Capitulo quatro

O Castigo

- Pretende que lave sua roupa?! –exclamou Ron indignado quando Harry lhe contou o sucedido após classe.

- Bom… suponho que faz parte do castigo. –murmurou Harry sem ânimo de discutir.

- Poderia dizer-lhe a Dobby que…

- Advertiu-me que não o envolvesse, e a verdade é que prefiro me evitar o risco de que me descubra… total, a lavo e já! Não me vai passar nada porque o faça, com meus tios é coisa de todos os dias.

- Alegra-me ver que tenha decidido madurar, Harry. –interveio Hermione levantando a vista de seu livro de Aritimância. –Não é correto discutir com as decisões dos professores.

- Mas dá a casualidade que Dumbledore já lhe tinha dado seu castigo –protestou Ron. –De modo que Snape não tinha porque lhe impor mais tarefas, e menos algo tão asqueroso como lhe lavar a roupa… deveria queixar com o diretor, Harry.

Harry só deixou cair a cabeça para atrás, não lhe preocupava no absoluto ter que lavar a túnica de Snape, o que não o deixava tranquilo era que em menos de dez minutos deviam se preparar para ir a classe com Ângelo.

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Ao entrar a sala, Harry foi diretamente a uma das classes do fundo, nem sequer volteou a olhar se seu professor estava aí, tão só de saber que teria que tomar classes com ele sentia um forte nodo no estômago. Ron pensou em segui-lo, mas um suave sorriso de Hermione provocou que se esquecesse momentaneamente de seu amigo, quiçá era hora de tomar uma nova colega, após tudo, Harry sempre era o melhor em Defesa e não era divertido ser sempre o vencido, pelo menos esse foi o pretexto que ele mesmo se deu.

A Harry não se importou ficar só, assim tinha mais tempo de rumiar contra seu professor sem que ninguém lhe interrompesse. Ângelo deu a classe de uma maneira muito amena, e conseguiu que a maioria lhe pusessem atenção esquecendo de sua condição de Veela, o único que não pôde o fazer foi Harry, quem o único que escutava era o zumbido de coragem que faziam seus ouvidos ao pensar que tinha que passar um fim de semana com esse fantoche presumido de gostos envelhecidos.

Essa noite, aproveitando que se encontrava só em sua habitação, apanhou a túnica de Snape e a levou para o banho, mas ao ver que não tinham as condições adequadas para a lavar, baixou à sala comum e lhe pediu a seu amigo a contrassenha do banho dos monitores, assim poderia terminar com seu labor de uma vez por todas. Assim que esteve só, começou a encher a tina com água morna, e enquanto esperava, se recostou no solo suspirando cansado. De repente, um aroma chegou até seu nariz, era tão sofisticado como hipnotizante, pensou que quiçá era um dos sabões, mas recordou que não tinha aberto mais que o grifo da água, então abriu os olhos e se incorporou olhando a todos lados, mas sem encontrar a fonte daquele cheiro que traspassava seus sentidos… então a viu, ao sacar a túnica de Snape de seu envoltório estava emanando essa fragrância, suavemente a tomou para acercar a seu rosto e aspirar profundo. Uma agradável sensação encheu-lhe por completo e sorriu tenuemente.

- Cheira muito bem… Que será? –perguntou-se a si mesmo. –Talvez seja a mistura das poções… ou os restos do café… ou do bolo, ou ambas coisas. Talvez Snape esteja experimentando com perfumes… não, isso o duvido- se riu divertido. –Melhor deixo de cheirá-lo, pode ser perigoso… mas como gostaria de saber que é!

Harry quase lamentou o ter que afundar a prenda na água, isso poderia lhe tirar aquele cheiro tão particular, mas não podia tirar as manchas de outra maneira. Por mais que experimentou com todos os grifos de lociones e fragrâncias, não encontrou nenhuma que se assemelhasse à que tinha previamente a túnica. Ao terminar, pendurou-a para que se secasse, e aí a deixou, devia regressar à Torre e terminar seus deveres. À manhã seguinte, assim que amanheceu, correu para o banheiro dos monitores, não queria se arriscar a que ninguém se topara com a túnica de seu professor. Felizmente já estava seca, e ao não poder se resistir, voltou a cheirar e descobriu com agrado que aquele aroma que o tinha impressionado tanto ainda podia se sentir, com um pouco menos de intensidade, mas seguia predominando apesar dos sabões.

