Disclaimer: Nem KHR, nem a OC me pertencem.
Aviso I: Se não gosta de OCs, ou tente dar uma chance à fic, ou não leia mesmo.
Aviso II :Fic única e exclusivamente para Srta. Abracadabra.
Aviso III: Primeira parte.

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Spanner x OC I

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The Scientist

Nobody said it was easy

No one ever said it would be this hard

Oh take me back to the start
(Coldplay)

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Come up to meet you, tell you I'm sorry

Ficou se perguntando o que fazia ali, naquele frio. A porta estava ali, do mesmo jeito, mas Spanner sabia que não iria bater. Em algum momento, ia perceber que estava frio demais e dar a volta, indo embora mais uma vez. Não por covardia, só por... falta de tato. Não sabia o que dizer se batesse e ela abrisse a porta. Não sabia o que dizer se batesse e descobrisse que ela não estava mais ali. Sempre lidou com máquinas, não com pessoas.

E, naquele momento, tinha que lidar com portas.

Levantou a mão, um pouco trêmulo. Estava indo encontrá-la, dizer que sentia muito. Bateu, pensando que teria que se virar e aprender como pedir desculpas ali mesmo.

E, para piorar, as lembranças resolveram assombrá-lo.

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Oh let's go back to the start

Oh, vamos voltar para o começo.

Spanner bocejou, enquanto andava na rua quase deserta. Novamente, ficara até o amanhecer trabalhando. Simplesmente não conseguia parar quando se empolgava com algum projeto novo. Inspirou, feliz. Estava morrendo de sono, mas sabia que tinha feito um bom trabalho.

Continuou a andar, pensando seriamente em comprar um carro qualquer dia – mesmo sua casa sendo perto do trabalho –, com os olhos quase fechados. E, por esse momento de distração mal viu quando uma mulher bastante apressada esbarrou em seu braço.

- Desculpe. – Murmurou, já voltando a andar, mas uma mão em seu pulso o impediu. – O que...

Franziu o cenho. A garota que esbarrara há pouco o encarava, com seus olhos, muito verdes, intrigados. Mesmo com sono, Spanner não conseguiu não notar a estranha roupa que ela usava: uma espécie de manta sobre um vestido – que o fazia lembrar muito dos vestidos de ciganas, com um capuz que cobria um pouco seus cabelos pretos e curtos, sem falar das botas.

- Qual seu nome? – Ela perguntou, fazendo Spanner arquear as sobrancelhas. Ela ainda segurava firmemente seu pulso.

- Hã... quem é você?

- Ora, isso não importa agora! – Respondendo, mexendo a mão livre em sinal de descaso. Parecia falar como se toda aquela situação fizesse sentido. – O fato é que eu encostei em você e vi qu-

- Ah, aí está você! – A voz grossa e alta do homem que acabara de virar a esquina correndo fez ambos se virarem, assustados.

- Merda... – Ela mumurmou. – Bem, até mais. – E saiu correndo, deixando um abobalhado Spanner para trás.

- Ei... – Ele tentou chamar, mas ela já estava longe.

Quando chegou em casa e levou à mão ao bolso para pegar a chave, notou que o dinheiro que estava ali sumira.

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Tell me your secrets, and ask me your questions

- O que… o que faz aqui? – Spanner perguntou, ao ver a "cigana" do outro dia sentada na calçada em frente ao seu apartamento.

- Ah, nossa, você demorou. – E disse, levantando-se. – Minha adivinhação nunca falha.

- Como?

- Eu previ que eu te encontraria aqui e vim para cá. Estava certa, afinal. – Falou, comemorando mais consigo mesma do que conversando com Spanner.

- Mas quem diabos é você?

- Desculpe pelo outro dia. Aquele homem era só um idiota que não aceitou o fato de que eu trabalho sozinha. – E novamente fez o gesto de descaso com a mão. – Mas ele tinha que entender que era um saco trabalhar naquela tenda dele. Sem falar que a roupa era muito quente. A propósito, meu nome é Mare.

- Mas o que... – Spanner suspirou e bufou. – Você conversa no seu próprio ritmo, não é?

- Huh?

