Disclaimer: Vocês ja sabem, nada disto me pertence...bla...bla...bla
Quando um homem erra é porque ousou
Transformar a guerra num rasto de pó
Quando um criança ao peito juntou
Um abraço imenso que tudo mudou
João Pedro Pais - Quando
Capítulo Quatro:
Eles jantavam sempre em silêncio. Aquela noite não era diferente. O silêncio ocupava a sua cabeça e quase a fazia gritar. Mas ela continuava calada e ele continuava a ignorá-la.
-Senhora!- Nukky, o elfo doméstico chamou-a.
-Já vou! Com licença!- ela disse mas ele nem olhou para ela. Ela levantou-se e subiu ao primeiro andar. Entrou no quarto em frente ao seu. Estava decorado de azul claro e um berço no centro. Estava cheio dos mais diferentes brinquedos para criança que era possível. Do berço vinha um choro de bebé. Ela ergeu a criança e o choro selou. Uns olhos humidos abriram-se revelando uma iris cinzenta. Ela sentou-se e fez caricias no cabelo platinado da criança.
Da porta, uns olhos tão cinzentos quanto os do bebé observavam a cena. Depois viraram-se e entraram no quarto que estava em frente. Ele trocou de roupa e segurou a sua varinha. Saiu novamente do quarto.
-Vais sair?- ouviu a voz da sua mulher dizer.
-Não tens nada com isso!- ele disse friamente.
-Podes não querer ver a minha cara mas o pelo menos o teu filho podias dar alguma atenção!
Ele não lhe ligou e desapareceu da vista dela. Uma lágrima caiu-lhe. Não pela dor que o desprezo dele lhe causava mas pela indiferença que ele tinha para com o filho.
Há um ano atrás
Felizmente a poção de Molly era milagrosa. À noite, Ginny já conseguia disfarçar as marcas do "incidente" com alguns feitiços de beleza. Ninguém desconfiou de nada.
Passára já duas semanas e Ginny nunca mais vira Draco. Ela estava melhor assim. Sem vê-lo era menos doloroso. Era o seu dia de folga mas o que ela tinha para fazer não era nada agradável. Tinha uma consulta médica com Hermione em St. Mungo's onde a sua amiga era directora. Nos últimos dias não estava se sentindo muito bem. Depois daquela maldita noite Ginny tinha se desuidado com a sua saúde. Mal comia, mal dormia e agora o corpo ressentia-se.
Sentou-se na sala de espers e pouco depois foi chamada.
-Bom dia Gin!- Hermione disse fazendo sinal para ela entrar no seu escritório.
-Olá Hermione!- ela respondeu, entrando e sentando-se.
-O que tens feito?- a noiva de Ron perguntou, fechando a porta.
-Basicamente trabalhar.
-E como está o Draco?- Hermione estava tentando ser simpática.
-Acho melhor lhe perguntares!- Ginny disse numa voz que Hermione não reconheceu. Ginny reparou na expressão surpresa da amiga.- Nós terminamos! Tinhamos ideias muito diferentes.
-Percebo. Mas vamos lá á consulta. Que se passa Ginny?- Hermione sentou-se atrás da sua secretária e colocou o seu livro de apontamentos á sua frente.
-Não sei! Ando muito descuidada com meu corpo. Agora ele reclama. Ando muito cansada, sempre cheia de sono, com dores de cabeça, alguns enjoos.
Hermione acabou de anotar o que Ginny lhe tinha dito e olhou para ela seriamente.
-Sentes obstipação?
-O quê?- Ginny sentiu-se um pouco estúpida.
-Prisão de Ventre.- Hermione explicou.
-Sim.
-Tens urinado muito?
-Mais do que o habitual mas também ando com miuta sede.
-Vem comigo. Vamos fazer alguns exames.
Entraram as duas na outra sala e Hermione fez alguns feitços direccionados a Ginny. Depois voltaram para o escritório.
-Ginny, posso te fazer uma pergunta um pouco indiscreta? Faço a pergunta como médica, não como amiga e muito menos como namorada do teu irmão.
-Claro. -Ginny respondeu desconfiada.
-Tu e o Draco envolveram-se fisicamente?
Ginny olhou para a rapariga de olhos escuros sem saber o que dizer. Tinham se envolvido sim mas era a última coisa que Ginny queria falar.
-Já percebi que sim. Usaram protecção?
Mais uma vez Ginny ficou calada. Ela nem esperava se envolver quanto mais se proteger e da forma como Draco agira ela tinha a certeza que isso nem lhe passára pela cabeça.
-Não me parece. Os teus seios, estam sensiveis, têm te doido?
-Sim mas... onde queres chegar?
-A tua menstruação?
Ginny olhou para a amiga. Não podia ser mas... os sintomas e...
