você gritou __ insistiu Asagi, deixando óbvio que a explicação não fora satisfatória.

__ Isso acontece quando... __ começou ele, tentando encontrar uma maneira de explicar que as fizesse entender.

__ ... quando alguém culpa a si mesmo pelo perigo em si existir __ completou Kagome.

Ele se levantou e a encarou.

__ É... é isso.

__ Eu não sou de porcelana, sabia?

Mas ela era. Era delicada e frágil demais para a vida na fazenda.

__ Pergunte a Bankotsu sobre a sensação de enfrentar um porco-africano enfurecido. Aqueles bichos pesam em torno de cento e cinqüenta quilos!

__ Nesse caso, as meninas também não deveriam chegar nem perto de lá.

__ Como?

__ A cerca e o portão do chiqueiro. Você pode garantir que são completamente à prova de um estouro de porcos?

Inuyasha balançou a cabeça negativamente, bravo consigo mesmo por não ter percebido isso antes, e mais ainda por saber que jamais perceberia isso por conta própria.

__ Você me desculpa, papai? __ falou Ayame

Ele se voltou para as meninas outra vez, abraçando-as.

__ Nenhuma de vocês teve culpa. O papai é quem deve pedir desculpas. Todos seremos mais cuidadosos da próxima vez.

__ Está bem.

__ Vão tomar um pouco de suco, mocinhas __ falou Kagome. __ Daqui a pouco eu vou lá e poderemos continuar nossas tarefas.

As gêmeas olharam os adultos por um momento e então saíram em disparada.

__ Quero que me diga os detalhes que preciso saber a respeito daqui o mais breve possível __ falou ela, assim que ficaram a sós. __ Acho que você as assustou um bocado.

__ Tenho certeza de que fiz isso.

Ao vê-lo com aquela expressão culpada e preocupada, Kagome simpatizou com ele.

__ Volte ao trabalho, Inuyasha. Vou acalmar as coisas por aqui. Farei com que você pareça um heróico cavaleiro aos olhos delas. Pode deixar.

__ Não exagere, por favor. Já tenho dificuldades em atender as expectativas delas do jeito que as coisas são normalmente. __ Inuyasha entregou uma toalha a ela. __ Você ainda está pingando.

Ele se aproximou e Kagome pôde sentir o calor do corpo dele, mesmo sem se tocarem.

__ Nem pense nisso.

Aquilo o fez sorrir com ternura.

__ Nem pensar em quê?

__ Em me beijar.

__ Eu não estava pensando nisso.

__ Você mente muito mal __ murmurou ela.

Inuyasha segurou o queixo dela entre o indicador e o polegar, fazendo-a erguer o rosto até ficarem bem próximos um do outro.

__ Estava pensando em fazer muito mais do que apenas beijá-la. E só estou tentando me desculpar como um verdadeiro cavalheiro.

O corpo dela estremeceu de desejo.

__ Já aceitei suas desculpas.

__ Não o suficiente.

Kagome ficou tentada. Ah, e como ficou. Mas seu instinto de autopreservação e a velha mágoa foram mais fortes. Colocando a mão sobre os lábios dele, impediu-o de prosseguir.

__ Não. Isso só nos levará a ter mais problemas. E eu já passei por isso.

Notando o perigo do que estava fazendo, Inuyasha recuou. Passara os últimos dias evitando aquilo, mas perdera o controle. Inclinando a cabeça para frente, em um sutil assentimento, começou a se afastar. Antes de se vira de vez, contudo, teve a impressão de vislumbrar um certo ar de desapontamento dos olhos dela, mas foi impossível ter certeza.

Naquela noite, ao ouvir as batidas suaves à porta do escritório, Inuyasha nem parou de inserir os dados no computador ao dizer:

__ Entre.

__ Oi. Quer café, ou algo mais forte?

O olhar dele encontrou o de Kagome, parada à porta, e só depois registrou os cabelos molhados dela, o pijama e o robe acetinado. A bandeja em suas mãos atrapalhavam um pouco a visão daquelas formas esguias e sedutoras, mas não muito. Apesar de discreto, o traje delineava o corpo escultural com perfeição.