Spanner a observou, notando que a roupa que ela usava era normal, bem diferente da outra vez. Mas as estranhas botas longas ainda estavam ali. Não fazia a mínima ideia do porquê de ela estar ali ou como ela sabia onde era sua casa, muito menos sobre o que ela estava falando. E não saber de algo deixava sua mente cientista incomodada.

- Quer subir?

- Estava esperando você chamar.

- Mas tenho uma condição. – Falou, enquanto esperava o porteiro abrir o portão. – Me conte seus segredos.

Ela deu de ombros.

- Me pergunte suas dúvidas.

Entraram.

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You don't know how lovely you are

- E aí, qual o seu nome? – Mare perguntou, quando se acomodou sem rodeios no sofá.

- Spanner. Hã, quer alguma coisa para beber ou comer?

- Nah, só água está bom.

- Certo... – E se encaminhou para a cozinha. - Afinal, no que você trabalha?

- Bem, em qualquer trabalho que dê dinheiro. Mas, na maioria das vezes, como adivinha. Sabe como é, prevejo o futuro para as pessoas, elas me pagam e... – Parou ao notar que Spanner voltava rindo da cozinha. – Ei, qual a graça?

- Prevê o futuro? – Estendeu o copo com água e ela pegou.

- É, ué. – Deu de ombros. – Deixe-me adivinhar, um cético?

- O futuro não pode ser previsto. Milhares de pessoas dizem que podem prevê-lo, mas isso nunca foi comprovado cientificamente.

- Claro, bobinho. Uma máquina, sem vida, sem alma, nunca poderia comprovar isso.

Spanner franziu um cenho, um pequeno sorriso nos lábios. Aquilo ia ser interessante.

- Então quer dizer que você prevê mesmo o futuro? Nunca enganou uma pessoa, lhe dizendo um ótimo futuro, para que ela lhe pague mais?

- Só nos meses de pendura. – E sorriu.

- Você fala como se isso fosse a coisa mais natural do mundo.

- Algumas vezes, só de encostar-me em alguém, algumas coisas de seu futuro vêm à minha mente. – Falou, ignorando completamente o que Spanner falara. – Se for algo grave, eu aviso. Muitas vezes são apenas bobagens mesmo e... – Spanner pegou o copo que ela deixara sobre a mesa de centro. - Ah, eu não faria isso se fosse vo... - Mas o barulho de vidro quebrando já tinha ecoado pela casa. Spanner encarou o copo quebrado e depois a olhou. – Acho que avisei um pouco tarde...

- Vai me dizer que previu isso?

- E por que não?

- Eu faço meu próprio destino.

- E as previsões mudam a cada escolha sua. – Deu de ombros. – Acho que essa conversa vai nos levar a nada.

- Bem, então me diga uma coisa... – Sentou-se, decidindo deixar o copo quebrado para outra hora. Coisas domésticas não eram com ele. – Você me roubou naquele dia?

- Ah... er... Então... – Ela passou a mão pelos cabelos negros. – Eu sabia que tinha que pegar o metrô para conseguir despistar o cara e... Eu estava um pouco sem dinheiro, então... É, pois é. – E tentou um sorriso aberto, que só resultou num nervoso.

- Então foi por isso que me parou bruscamente naquele dia? E está aqui para devolver o dinheiro?

- O que? Ah, bem, não, mas se fizer questão, eu...

- Por que está aqui? – Perguntou, sério, e Mare suspirou.

- Na hora que eu esbarrei em você, tive uma previsão. – Falou e Spanner estranhou o fato de ela parecer desconcertada. Até agora, ela parecia ser incapaz de ficar assim.

- O que viu? – Riu. – Minha mor-

Mas Mare já tinha se aproximado e calmamente colado seus lábios aos dele. Spanner arregalou os olhos, enquanto ela mantinha os dela fechados, mas não a afastou. Só franziu o cenho e levantou uma mão um pouco trêmula para segurar a nuca da mulher. Nunca beijara ninguém, não fazia a mínima ideia do que fazer. Sentiu os lábios dela se entreabrirem. Não fazia a mínima ideia do que estava sentindo, mas ao invadir a boca dela com sua língua decidiu que era algo bom.

