Minha Menina
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Capítulo quatro: O poder do amor
"Quero que desprendas de qualquer temor que sintas. Tens o teu escudo, teu tear. Tens na mão, querida, a semente de uma flor que inspira um beijo ardente, um convite para amar." – Menina da Lua, Maria Rita.
Edward POV
- Você está gritando. – Bella disse para Alice. – Não grite.
- Ai, Bella! – a minha irmã continuou pulando no mesmo lugar. – Eu consegui o emprego que eu queria! – bateu palminhas.
- E a livraria inteira está te encarando. – rebateu. – Só não grite, está bem?
- Credo! – resmungou a baixinha. – Até parece que você não está feliz por mim.
- É claro que eu estou, Alice. – Bella suspirou, desviando olhar do caderno que trabalhava e olhando para ela. – Eu só estou tentando manter um ambiente calmo como uma livraria deve ser.
- Você está muito chata hoje. – Alice disse quase fazendo um beicinho.
- Alice, estamos todos muito felizes por finalmente você ter conseguido um emprego em uma boa companhia de dança. – falei, me afastando do balcão onde Bella estava e abraçando minha irmã pelos ombros. – Agora, menos energia, ok?
Ela simplesmente me mostrou a língua e se afastou indo em direção à Jasper que arrumava alguns livros em uma prateleira distante.
- Hey, mocinha. – voltei para o balcão, tentando chamar a atenção de Bella. – O que aconteceu, hein?
- Nada. – respondeu voltando a encarar o caderno onde anotava a numeração de alguns livros.
- Certo.
Um silêncio de alguns poucos minutos se instalou entre nós.
- Argh! – bateu o caderno no balcão. – O que é, Edward?
- Eu não fiz nada, Bella.
- Eu estou bem, caramba! – bufou. – Faz três meses que a minha mãe morreu, a Ângela não quer fazer o casamento por nada porque ainda não aceitou a morte dela, e hoje o Ben veio me dizer que o meu pai está sendo internado em uma clínica para reabilitação. – falou tudo de forma agitada, batucando aceleradamente o lápis no caderno.
- Eu tinha certeza que havia algo que estava te incomodando. – afirmei. – Bella, você sabe que é normal sofrer pela morte da sua mãe, certo?
- Ai, mas que droga! – passou as mãos pelo rosto. – Eu sou assim, ok? Eu não fico chorando toda hora pelos cantos, eu não quero ficar falando todo hora que a minha mãe morreu e eu também não quero parar a minha vida por causa disso! – terminou com o tom de voz alterado. – Eu não posso parar a minha vida, entende? EU NÃO POSSO! – gritou a última parte.
- E irrita você o fato de que a sua irmã fez isso, não é? – continuei com o meu tom de voz calmo. – Ela precisa de mais tempo que você, Bella. É normal, cada um tem o seu tempo para lidar com as perdas, com esses solavancos da vida.
- Eu... – respirou fundo. – Eu só acho que se a gente deixar a tristeza nos dominar, a gente vai estar deixando ele ganhar de novo.
- Ele? – perguntei confuso.
- Charlie. – respondeu. – Ele vai para esta tal clínica de reabilitação e daqui alguns meses vai ser solto, responderá o julgamento por dirigir bêbado e ter causado a morte da minha mãe em liberdade. – enumerou. – E nós? Vamos ficar sofrendo e sofrendo para ele nos ver ainda piores do que nos deixou? Não! Pela minha mãe que nunca fez nada e nunca aceitou a nossa ajuda, eu não vou parar. Eu não vou deixar ele terminar com todos nós assim. Não tão fácil.
- Sabe de uma coisa? – me aproximei para tocar seu rosto do outro lado do balcão. – Você se tornou uma mulher muito forte, minha menina. Eu tenho muito orgulho de você. – declarei.
Ela sorriu pequeno, os olhos cheios de tristeza e cansaço, mas lá no fundo eu podia perceber esperança.
- Eu vou te ajudar nesta batalha. – prometi. – Chega de lutar sozinha, Bella.
Ela apenas suspirou enquanto me encarava. Aquele ar de "eu sei que você realmente quer fazer isso, mas eu também sei que você vai desistir logo" tomando conta de suas feições.
E aí estava a minha missão de vida: provar para Bella o poder que o amor tinha.
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- Ai, caramba! – ouvi Bella resmungar da cozinha americana do apartamento de Jasper.
- Tudo bem? – perguntei indo em direção ao balcão e percebendo que ela havia se cortado com a faca. – Espera, coloque na água e faça pressão. – dei a volta e a ajudei.
- Eu estou bem. – disse. – Só está ardendo um pouquinho. – suspirou, retirando a mão da água da torneira. – Vou no banheiro pegar um curativo. – e saiu.
