Jantar às Oito
Hinata não estava em paz pois tinha que contar para sua mãe o que de fato aconteceu com ela e a irmã no dia anterior. E dona Himawari sabia quando a filha estava lhe escondendo algo, a conhecia muito bem. Ela estava costurando as roupas de uma vizinha quando a filha passou por ela toda inquieta. Sem tirar os olhos da roupa, perguntou.
- Tem alguma coisa para me dizer, Hinata?
- Er... não... mamãe... – Hinata roeu a unha do dedo mindinho ao entrar no quarto.
- Tem certeza?
Hinata suspirou e fechou as mãos em punho. Engoliu em seco e voltou para onde sua mãe estava.
- Na verdade... eu tenho sim, mamãe...
- Fale.
Himawari ouviu tudo o que a filha disse.
- Não vou perguntar o porquê não contou logo.
- Eu não queria preocupar a senhora! Ele nos socorreu e fez questão de pagar tudo.
- Eu quero conversar com este rapaz.
- Mas mamãe, não precisa, ele disse...
Himawari levantou a mão no alto interrompendo a filha e olhando sério para ela.
- Marque um lugar para nos encontrarmos com ele. Hanabi me falou que ele lhe deu um cartão.
Hinata fulminou a irmã com o olhar. A criança lhe retribuiu da maneira mais inocente possível, sorrindo.
- Está bem, eu vou ligar para ele.
- Faça isso na segunda feira. É o fim de semana que seu pai estará em casa.
- Nossa! É verdade!
- Eu estou terminado a costura. Arrumem tudo, não deixem nada fora do lugar que está na hora dele chegar. Sabe que implica se não ver a casa em ordem.
- Sim, senhora! Vamos Hanabi, coloque seus brinquedos em ordem!
- Não posso! Acabei de chegar do hospital! Tenho que descansar!
- Aham sei!
E assim as três se entendiam. Hinata ficou mais aliviada por ter contado a verdade para a mãe. Foi educada por ela a sempre falar a verdade não importa o quê.
[ ... ]
Do outro lado da cidade, Sakura se preparava para mais uma vez deixar Sasuke.
- ... queria tanto que não fosse Sah... – ele a abraçou por trás e beijou-lhe o ombro.
- Eu também não quero ir, mas ainda é preciso. Recebi uma mensagem do Naruto, vou encontrá-lo no restaurante do pai do Choji.
Sasuke bufou e se afastou indo para a janela.
- Já sabe que tenho que ir. Assim que conversar com ele, te aviso.
- Está bem. Vou controlar meus ciúmes.
Os dois se beijaram e se despediram. Estavam lutando para ficarem juntos de vez, por que eles não tinham nada a ver com a rivalidade entre suas famílias. Tudo começou quando Danzou Haruno ainda jovem, fez sociedade com o avô de Sasuke, Madara Uchiha e juntos fundaram a TV Uchiha. Ele era dono de vinte e cinco por cento das ações da estatal, enquanto que Madara detinha quarenta e cinco por cento e era o presidente da empresa de entretenimento. Os outros trinta por cento eram compostos por outros sete acionistas. A briga deles ocorreu pois Madara descobriu que Danzou propôs comprar as ações dos acionistas minoritários e se tornar o presidente, e depois simplesmente tiraria Madara do negócio sendo que quem investiu todo o capital para que a empresa surgisse foi ele. Danzou não tinha nada. Se hoje ele é dono da Haruno Mining é por que sempre se enriqueceu fazendo negócio escusos, com dinheiro sujo.
[ ... ]
O restaurante Akimichi's Gotsubo era o mais bem frequentado pela elite da ilha de Hokkaido. Naruto chegou ao compromisso de jantar marcado para às oito uns quinze minutos antes. Foi recebido pelo amigo da faculdade e filho do dono do restaurante, Choji.
- Naruto, meu amigo, seja bem-vindo!
- Choji? Como vai? – Apertaram as mãos – Há quanto tempo? Emagreceu também! Está trabalhando com o seu pai!
- É uma longa história! Estou aqui para aprender uma lição, para dar valor ao dinheiro suado que meu pai ganha. Mas isso não vem ao caso agora. Me acompanhe, o conduzirei até a sua mesa.