Com muito cuidado dobrou-a e regressou a sua habitação, agora tinha outro problema como a ia passar se não tinha o aparelho muggle necessário e tinha proibido usar magia?... passou o resto da manhã pensando em isso, nem sequer podia pôr atenção ao que diziam seus professores em classes, até que se lhe ocorreu perguntar aos alunos provenientes de família muggle, felizmente se encontrou com uma garota de Ravenclaw muito previsora que tinha enfeitiçado o aparelho para que funcionasse no castelo, e pela noite, estendia a túnica sobre sua cama, para em seguida ir deslizando a superfície metálica por toda sua extensão com sumo cuidado e dedicação.

Ron e seus demais parceiros de habitação observavam-no em silêncio, praticamente assustados de vê-lo tão concentrado em um labor que devia lhe resultar demasiado desagradável. Mas para Harry era todo o contrário, o vapor do ferro provocava que o aroma que tanto gostava se desprendesse com mais de força… não entendia como seus amigos não podiam o perceber, era embriagador.

Pela noite, o Gryffindor dirigia-se para as masmorras, levava a túnica perfeitamente lavada e passada, ademais protegida por uma espécie de porta traje. Tocou à porta do despacho de Snape, mas não obteve resposta, de imediato seu cenho se franziu e voltou seu rosto em direção para onde sabia se encontrava a habitação de Ângelo, seguramente estavam juntos. Ia ir para lá quando escutou uns passos que se acercavam, sem saber bem porque o fez, se escondeu nas penumbras em espera de ver de quem se tratava.

Uns poucos segundos depois viu a Snape chegar acompanhado por Dumbledore, e em completo silêncio entraram ao despacho do professor. Harry voltou a aproximar-se, e arriscando-se a ser descoberto, entreabriu a porta do despacho, através da renda descobriu que não tinha ninguém aí, então entrou, notou luz baixo a porta do outro extremo e deixando a túnica em um dos cadeirões, colou sua orelha à porta para tentar saber o que se falava ali.

- Não posso achar que siga pensando nessa tolice, Severus.

- E eu não posso achar que siga fazendo questão de que não o faça, Albus… sabe melhor que ninguém que é a única forma em evitar que fique sem espião.

- Prefiro ficar-me sem espião que sem amigo.

- É muito nobre de sua parte querer proteger-me mas não tem porque o fazer… não o preciso, sei me cuidar perfeitamente e não desconheço os riscos.

- E me diga… não tem recebido notícias?

- Não, não me chamou, mas como sabe, este fim de semana devemos de nos reunir… aproveitarei esse momento para começar com meu plano.

- E… Ângelo? –perguntou estudando as reações de seu amigo.

- Que tem que ver ele nesta conversa?

- Você sabe melhor que ninguém, não acho que te tenha passado desapercebido que gosta e de muito.

- Está tratando de fazer de celestina, Albus?! –questionou Severus compreendendo.

- Não precisamente… mas Ângelo é um bom rapaz, de bons sentimentos, muito inteligente e poderoso… só que não acho que lhe agrade sua ideia.

- Vale-me um amendoim se agrada-lhe ou não!... e te suplico que não estrague as coisas, Albus, deixa que todo siga seu canal tal como vai.

Harry escutou como os homens se dispunham a regressar ao despacho e então saiu correndo se levando consigo a túnica para não deixar impressões de sua presença, mas não recordou que a quem tratava de enganar era um espião sumamente inteligente e habilidoso, de modo que para Severus não passou desapercebido que alguém tinha estado em seu despacho e poderia se dizer que não tinha nenhuma dúvida com respeito a sua identidade.

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Nos dias que seguiram Harry se esqueceu de lhe entregar a túnica, ou melhor dito se resistia ao fazer, não queria enfrentar a seu professor ainda, em sua mente revolteavam milhares de perguntas a respeito da conversa que tinha escutado, ansiava saber qual era o plano de Snape que a Dumbledore lhe estava preocupando tanto.

Mais rápido do que tivesse gostado chegou de em a sexta-feira pela noite, e Harry se dirigiu para o despacho do professor Abbatelli, teve que respirar fundo em várias ocasiões dantes de se decidir a tocar à porta, algo aturdido ainda de sentir essa repulsão por um homem que lhe tinha provocado em um princípio descobrir que se sentia sumamente atraído pelos de seu mesmo sexo.