Soltei o ar pesadamente. Alice havia dado a ideia de um jantar só nós quatro para comemorar o seu emprego novo como professora de dança e também para animar Bella – claro que esta última parte a minha menina não sabia.
Terminei de cortar os tomates que Bella estava cortando antes e comecei a fazer o molho. Meus pensamentos sempre nela.
- Parece que você aprendeu a cozinhar na guerra. – a sua voz suave falou atrás de mim.
- É, parece que sim. – ri baixo.
- Eu vou colocar a massa no fogo, então. – avisou, pegando o pacote. – Alice e Jazz já devem estar voltando do mercado. Logo poderemos jantar.
Ficamos em um silêncio estranho. Mais uma vez. Desde quando isso acontecia entre nós?
- Sabe... – começou com o tom de voz baixo, ajeitando a massa na panela. – Eu sei que vocês não querem só comemorar o emprego novo da sua irmã.
- Bella... – me virei de frente para ela, pronto para explicar o quanto nos preocupávamos com o seu bem estar.
- Tudo bem, Edward. – sorriu pequeno. – Eu estou precisando ser animada mesmo. – deu de ombros. – Estou começando a me tornar uma companhia chata, não estou?
Sorri para ela, largando a colher que ainda mexia o molho, e peguei suas mãos.
- Você nunca vai ser uma companhia chata. – depositei um beijo na sua testa. – Acredite, tudo o que eu mais queria nos últimos anos longe de vocês era ter a sua presença novamente.
- Mesmo sendo uma filha da puta com vocês às vezes? – indagou, encostando sua testa na minha. Ri.
- Mesmo sendo uma filha da puta, Bells. – levei uma mão para o seu rosto e afaguei sua bochecha. – Eu te amo.
- Eu sei. – me abraçou forte, beijando lateral do meu pescoço. – Obrigada por isso.
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- Jasper, você está me assustando. – falei enquanto o meu amigo dançava feito um índio bêbado pela sala.
- Vamos lá! Requebrando o esqueleto, galera! – disse, mexendo os quadris ao som de uma música que tocava no rádio.
- Requebrando o esqueleto? Ele disse isso mesmo? – Bella falou, sentada ao meu lado no sofá.
- Pronto! Mais uma taça de vinho saindo! – minha irmã veio da cozinha com duas taças. – Vocês não querem mesmo?
- Não, Allie, a coca está ótima! – falei e mostrei meu copo com o líquido.
- Você pode beber se quiser, Edward. – Bella falou baixinho para mim. – Eu não me importo de ser a única a não beber. Na verdade, eu não bebo há muito tempo.
- Eu sei. – apertei de leve seu nariz, provocando um risinho seu. – E eu não quero beber, ok?
- Sim, senhor!
- Bella! Vem! – Alice, que já se requebrava junto com o namorado, chamou. – Você dança tão bem!
- Não, não, não. – se apressou em responder. – Eu não danço há muitos anos, Alice. Você sabe disso.
- Eu não estou pedindo para você dançar "O Lago dos Cisnes" aqui, menina! – ralhou a baixinha. – Mas agora que eu sou professora de dança, eu quero que você volte a dançar ballet!
- Eu estou bem aqui, vocês estão me divertindo muito! – garantiu. – E eu não pretendo voltar a dançar, Alice.
Minha irmã apenas rolou os olhos, voltando a dançar com Jasper.
- Você não gosta mais de dançar ballet, princesa? – perguntei me voltando para ela.
- Não. – deu de ombros. – Eu continuo achando lindo, mas o meu negócio são os livros mesmo. Eu quero ver se consigo um bom emprego com os meus estudos de literatura para poder entrar de sócia com o Ben na livraria.
Permaneci quieto, admirando cada traço dessa menina que eu conhecia tão bem e que ainda me surpreendia. Ela tinha planos sólidos para o futuro, ela era capaz de enfrentar tudo que viesse. E um sentimento de orgulho e felicidade me tomou, era como se eu estivesse falando com uma das pessoas mais incríveis que alguém poderia conhecer. E eu estava: Bella tem o poder se sentir tudo mais que os outros e de saber lidar com cada sentimento de forma forte e determinada. E por mais que ela não quisesse que assumíssemos um relacionamento – o que eu faria mudar -, ela me ama. A pessoa mais incrível do mundo me ama. Motivos de sobra para lutar contra tudo e todos pela sua felicidade.
- Edward? – sussurrou, tocando a minha barba por fazer. – Você está com os olhos mareados.
Sorri, a trazendo para mais junto de mim no sofá e plantando um beijo casto nos seus cabelos.
- Você me emociona, minha menina. – declarei baixinho, com a voz abafada pelo seu cabelo com cheiro único de flores.
Bella não falou nada, apenas se aconchegou a mim.
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Bella POV.