__ E então? __ insistiu ela, desconfortável com a maneira como ela era olhada e com a demora em obter uma resposta.

__ Sim. Claro.

__ O que prefere? Café ou Bourbon?

__ Café.

Aceitando a xícara que lhe fora oferecida, ele esperou que ela, que optara pelo vinho, se servisse, para então começar a falar sobre trivialidades.

__ O jantar estava ótimo, Kagome.

__ Obrigada, chefe. Digamos que, servir costeletas de porco foi uma pequena vingança para mim.

Aquilo o fez sorrir.

__ Desde quando se tornou uma artista da culinária?

__ Desde que isso se tornou necessário. Eu precisava comer e também ganhar dinheiro para pagar meus estudos. Demorei seis anos para completar a parte do curso que os outros fazem em quatro. Tinha de trabalhar, economizar, ir para a escola, então parar de novo para ganhar dinheiro para o semestre seguinte.

__ O que mais tem feito?

__ Um pouco de tudo. Incluindo trabalhar para a Wife Incorporated. Os horários são flexíveis e o pagamento é bom.

Inuyasha se recostou na cadeira, observando-a andar pelo escritório, admirando as fotografias e os moveis.

__ Esta é sua irmã?

__ Sim, é Kanna.

__ Ela é linda.

__ Pois é. Todos os rapazes da região também achavam isso e viviam em seu encalço. Takemaru, o marido dela, fisgou-a antes que meu pai a mandasse para o internato, para ter sossego.

__ Hum... Sua irmã deu trabalho?

__ Se meu pai soubesse um terço do que ela aprontou, teria mandado Kanna embora no momento em que... __ Ele parou de repente.

__ Em que ela começou a desenvolver seios? __ sugeriu Kagome.

__ Em que ela amadureceu.

Os dois riram. Inuyasha se inclinou e colocou um pouco de Bourbon na xícara na qual acabara de tomar café.

__ Isso é uma carta de amor?

Inuyasha estava apontando para uma carta emoldurada, que se encontrava ao lado de uma arma antiga.

__ Sim. Um antepassado meu a escreveu para a esposa, quando estava na guerra, mas nunca chegou a enviá-la. A carta apareceu junto com os seus pertences, trazido pelo coronel de pelotão.

__ Que história triste.

__ É mesmo. Ele deixou a esposa e três filhos aqui mesmo, nessa casa. Foi o começo da tradição dos Taisho.

__ A carta é tão antiga assim?

__ Se não me engano, deve estar com duzentos e vinte e cinco anos.

__ Meu Deus! É impressionante que sua família ainda esteja neste lugar.

__ Os Taisho sempre passaram a preocupação de manter a tradição de família.

__ Admiro muito isso __ falou Kagome, com sinceridade. __ Poucas pessoas podem olhar para a historia e dizer: "É daqui que venho, foi tudo onde começou".

Quando iria responder, Inuyasha conteve o fôlego. Ela estava olhando a foto de seu casamento com Kikyou, a única que havia em toda casa. O porta-retratos ficava em um canto de pouco destaque e mal iluminado, quase esquecido. Mas Kagome o encontrara.

Sorvendo todo o vinho de sua taça, Kagome nem olhou na direção dele ao dizer:

__ Ela parece... adorável.

__ Naquele dia ela estava.

__ Você diz isso como se houvesse sido a única vez.

Inuyasha fez um som de desgosto e se serviu de mais Bourbon, ante de se levantar.

__ Ela está morta. Prefiro não falar a respeito.

Kagome sentiu um nó na garganta.

__ Você a amava?

__ Não pergunte, Kagome. Por favor.

__ Sabe, eu nunca entendi direito.

Observar o modo como ela segurava o porta-retratos entre as mãos o fez sentir um aperto ainda mais forte no peito.

__ Nunca entendeu o quê?

__ O motivo de você ter me abandonado e corrido para junto dela.

__ E acha que entende agora?

Ela balançou a cabeça afirmativamente, mas com tanta sutileza que foi notar o gesto.

__ Você a amava __ murmurou Kagome, em tom de choro contido. __ E me usou.

__ Isso não é verdade.

Ela se virou e o encarou, os olhos cheios de mágoa.

__ Então qual é a verdade, Inuyasha? Acho que tenho o direito de saber, depois de todos esses anos! Como foi capaz de dizer que me amava, de pedir que eu desistisse de meus sonhos por você, para então me trair?

