Capítulo 4

Musica: U.R.A. Fever - The Kills

Depois desse primeiro dia, minha vida em NYC ficou normal na medida do possível.

Rachel, Alison, Ian e Ryan eram meus amigos. Até Adam fazia parte da "turminha", já que ele se sentava com a gente no almoço, e tinha ficado meio amigo de Ian (eles tinham aula de história e física juntos). Em casa, eu me dava bem com Justin, tinha parado de sair no tapa todo o dia com Nico – provavelmente porque eu não andava convivendo muito com ele, já que Rachel me emprestava tantos livros bons que eu ficava lendo enfiada no quarto o dia inteiro – e Stela continuava me ignorando. Essa é a minha vida feliz.

E eu me acostumei com a cidade. Ainda sentia falta de Denver e tal – eu passava horas no Messenger todo dia conversando com minha (ex?) melhor amiga Katie -, mas NY parecia mais comigo. Eu e Adam íamos quase toda tarde numa padaria perto de casa, onde tinham os cupcakes mais fofinhos do universo, e eu costumava me aventurar pelas ruas, sozinha, às vezes, pra ir a alguma loja de CDs, comprar esmaltes e admirar as vitrines.

Umas três semanas depois do primeiro dia de aula, Rachel me chamou pra ir ao Central Park. Aceitei o convite na mesma hora, já que ainda não tinha ido lá – só visto de relance, enquanto andava de carro – e precisava de alguma coisa pra fazer no fim de semana. Combinamos de nos encontrar às 4 horas, no sábado, na estátua da Alice no País das Maravilhas. O resto da "turminha" também ia.

Cheguei adiantada, às 3:30, porque queria tirar algumas fotos. Tirei das arvores e das estátuas enquanto passava por elas, sem pressa. Acabei "descobrindo" um lugar que parecia intocado – não havia lixo dos turistas, nem nada pixado -: um banco escondido entre um milhão de arvores. Como eu ainda tinha uns 15 minutos, fui até lá.

Não havia ninguém por perto, e provavelmente eu não conseguiria ser vista por alguém que estivesse a alguns metros. O banco estava cheio de folhas, mas não estava muito sujo. Eu tirei as folhas e me sentei, olhando pro sol que se infiltrava pelos galhos. Mesmo sendo verão, NY ainda era fria, a ponto de me fazer levar um casaco pra qualquer lugar. Ainda dava pra ouvir as pessoas conversando, mas era só um barulho bem longe. Ali, eu só ouvia passarinhos e os esquilos correndo. Estava tão calmo que eu queria ficar ali pra sempre. Suspirando, eu me deitei no banco, usando o capus do meu casaco pra não sujar o cabelo e apoiando os pés na borda.

Daquele ângulo, dava pra ver somente as copas das arvores e o sol fraquinho por entre elas. Eu fiquei longos minutos olhando pras folhas, então fechei os olhos, relaxando.

Fiquei tão concentrada na minha respiração que não devo ter ouvido passos. Então, de repente, senti um peso quente sobre minha boca. Abri os olhos e vi Ryan. E ele estava me beijando.

- Ah! – dei um gritinho e pulei do banco, me separando dele. Ele me olhava com um sorriso, despreocupado como sempre.

- Você é muito esquisita, sabe – falou, se apoiando numa arvore com o ombro. – Fica deitada aí, no banco, olhando pro céu.

- Eu sei, obrigada por me avisar – retruquei.

- Morro de rir quando você fica brava – o sorriso dele se alargou.

Revirei os olhos. Depois olhei meu relógio.

- Merda, to atrasada – já eram 4:10. Até eu chegar na estátua, seriam 10 minutos. – Aliás, você também está.

- Foda-se – essa era a conclusão dele pra tudo. – É só ligar pra Rachel. Quer dizer, isso se ela já não estiver mobilizando os turistas pra te procurar – brincou Ryan.

- Ah, com certeza – eu ri, concordando com ele. Rachel era louca assim mesmo.