- Não esquece de trazer os sabonetinhos para mim! – falei quando Alice e Jasper saíam.
- Pode deixar, Bellinha! – disse a baixinha, rindo maliciosamente. – Nos vemos amanhã!
Os dois foram embora e eu me atirei no sofá rindo dos meus amigos.
- Afinal, onde é que eles vão? – indagou Edward da cozinha americana, terminando de lavar a louça.
- Sério que você não entendeu? – retruquei. – Ai, ai... Esses anos na guerra te deixaram muito ingênuo, Edward. – brinquei.
- Como assim? – parou em pé na minha frente, o pano de prato ainda em mãos.
- Eles foram passar a noite no motel, criatura! – contei, rindo ainda mais.
- E você pediu para trazerem os sabonetinhos do motel para você? – gargalhou.
- É a minha recompensa por ficar cuidando da casa. – disse tentando manter um ar sério.
Edward gargalhou ainda mais.
- Oh meu Deus! A minha irmã foi para um motel! – largou, parando de rir de repente.
Foi a minha vez de gargalhar.
- Eu disse que você voltou muito ingênuo! – apontei novamente.
- Ah, é? Eu voltei ingênuo, foi? – jogou o pano de prato no chão, um sorriso pecaminoso aparecendo no seu rosto. - Será que eu preciso refrescar a sua memória, Isabella Swan?
E antes que eu abrisse a minha boca, Edward já tinha me deitado no sofá e se colocado sobre mim.
- Edward...
- Shiii. – colocou um dedo nos meus lábios. – Eu vou te mostrar quem é o ingênuo aqui.
E tomou meus lábios em um beijo nem um pouco calmo, mas forte e cheio de desejo. Meu coração acelerou e um arrepio no meu baixo ventre se fez presente. Ah, tanto tempo sem isso... Como eu pude ficar tanto tempo sem sentir os seus toques no meu corpo? A sua língua brincando na minha boca? Eu estava me entregando, eu sabia que sim. Não havia como eu não me deixar ser amada por Edward ali mesmo, sem restrições. Usando toda a nossa saudade para aumentar o nosso desejo pelo outro. E toda a vez que seus dedos me acariciavam, toda vez que os nossos sexos se encontravam, era como se não só o meu físico se fortalecesse, mas também a minha alma. Qualquer sensação de vazio que ainda existia dentro de mim foi suprida a cada estocada, a cada 'eu te amo' em meio aos nossos gemidos.
Acabamos no tapete da sala, suados e enroscados um no outro. Ele permanecia dentro de mim ainda que estivéssemos sem nos mover por alguns minutos. Sua cabeça repousada entre meus seios, eu acariciando seus cabelos cor de bronze.
Era isso.
- Por favor, não vai embora. – pedi, sentindo todo o peso das minhas palavras.
Edward se desencaixou de mim, me fazendo fechar os olhos pela falta que o seu corpo no meu já me fazia.
- Olha para mim. – ouvi sua voz pedindo. Obedeci. – Nem quando eu estava no outro lado do mundo, vendo todos os tipos de tragédias e passando pelos piores perigos, eu me senti longe de você, minha menina. – deu um risinho baixo e afastou os meus cabelos suados do meu rosto. – Eu realmente não sei o que acontece aqui, e eu sei que não existe mais esse negócio de amor verdadeiro ou romance entre os casais. Só que... A gente é mais que isso. – sorri, entendendo perfeitamente as suas palavras. – Como eu disse: eu não sei o que acontece aqui, mas é algo tão puro e forte o que nós construímos ao longo das nossas vidas que não tem fim. É impossível ter fim. Entende?
- Mais do que você imagina, meu amor. – pude sentir as lágrimas enchendo meus olhos quando o meu peito explodiu em alívio por me permitir dizer as palavras seguintes. – Fica comigo. – me sentei e Edward fez o mesmo.
- Sério? – perguntou, abrindo um sorriso tão lindo e sincero.
- Eu estou aqui, despida de corpo e alma – abri meus braços, enquanto as lágrimas caíam. – Te dizendo que você pode me chamar de namorada, de noiva, de esposa, do que você quiser! – ri em meio ao choro. – Mas fica comigo. Fica comigo, Edward.
Os nossos corpos nus se chocaram em um abraço ansioso, e nos beijamos sofregamente. Eu estava me libertando.
- Eu vou cuidar de você da maneira que você merece. – prometeu com o rosto banhado pelo choro. – E nós vamos sobreviver a este mundo, minha vida. Nós vamos conseguir.
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Olá! :)
Bem, parece que a nossa Bella não está mais sozinha, não é?
Galera, quem for Guest e for comentar, lembrem de colocar o nome! :)
Muito obrigada pelas reviews, elas me fazem muito feliz e me dão muita inspiração também.
Grande beijo para vocês!
Isa
