As areias do tempo

Demônios mentais


Nas asas do tempo, a tristeza voa. – Jean de La Fontaine


A corrente erguida balançou-se hipnoticamente, fazendo com que os olhos castanhos seguissem esse movimento, envolvidos na dança lenta que o vira-tempo fazia no ar.

Um brilho que mesclava o dourado e o alaranjado, por causa das velas, refletia-se por toda a parte enchendo de luz as paredes negras das masmorras.

De luz.

Seus dedos estavam trêmulos quando ela os esticou reverenciosamente para tocar a delicada peça, traçando a superfície arredondada e lisa, quase macia sob seu toque desejoso.

Quebrado.

Destruído.

Morto.

Os finos e delicados aros que circundavam a peça estavam amassados até quase comprimirem completamente o pequeno circulo chato recoberto com centenas de símbolos em que estava uma ampulheta minúscula onde uma tão igualmente minúscula rachadura deixara esvair quase toda a areia mágica que continha.

Uma risada amarga escapou de seus lábios, uma lágrima solitária fez seu caminho perdendo-se na maciez de seu cabelo.

O quanto ela não daria por um vira-tempo? O quanto qualquer pessoa não daria?

O mundo se reerguia tão lentamente que às vezes ela tinha a impressão de que estava estagnada no tempo, parada a somente contemplar um único momento.

Aquele em que as pessoas que amava eram mortas. Aquele em que Voldemort e seus Comensais destruíam sua esperança.

Houve sim a vitória, mas ela foi oca. Nada como deveria ter sido. Houve sorrisos e lágrimas, mas não alivio. Houve abraços amigos e chás e flores e presentes e fotos e entrevistas, mas não houve conforto.

Por que ela estava ali? Por que dentre tantas pessoas o destino a escolhera para sobreviver? Por que ela? No emaranhado indistinto que as Parcas teciam ela não se encontrava, os dedos ágeis costurando o destino da humanidade.

Elas o controlavam? Ou somente o registravam? Uma linha na tapeçaria infinita que contava a história do Mundo, um fio que se rompe. A agulha que erra o ponto. A linha que se acaba. Havia alguém para guiar seus passos, tornar toda a sua vida de alguma forma plausível, tocável, definível?

O Tempo.

Reinando soberano sobre todo sistema de coisas.

O Tempo.

Segundo atrás de segundo, ritmicamente. Passo a passo. Medido. Considerado. Escrito. Controlado?

Tic tac, tic tac, tic tac – o relógio em seu pulso disse.

Ritmicamente. Tic tac.

Era o som do tempo?

Tic tac. Era sua voz ecoando pelo espaço, alterando a matéria?

O Tempo.

Seria ele somente uma força, avassaladora força, fazendo-se somente presente? Ou seria ele consciente? Um ser sem rosto sentado em um trono qualquer vivendo acima de todas as Coisas?

O Tempo

Reinando sobre sua própria existência, detendo a sabedoria que o Universo inteiro carrega, escorrendo por suas mãos, por sua mente enquanto o tempo passa. Enquanto Ele passa. Vive.

O Tempo.

Um cetro dourado apontando para o universo e além, disciplinando a natureza. Guiando o curso do mundo, e nós meros escravos de sua vontade.

O Tempo.

Vestes brilhantes de onde pendiam estrelas roubadas, sua coroa, finos fios de luz que se trançam, pendendo graciosamente sobre um olho.

Ele soluça. O Tempo está bêbado.

Seus pés estirados sobre um monte fofo de nuvem, descalços.

Ele ri.

O Tempo ri.

Seu cetro apontado para um ponto qualquer na imensidão, ou seria o vazio?

Ele coça seu queixo, pensando...

O Tempo.

Um riso maroto brota de seus lábios.

Ele já sabe.

O Tempo.

Ela grita em agonia quando seu coração transborda. Seus joelhos falham e tudo o que ela deseja nesse momento é um pouco de paz.

Paz. Sem seus próprios fantasmas, sem os seus demônios. Paz. Avassaladora Paz. Asfixiante Paz. Sua respiração cessa presa num único segundo. Um único vislumbre do infinito, dádiva dos Deuses.