A expressão dele ficou severa, cheia de sofrimento. Mas ele guardou silencio.

__ nunca tive a chance de expressar minha mágoa. Ninguém imagina como foi humilhante ficar sabendo pela própria Kikyou que eu havia sido descartada. Todos sabia que estávamos juntos. Todos! Você me fez parecer a vadia do campus, boa o bastante para levar para a cama, mas não o suficiente para se tornar esposa de um dos ricos e poderosos Taisho.

__ Não, Kagome, não é nada disso.

__ Sim, é! Sua noiva praticamente esfregou o anel de noivado na minha face, diante de todas as colegas da república, dizendo que eu era apenas um passatempo seu e que não deveria esperar nada além de migalhas! __ esbravejou Kagome, com anos de mágoa emergindo de uma só vez. __ Não posso continuar com isso. Preciso ir embora daqui.

Ela correu na direção da porta, deixando-o apavorado com a idéia de vê-la partir.

__ Kagome, não!

__ Chega __ falou ela, com uma das mãos no trinco da porta.

__ Kikyou estava grávida.

Parando onde estava e se virando para encará-lo, ela tomou o fôlego com dificuldade. Seus olhares se encontraram.

__ maldito! Você dormiu com ela!

__ Não foi tão simples assim – respondeu Inuyasha, arrasado pela expressão decepcionada de Kagome.

__ Enquanto estávamos saindo?

Diante do silêncio dele, ela se aproximou com passos largos, parando a poucos centímetros de distância, fitando-o nos olhos. Então o esbofeteou com força.

O rosto dele virou para o lado e Inuyasha massageou o queixo antes de voltar a encará-la. Ao vê-la erguer a mão para acertá-lo outra vez, ele a segurou pelos pulsos, enfrentando-a até que Kagome caísse em seus braços.

Ela chorou encostada em seu peito, fazendo-o sentir-se o pior canalha sobre a face da Terra.

__ Eu te amava __ murmurou ela. __ Eu te amava!

__ Sei disso querida. Sei mesmo. Naquela noite em que discutimos sobre o futuro, pensei que tivesse perdido para sua carreira. Então fui para a casa e me embebedei. __ Inuyasha a segurou pelos ombros e a afastou o bastante para fitá-la nos olhos. __ Fiquei bêbado como nunca. Em torno da meia-noite, Kikyou bateu à minha porta e se atirou nos meus braços.

Kagome se esquivou dele e lhe deu as costas.

__ Acho que não quero ouvir isso.

Segurando-a pelo braço, ele a forçou a se virar e encará-lo.

__ Oh, quer sim. Você queria a verdade, então vai ouvi-la toda. Quando acordei, na manhã seguinte, ela estava dormindo nua a meu lado e eu nem me lembrava de tê-la deixado entrar em meu apartamento. Não me recordo de ter feito nada com ela.

__ Mas nós dois fomos para Jekyll Island no final de semana seguinte àquela briga __ falou Kagome, franzindo o cenho, pois quase haviam chegado a um acordo naquela viagem. __ Por isso estava tão quieto.

O olhar acusador dela o fez sentir a necessidade de fazê-la entender, a qualquer custo.

__ Eu não poderia lhe contar algo que eu não me lembrava.

__ Um homem não esquece o fato de ter feito amor com uma mulher, Inuyasha.

__ Ele se esquece quando não há nada a ser lembrado.

A cabeça dela já estava começando a latejar com aquela confusão toda.

__ Mas... Você acabou de dizer que ela estava grávida.

__ Ela disse que estava. Eu tinha de acreditar. Especialmente quando fiz as contas e as semanas batiam.

__ Então casou-se com ela para dar seu nome à criança?

__ Eu havia cometido um erro e precisava repará-lo. Era meu dever, Kagome.

__ E quanto a seu dever para comigo? __ gritou ela, em um tom de voz alterado. __ Eu até acreditaria nessa bobagem toda, se suas filhas fossem um pouco mais velhas.

Magoada, dirigiu-se a porta. Deixaria a fazenda naquela noite e iria para a casa de Sango, em Savannah.

__ Isso porque ela mentiu.

Kagome se virou de repente, ofegante.

