Sesshomaru observou divertido como Rin, alarmada, saía da cama a toda pressa. Surpreendeu-lhe que inclusive recém levantada estivesse tão bonita. Seu cabelo caía em suaves ondas ao redor de sua cara ovalada.
Vestida tão somente com sua camisa, estava muito atrativa.
-# Não pretenderá que acredite que é a primeira vez que dorme com um homem.
-# Pois assim é - repôs Rin levantando o queixo.
Sesshomaru ficou paralisado.
-# Acaso é lésbica?
-# Sabe perfeitamente o que quero dizer.
-# Não me conte mentiras - disse Sesshomaru se deixando cair sobre os travesseiros.
Rin se cruzou de braços.
-# Por que acredita que são mentiras? - disse ela. Apesar de que estava furiosa com ele, no fundo estava desfrutando daquela conversação.
-# Não posso acreditar que ainda seja virgem.
-# Acaso acredita que me envergonho disso?
Ficaram em silêncio. Sesshomaru não podia sair de sua surpresa. Rin se ruborizou. Desejou não ter tirado o tema e se foi ao banheiro. Por que se sentia tão envergonhada do que acaba de lhe revelar?
Sempre tinha sido tímida com os meninos e Kohako tinha sido seu único namorado formal. Dois meses depois de começarem a sair juntos, ele se tinha partido a trabalhar ao estrangeiro durante um ano. Apesar da distância, tinham mantido sua relação. Quando Kohako retornou a Londres, pediu-lhe que se casasse com ele.
Mas ela não se sentiu preparada para dar o passo e lhe pediu tempo para pensar. Então, sua irmã se cruzou em seu caminho.
*
*
Então Rin era virgem, pensou Sesshomaru. Possivelmente isso fosse o que lhe dava um ar tão especial e a fizesse tão atrativa. A intensidade de seu desejo estava começando a ser incontrolável.
Rin se surpreendeu ao encontrar roupa de mulher em um dos armários da habitação.
-# De quem acredita que será tudo isto? - perguntou.
Sesshomaru se aproximou e tomou um vestido.
-# Não sei, mas estou certo que este lhe servirá muito bem.
É vulgar - disse ela aproximando o vestido a seu corpo. Era muito curto, com finas alças e um grande decote.
Encontrou um par de sandálias no armário e as pôs. Ficavam grandes, mas algo seria melhor que caminhar descalça.
Sesshomaru olhou o tamanho de um dos objetos. Estava convencido de que era do tamanho de Rin, assim não podia ser tão somente uma coincidência. Alguém tinha preparado minuciosamente tudo aquilo. Por isso não surpreendeu-se quando abriu outro dos armários e encontrou roupa masculina.
Depois de comprovar o estado do pé de Rin, Sesshomaru foi barbear se.
Rin escolheu um biquíni violeta para usar e se atou uma canga à cintura. Percorreu com o olhar a habitação e reparou na garrafa de champanha que estava junto aos ramos de flores que Cristos havia mencionado. Algumas floresceram e já estavam murchas. Levantou uma das flores e descobriu uma nota.
-# Sesshomaru! - chamou-o. - O que é isto? - acrescentou e entregou a parte de papel.
O arqueou uma sobrancelha enquanto o lia.
-# Está escrito em grego. De onde o tirou?
-# Estava aí em cima da mesa - respondeu Rin assinalando as flores.
-# Ontem não estava - disse entrecerrando os olhos. - Se não, o teria visto.
-# O vi ao levantar a flor. O que é o que diz?
Sesshomaru soltou uma gargalhada irônica.
-# Diz que não nos farão mal e que nos deixarão em liberdade embora não se pague o resgate. Como se você não soubesse!
-# Do que está falando?
-# Disto - disse enrugando o papel e atirando-o ao chão. - Esta nota não estava aqui ontem à noite. É evidente que foi você quem a pôs aí. Não trate de dissimular. Sei que você tomou parte em meu seqüestro - acrescentou zangado. - Agora o único que me preocupa é meu avô. Tem oitenta e três anos e sua saúde é débil. Já sofreu bastante com a morte de meus pais e minha irmã pequena e não suportará meu desaparecimento.