Um pouco mais tarde, encontrava-se limpando as jaulas de umas criaturas chamadas Fwooper, uma espécie de pássaro que quando Ângelo lhe mostrou a seus grupos causou uma exclamação de assombro por suas chamativas cores e aspecto inofensivo, algumas garotas inclusive chegaram ao pensar como mascotas, mas Ângelo lhes informou que o canto dessas aves poderia chegar a voltar louco às pessoas, de modo que deviam aprender um feitiço para o silenciar e se proteger. A Harry toda essa explicação lhe parecia sem importância, duvidava muito que Voldemort quisesse usar pássaros para enlouquece-los e vencer por default, de modo que agora esfregava freneticamente os andares das jaulas retirando os restos de excremento enquanto resmungou para si mesmo sobre o inepto que aparentava ser outra vez o novo professor de Defesa… até quando poriam a alguém que realmente soubesse o que eram as Artes Escuras!

Tão metido estava em seu desgosto pessoal que não se deu conta quando seu professor deixou os deveres que se encarregava de corrigir e se lhe acercou lhe sorrindo amavelmente.

- Não tem porque o fazer tão minuciosamente, Harry.

- É meu castigo, não deveria me dizer isso. –respondeu com arrogância. –Quando o professor Snape me põe a lavar seus caldeirões não fica conforme até que não tenha uma partícula de sujeira neles.

- Bom, não sou o professor Snape, mas já que estamos falando de ele… Porque fez isso no comedor? Tanto te desagrada?

- Não sei porque diz isso… eu não fiz nada.

- Todos sabemos que sim, mas se quer negar ainda, por mim não há problema. –respondeu com tanta macieza que a Harry lhe deram náuseas. –Mas acho que tem uma ideia errônea de Severus…

- Severus? –repetiu com um forçado sorriso.

- Assim se chama não o sabia? –perguntou com real inocência. –É um bonito nome não te parece?

- Não, é horrível. –assegurou sorrindo-lhe sarcástico. –Mas a você tudo parece agradar do professor Snape.

- Pois se tenho de ser-te sincero… sim. –respondeu sem poder evitar ruborizar-se. –Parece-me um homem muito interessante, e no pouco tempo que levo de conhecer me dei conta que tem um grande coração, por isso não entendo sua aversão por ele, me contaram que…

- Pois não sei que lhe contaram, mas se não entende é porque não lhe disseram a verdade! –gritou arrojando furioso a jaula ao lavabo. –O professor Snape é muito ruim comigo, sempre me criticando, sempre se debochando de mim, nunca lhe agrada o que faço, nunca está contente por nada se está relacionado com minha pessoa, ele me odeia, passa sua vida incomodando a minha… é mau comigo! O odeio também!

- Para valer odeia-lo? –perguntou com seriedade.

- Sim, odeio!

- É raro.

- Que é raro?! –perguntou exasperado.

- Os Veelas temos uma grande sensibilidade para detectar certo tipo de hormônios, a gente despede-as constantemente, Harry, não é raro, sempre há alguém perto que gostam… mas agora estou detectando de uma quantidade muito considerável delas… e provem de ti.

- Não gosto de você! –gritou Harry à defensiva.

- Bom, o que quis dizer é que…

Ângelo não terminou sua frase, seu rosto empalideceu de repente e teve que sustentar de uma cadeira próxima ante o mareio que sofreu. Harry olhou-lhe preocupado, seu professor parecia ter visto a morte perto e seu coração deu um viro quando o escutou pronunciar ao nome do professor de poções.

Como se o mesmo diabo lhe perseguisse, Ângelo saiu correndo de seu salão e Harry foi atrás dele, sem compreender o que lhe passava. Não sabia que fazer quando o viu sair para fora do colégio, uma pertinaz chuva caía nesse momento e ao longe se vislumbravam os relâmpagos cortando a escuridão da noite. Mas nada deteve a Ângelo, parecia que não se dava conta de que chovia, ele corria como se disso dependesse sua vida. Harry duvidou, talvez deveria avisar a Dumbledore, algo não estava bem e poderia ser perigoso sair nessas condições, e mais quando atingiu a divisar uma figura perfilando-se na lonjura, para lá se dirigia Ângelo, e então não o pensou mais, correu atrás dele o mais rápido que lhe permitiam suas pernas.

- Severus! –exclamou Ângelo abraçando a um aturdido professor que se cobria da chuva com sua capa de viagem. –Está bem?

- Que faz aqui, Abbatelli? –perguntou-lhe confundido. –Estava-me vigiando?

- Não, é que… senti algo raro. –respondeu aferrando a cada vez com mais força ante a incomodidade de Severus. –Preocupei-me por ti.

- Estou bem e… Potter? –perguntou olhando à outra pessoa que se acercava, lhe viu totalmente empapado, respirando agitado pela correria e não soube que pensar. –Porque está aqui, Potter?

- Eu… só seguia ao professor Abbatelli.