De repente, o frio.

- Isso. Eu previ isso. – Ela se afastara e agora o encarava.

Ele abriu a boca para falar, mas nenhum som saiu. Suspirou.

- Você pode ter só... manipulado para que... isso acontecesse.

Ela riu.

- Você não sabe o quão adorável você é, cientista.

- Do que me chamou?

- Acertei?

Mas Spanner a ignorou, puxando-a para um novo beijo.

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Heads on a science apart

Mare sorriu ao observar Spanner. Tentava se lembrar quanto tempo fazia desde que fora no apartamento dele, mas não fazia a mínima ideia. Nunca fora muito ligada a contagens. O fato é que depois de algum tempo, virara costume ela estar pelo apartamento dele ou até mesmo no trabalho, como era o caso. Riu, ao lembrar-se do dia em que aparecera ali, no meio da noite, fazendo-o se assustar.

Calmamente, sentou-se numa mesa do laboratório e ficou observando-o montar... bem, alguma coisa.

- Tãão, sério. - Falou, divertida.

- Esse é um dos grandes. – Spanner respondeu, sem tirar os olhos do que fazia. – Mas e então, você não estava trabalhando?

- Estava por aqui perto e resolvi passar aqui, eu te disse. – Falou, no que Spanner só afirmou com a cabeça. – Você estava escutando alguma cosia do que eu estava dizendo? – Perguntou, num meio-sorriso.

- Hn.

Mare meneou a cabeça, suspirando.

- Cabeça em uma ciência distante, cientista?

Spanner passou a mão pelo cabelo loiro, suspirando. Mara sorriu, o apelido sempre funcionava. Ele virou-se um pouco para ela e pegou algo no bolso do jaleco. Jogou para ela. Chaves.

- Desculpe, mas é que isso aqui é realmente importante. – Sorriu levemente. – Se estiver impaciente, pode me esperar no meu apartamento. Daqui a pouco saio daqui.

- Não, acho que vou para casa. Você não vai aparecer, de qualquer forma.

- O que? Previu isso? – Mas Mare só revirou os olhos. Spanner se levantou e foi até ela. – Estou dizendo que irei, certo? – E deu-lhe um beijo na testa. Ela assentiu, contrariada, e saiu.

Era manhã e ele ainda não tinha ido.

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No one ever said it would be this hard

- Onde você estava? – Spanner perguntou, passando a mão nervosamente pela nuca, enquanto a outra segurava seu habitual pirulito.

- Num bico que arranjei.

-... são três da manhã.

- Por isso eu disse para você ir para sua casa. Eu sabia que isso ia acontecer.

- Mare. – Chamou, sério. – Onde você estava?

- Por aí. – Retrucou, um pouco irritada.

- Ninguém nunca disse que seria tão difícil. – Murmurou, abrindo a porta.

- Não era algo que eu precisasse prever. – Falou, sem saber se ele escutara ou não ao sair.

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Running in circles

As unhas pintadas de azul da adivinha arranharam as costas do cientista. Spanner a apertava para cada vez mais junto a si, beijava-lhe a boca, mordia-lhe o ombro. E Mare continuava a arranhá-lo, a machucá-lo mesmo que ele não tivesse consciência disso. A cama não parecia mais fofa para nenhum dos dois. Os gemidos que preenchiam o quarto pareciam vazios. Mas, mesmo assim, Spanner a encarou. Mare o encarou de volta.

E os dois sorriram ao imaginar a mesma intensidade de sempre no olhar.

Spanner afastou os cabelos pretos e suados do rosto de Mare, no que ela apenas fechou os olhos. Colaram os lábios e só ficaram assim, sem saber o que aconteceria depois.

Correndo em círculos, como pareciam estar fazendo há um tempo.

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N/A: Oh, let's go back to the start (8); Então, eu sabia que ainda ia acontecer muita coisa e minha mãe tava me mandando desligar o PC. Aí resolvi postar logo. Primeira parte é essa, ainda vem mais. Não está betado, perdão qualquer coisa.

Espero que tenha gostado e calma, nada é o que parece 8D. –Q

Acho que não estou falando coisa com coisa, Abra. Perdão.

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