N/A: Quinta-feira é dia de quê? Dia de update de TMHTF, yay! Prometo ser bem breve nessa N/A para poder falar mais lá embaixo,então vamos lá: recebi umas mensagens anônimas nas reviews me criticando por aquilo que falei sobre publicar fanfics em forma de livros. Gente, eu nunca disse que sou contra, que acho ruim a publicação de fanfics, muito pelo contrário, acho muito legal que algumas autoras estejam se tornando profissionais, que estejam ganhando dinheiro com suas escritas. Eu disse que EU não tenho intenção no momento de fazer isso e também não me sinto nada bem em pegar uma fanfic minha que já está há tantos anos publicada, tirá-la do ar, mudar duas ou três coisas e fazer dinheiro com ela. É uma opinião minha, apenas. Sosseguem a Maria Polêmica de Textão do Facebook que existe dentro de vocês, ok?

É isso.

Nesse capítulo tem uma cena inteira que não existia no capítulo originalmente postado. Lá embaixo eu explico mais sobre ela.

Boa leitura!


Teach me how to handle

Meu primeiro dia no ensino médio poderia ser resumido em uma palavra: incômodo. As centenas de pares de olhos me observando a cada corredor que eu cruzava começavam a me assustar. Parecia que eu era o novo objeto de estudo dos alunos da Forks High School, já que bastava um suspiro meu para que ouvisse uma sinfonia de cochichos se formando em minhas costas.

Medonho.

Não tinha a menor noção de como lidar com minha repentina popularidade em um ambiente em que eu deveria ser naturalmente rejeitada. Meu conhecimento baseado em filmes adolescente que retratavam a época da escola não me preparou o suficiente para a realidade. Onde estavam as garotas odiadas e super conhecidas? E o time de futebol que por onde passava deixava um rastro de meninas desmaiadas pelos quatro cantos da escola? Até agora, a única semelhança que encontrei com o que era mostrado no cinema foram os grupos de nerds aglomerados em uma grande roda de discussões. Nem me dei o trabalho de tentar entender a língua que eles falavam; estava além da minha capacidade.

Eis um pequeno fato sobre minha breve vida escolar: não é nada daquilo que você vê nos filmes de comédia adolescente.

O sinal que indicava o término de mais uma aula tocou e eu dei um salto assustado em minha cadeira. Olhei de soslaio para os lados e vi algumas meninas confabulando e fingindo que não estavam me encarando. Elas poderiam ao menos ser mais discretas, poxa, assim diminuiriam a sensação intimidante que tomava conta de mim. Em uma reação instintiva, encolhi-me e fiquei brincando com a ponta do meu casaco enquanto a maioria dos alunos saía da sala, apressados e ansiosos. Era a hora do almoço, então deduzi que ninguém queria perder seu lugar no refeitório. Como eu não estava com a mínima vontade de comer, deixei que todos fossem embora para então me dirigir para fora da sala.

O corredor estava tomado de gente mergulhada em várias conversas que enchiam o ambiente com gritinhos e gargalhadas escandalosas demais para os meus ouvidos. Por que eles eram tão efusivos e exagerados? Eu me sentia um completo E.T no meio de todo aquele pessoal.

Estava tão desconfortável com tantas pessoas me encarando e falando à meia voz sobre mim que me vi na obrigação de arranjar um lugar tranquilo para ficar até minha próxima aula. Encontrar a biblioteca no meio do caminho foi como achar água no deserto.

O espaço – como era de se esperar – estava vazio e silencioso; arrumei a mochila nos ombros e procurei por uma mesa no fim da enorme sala cercada por montanhas de livros dispostos em estantes. Ali eu teria paz e poderia até comer o lanche que trouxe de casa sem ser percebida. Estava me sentindo o mais inteligente dos seres humanos.

Larguei a mochila em uma cadeira ao lado e sentei-me em outra, puxando o celular do bolso de trás da calça jeans. O visor brilhante anunciava que eu tinha duas mensagens novas em minha caixa de entrada. Ambas de Charlie.

E então, está gostando da nova escola? – Pai.

Sua mãe está muito zangada com nós dois por não termos acordado-a para tomar café conosco. Acho que vamos ter que pedir pizza para o jantar :(Pai.