__ É melhor falar depressa, sr. Taisho.

__ Ela não estava grávida, mas não percebi a verdade até que já haviam se passado semanas depois do casamento __ explicou Inuyasha, passando a mão pelos cabelos e massageando a própria nuca, sentindo-se exausto. __ Kikyou fez a nós dois de bobos. Depois que percebi a farsa, ela admitiu que nós nunca havíamos feito sexo antes do casamento.

Aquilo o fez lembrar-se da mágoa e do ultraje que sentira, e principalmente da frustração de saber que abandonara Kagome por nada.

Depois de se encararem por alguns minutos em silêncio, viu-a andar devagar até o sofá e se sentar, como se estivesse com fraqueza.

__ Maldição! __ resmungou ela, inclinando a cabeça para trás.

__ Pois é.

Inuyasha serviu outra taça de vinho e a ofereceu para Hana, que a aceitou. Depois de sorver um generoso gole, perguntou:

__ O que você fez em seguida?

__ Quais eram minhas opções? Já havia perdido você e estava casado. Na época, morávamos perto da cidade. Ela queria morar aqui, mas meus pais souberam a verdade e minha mãe não a quis na fazenda.

__ Devo ter sido duro para você.

Soltando um suspiro, ele se sentou em uma cadeira. Só mesmo Kagome para se preocupar com os sentimentos dele em uma hora daquelas.

__ Sim, foi difícil, mas Kikyou não incomodava com isso. Quando meu pai morreu, fomos obrigados a mudar para cá para ajudar a cuidar de tudo. Depois de algum tempo, mamãe não suportou a situação e se mudou para uma casa, a cinqüenta quilômetros daqui.

__ Kikyou a forçou a sair?

__ Não. Elas mal se falavam. Era minha presença que a incomodava.

As sobrancelhas dela se arquearam em surpresa.

__ Sua própria mãe?

__ Ela sabia que eu estava infeliz. Sabia que eu amava você e censurava minha opção, mas mesmo assim eu tentei fazer o casamento dar certo. Antes eu tivesse seguido o conselho dela, terminando tudo o mais breve possível. Quando as gêmeas nasceram, as exigências do papel de mãe não se encaixaram na agenda social de Kikyou.

Inuyasha fez uma expressão sombria de desgosto e mágoa.

__ E...

__ Ela queria que eu contratasse uma babá para cuidar das meninas, deixando-a livre para brincar de "esposa rica". Todos nesta casa trabalhavam muito, mas Kikyou nunca fez nada. Só gostava do dinheiro. Aliás, vivia dizendo que eu deveria passar as obrigações para meu irmão, Sesshomaru, e sair viajando pelo mundo na companhia dela.

__ Esse era o sonho dela __ murmurou Kagome, balançando a cabeça negativamente.

__ No dia em que morreu, ela havia feito as malas, pedido divórcio e, quando falei que iria lutar pela custódia das meninas, ela disse que não as queria. Então foi embora, abandonando a mim, as meninas e a vida que ela conquistara por meio de mentiras e armadilhas.

A mágoa que Kagome viu nos olhos dele a deixou entristecida.

__ Graças a Deus ela não levou as gêmeas com ela __ disse a ele.

Seus olhares se encontraram..

__ Oh, eu agradeço aos céus todos os dias por isso.

__ Como Kikyou pôde abandonar os bebês? Não consigo conceber algo assim. As meninas não sabem de nada disso, não é?

__ Não. Somente minha mãe soube a verdade.

Kagome acabou de beber o vinho de sua taça, então voltou a encará-lo.

__ Por que não me procurou para contar tudo, em vez de me deixar pensando o pior? Você simplesmente parou de me telefonar e nunca mais apareceu. Era como se eu não existisse mais.

Inuyasha se endireitou na cadeira.

__ Eu não poderia vê-la outra vez. O amor que sentia era tão forte que, se a visse ou ouvisse sua voz, não teria forças para fazer a coisa certa. Senti-me obrigado a arcar com as conseqüências dos meus erros. A reputação da minha família estava em jogo.

__ E se você tivesse me visto? __ indagou Kagome, em tom suave.

Ele passou as mãos pelos cabelos.

__ Eu a teria levado para algum lugar distante e fugido de tudo, sem olhar para trás.

A garganta de Kagome se fechou em um nó. Seus olhos se encheram de lágrimas, que começaram a escorrer-lhe pela face.