Ela sabe. Sabe tão perfeitamente por que somente isso - saber simplesmente - tem sido o seu objetivo durante toda a sua vida. Tudo não se resumia a saber, sempre, antes, tudo? Ela não consegue ignorar agora.

Por que a dor continua? Onde ela se perdeu?Ela respira, ela treme, ela chora. Dor.

Sua mão se fecha em torno da peça e ela a leva até o peito. Proteja-a.

Hermione se arrasta pelo chão quando as bestas infernais que a perseguem materializam-se mais uma vez a sua frente com assustadora nitidez. Em algum ponto profundo de sua mente, uma voz suavemente lhe avisa que eles não são reais, mas ela ignora.

As asas que se abrem parecem prontas para envolvê-la, compridas e afiadas o bastante para prendê-la em seu interior fétido, ela pode sentir o cheiro da morte. O liquido escuro e avermelhado que esteve manchando suas mãos escorre pelas pontas dos dedos longos e ósseos, unhas compridas que se arrastam pelo chão, pelas paredes, pelos móveis agonizando-a com o som de agudeza infernal que o atrito produz. Suas bocas abertas, despejando a saliva amarelada que respinga enquanto eles gritam e gargalham com igual prazer. As órbitas quase vazias de expressão, se não fosse aquele brilho peculiar que indica toda a sua loucura.

Eles vão levá-la. Ela sabe que seu lugar agora é o inferno, sabe que sofrerá com seus tormentos eternos lá, porque nada pode apagar tudo o que ela fez. Nada será capaz de mudar, alterar, reconstruir, redesenhar as linhas que pintaram o seu destino. Destino que ela mesma escolheu.

O ar falta quando as criaturas se aproximam, trazendo seus rostos bem próximos ao dela. Seu hálito quente batendo contra sua face e deformando-a numa careta de nojo e horror. Seus olhos se fecham. Seus dedos apertam o vira-tempo em suas mão.

Vão embora. - ela sussurra, sentindo o gosto salgado das lágrimas que penetraram seus lábios entreabertos, sabendo o quão vã tem sido essa súplica em todas as outras vezes. Eles jamais a deixavam. Eles jamais a deixariam. Atormentá-la-iam pelo resto de sua vida e pela eternidade de sua morte.

Misericordiosamente, porém, o ar se aquece e é como se uma presença protetora se materializasse ao seu redor, sobre e dentro de si, partindo de seus desejos mais profundos, ocultos até mesmo de seus próprios pensamentos, escondidos até de sua própria consciência. Ela não sabe o que é, quem é ou porque o é, mas visivelmente – ao menos para ela – a criatura dos céus está ali. Olhando-a de todos os cantos, tocando-a por todos os lados.

Mas não se parece um anjo e ao contrário de seus demônios, ela não é a representação perfeita de seus pensamentos. Onde estão as asas brancas? Aquela mesma voz, essa que nos recusamos a escutar na maioria das vezes, avisa: Ele é real.

E mais uma vez ela simplesmente não crê. Em algum ponto dessa sua pequena longa jornada sua fé se consumiu em suas próprias chamas e mesmo as cinzas foram levadas pelo vento. A salvação não existe.

Ele não tem rosto, muito embora ela pense que existem alguns contornos naquela face de expressão vazia. Nesse mesmo instante ela pensa que viu decepção naqueles olhos.

Ridículo. Ele não tem olhos. E nem asas e nem corpo, ele não é. Simplesmente, não é.

Crê. – estranhamente essa voz soa, reboando em seus ouvidos como o tilintar de vários sinos, ou como o sopro do vento na grama – ela não sabe ao certo -, penetrando em sua mente com a delicadeza de um pensamento puro.

Mas ela não pode. Ela não conhece essa criatura, ao passo que seus demônios são visitas assíduas e torturantes, ao passo que a dor é tão mais tangível que o conforto – esse, só percebemos que tivemos, quando já não temos – ao passo que a verdade cospe na sua cara: Você não tem perdão.