Sorri com sua habilidade de me deixar imediatamente mais calma e digitei a primeira mensagem em resposta à sua:

Nova escola é legal, adorei todas as aulas que tive.

Logo em seguida escrevi o segundo sms para meu pai:

Podemos pedir metade de mussarela e a outra metade pepperoni?

Quase no instante em que terminei de digitar a mensagem, meu celular vibrou com uma ligação de Charlie.

"Não posso falar agora, pai. Estou dentro da biblioteca." sussurrei baixando a cabeça para disfarçar. Se a moça sentada na entrada da sala me pegasse, eu estava ferrada.

"Só queria saber se você está bem. Já fez muitos amigos por aí?" mordi o canto dos lábios e suspirei. Amigos, essa palavra ainda me era desconhecida para falar a verdade.

"Não, pai, as pessoas aqui são... estranhas. Não param de me encarar e ficam falando e apontando em minha direção. É meio incômodo."

"Ué, Bells, vai ver que elas querem se aproximar de você, mas não têm coragem ou são tímidas demais. Além disso, você é nova na escola, é normal que desperte essa curiosidade toda nas outras crianças."

"Não sei, mas posso dizer que não gosto do jeito como elas me olham. Parece que sou um animal em exposição." a imagem de Edward Cullen me encarando imediatamente voltou à memória e eu senti um arrepio involuntário. Fiz uma nota mental para evitar aquele garoto o máximo que pudesse.

"Só tente se enturmar, princesa, vai ser bom para você." Charlie falou e eu enfiei o rosto em meu braço apoiado sobre a mesa me sentindo bastante cansada. Eu só queria ir para casa.

"Vou tentar, mas não garanto que alguém vai querer ser meu amigo."

"Tudo bem, mas promete que vai tentar se entrosar com seus colegas de classe?"

"Ok, eu prometo."

"Certo, Bells, vou desligar agora. Cuide-se e não esqueça de almoçar direito." dei um tapa de leve em minha testa ao lembrar que ainda não havia sequer tocado em meu lanche. Droga!

"Até mais, pai. Beijo." larguei o celular de qualquer jeito sobre a mesa e peguei a vasilha com sanduíche de geleia de morango que estava guardada dentro da minha mochila. Se minha mãe soubesse que eu estava fugindo da dieta comendo porcaria, certamente me passaria uma enxurrada de sermões. Mas eu era uma adolescente normal agora e precisava de vez em quando agir como tal.

E nada era mais justo do que comer besteiras na hora do almoço.

[...]

Conforme as horas passavam, o dia se encaminhava para ser calmo e tranquilo, totalmente diferente do que eu esperava que seria. Não que eu estivesse reclamando, longe disso, mas era curioso. Eu ainda não conseguia acreditar que não tinha encontrado uma líder de torcida com cara de vadia pelos corredores da escola. Será que eu estava ficando maluca? Algo que me dizia que era hora de parar de assistir Glee.

Minha última aula do dia estava prestes a começar e eu apressei o passo para chegar à sala, que àquela altura estava lotada. Pensei que ia passar despercebida pelo professor, mas ele logo me notou e pediu para que fizesse minha apresentação para a turma.

Mas que droga, por que ele não se preocupava em dar aula ao invés de ficar me fazendo passar por todo esse constrangimento?

"Pessoal, temos uma aluna nova em nossa classe esse ano. Que tal dar boas vindas à nova colega de vocês, Isabella Swan? Isabella, será que pode falar um pouco sobre você para o restante da turma?" o professor, Sr. Verner, pediu e eu desejei que um buraco se abrisse e me engolisse, assim evitaria que eu precisasse falar em público.

A sala – que antes estava imersa em ruídos e falatórios – subitamente calou-se, todos os olhares apontados para mim.

Oh, que ótimo!

"Hum... b-bom, m-meu nome é Bella Swan e meus pais e eu acabamos de nos mudar para cá. Somos de Seattle e bem, essa é a primeira... vez que eu estudo em uma escola regular. E... eu acho que é isso."

Dois segundos. Esse foi o tempo necessário para a turma inteira irromper em uma nova série de cochichos, dessa vez, alto o bastante para que eu os escutasse.