__ Não acredito que não tenha me procurado. Maldito seja o orgulho dos Taisho __ sussurrou ela, com a voz entrecortada. __ Eu... poderia ser a mãe delas.

Inuyasha balançou a cabeça afirmativamente, sentindo um aperto no peito. O que mais desejava naquele momento era tomá-la nos braços e confortá-la, mas conhecia-a bem o bastante para saber que aquele não era o momento.

__ Você deveria ser a mãe delas.

Eles se encaravam em silêncio, um sentindo a mágoa e a frustração do outro. Os olhos dele ardiam e a voz quase lhe faltou ao dizer:

__ Eu... sinto muito, meu anjo.

Kagome abaixou o olhar, então se levantou e saiu pela porta. Franzindo o cenho, Inuyasha a seguiu pelo corredor, parando à porta do quarto dela ao vê-la deitar-se em silêncio na cama.

__ Kagome?

__ Não agüento mais falar sobre isso. Tudo isso foi... demais.

Entrando no quarto, ele a cobriu com o lençol e se ajoelhou ao lado da cama. Os olhos marejados de lágrimas se abriram para fitá-lo.

__ Perdoe-me, querida. Se eu pudesse mudar o passado...

Ela tirou a mão debaixo do lençol e cobriu os lábios dele com dois dedos.

__ O que passou, passou, Inuyasha. Precisamos seguir em frente.

Soltando um suspiro, ele se reclinou e beijou-lhe a testa.

Kagome fechou os olhos e absorveu aquela sensação, ouvindo-o partir em seguida, fechando a porta atrás de si.

Só lhe restava rogar para que o vinho surtisse um efeito forte e a fizesse ter uma noite de sono sem nenhum sonho a respeito de como sua vida poderia, ou deveria, ter sido.

Kagome acordou suada, meia hora antes do despertador tocar. Estivera sonhando com Inuyasha. Não apenas isso. Sonhara que estava fazendo amor com ele. Fora real demais.

"Isso não é justo", pensou consigo mesma. Antes de adormecer, concluíra que não adiantaria retomar um relacionamento que não tinha futuro. Decidira que iria se manter distante dele. Partiria o mais depressa possível e aguardaria o começo do período de residência. Havia outras pessoas contando com sua presença no hospital.

Levantando-se, foi ao banheiro, vestiu-se e foi para a cozinha. Precisava de um copo de água e de uma perspectiva mais clara de o que fazer, antes que os outros acordassem.

Principalmente Inuyasha.

Inuyasha passara a noite em claro. A culpa o consumia. Precisava saber se Kagome o perdoara. Quando faltava meia hora para seu despertar habitual, ocorreu-lhe uma possibilidade: e se ela tivesse partido na calada da noite? Como teria a chance de conquistar a confiança dela outra vez?

Vestindo uma calça jeans e se lavando às pressas, foi rapidamente até o quarto dela. Sentiu um nó no estômago. A cama estava arrumada, como se o quarto estivesse desocupado.

Depois de alguns minutos de pânico silencioso, ouviu um ruído estranho vindo do outro lado da casa. O alívio que sentiu ao chegar na cozinha foi imenso, pois a avistou andando de um lado para outro, preparando o desjejum.

Olhando ao redor, percebeu que estavam sozinhos. As meninas acordariam bem mais tarde, mas os empregados chegariam para comer em poucos minutos. Observando-a em silêncio, ficou procurando por algo para dizer.

__ Espiar os outros é falta de educação, Inuyasha.

__ Então vista mais roupas da próxima vez.

Kagome olhou para o short e para a camiseta que usava, então o encarou.

__ É melhor pensar a respeito desse problema que você tem com as minhas roupas. Aliás, nem está em condição de me criticar.

Olhando para aquele peito nu, Kagome tentou não se demorar demais admirando-o. Era melhor encará-lo e manter o foco da atenção ali. Melhor ainda, iria tratar de cozinhar, antes que fizesse alguma besteira.

Colocando manteiga para derreter na frigideira, quebrou alguns ovos em uma tigela. Então notou que Inuyasha se aproximara. Uma daquelas mãos másculas pegou um ovo ainda inteiro que estava em sua mão e o colocou de volta na cartela.

Ao se virar e sustentar o olhar dele, soube de imediato qual era sua intenção. Ela se afastou.