-# O que acha? Que minha família não estará preocupada também? - espetou-lhe Rin. - Não sei por que suspeita de mim.
-# Está muito claro. Você encontrou essa nota. Além disso, em lugar de me ter encerrado em uma habitação de má morte, estou retido em uma praia impressionante com uma ruiva muito atraente.
-# A próxima vez que encontre uma nota não lhe direi nada. Ainda não sei por que acredita que tenho algo que ver com os seqüestradores.
-# São muitas as coincidências. A primeira vez que a vi foi faz seis semanas e...
-# Seis semanas, onde me viu? - interrompeu-o Rin surpreendida.
-# Fixei-me em você no estacionamento do aeroporto. O vento tinha tirado sua boina e a vi correndo atrás dela. Não pude deixar de observá-la. Pareceu-me uma mulher muito bonita. Nunca acre-ditei que voltaria a vê-la. Mas, quando retornei a Londres e graças a meu primo, você ia ser minha chofer durante o fim de semana.
Rin não recordava a situação, mas seus comentários conseguiram que seu aborrecimento desaparecesse. Se tinha fixado nela seis semanas antes e ainda a recordava. Ruborizou-se.
-# Graças a seu primo?
-# Suikotsu fez as gestões para contratar à companhia de limusines à que trabalha. Supõe-se que você era minha surpresa.
Aquilo a zangou., Por um momento se havia sentido adulada de que a achasse atraente. Agora entendia por que seu chefe a tinha escolhido para aquele serviço. Provavelmente o primo de Sesshomaru havia solicitado que fosse ela a condutora da limusine.
-# Seu primo pensou que o aluguel do carro incluía meus serviços? - perguntou Rin. Seus intensos olhos verdes brilhavam com fúria.
-# Não é o que hei dito. A intenção de meu primo era que a conhecesse. Isso é tudo.
-# Eu não o vejo assim. Acaba de dizer que eu era sua surpresa. Nunca ouvi nada mais machista. Seu primo encontra-me, assegura-se que eu seja sua chofer e agora resulta que seu seqüestro é minha culpa. Lembra que foi você quem quis que parássemos nesse hotel.
-# Arrisquei-me muito. Não escutei os conselhos de meu guarda-costas. Tinha mais interesse em você.
-# Assim será minha culpa que seu apetite sexual seja insaciável.
-# É sempre assim de arisca com os homens que a desejam?
Rin o propiciou com uma sonora bofetada e ela mesma se surpreendeu de sua reação.
-# É isso o mais forte que pode bater? Me teria feito mais dano se me tivesse dado um murro.
-# Sinto muito, não queria fazê-lo - disse Rin envergonhada, observando a marca que lhe tinha deixado na bochecha.
-# O perdão tem um preço. Se quiser que a perdoe, terá que deixar que a beije. E se não gostar, não voltarei a beijá-la nunca mais.
Rin levantou o queixo. Seus verdes olhos brilhavam incrédulos.
-# Estou segura de que eu não gostarei. Economize-a vergonha.
-# Prefiro correr o risco.
Estava tão próximo a ela, que podia sentir o calor do corpo de Sesshomaru. Um calafrio percorreu suas costas. Sentia a boca seca. Seu sentido comum lhe dizia que se afastasse dele, mas ficou paralisada enquanto Sesshomaru aproximava lentamente sua boca à sua.
-# Sei que não vou gostar - sussurrou Rin, confiando em que assim fosse.
Os lábios de Sesshomaru roçaram os do Rin. Sempre tinha sonhado com um beijo como aquele. Entregue ao prazer, rodeou-o com seus braços. O sabor de sua boca a excitou. De fato, tudo nele a excitava.