Abri minha bolsa e peguei meu celular. Antes que eu começasse a digitar um SMS, ele arrancou o celular da minha mão e digitou um rapidamente, enquanto eu tentava recuperá-lo. Ryan só me devolveu quando a mensagem foi enviada – estava escrito "Foi mal, não vou poder ir".

- Hãn, por quê? – perguntei, me referindo a ela.

- Bem, esse era o lugar que eu queria te mostrar – ele abriu os braços.

- Sério? – perguntei, com a testa franzida. Eu já estava chamando aquele lugar de meu.

- Não – ele deu alguns passos pra frente e parou a apenas alguns centímetros de mim. – Era brincadeira. – o sorriso dele deixou claro que isso era verdade, e que ele estava me fazendo de boba. Revirei os olhos.

- Isso é assédio, sabia – reclamei, tentando me afastar, mas ele colocou uma de suas mãos na base das minhas costas, me impedindo de fugir.

- Não se você quiser também.

- Eu não quero – reclamei de novo, me debatendo, mas ele me segurou mais apertado, com os dois braços, e beijou antes que eu conseguisse me soltar.

Deus, ele beijava muito bem. Antes que eu pudesse perceber, eu estava retribuindo. Fechei os olhos e minhas mãos se agarraram ao pescoço dele. Fiquei meio inclinada pra trás, já que ele era uns bons 15 centímetros mais alto que eu.

Acabou antes do que eu esperava.

- Você quer, sim – ele murmurou, com um sorriso. Soltou minhas mãos do pescoço dele e, com um aceno, saiu correndo e sumiu entre as arvores, antes que eu pudesse lhe dar um tapa ou agarrá-lo de novo.

Perfeito. Eu tinha beijado um cara totalmente esquisito – porque, sinceramente, eu não entendia o Ryan. Ele sempre era tão... sei lá, vago – e ele tinha saído correndo.

No final das contas, ele fez bem de mandar aquela mensagem pra Rachel, porque eu não estava em condições de encontrá-la. Peguei minha bolsa no banco e joguei meu celular dentro dela, depois saí correndo pro lado que dava pra calçada.

Quando saí pra civilização, vi que meus sapatos ficaram sujos de terra. Eu estava olhando pra eles, andando e resmungando, quando trombei num garoto. Houve um barulho de algo caindo e quebrando, mas eu mal notei.

Sério, ele parecia ter saído dos meus sonhos. Era alto, magro, usava uma daquelas blusas com gola V e tinha o cabelo meio grande e enrolado. Eu apostaria um milhão de dólares que ele era londrino, ou pelo menos inglês, e teria ganhado, já que ele falou um "me desculpe" todo carregado de sotaque. Eu só dei um sorriso de desculpas e saí andando.

- Ei, deixou cair isso – eu me virei e o vi segurando um CD, e notei que a minha bolsa estava aberta. Ele segurava o meu CD do The Kills, que eu tinha ficado de emprestar pra Alison.

- Ah, obrigada – falei, e o peguei. Vi que a capa tinha rachado. – Merda – resmunguei.

- Inferno, me desculpe – disse ele de novo. Depois sorriu, inesperadamente. – Você tem bom gosto pra musica.

- Não, não, tudo bem. Acho que quebrou quando caiu – isso explicaria o barulho que eu ouvi. Dei de ombros e o guardei de volta na bolsa, tomando o cuidado de fechá-la. – Bem, obrigada.

O garoto assentiu, acenou e se virou pra ir embora.

Quase dei um pulo quando vi o envelope que ele segurava. Estava escrito Birch Wathen Lenox School. Claro, imediatamente comecei a fantasiar, me perguntando se ele iria mesmo estudar lá, se ele estava no mesmo ano que eu e tal.

Percebi que estava parada feito uma idiota na calçada, então me virei pra ir embora pra casa o mais rápido possível.

Ao chegar na Quinta Avenida, passei na padaria e comprei um hidrotônico – é, de tempos em tempos eu preciso de um pra ficar acordada -, depois fui direto pra casa. Olhei duas vezes pro numero, pra ter certeza se era a minha casa mesmo, porque vinha uma musica realmente alta lá de dentro.