Sim, a decepção é tão nítida agora que a envolvia por completo, tal como o conforto que ela renegara havia feito. A visão desvanece. O branco puro se tornando cinza, ofuscando. Escurecendo até que somente o preto das paredes restasse. Desaparecendo.

Há, ainda, algum resquício pairando sobre sua mente, como se se recusasse a somente abandoná-la, os gritos ainda são meros sussurros. Finalmente ele se vai por completo e seus demônios surgem por todos os lados, sedentos.

Ela quase sorri. Ela os conhece tão perfeitamente.

Estranhamente é muito confortável ali – ela constata, ainda sem abrir os olhos - a superfície macia abaixo do seu corpo é quase quente. Ela esfrega seu rosto no tecido, apreciando o atrito leve, o arranhar suave de sua pele com o linho. Quase uma caricia.

Um cheiro vagamente familiar a alcança, misturado ainda com aquele leve odor de poeira que ela faz questão de ignorar veementemente, procurando apreciar tão somente o outroodor maravilhoso que se desprende dos lençóis, leve porém existente.

Não há café aqui. – ela nota, embora ela ainda não reconheça o cheiro completamente – Mas há ainda um leve toque de almíscar, aquela nota afeminada peculiar contrastando tão magnificamente com o cheiro másculo que todo o conjunto possui. Sim... Sândalo e... – sua mente procura, sua memória revira, mas não há nada que se pareça com esse cheiro – O suor limpo de um homem.

Num segundo sua mente anuviada se desperta, acendendo-se completamente e ela abre os olhos, fitando primeiramente o dossel negro que placidamente a fita de volta de toda a sua macia escuridão sedosa.

O que, raios, eu estou fazendo aqui? – uma mente confusamente se pergunta. Um gemido de dor escapa de seus lábios quando ela se move e mesmo assim ela tenta escorregar as pernas para fora da cama.

_ O que pensa que está fazendo? – um chapéu pontudo se materializa, surgido de um ponto qualquer ao seu lado e Minerva McGonagall prontamente empurra de volta à cama uma relutante Hermione.

_ Professora...! O que houve?

_ O que houve? O que houve? - existe uma severidade mal contida no tom da mulher que a remete violentamente ao tempo das reprimendas estudantis – Eu é que a pergunto senhorita Granger.

_ Desculpe professora, mas eu não faço idéia do que a senhora está falando.

_ Claro que não faz. O que você tem feito menina? Eu a encontrei inconsciente no chão, você nem imagina o susto que me deu.

E mais rapidamente do que ela teria desejado as lembranças jorraram e ela esteve muito consciente agora de seu próprio desmaio e daquilo que o causou. Um arrepio desconfortável percorreu o seu corpo quando um rosto bestial mortalmente vivido flutuou pela superfície de sua mente e com uma pontada particularmente dolorosa em sua cabeça, ela se deixou cair quietamente nos travesseiros macios.

_ Você está bem querida? – Minerva perguntou preocupada, notando que ela havia empalidecido ainda mais e ralhando consigo mesma mentalmente por não ter sido mais gentil.

_ Sim... eu... Não. Eu estou com uma dor de cabeça terrível, mas isso é comum depois desses desmaios.

_ Você os tem com freqüência? – ela se sentou na beirada da cama, estendendo uma mão para, delicadamente agora, retirar uma mecha encaracolada de cabelo do rosto de Hermione.

_ Não exatamente.

_ Você já visitou um curandeiro?

_ Sim, e médicos trouxas também. Não que tenha adiantado muito, nenhum deles soube dizer a causa dos desmaios – e obviamente eu não vou sair contando sobre eles – ela adicionou mentalmente, pensando em seus tormentos infernais – ou me julgariam louca.

_ Entendo... De qualquer maneira eu já chamei Papoula e ela está vindo te examinar.

_ Mas não será necessário! Eu estou perfeitamente bem.

_ Eu não sei qual é a sua definição disso Hermione, mas eu certamente não concordo com ela. Você estava desmaiada no chão das masmorras e querendo ou não só sairá daqui depois que for devidamente examinada e medicada. – um olhar severo vazou através das lentes quadradas dos óculos, sendo pontuado por um raríssimo sorriso bondoso – Eu estou preocupada querida, permita somente que Papoula a examine e tranqüilize um pobre coração velho, cansado de surpresas.