Sesshomaru tratou de separar-se para respirar, mas ela o impediu e se estreitou contra seu corpo, Se fundiram em um quente e profundo beijo. Ele movia sua língua com destreza e Rin ofegou, deixando-se levar pelo desejo que sentia. Sabia que tinha que separar-se dele, mas todo seu corpo o desejava intensamente.
Sesshomaru respirava pausadamente.
-# Vamos à cama.
Contrariada pela rapidez que as coisas estavam acontecendo, Rin o olhou nos olhos. Desejava entregar-se a ele sem lhe importar seu orgulho ou sua própria dignidade.
As fortes e cálidas mãos de Sesshomaru subiram por sua cintura até acariciar seus peitos. Ela arqueou acostas e desfrutou da cálida sensação que sentia entre suas coxas. Estava completamente excitada e ele sabia. Seu olhar era o de um homem acostumado a que as mulheres se entregassem a ele e aceitassem a todos seus desejos.
Rin tratou de controlar-se e se separou dele.
-# Recorda que íamos fazer uma fogueira - disse distraindo-o.
Sesshomaru ficou pasmado e viu como Rin saía para o jardim. Foi atrás dela.
-# Você não gosta de minhas carícias? - perguntou Sesshomaru, contrariado.
Rin o olhou de esguelha e se tomou uns segundos antes de responder.
-# Não é isso. Não quero que passe nada entre nós. Isto é uma loucura.
-# Tem razão - murmurou Sesshomaru. - Não levo preservativos e me temo que você tampouco.
-# Não - disse Rin e ficou vermelha.
Estava contrariada. Parecia que, por uns quantos beijos que se deram, ele já se sentia com direito a levá-la à cama. Além disso, incomodava-lhe que Sesshomaru ficou tão tranqüilo,
Como se nada tivesse passado entre eles. De uma vez, estava surpreendida. Nunca tinha desejado a Kohako como desejava a aquele homem a que acaba de conhecer. Os beijos de Kohako nunca a haviam estremecido daquela maneira. Em seu interior, estava convencida de que o sexo não lhe interessava, mas com Sesshomaru tinha comprovado que não era verdade.
-# O melhor lugar para fazer a fogueira é na praia do lado norte - disse Sesshomaru, apertando com força os punhos nos bolsos de suas calças em um intento por dissimular quão excitado estava. - Qualquer navio que passe poderá vê-lo.
Rin o olhou encantada. Sesshomaru começou a explicar que tinham que encontrar um lugar protegido do vento para que o fogo ardesse sem possibilidade de que o vento o apagasse. Era evidente que ele era a cabeça pensante e ela a que faria o trabalho sujo. Rin recolheu na praia os troncos que encontrou e foi empilhando no lugar escolhido. Finalmente, o fogo ardeu em uma perfeita fogueira.
-# Busca algo com o que te proteger os ombros do sol ou te queimará.
-# Estou bem - respondeu Rin. Estava exausta depois do trabalho físico que tinha realizado sob o forte sol. - Deixa que me cuide sozinha.
-# Mas se não o faz! - repôs Sesshomaru levantando uma sobrancelha. Levava a camisa aberta deixando ao descoberto seu bronzeado e musculoso torso.
-# Por que diz isso? - disse Rin e o olhou furiosa.
-# Por onde quer que comece? Por quando não fechou as portas do carro e nos seqüestraram? Ou por quando quase te afoga? Ou por quando te fez o corte no pé? Não me negará que tenho que me preocupar com você.
-# Está zangado porque não quero me deitar contigo - disse Rin sem pensar no que dizia.
Sesshomaru avançou para ela e tomou em seus braços.
-# O que está fazendo? - gritou.
-# Quero que te olhe ao espelho e me diga se tiver razão quando te digo que te vais queimar.
-# Me deixe no chão!
-# Eu não gosto que me gritem - disse ele deixando-a brandamente na areia.
-# Eu não gosto que me tratem como a uma boneca nem que me dêem ordens.
-# Então, por que trabalha como chofer?
-# Necessito do dinheiro para abrir minha própria empresa.