Pegaram o elevador indo para o terceiro andar do lugar onde ficavam as mesas usadas por homens que se reuniam com seus jantares de negócios e tinham mais privacidade.
- O que vai querer beber, Naruto?
- Ah...hum... um vinho, por favor.
Chouji fez sinal para que o garçom trouxesse a carta de vinhos. Feito a escolha, logo Naruto desfrutava da bebida enquanto esperava por Sakura. Vinte minutos depois, ela surge num vestido vermelho, com uma bolsa a tiracolo e saltos meia pata preto.
Naruto se levantou e puxou a cadeira para que ela sentasse.
- Sakura... er... – ele estava sem graça diante da amiga - ... aceita uma taça de vinho?
- Boa noite, Naruto. Aceito, por favor.
O garçom a serve e se retira.
- Desculpe, boa noite... Você está muito bonita!
- Eu fui forçada a usar este vestido! Meu avô não tem jeito.
- Quer pedir algo para comer?
- Na verdade, Naruto... – ela coloca os cotovelos na mesa e entrelaça os dedos - ... vim mais para conversarmos sobre esse nosso – faz aspas com as mãos – "suposto casamento".
- Olha Sakura... de verdade, eu não concordo. Meu avô disse que já havia decidido que seria assim. Eu não tive nem tempo de contestar. Eu nem quero casar com você... quero dizer, não quis dizer isso... não que não casaria, você é uma mulher linda, mas é que...
- Nossa Naruto! Que bom ouvir isso!
- Sério? Não ficou magoada?
- Eu? Não mesmo. Também não quero me casar com você, não daria certo. Somo amigos!
- Eu achava que você estava afim...
Naruto olhou para Sakura e viu que ela estava mais relaxada, como se tivesse tirado um peso de cima das costas. Pois quando a viu chegar estava visível sua tristeza estampada no rosto. Agora sorria e bebia o vinho toda feliz.
- Em pleno século vinte e um e nossos avôs ainda querem nos forçar a casar para garantir herança nos negócios! Isso é um ultraje!
- É...
- Eu tenho um segredo para te contar...
Naruto esticou o braço sob a mesa.
- Me dê sua mão.
- Por quê? Para que isso agora?!
- Estamos sendo observados. – Sakura estendeu a mão e segurou a de Naruto sob a mesa – Kakashi, o faz tudo do meu avô me trouxe e está por perto.
- O cão de guarda, é?
- Para garantir que eu não fugisse desse jantar.
- Fala sério.
- Devemos fazer parecer que está rolando algo entre a gente. Vamos fazer o pedido, depois você me conta o teu segredo.
Após o jantar, forçaram um brinde com um champanhe que Sakura pediu. Tomou o primeiro gole e foi direta.
- Eu estou com Sasuke, Naruto!
Pfffffffffffffft!
- Cof! Cof! Cof! – Naruto cuspiu a bebida e quase que engasga, e Sakura dá uns tapas em sua costa.
- Está melhor? Pegue o guardanapo.
Ele se recompõe.
- Vocês... Cof!... Estão juntos...?
- Desde o primeiro ano da faculdade.
- Cara... faz tempo... e por que não assumem?
- Problemas de família... longa história.
- Imaginei... – Naruto bebeu um pouco de água – Eu nunca percebi nada. E olha que o Sasuke é o meu melhor amigo! Nunca me contou nada de vocês!
- Ele disse mesmo que você é meio lerdinho para estas coisas. – Sakura riu.
- Isso muda tudo.
- Sim. Queremos assumir para nossas famílias o quanto antes. Não aguentamos mais nos esconder como dois condenados. Os velhos que se explodam com seus problemas do passado, não temos nada com isso!
- É dose. Não vai ser fácil.
- Tô ciente.
- Se precisar, Sah, conta comigo, sempre.
- Sempre. Podemos ir?
- Eu te levo, quero dizer o Kakashi nos leva.
- Não tem outro jeito. Devemos parecer um casal para ele ter o que fofocar para o seu avô. Vamos sair de mãos dadas.
Os dois amigos se despediram de Choji e foram embora.
[ ... ]
Três dias depois do incidente, Hinata ligou para Naruto.
- Alô? Naruto?!
- Oi!
- Pode falar?
- Posso sim! – pula da cama e vai para a sala, estava no apê de Konan - Pode falar!