"Como assim é a primeira vez que ela está estudando em uma escola? De onde essa garota surgiu? De Marte?" alguém murmurou, fazendo outras duas pessoas rirem.

"Eu disse a vocês que a novata era estranha. Olha só para aquele casaco, parece igual ao que a minha avó usava quando era mais nova." uma garota de óculos e cabelos excessivamente armados comentou cheia de veneno na voz. Bem, ela não parecia em nada com uma cheerleader nojenta, mas era quase tão cruel quanto.

Com um suspiro profundo, tentei ignorar os comentários sobre o meu cabelo, roupa e até o jeito como andava e tratei de prestar atenção na aula que estava começando. Biologia nunca fora o meu forte e eu precisava me manter concentrada ou certamente não entenderia nada da matéria. Estava copiando um tópico importante que o Sr. Verner explicava no quadro quando ouvi o barulho da porta sendo aberta. Meus olhos de imediato ergueram-se apenas para ver Edward Cullen entrar e sentar a duas fileiras de onde eu estava. Tentei ignorar a onda de apreensão que passou a correr em minhas veias a uma velocidade surreal. O que diabos estavaacontecendo comigo?

Ele sequer pediu desculpas pela interrupção e o professor, prevendo uma possível nova agitação da turma, fingiu que nada acontecera. A aula seguiu seu curso normal e eu logo voltei a prestar atenção no que estava sendo explicado pelo Sr. Verner. Tomei nota dos assuntos mais importantes e fiz pequenos lembretes em meu livro, assim na hora de estudar para as provas eu teria mais facilidade para assimilar o conteúdo.

Quando o sinal tocou, resolvi não esperar que todos saíssem para ir embora também. Joguei minhas coisas dentro da mochila e apressei o passo em direção à saída, no entanto, no meio do caminho acabei esbarrando em uma cadeira. Na cadeira onde Edward Cullen estava sentado. Meu caderno de desenhos saiu deslizando pelo chão, espalhando as folhas avulsas que imediatamente foram pisoteadas sem piedade. Ah, merda!

Algumas risadas às minhas costas me deixaram temporariamente distraída, então, antes que me desse conta do que estava acontecendo, o vi se abaixar e recolher meus rabiscos, guardando-os dentro do caderno. Entregou-me sem pronunciar uma palavra, ainda trazendo no rosto uma expressão desgostosa, como se estivesse sentindo dor ou raiva.

"E-eu, er.. me desculpe, eu não queria-"

"Não foi nada." ele me cortou seco, virando-se para ir embora da sala, que agora já estava praticamente vazia. Inspirei profundamente para arejar o cérebro e só então girei nos calcanhares e rumei para a saída.

Eis um segundo pequeno fato sobre minha breve vida escolar: mesmo que isso aqui não seja um filme, acho que eu já havia encontrado alguns personagens com os quais deveria me preocupar.

[...]

Quase agradeci aos céus quando me vi bem longe dos prédios avermelhados da Forks High School; eu já havia aguentado demais daquele lugar por hoje, tudo que precisava agora era ir embora e me distrair com qualquer besteira que mantivesse meus pensamentos longe da escola. Tinha uma ideia para acabar com os meus problemas e o dinheiro que Charlie me dera tinha tudo a ver com ela.

A única livraria da cidade ficava a mais ou menos três quadras de onde morava e foi para lá que eu segui quando saí da escola. O lugar era modesto e escasso de lançamentos em suas estantes, mas me era bastante útil no momento ao vender cadernos de desenhos e lápis de cor especiais para desenhar. Comprei o que queria e fiquei passeando pelos corredores da loja, apenas lendo os títulos dos livros arrumados nas prateleiras. Quando cansei, decidi que era hora de ir para casa.

Assim que saí da loja ouvi uma voz delicada me chamando, o que me fez parar e virar para ver quem era. Esme Cullen sorriu amavelmente e veio ao meu encontro, carregando algumas sacolas em cada uma das mãos.

"Bella, que bom te ver!" ela sibilou alargando um pouco mais o riso. Seu olhar sempre preso ao meu transmitia uma fragilidade e tristeza impossíveis de ignorar. Era intimidante.