-# Será melhor que te assessore bem antes de abrir algo - disse Sesshomaru com arrogância.
Rin ficou olhando-o intensamente.
-# Para sua informação, direi-te que estou licenciada em ciências empresariais e não necessito conselhos de ninguém e muito menos de ti.
Deu-se meia volta e se foi à casa. Quando Sesshomaru retornou, encontrou-a na habitação. Aproximou-se dela pelas costas e antes de que se desse conta lhe tinha baixado uma alça do biquíni para lhe mostrar a marca que o sol tinha deixado em sua pele. Depois foi ao banheiro e retornou com um pote de creme hidratante.
-# Passa um pouco disto - disse deixando o creme ao lado do Rin, que estava sentada aos pés da cama.
O coração lhe deu um tombo. Olhou-o encantada através do espelho. Era muito bonito.
-# Deixa de me olhar assim - disse Sesshomaru jogando um pouco de creme em sua mão.
-# Estou segura que está acostumado a que as mulheres lhe olhem assim - disse Rin, convencida de que ninguém tão bonito e com aquele corpo podia ignorar seu atrativo. - Está claro pelo modo em que te comporta, que tem a segurança e confiança de conseguir todo aquilo que te propõe.
-# É obvio que consigo tudo o que quero - admitiu Sesshomaru sem nenhuma humildade.
Rin sentiu como suas mãos lhe passavam o creme nas costas. Sentia calor na pele e não era só pela queimadura que lhe tinha produzido o sol. Rin deixou escapar um suspiro.
-# Estou te fazendo mal? - perguntou Sesshomaru.
-# Não - respondeu Rin.
-# Quer que fique quieto?
-# Não - disse Rin.
Desejou que suas mãos percorressem todo seu corpo. Sentia que o calor de sua pele se estendia até o mais íntimo de seu corpo. Tratou de controlar seus pensamentos e ficou rígida. Voltou a girar-se para olhá-lo através do espelho, embora sabia que não devia fazê-lo. Seu coração pulsava com força.
Recordou todas as decisões que tinha tomado em sua vida e os erros que tinha cometido. Havia querido trabalhar como mecânico de carros e em seu lugar tinha ido à universidade a estudar uma carreira pela que não tinha o menor interesse. Depois, tinha passado um ano trabalhando em um escritório e, embora o salário era bom, o trabalho não gostava. Tinha tentado sair com homens decentes e honestos e agora se sentia atraída por um rompe coração.
Se imaginou estendida sobre a cama saboreando os lábios de Sesshomaru. Desejava ardentemente que aquele sonho se fizesse realidade.
De repente, Sesshomaru se levantou. Foi ao banheiro e lavou as mãos.
-# A partir de agora, procura tomar cuidado com o sol. Eu estou acostumado a este clima e ao forte calor que faz - disse ele.
Entretanto, não estava acostumado a controlar seu apetite sexual com uma mulher tão formosa, disse-se. Ainda podia sentir em suas mãos a suavidade de sua pálida pele. Estava se obcecando com ela, reconheceu. Decidiu ir comprovar o fogo e a procurar algo com o que mantê-lo ardendo. Para Sesshomaru, o sexo era uma diversão, ao contrário que para Rin que o tinha por um pouco muito sério. Sem embargo, no fundo tinha muito presente os ensinos que lhe tinha inculcado sua mãe, Calliope, quem tinha morrido quando ele tinha onze anos. Tinha-lhe falado de respeito, fidelidade e auto-disciplina. E por suposto de amor. Calliope se tinha casado com o amor de sua vida aos dezoito anos.
Rin era uma mulher única. Desde que lhe disse que era virgem, tinha mudado sua opinião a respeito dela. Era muito diferente a todas aquelas mulheres que se entregavam a um homem nada mais conhecê-lo só pelo fato de que fosse rico. Essa diferença a fazia mais desejável especialmente a um homem como ele que estava acostumado a fazer seu, tudo aquilo que queria.
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Gente amanhã eu respondo as reviews, e que meu tempo está realmente bem escaço.