Hermione concordou suspirando, olhando atentamente ao redor dessa vez.

_ Nós não estamos na enfermaria. – ela concluiu tolamente.

_ Não, como deve ter percebido estamos ainda nas masmorras. Eu não sabia se seria seguro movê-la até a enfermaria com um feitiço.

_ Então essa é a cama do... professor Snape? - Ela não conseguiu refrear a própria expressão medrosa, imaginando que a qualquer momento Snape pudesse irromper pela porta azarando-a para fora da cama dele.

_ Obviamente. Oh... Ela chegou. – Minerva se afastou, dando espaço para uma esbaforida, mas eficiente enfermeira.

A noite já ia alta quando ela atravessou os portões de Hogwarts, na escuridão constante das masmorras ela nem havia percebido o tempo passar.

_ Eu estou bem. – Hermione reafirmou para Minerva, que apertava fortemente suas mãos nas dela enquanto despejava uma quantidade admirável de conselhos que incluíam desde uma visita a um notável e caríssimo especialista até um chazinho que ela jurava que era eficiente no tratamento desses desmaios repentinos.

_ Adeus querida, volte para visitar-nos também e não se esqueça que o chá deve ser ingerido às três horas da madrugada, durante a lua minguante e que você deve estar nua dentro de um barril cheio de olhos de salamandra!

_Obrigada, eu vou me lembrar – ela confirmou solenemente, perguntando-se se fora a idade ou a convivência que fizeram Minerva parecer-se levemente com Sibila Trelawney e suas idéias absurdas.

Um último olhar saudoso para as terras que haviam sido o seu lar e Hermione se foi, desaparatando para o conforto silencioso da casa de seus pais.

As figuras quietamente entretidas com a TV mantiveram-se em seu silêncio agora constante.

_ Boa noite papai. – ela disse e não houve resposta alguma – Boa noite Megan. – ela cumprimentou a jovem enfermeira também sentada no sofá.

_ Boa noite Hermione – ela disse, com um sorriso afetuoso – Você parece abatida.

_ Eu estou bem. – ela repetiu pela milésima vez essa noite enquanto dava a volta no sofá, posicionando-se bem em frente à figura inerte de sua mãe e se agachando – Boa noite mamãe... – ela sussurrou, sentindo aquele mesmo aperto em seu coração, segurando as lágrimas teimosas que insistiam em vir.

O que outrora fora uma mulher esbelta e cheia de vivacidade era hoje uma pálida impressão. O vazio indistinto dos olhos que antes a confortavam era o tormento de Hermione sempre que ela procurava por sua mãe naquele corpo que agora mais parecia somente uma casca sem conteúdo. O poderoso feitiço de memória não havia sido devidamente revertido causando um dano mental irreversível à pobre senhora Granger. Dano pelo qual o senhor Granger não se cansava de culpá-la, dano pelo qual ela se martirizava noite após noite.

A senhora Granger piscou, ainda fitando intensamente o nada, suas mãos alisando um conformado Bichento num gesto mecânico. Ela estava mais magra e mais pálida também. Somente alguns meses haviam se passado e, no entanto, seus cabelos – antes tão volumosos! – estavam ralos e opacos, escorrendo sem vida por um rosto vazio.

Hermione estendeu as mãos para tocar sua mãe.

_ Suas mãos estão frias. – ela disse, forçando um meio sorriso enquanto tomava-as entre as suas para aquecê-las – Eu espero que o seu dia tenha sido agradável mamãe. Eu passei todo o dia em Hogwarts pesquisando para aquele projeto do qual lhe falei, está lembrada?

O senhor Granger bufou da ponta do sofá, soando amargurado.

_ Você está perguntando se ela se lembra Hermione? Se ela se lembra? – o tom acusatório em suas palavras fê-la sentir-se novamente pequenina e medíocre, encolhendo-se dentro de seu próprio espaço. Procurando desesperadamente somente desaparecer.

