N/T: Sim, os capítulos são pequenos! É realmente uma pena! Mas que bom que vocês gostaram :) Obrigado pelas reviews!


Capítulo 4 - Devaneio

Draco jogou sua mochila sem cerimônias em cima do sofá na sala comunal da Sonserina. Com outro movimento, escorregou a mão por cima de uma mesa, derrubando uma taça vazia no chão. A taça produziu um som abafado e rolou, fazendo um meio círculo, até parar aos seus pés.

Ele sorriu, sarcástico. Seria sarcástico com qualquer coisa naquele momento.
Um metro e meio de pergaminho sobre poções idiotas? Não nessa vida.

Malfoy jogou-se no sofá, empurrando a mochila para o chão. Dois frascos de tinta chocaram-se dentro da mochila, o barulho ecoando pelas paredes de pedra, reverberando na cabeça de Draco, que estava doendo.

- Ugh - murmurou, trazendo a mão até o rosto e correndo pelo cabelo loiro.

Através dos olhos pálidos, observou sua mão, segurando-a na frente dele, virando-a, quase admirando a pequena linha rosa que corria desde seu dedo do meio até seu dedão. Draco flexionou a mão uma vez, duas, uma terceira vez, ainda em silêncio.

Seus pensamentos abatidos voltaram-se para a sangue-ruim e sua mão continuou fechada em um punho.

Lembrou do olhar que ela o dera quando acordara aquela tarde. Lembrou do jeito que sua mão era quando ele amarrara a pequena bandagem em volta de seu dedo.

O rosto de Draco contorceu-se em algo entre raiva e... e algo indescritível.

- Idiota, sangue-ru-...

Mas Draco parou-se. Correndo a língua pelo seu lábio inferior, refletiu sobre como seus sangues brilhavam vermelhos na luz das velas. Seus pensamentos voltaram-se então para os eventos daquela manhã.


Malfoy acordara de seu pequeno cochilo alguns minutos depois de Hermione ter caído no seu. Sentando-se ereto com um grunhido, ele olhou em volta, certo de que ouvira algo. Seus olhos caíram sobre Granger.

Seu coração pareceu chumbo em seu peito enquanto olhava para ela. Puxou a varinha e apontou para seu rosto sonolento. Porém, não disse nada. Em vez disso, tirou algumas mechas de cabelo do rosto dela e rapidamente guardou a varinha, enfiando-a em seu bolso.

Inclinando-se para mais perto, notou o jeito como seu braço direito jazia solto em cima da mesa e esticou a mão para tocá-lo, mas conteve-se.

O que você está fazendo? Pensou. Tocar algo tão sujo quanto ela?

Mas em despeito a si mesmo, tocou o dedo dela, sem saber realmente por que.

Poderia matá-la, dormindo daquele jeito. Mas ela devia ser mais inteligente que aquilo. Malfoy não iria dormir na frente de Potter ou sei lá. Não era tão burro. Potter iria colocar algum feitiço nele.

Então por que Malfoy não o fizera?

Draco ficou intrigado, quando sua mão tocou a dela, com o quanto seus dedos pareciam brancos em contraste com os dela. Então, sentiu o pequeno corte em seu dedo. Virando sua mão para cima, olhou o corte vermelho e inchado.

Com um suspiro, desfez a bandagem que amarrara em volta de sua mão. Seu sangue havia secado desde o dia anterior. Mesmo assim, começou a envolver o dedo de Hermione, terminando com um pequeno nó.

Trabalho terminando, Malfoy deitou-se sobre a mesa, balançando as pernas. Olhou para Granger novamente. O quão diferentes eram, de famílias tão diferentes, de vidas tão diferentes. Mesmo assim, se Granger fosse sangrar, seu sangue seria tão vermelho quanto o de Malfoy.

- Estranho - disse, a malícia em sua voz morrendo rapidamente.

Hermione tremeu momentâneamente.

- O meu tinha gosto de água fria, o seu... de mogno.

Draco não sabia por que dissera isso. Sorriu insanamente. O que as pessoas pensariam, vendo-o falar com a sangue-ruim desse jeito! Era muito engraçado.

Malfoy deu uma risada fria. Ao mesmo tempo, ele ouviu algo ser murmurado muito baixo.

- Draco.

Sua cabeça virou-se rápido para Hermione, rápido o bastante para sentir seu pescoço queimar. Levantou-se. O que ela dissera?


- Ei, levante-se.

Draco olhou para a figura na frente dele. Outro sonserino.

- O que? - perguntou, estúpido.

- Você não é o único que quer sentar.

- Certo.

Malfoy lançou um olhar mortal para o garoto e levantou-se, pegando sua mochila do chão. Aprumando-se, andou até a porta para o corredor, amarrando sua capa com força em volta do pescoço.

Precisava de ar, precisava de espaço.

Precisava achar Granger e dizê-la para, da próxima vez, cair no sono na sala de outra pessoa.