"Oi, sra. Cullen, quer dizer, Esme." corrigi rapidamente, sentindo um leve esquentar em minhas bochechas.

"Tem tempo para tomar um café comigo ali na lanchonete da esquina? Você vai adorar o cappuccino de lá!" convidou-me com ansiedade marcada em seu timbre suave.

Meu primeiro pensamento foi o de recusar sua oferta, porém a maneira como ela me fitava, apreensiva e ao mesmo tempo com tanta amabilidade, me deixou encurralada.

Sem ter como fugir, acabei concordando em acompanhá-la.

"Só não posso demorar a voltar para casa ou minha mãe é bem capaz de surtar!" comentei e ela soltou um riso baixo, recomeçando a andar pela rua sempre úmida de chuva.

"Entendo perfeitamente. Edward vive dizendo que me preocupo demais, que às vezes imprevistos acontecem e as pessoas se atrasam." Esme falou e eu só percebi que havia suspendido o ar quando meus pulmões reclamaram com um pigarro engasgado. A simples menção daquele nome me deixara incomodada e eu não sabia explicar o motivo.

Atravessamos a avenida movimentada em direção à lanchonete que Esme sugerira, conversando sobre o tempo constantemente nublado de Forks e a garoa irritante que deixava a cidade com o aspecto ainda mais tristonho.

"Todos estranham o clima sem muitas variações de Forks, mas com o tempo você acaba se acostumando com ele. Eu mesma não lembro a última vez que vi o sol por aqui." sibilou, ao entramos no Forks Coffee Shop, uma espécie de diner que – àquela altura da tarde – tinha uma movimentação tranquila.

Esme escolheu uma mesa próxima à janela na entrada do local e fez um aceno para a garçonete que estava no balcão, sendo prontamente atendida.

"Olá Shelly, como vai? Como está o pequeno Matthew?" Esme questionou em tom gentil a mulher vestida com o uniforme do diner, assim que ela se aproximou para nos entregar os cardápios do lugar.

"Matthew está ótimo, um pouco resfriado, mas meu marido eu estamos nos revezando nos cuidados com ele. Em breve meu pequeno anjo deve estar correndo por aí, saudável e bem disposto como ele realmente é."

"Tenho certeza disso. Carlisle me disse que ele está respondendo bem ao tratamento."

"Sim, melhor do que esperávamos. A gripe o pegou essa semana, mas o dr. Cullen me garantiu que não é nada relacionado à sua doença e por isso não devemos nos preocupar."

"Bom, se meu marido disse isso, então vai ficar tudo bem com seu filho."

"É tudo que eu mais quero, sra. Cullen. Não consigo imaginar o que faria se algo de ruim acontecesse ao meu Matthew." Shelly murmurou distraidamente e eu ergui os olhos para encarar Esme, a tempo de ver seu sorriso sempre amável se transformar em uma careta aflita.

A garçonete também notara a mudança no semblante da mulher ruiva e soltou um suspiro envergonhado pela gafe que cometera sem querer.

"Perdão, sra. Cullen. E-eu não... B-bem, não f-foi minha intenção-"

"Não se preocupe, Shelly. Está tudo bem." Esme balbuciou desconcertada e baixou os olhos para o cardápio à sua frente. "Pode, por favor, me trazer um cappuccino grande sem creme? Bella, já escolheu o que vai pedir, querida?"

"E-eu, hum, acho que vou querer o mesmo que você." gaguejei um pouco afetada pelo brilho melancólico que Esme carregava nas íris verde-esmeralda. Eu me sentia deveras incomodada com a forma transparente que a senhora Cullen demonstrava suas emoções. De certa maneira elas me atingiam mais do que eu conseguia explicar.

Shelly ainda tentou se desculpar mais uma vez, mas foi cortada com delicadeza por Esme. Embaraçada demais para retrucar, a garçonete se afastou para buscar nossos pedidos, deixando para trás um silêncio sepulcral. Esme tomou a iniciativa ao reiniciar nossa conversa, trazendo na voz um tom deprimido.

"Matthew é apenas um garotinho de seis anos que frequenta a ala de pediatria do hospital de Forks. Há oito meses ele luta contra uma leucemia bastante agressiva. Shelly tem toda razão em se preocupar com a saúde do filho. Não é justo alguém tão pequeno sofrer tanto."