_ Senhor Granger! – ralhou a enfermeira, atingida também pelas insinuações dele. Ela não entendia realmente porque o senhor Granger culpava a filha pelo estado mental da esposa, mas sabia o quanto Hermione sofria com essa situação.

_ Tudo bem Megan. O senhor não poderia me dar uma trégua somente uma noite? Eu sei das minhas responsabilidades.

_ Você sabe das suas responsabilidades. E de que isso adianta? Você deveria ter medido os seus atos muito antes de lançar-nos nesse inferno! – O senhor Granger vociferou, como sempre acontecia quando eles tocavam nesse delicado assunto.

_ Você acha que eu quis isso? Acha que eu estive pensando em qualquer outra coisa que não fosse o bem estar de vocês quando tomei minha decisão?

_ Sem nos consultar! Você achou que por causa da sua...sua situação você poderia simplesmente controlar a nossa vida? Veja o que você fez com a nossa família!

_ Eu sei. EU SEI! Você acha que eu não penso nisso o dia inteiro, acha que não me culpo? Eu não preciso das suas acusações para ter ciência do que eu fiz... Eu... eu...

A mulher assustou-se com os gritos, encolhendo-se no sofá enquanto cobria com as mãos os ouvidos.

_ Veja o que vocês fizeram! – Megan ralhou – Calem a boca vocês dois. Está tudo bem senhora Granger... Tudo bem. Está ouvindo? Está tudo calmo agora...

Seu pai lançou-lhe um olhar carrancudo enquanto sentava-se no sofá, envolvendo com um braço protetor a mulher que se aninhou em seu colo como uma criança. Hermione se sentiu impotente para reagir a isso. Seu pai tentava proteger sua mãe... dela. Ela estava rígida enquanto as lágrimas vertiam, carregadas com a culpa que nunca a abandonava. Murmurando um soluçante "Boa noite" ela se afastou rapidamente para o conforto solitário de seu quarto. Ela ainda podia ouvir, apesar da porta fechada, a discussão sussurrada que seu pai mantinha com Megan.

A cama parecia fria e desconfortável, logo sua fronha estava também úmida. Havia agora um clima tão tenso em sua casa que ela quase sentia-se aliviada por poder passar o dia todo fora, longe dos olhares acusadores de seu pai, da piedade de Megan ou da ausência de sua mãe, apesar da presença.

De que modo ela poderia ter adivinhado? Estivera somente pensando na segurança deles... Como explicaria o que estava fazendo? Ela sabia que eles jamais a abandonariam em meio aos perigos da guerra enquanto eles mesmos desfrutavam de uma relativa segurança, longe dos Comensais e seus ataques surpresa.

Um soluço alto se seguiu ao pensamento que era sempre sua mãe que a consolava. Sua amiga. Sua confidente. E agora... nada. A senhora Granger nem sabia que tinha uma filha, uma casa, amigos ou um marido. Ela entendia a amargura de seu pai. Ela jamais poderia culpá-lo, ele estava certo afinal de contas.

Lentamente o cansaço a tomou, mas pouco antes do sono estender-lhe seus dedos veludosos um último pensamento perpassou por sua mente sonolenta, lembrando-a que esses lençóis não cheiravam tão bem. No instante seguinte ela adormeceu.

O sono não era tranquilo nem relaxante, mas ao menos ela poderia vagar pelos confins da inconsciência e ao menos ali ela poderia ter a vaga certeza de que tudo não passava de um sonho.

Sua bolsa entreaberta despejava para o chão uma quantidade admirável das mais diversas quinquilharias, inclusive um velho diário de capa escura e um vira-tempo quebrado que brilhou sinistramente à luz da lua.

Em seu sono Hermione se remexeu inquieta, implorando por uma presença protetora que não mais viria.


N/A: Meus agradecimentos a Jansev, Thays Phoenix, Any Drachemberg, Mr. Mordred, Dinha Prince, Valki Fanto, housetheman4e e Ana Paula Prince, vocês fazem o meu dia!

* Ohhh, quanta gente dessa vez! Continuem assim *

Até a próxima att.

Revisem por favor.