__ Não.

Inuyasha a segurou pela cintura e a puxou para perto de si.

__ Sim.

Kagome espalmou as mãos contra o peito dele, tentando empurrá-lo, sem nenhum resultado.

__ Os homens chegarão a qualquer momento. Não seria nada bom que eles vissem seu chefe com a babá nos braços.

__ Deixe que eles procurem suas próprias babás.

Os lábios dela se curvaram num sorriso,

__ Você é incorrigível, Inuyasha.

__ Mas eu estou sofrendo.

O sorriso dela desapareceu.

__ Inuyasha...

__ Preciso de seu perdão, querida. Sei que não o mereço, mas preciso ouvir isso de você.

Fitando aqueles olhos Dourados Kagome identificou a agonia que o consumia, e só ela tinha a chave que o libertaria da culpa.

__ Claro que eu o perdôo. Além do mais você foi tão vítima quanto eu.

__ Mas eu poderia ter agido de outra maneira.

__ Não, não poderia. Como iria saber ao certo que ela não estava carregando um filho seu? E mesmo na presença da dúvida, você é honrado demais para não fazer a coisa certa.

Inuyasha pressionou a testa contra a dela.

__ Oh, Kagome.

__ Encare a verdade, querido, você é um dos mocinhos.

Os lábios dele se curvaram num sorriso aliviado.

__ Repita isso mais uma vez, só para que eu tenha certeza de que não estou sonhando.

__ Eu te perdôo, Inuyasha.

__ Obrigada, querida.

Kagome recostou a cabeça sobre aquele peito másculo, apertou os braços ao redor da cintura dele e soltou um suspiro.

Aquilo o fez sentir-se satisfeito e atormentado ao mesmo tempo. O perdão dela o liberou, mas o impulso de seu desejo se tornou ainda mais forte. Não seria mais possível resistir àqueles lábios perfeitos.

Afastando o rosto por um momento, esperou que ela o encarasse. No momento em que seus olhares se encontraram, foi como se o universo desaparecesse. Apenas seus corpos e suas almas existiam naquele momento. Sentindo a urgência de seu corpo se refletindo nela, beijou-a como jamais o fizera antes.

As carícias que se seguiram ao beijo dele a fizeram lembrar-se de como era delicioso fazer amor com Inuyasha. Kagome mal podia acreditar que estava ali, na casa dele, depois de todas as decisões que tomara. Mas era mais forte do que ela mesma. Pelo menos por um momento, iria aproveitar sem se preocupar.

Então o som das vozes se fez ouvir ao longe. Eram Bankotsu e os rapazes.

Recompondo-se, eles se separaram.

Kagome percebeu então o que estivera fazendo. Ou melhor, o que quase fizera.

__ Não farei isso de novo __ sussurrou ela. __ Não mesmo.

__ Kagome, as coisas são diferentes agora.

O som dos homens ficava mais próximo a cada instante. Ela estreitou o olhar e nada disse.

__ Você não pode negar que há algo entre nós, querida.

Os lábios dela se curvaram com certa amargura,

__ Sim, há, mas não podemos deixar que vá além disso. Eu vou embora.

__ Você não confia em mim. Quer fugir porque acha que eu a magoarei outra vez.

__ Isso não importa.

__ Claro que importa, sua cabeça-dura. Falaremos disso mais tarde,

__ Não há o que falar, Inuyasha, Dessa vez eu não tenho escolha. Há outras pessoas contando comigo.

Em vez de responder, ele apenas cruzou os braço e endireitou o corpo, o que a irritou ainda mais.

Quando Bankotsu entrou na cozinha, avistou os dois e olhou de um lado para outro, com ar curioso. Havia poucos centímetros separando seus corpos, mas suas expressões eram de quem estava no meio de uma batalha entre o desejo e a razão.

Antes que o cowboy fizesse qualquer pergunta indiscreta, Inuyasha a olhou com olhar carinhoso e falou?

__ Vá preparar o desjejum,Kagome. O sol já vai nascer.

Ela balançou a cabeça afirmativamente. Pelo menos achou que o fez. Aquele olhar envolvente a afetou quase tanto quanto o ardente beijo de antes. Foi preciso utilizar toda sua força de vontade para não se atirar de novo nos braços dele e exigir outro daqueles beijos sedentos que pareciam capazes de lhe roubar a alma.