"E-eu sinto muito por ele." sussurrei quase que para mim mesma, baixando o olhar para a mesa de madeira à minha frente. Eu sabia muito bem o que era lutar com uma doença grave sem ter a mínima noção do que isso significava.

De novo não houve espaço para palavras entre Esme e eu, o que acabou criando uma nuvem de pesar a pairar sobre nossas cabeças.

"Todos aqui se conhecem?" dessa vez eu comecei, ganhando como resposta uma expressão confusa de Esme. "Quer dizer, literalmente todo mundo conhece todo mundo nessa cidade?"

"Oh... sim." ela riu sem vontade. "É o que acontece em lugares pequenos como Forks. Você acaba se acostumando a isso também, assim como com o clima."

"Eu acho que nunca vou me acostumar com o clima. Parece que a cidade vive imersa em uma bolha de água e bem, tudo aqui é tão verde." franzi o nariz em desgosto.

"Você falou exatamente como alguém que eu conheço muito bem."

"Quem?" inquiri curiosa.

"Edward. Ele vive reclamando que Forks parece um planeta alienígena."

"Ah..." foi tudo que eu consegui responder, incomodada em ouvir mais uma vez o nome de Edward em um período tão curto de tempo. Eu ainda sentia o ar nada amistoso que emanava daquele garoto e me deixava temerosa ao extremo.

"Por falar nisso, você o conheceu hoje na escola?" Esme perguntou, recobrando o semblante bondoso.

"Hum, é... Somos da mesma classe de Biologia." cocei o alto de minha cabeça, me sentindo subitamente muito desconfortável. Por sorte a garçonete já se aproximava da mesa trazendo nossos pedidos, salvando-me daquele mini interrogatório sobre Edward Cullen.

Tomamos a bebida quente em meio a uma conversa sobre amenidades e isso fez com que eu baixasse um pouco minhas defesas. Ao terminarmos, tentei dizer a Esme que pagaria pelo cappuccino que eu havia consumido, mas ela me interceptou no meio do caminho, dizendo que me convidara então nada mais justo do que ela pagar a conta.

Estávamos prestes a sair do diner, quando a porta se abriu e eu dei de cara com o par de olhos mais ameaçadores que já vira na vida. Era absurda a diferença entre aquele olhar e o de Esme, apesar de ambos compartilharem o exato tom esverdeado em suas íris. Enquanto a senhora Cullen carregava uma expressão doce e gentil, o garoto à minha frente emanava hostilidade pura.

"Edward? O que faz aqui, querido?" ouvi Esme questionar, visivelmente surpresa com a presença inesperada do filho.

"Vi seu carro parado em frente ao diner e achei que poderia pegar uma carona com você." respondeu sem deixar de me fitar de maneira inquisitória; seu semblante estava fechado em desagrado. Meu coração pareceu dar uma guinada forte dentro do peito, fazendo minha respiração acelerar. Eu só queria ir embora dali o mais rápido possível.

"Claro, só preciso deixar Bella em sua casa e então podemos ir." a expressão de Edward passou de nada afável para totalmente raivosa. Observei quando suas narinas inflaram e ele cerrou o olhar por um breve segundo, como se tentasse se acalmar. Sua atitude me fez encolher os ombros em uma tentativa de me defender, seja lá do que fosse.

"Quer saber?! Posso voltar sozinho. Até mais, mãe." Edward praticamente rosnou e – antes que eu pudesse processar – deu meia volta e bateu a porta da lanchonete com força exagerada.

"Edward? Querido, o que aconteceu? Volta aqui!" Esme ainda tentou ir atrás do filho, mas o esforço foi em vão. "Eu não sei o que deu nele, Edward geralmente não tem esse tipo de atitude." ela sibilou, ao se voltar em minha direção.

"Eu, hum, realmente preciso ir para casa. Já está ficando tarde." informei me sentindo mais desanimada do que nunca.

"Tudo bem, eu levo você."

"N-não se preocupe, posso ir andando. Além do mais, minha casa fica há apenas algumas quadras daqui." frisei para que Esme não tivesse chances de retrucar. Eu precisava me afastar o mais depressa possível ou a corrente de ansiedade que estava começando a fazer meu corpo tremer iria se tornar visível.