-Não estás insinuando que eu...? Hermione diz-me que não!
-Temo que sim. Os exames deram positivos. Tu estás grávida!
O mundo de Ginny desmoronou sobre ela. Aquilo não podia estar acontecendo. Ela estava à espera de um bebé do homem que a violára. Que iria ela fazer agora?
-O que vou fazer?
-Eu aconselho-te a falares com o Draco...
-NÃO! Não posso falar com ele. Meu Deus, isto não podia ter acontecido!- Ginny levou as mãos á cara desesperada.
-Calma Ginny, não é o fim do mundo. Pelo contrário, ser mãe é uma das coisas mais bonitas neste mundo.
-Não quando os pais não se amam. Não quando o pai é um canalha. Não quando a familia materna odeia o pai da criança. Não quando o filho é fruto de uma...- Ginny calou-se abruptamente. Estava falando demais.
-O que aconteceu Ginny?- Hermione não era estúpida. Ela conseguia perfeitamente adivinhas o que tinha acontecido só pela maneira que Ginny reagira. Mas queria que fosse Ginny a dizer.
-Eu não queria Hermione mas ele estava bêbedo e eu não tinha força para o afastar.- Ginny disse com as lágrimas escorrendo pela sua face.
-Oh Ginny! Devias ter dito a alguém. Ele não pode te fazer isso e sair impune...
-Não! Já está suficientemente complicado
-O que vais fazer?
-Não sei!- Ginny suspirou.
A ruiva passou o resto da tarde num parque. Pensou em abortar mas ver tantas mães com os seus filhos fê-la mudar de ideia. Hermione tinha razão, ser mãe talvez fosse a melhor coisa do mundo.
Ginny voltou para casa um pouco antes do jantar. Molly apareceu na porta da cozinha:
-Ginny! Precisava mesmo de ti. O teu irmão e o teu pai ainda não chegaram mas o jantar está muito atrasado. Podes me ajudar?
-Sim...- Ginny murmurou.- Mãe, antes posso falar consigo?
-Não pode ficar para depois, querida? É que o teu pai deve estra quase chegando.
-Não. É um assunto sério.
Molly olhou preocupada para a filha. Ginny estava pálida. A rapariga conduziu a mãe até á cozinha e fez sinal para ela se sentar. Ela tinha decidido ter aquele filho mas precisava de uma aliada e Molly Weasley era a pessoa indicada. Molly era mãe de sete filhos, incluindo ela. Ela era a sua mãe, ela iria compreender e principalmente, ajudá-la a dar a noticia á familia quando o momento fosse certo.
-O que se passa querida?
Ginny olhou para a mãe. Encheu-se de coragem. Não valia a pena adiar aquilo.
-Eu...eu...
-Diz Ginny, estou ficando preocupada!
-Eu estou grávida!
-Tu estás... O QUÊ?- a voz de Artur Weasley soou atrás de Ginny e ela congelou. Não era suposto ele ouvir. Era suposto ser a mãe a contar-lhe. Ginny não tinha coragem para enfrentar o pai.
-Calma Artur!- Molly disse, levantando-se.
-Calma? Como queres que tenha calma? A minha filha está grávida de um Devorador da Morte, ela está á espera de um bebé que é neto do homem que quase a matou.- Artur disse enraivecido.
-Eu sei! Eu sei tudo isso...
-E para "melhorar" eles já nem estão juntos. Ela está grávida de um homem que não quer saber dela!
-Pára pai. Eu sei mas esperava que pelo menos vocês me ajudassem mas já vi que nem com a minha família posso contar.
-Como podes esperar que te apoiemos qquando cometeste tamanho erro?-Artur disse já vermelho de raiva.
-Eu não vou ficar aqui a ouvir isto!- Ginny disse já subindo as escadas.
-Volta aqui Ginevra Weasley!- ela ouviu o seu pai dizer enquanto ela entrava no seu quarto. Arrumou rapidamente as suas roupas e desceu novamente.
-Adeus!- elas disse.
-Não dou dois dias para estares de volta!
-Isso é que vamos ver!- ela desafiou o pai.
-Boa noite!- disse Ron entrando em casa seguido de Hermione.
-Adeus!- Ginny disse e saiu pela mesma porta que Ron acabara de entrar. Desmaterializou-se no jardim porque a casa estava protegida contra materializações.
Ron ficou olhando para os pais sem perceber nada. Já Hermione percebera tudo.
N/A: Obrigado pelas reviews. Sei que o último capítulo foi longo, este também mas não consegui para de escrever. Esclarecer algumas dúvidas: O Draco não é alcolatra, apenas bebeu exagerou uma única noite. E como já repararam, ele tirou mesmo a virgindade de Ginny. Beijinhos e obrigadão.