Quando entrei, percebi que era uma festa. Aliás, uma festa na piscina. Cerca de 100 barbies loiras, bronzeadas, com biquínis minúsculos e seus respectivos namorados andavam e fofocavam em volta da piscina. Stela parecia comandar a festa.

Fui correndo pro elevador, tentando não ser notada, e grudando o dedo no botão do terceiro andar. Enquanto subia, fiquei pensando em como Stela tinha arranjado tantos amigos em pouco tempo. Mas, bem, ela é de Malibu, deve ser tipo uma deusa pras barbies de NYC ou qualquer merda assim.

É, pool parties tocando Britney Spears no ultimo volume me deixam irritada.

Graças a Deus, o terceiro andar estava vazio. Corri pro meu quarto e me deparei com Adam, deitado na cama e folheando um dos meus livros da Jane Austen.

- O que você tá fazendo aqui? – perguntei, largando a bolsa em cima da mesa e tirando o casaco. – Não devia estar no Central Park?

- Bem, te pergunto a mesma coisa – ele largou o livro e se sentou, passando a mão no cabelo loiro. Desviar os olhos exigiu muito esforço.

- Ahn, longa história – desconversei, e tirei meus sapatos.

- Tá, né – ele deu de ombros. – Eu estou aqui porque essa festa começou um minuto depois de você sair, e Stela me ameaçou.

Arregalei os olhos e me sentei na cama, do lado dele.

- O que ela fez?

- Falou que se eu aparecesse lá em baixo, ou ela ia me apresentar às barbies solteiras ou ia me jogar na piscina e me chamar de bicha louca. Não que eu tenha medo. Aliás, acho que eu conseguiria jogar a Stela do outro lado do muro antes que ela encostasse em mim, mas eu já estava meio com preguiça de ir. – ele deu uma risada. – Agora me conta o que aconteceu.

Eu suspirei e me deitei, com os braços pra cima.

- Encontrei com Ryan – comecei.

- Ah, sabia que ia acontecer uma coisa entre vocês – brincou ele, mas o seu sorriso não chegou aos olhos.

Franzi a testa por um momento, tentando entender, mas deixei pra lá.

- Pois é – brinquei com uma mecha do meu cabelo, olhando fixamente pra ela. – Ele... Me beijou – senti meu rosto esquentar. – depois saiu correndo, do nada. Então eu vim embora.

- Acho que o Ryan não bate bem da cabeça – disse Adam.

Joguei meus braços pra cima de novo e olhei pra ele, séria.

- Muito obrigada.

- Não, não sobre a parte dele te beijar – ele deu uma risada meio sem graça. – Sobre a parte de sair correndo.

- Ah, sim. É, eu também achei estranho.

Suspirei pela trocentésima vez, e tirei meu cabelo da cara com uma das mãos.

- Você não devia fazer isso com as pessoas – disse Adam, balançando a cabeça.

- O que?

- Ficar deitada desse jeito, e suspirando.

- Por que eu não devia fazer isso? – inclinei a cabeça, sem entender.

- É sexy demais pro seu próprio bem – ele piscou pra mim.

Eu olhei pra ele como se ele tivesse acabado de dizer que tinha comido um urso de pelúcia.

– Deus, odeio essa musica! – reclamou, como se não tivesse dito nada demais. Estava tocando Ashley Tisdale. – Bem, eu já vou. E lembre-se do que eu falei – Adam se levantou e saiu pela porta, dando uma olhada meio estranha pra mim ao fechá-la.

Tá legal. Depois eu que sou a esquisita.

N/A: que tal esse capítulo? ririri

e eu tenho uma pergunta pra voces: que maldade voces gostariam que a bianca fizesse com a Stela? do tipo de, sei lá, colocar açucar em vez de adoçante no suco dela UASHAUSH

dependendo das sugestoes, eu posso até usar aqui ;)

e eu nao to gostando da falta de reviews ok ¬¬

até o próximo capítulo!