"Ok então."

"Obrigada pelo café. A gente se vê, sra. Cullen."

"Esme" ela pontuou e eu sorri envergonhada.

"Desculpe, ainda não me acostumei." foi a vez dela de rir.

"Bella," chamou-me novamente e eu apenas virei o rosto para fitá-la. "que tal se você e seus pais viessem jantar em minha casa na quinta à noite?" o convite me pegou desprevenida e eu não sabia o que dizer.

"Hum... e-eu... bem, eu vou falar com eles sobre isso." minha resposta reticente fez Esme me encarar com atenção.

"Bom, vamos fazer o seguinte: ligo para Renée assim que chegar em casa e aí ela decide sobre o jantar."

"Certo." concordei e ajeitei a mochila pesada nos ombros de um jeito incomodado. "Preciso ir, Esme. Até logo."

"Tchau, minha querida." sua voz subitamente parecia embargada e eu segui o resto do caminho até minha casa tentando decifrar o por quê disso. Dobrei a esquina da rua onde morava e não obtive resposta alguma.

[...]

Como já esperava, assim que entrei em minha casa fui bombardeada por uma série de perguntas sobre meu dia na escola, todas feitas por Renée, é claro. Minha mãe não parava nem para respirar e sequer me dava tempo para pensar no que falar; Charlie observava tudo com um sorriso satisfeito no rosto. Ele gostava de ver minha interação com mamãe, já que ele era como eu, calado e reservado, enquanto Renée era como um livro aberto. Éramos tão diferentes uma da outra, mas eu simplesmente adorava aquele seu jeito efusivo.

Não jantamos pizza, como papai suspeitara mais cedo, e quando terminei de comer estava me sentindo exausta. O dia fora cansativo e eu não estava acostumada a passar tantas horas estudando, logo, tudo que eu queria era minha cama e o meu cobertor quentinho. Graças a Deus a chuva dera uma trégua e eu iria poder dormir tranquilamente naquela noite.

"Acho que vou dormir." anunciei levantando do sofá onde estávamos sentados assistindo um episódio de The Big Bang Theory. Charlie era simplesmente viciado na série.

"Mas já? Ainda não são nem nove da noite, Bells." ele retrucou.

"É, eu sei, acontece que eu estou um pouco cansada. Preciso dormir bem para aguentar mais aulas amanhã."

"Tudo bem, querida, a gente entende." Renée comentou passando as mãos por meus ombros de forma carinhosa. "Tomou seus remédios hoje?"

"Uhum"

"Ótimo. Agora pode ir para cama. Mais tarde eu levo um copo com leite quente para você."

"Obrigada, mãe." dei-lhe um beijo no rosto e corri para abraçar Charlie. "Boa noite, pai. Até amanhã."

"Boa noite, princesa. Durma com Deus."

Assim que me despedi de meus pais, subi às escadas e rumei para o banheiro; tomei uma ducha rápida, vesti o pijama e voei em direção à minha cama. Ela nunca esteve tão aconchegante como agora. Peguei o notebook em cima da minha escrivaninha e decidi navegar na internet um pouquinho antes de dormir. Era só uma forma de tentar fazer com que o sono chegasse mais rápido.

Abri minha página no Facebook e atualizei meu perfil com um comentário besta sobre o clima sempre chuvoso de Forks. Apenas Mike Newton, meu vizinho e o mais próximo que eu podia chamar de amigo de infância, comentou, dizendo que em Seattle o frio estava insuportável. Mike e eu tínhamos apenas contato virtualmente desde que passei a ficar mais tempo no hospital do que em casa, por isso nossa amizade era bastante superficial. Ainda assim eu gostava de às vezes conversar com ele; trazia sensações boas de infância das quais eu mal conseguia me lembrar.

Estava prestes a fechar meu perfil quando recebi uma notificação de amizade. Quase não acreditei quando vi que Rosalie Hale estava querendo ser minha amiga no site de relacionamentos. Nós mal havíamos trocado meia dúzia de palavras e ela já havia se dado o trabalho de me procurar na internet. Wow.