- Potter…

Harry olhou assombrado como o professor Snape baixava a mirada, era a primeira vez que lhe via o fazendo, e algo em seu interior se estremeceu… que podia ter passado para que esse altivo homem não pudesse sustentar seus olhos nos dele?

- Tenho que ir a minha habitação… me solta, Abbatelli.

- Acompanho-te.

Harry pensou que o professor se negaria, mas o viu assentindo em conformidade e novamente seu cenho se franziu. Em silêncio caminhou atrás deles, sem saber porque não queria os deixar sozinhos, ademais, precisava se inteirar do que tinha passado com Snape, ainda recordava a conversa que tinha escutado entre ele e o Diretor, naquele dia devia se reunir com Voldemort, de modo que algo tinha sucedido e queria o saber.

Chegaram até as habitações do professor, Ângelo ajudou-lhe a tirar-se a capa de viagem e acendeu o fogo da lareira enquanto o outro professor secava sua roupa com um feitiço. Harry via aquilo com o coração lhe retumbando… que seguia? Sacariam um par de copos e uma garrafa de vinho e se poriam a conversar em frente ao fogo?... Nenhum dos dois parecia se lembrar de que ele seguia aí, não lhe prestavam atenção no absoluto e os odiou.

- Harry, acho que já pode se retirar. –disse-lhe Ângelo com macieza. –O professor Snape estará bem, não se preocupe.

- Não me preocupo… no absoluto.

Harry saiu dando um estrondo, Severus nem sequer protestou, deixou-se cair em um cadeirão em frente ao fogo e serviu-se um copo de whiskey de fogo que apressou de um só gole.

- Que sucedeu, Severus? –perguntou Ângelo sentando a seu lado.

- Nada, que teria de suceder?

- Sei que algo passou… Pode confiar em mim.

- Abbatelli… como soube que acabava de chegar? Para valer não me espiava?

- Não, pode lhe perguntar a Harry se quer. Estava com ele quando soube que tinha chegado. Foi algo estranho, Severus, nunca em minha vida me tinha passado… mas me senti muito mau, o único que pensava era que queria te ver e saber que estava bem, só isso.

Severus surpreendeu-se quando o homem lhe abraçou recargando-se sobre seu peito, manifestando dessa maneira a alegria que lhe dava o ter de regresso. Não recordava quando tinha sido a última vez que alguém o abraçasse com tanto carinho, quiçá tinha sido sua mãe, sim, isso devia ser. Quem mais se não?... mas, apesar de reconhecer que era gratificante, não pôde lhe corresponder e lhe apartou com macieza.

- Será melhor que te vá a sua habitação, Abbatelli.

- Seguro estará bem?

- Sim… não se preocupe por mim. Estou bem.

Ângelo voltou a inclinar-se sobre ele para lhe dar um beijo na bochecha. Severus recebeu-o sem saber como reagir, ainda que o que mais lhe impactava era a tentação de lhe pedir que não se fosse, que ficasse a seu lado e voltasse ao abraçar, mas não o fez, deixou que se marchasse e suspirou aliviado quando finalmente ficou a sozinhas. "Isto é o melhor, Severus" se disse a si mesmo. "Não se deixe influenciar por seu encanto Veela, ele cedo se dará conta que perde o tempo contigo e se afastará, ademais, você tem uma missão que não poderia ser se te enreda em assuntos sentimentalizes e… bom, simplesmente não pode ser, por muito romântico que soe, seu coração não poderá ser nunca de alguém como Ângelo Abbatelli".

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Harry dava voltas em sua cama, resistia-se a fechar os olhos, a cada vez que o fazia recordava a imagem de Ângelo retirando a capa de Severus… já pareciam um casal, já o seriam?... Não, se resistia ao crer, um Veela não poderia se fixar seriamente em um gorduroso professor com aparência de um tétrico morcego.

Ao girar sobre si mesmo tentando despejar-se de tais pensamentos, um cheiro que começava ao obsedar chegou a seu nariz, se acercou a um lado da cama e tomando o porta traje o colocou a seu lado, o estendendo a todo o longo. Aspirou profundamente antes de recostar-se a seu lado e acariciar inconscientemente a teia da túnica depois de correr um pouco a cremalheira da coberta.

"Seguro Snape está experimentando com algo escuro… este cheiro é sedutor, isso é provavelmente o que tem a esse tonto de Ângelo o perseguindo por todo o colégio" pensou tentando encontrar um motivo dessa estranha relação. "Que passaria? –perguntou-se recordando o incidente dessa noite. –Como saberia Ângelo que Snape estava de regresso?... pelo que me disse acho que talvez seu sentido do olfato é mais desenvolvido que o nosso e então pôde cheirar a presença de Snape… e se sempre cheira assim, é óbvio que o reconheceria em seguida". Harry pensava que já não devia seguir cheirando esse traje ou terminaria desquiciado, mas lhe era impossível, era muito melhor que perceber o relaxante aroma a terra úmida, mais relaxante que o calor de uma lareira em inverno… lareira! isso lhe recordava que provavelmente aqueles dois seguiam juntos e seguramente passando uma noite muito prazerosa. O sonho começou a invadi-lo, não foi consciente do momento em que invejou não ser quem estivesse nas masmorras nesse instante, desfrutando do calor desses lumes e do sabor desses lábios.

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À manhã seguinte Harry não recordava seus últimos pensamentos, olhou o traje a seu lado e voltou ao colocar pendurado a um lado de sua cama dantes de se ir a banhar. Apesar de que era sábado, não quis ficar na cama muito tempo, sentia a urgência de baixar ao comedor e observar. Entrou buscando algo que não sabia que era, mas assim que os viu, aí sentados juntos, se sorrindo… desde quando Snape sorria tanto? Era um conceito aborrecível que lhe estremeceu. Foi a sentar em seu lugar de sempre fingindo não os ter visto, mas nem bem acabava de se sentar quando os dois homens se puseram de pé dispostos a sair, rapidamente levou uma tostada a sua boca simulando comer.

- Bom dia, Harry. –saudou lhe Ângelo ao passar cerca dele. –Que desfrute seu café da manhã.

Harry agradeceu com um forçado sorriso enquanto inclinava sua cabeça. Agradecia ter o pão na boca para assim não ter que falar. Mas, o que não esperava era que Snape passasse sem o ignorar, e quando o homem volteou ao ver, seu estômago se encolheu.

- Não coma tanto, Potter, acho que deveria se pôr a dieta ou se cairá da vassoura… bom, melhor para a equipe de Slytherin.

Harry escutou quando Ângelo repreendia docemente a Severus por sua broma, e os odiou mais. Quando desapareceram depois da porta, Harry cuspiu o pão e já não provou bocado. Pela tarde, durante a comida, tanto Ron como Hermione olhavam a seu amigo com preocupação, mal sim tinha provado um pouco de alface e rábanos, nada mais, nem sequer quis um pouco de seu favorito bolo de rins e fez um gesto de repulsão quando lhe ofereceram a sobremesa. Deixou toda a comida quase intacta e preferiu se marchar a dar um passeio pelo lago, isso era bem mais produtivo que comer.

- Harry… se sente mau? –perguntou Hermione sentando a seu lado depois de dar-lhe alcance junto com Ron quem fez o mesmo do outro lado de seu amigo.

- Não, estou bem, ainda que… garotos, vocês acham que estou gordo?

- De que fala, Harry? –perguntou Ron rindo-se. –Não me diga que por isso não comeu nada!

- Acho que deveria fazer mais exercício. –comentou Harry como se não o tivesse escutado.

- Harry, você faz o suficiente exercício. –assegurou Hermione. –E não está gordo, para nada.

- Snape diz que sim.

- Snape disse gordo?! –repetiu Hermione incrédula. –Não, deve mal entende-lo, ele sempre tem sido muito respeitoso com os alunos e… sim, Ron, a sua maneira mas ele é. –agregou ao ver a cara de inconformidade de seu amigo. –Como te dizia, Harry, seguro entendeste mau, pode repetir suas palavras?

- Só disse que se seguia comendo me cairia da vassoura e deveria me pôr a dieta… isso é mal entender-lhe?

- Não, sim te disse gordo. –exclamou Ron partindo do riso. –Mas não deve se preocupar isso, após tudo a ele não lhe incumbe, nem que te andasse carregando pela vida.

- Recorda quando lhe caí em cima a vez que tropeçamos no corredor?... disse que não era uma ligeira pluma! –exclamou com dor. –Realmente devo pesar muito!

- Quando sucedeu isso? –questionou Hermione com interesse.

- Não tem importância… melhor me vou, irei fazer umas práticas de quidditch vem, Ron?

- Não, é que… tenho que perguntar umas coisas a Hermi sobre Transformações.

Harry encolheu-se de ombros sem dar-lhe importância às orelhas enrijecidas de seu amigo e foi-se ao campo disposto a não regressar sem um par de quilos menos.

Nota tradutor:

Vejo vocês no próximo capitulo

Então ate breve

Fui…