Aceitei sua solicitação e dei uma rápida olhada em seu perfil. Ela era bem popular na rede social, assim como parecia ser na escola. Seus posts eram quase sempre cheios de comentários, assim como suas fotos e vídeos. A quantidade de amigos que Rosalie tinha em seu perfil passava de 600, mas apenas um deles ganhou minha atenção. Sem saber por quê estava fazendo aquilo, cliquei no link que me direcionava para a página de EdwardCullen no site.

Confesso que estava me sentindo como uma perseguidora e juro que tentei fechar a droga da página, porém a curiosidade me venceu. Ao contrário de Rosalie, Edward tinha um perfil regular, poucos amigos e quase nada postado em sua conta. Sua última atualização datava de uma semana atrás. Senti o ar faltando em meus pulmões quando li o comentário que legendava a foto em seu mural:

"Onze meses sem você. Sinto sua falta. Pra caramba."

Encarei a fotografia por alguns segundos, observando cada mínimo detalhe que era retratado. Um Edward sorridente abraçava uma garota extremamente miúda e magricela. Ela estava sentada em uma mesa cheia de doces e com um enorme bolo confeitado. Velas com o número 15 estavam acesas. Senti um nó começando a se formar em minha garganta; a foto mostrava o aniversário de quinze anos de Alice Cullen, que na imagem exibia uma expressão radiante.

Fazia onze meses que ela havia morrido. Os mesmo onze meses que eu renasci para vida. O quão louco era aquilo? Alice Cullen precisou partir para que eu tivesse a chance de viver como qualquer pessoa normal.

As grossas lágrimas rolando por meu rosto me fizeram fechar o notebook com força exagerada. Minha cabeça estava pesada de dor e eu não conseguia pensar em outra coisa que não fosse a imagem dos dois irmãos sorrindo em volta da mesa de aniversário de Alice. Nunca mais aquela cena se repetiria. Meu coração deu um salto forte e eu imediatamente levei as mãos ao centro do peito, sentindo as batidas pulsantes vibrando contra minha palma. Dei um pulo para fora da cama e puxei algumas folhas soltas de meu velho caderno de desenho. Não demorou muito para que os tsurus começassem a surgir e a se espalhar por toda minha cama. Aquela era a forma que eu encontrava para aliviar toda a pressão e confusão que habitava meus pensamentos.

Adormeci com os dedos cansados, ainda dobrando as folhas de papel para transformá-las em origamis, com a esperança de que quando acordasse tudo estivesse em seus devidos lugares e eu não sentisse mais o peso que agora esmagava meus ombros impiedosamente. A sensação estranha grudada em meu peito não desapareceu e me acompanhou durante todo o sono.

Não lembro como nem por que, mas aquela foi a primeira das muitas noites que eu sonhei com Edward Cullen.

[...]


A cena que não existia no capítulo postado originalmente é a desse encontro da Esme com a Bellinha no diner. Eu a tinha em mente desde sempre, mas não lembro o motivo de não tê-la inserido na primeira vez. Eu sempre tive essa ideia de fazer o Edward ver a Bella com a Esme logo nos primeiros momentos dos dois na fic. A cabeça do Edward está confusa e esse encontro deles vai mexer ainda mais com ele, em vários sentidos. Vocês vão ter uma noção mais clara disso no próximo capítulo, cujo ponto de vista é do Edward. Ah, e o diner em que a Bella e a Esme tomam cappuccino existe mesmo em Forks. É bem no estilo americano. Deu até saudades de frequentar esse tipo de lugar, a comida é sempre deliciosa e farta. O café da manhã, ou melhor, o brunch te alimenta não só pelo café, pelo almoço, mas também pelo jantar. Dá pra sair rolando fácil de um lugar como esses. Saudades comida norte-americana, saudades. :(

Tenho tanta dó da Bella nesse fim de capítulo. Imaginem como a cabecinha dela fica ao ver uma foto de Edward com Alice e saber que a irmã dele está morta e ela só está viva por causa dessa morte? Deve ser de enlouquecer!

Enfim, era isso. Obrigada de novo e de novo e de novo por tantas reviews em apoio à volta de TMHTF. Vocês são mais especiais do que eu ouso expressar.

Até domingo.

Beijo,

Cella