- Ah...é que... eu queria ...
- Quer se encontrar comigo agora?!
- Agora, já?
- É... agora... tô indo te buscar... – ele não deu chance a ela de recusar - ...beijo!
Desligou o celular e pôs a roupa.
- É a garota do incidente? – Konan pergunta já sabendo do ocorrido, pois Naruto havia lhe contado, como também a história do casamento.
- É, vou me encontrar com ela! Até achei que não me ligaria quando deixei meu cartão... – pôs o tênis - ... tive ajuda da irmãzinha!
- Que fofo! – Konan estava na cama.
Naruto contava os minutos para encontrar Hinata. Uma felicidade tão grande que parecia nunca ter sentido na vida lhe tomou por completo.
Era uma sensação boa.
Havia algo naquela garota que o fazia ter força e coragem para enfrentar o mundo. Seu avô já havia lhe cobrado uma resposta a respeito do casamento com a neta de Danzou, mas ele simplesmente respondeu que ainda não tinha.
Era simples. Não tinha mesmo.
Parou na esquina da rua com sua Ferrari GTC4 Lusso, como da primeira vez e lá estava ela, linda num vestido florido e sandálias rasteirinhas.
- Oi... Naruto...
- Ah! Oi... - num impulso a cumprimentou com um beijo no rosto.
- E aí... para onde a gente vai?
- Você escolhe.
- Então vou te levar pra uma lugar que eu gosto.
O carro pegou sentido da praia de Ishikari. Logo estavam na orla da praia e ele estacionou o carro, desceram do veículo e seguiram pelas pedras. Hinata respirou fundo e soltou o ar abrindo os braços e sentindo a brisa marítima. Naruto a observava, admirando a beleza dela.
- Este é o meu lugar favorito. Aqui é o meu refúgio. Serve para eu escapar de vez em quando dos problemas...
- Você não parece o tipo de pessoa que tem problemas.
- E quem não tem? – ela lhe sorri.
- Hum... é...
- Aqui eu venho espairecer e pensar um pouco na vida. Aliviar a dor...
- "Aliviar a dor"... - Naruto pensava no que ela acabara de dizer.
Dor. Que ele também tinha, sentia. E da qual queria se libertar.
Precisava.
- Me fala mais de você.
- Hum... Eu terminei o ensino médio, tentei uma bolsa para fazer a faculdade mas a saúde da minha mãe piorou então tive que ajudar em casa. Não tenho um emprego e trabalho com entregadora de flores duas vezes por semana. Ganho por entrega feita e é muito pouco.
- Você tem pai?
Ela deu um longo suspiro.
- Tenho. Meu pai trabalha no mar. Fica a semana inteira num barco de pesca e só vem nos fins de semana para casa. Às vezes desejo que ele nem venha...
Naruto percebeu uma certa tristeza no olhar de Hinata. Resolveu mudar o rumo daquela conversa.
- E a Hanabi?
- Ela é o sol que brilha lá em casa. Depois que nasceu as coisas melhoraram. Meu pai e minha mãe brigavam muito. Depois que minha irmã nasceu a saúde dela piorou.
- Ela não vai ao médico?
- Ela já ficou internada três vezes e sempre voltava. Com as crises de tosse ultimamente ela sempre adia e só vai quando está muito ruim. E eu percebo que isso tem agravado a saúde dela. Ela fala que precisa trabalhar para não faltar nada para gente.
- Ela trabalha no quê?
- Antes em casa de família. Agora vai duas vezes na semana em uma casa e outros dias passa e lava roupas para estudantes República. Também costura. Mas já dá sinais que não está aguentando. E eu estou muito preocupada. E você?
- Eu sou filho único e moro com meus pais e meu avós. Estou no último ano da minha segunda faculdade. Acho que estou tentando achar meu lugar ao sol... ainda...
- Você tem namorada?
- Não. É você, tem namorado?
- Eu?! Hahaha! Nem posso! Quer dizer, com o pai que eu tenho duvido que algum rapaz teria coragem de me namorar!
- Ele é tão bravo assim?
- Como um sargento!
- E se você gostar de alguém um dia? Como vai ser?
- Ele não vai permitir. E também nem penso nisso. Não, penso sim... Mas não sei como seria... Só não faria minha mãe sofrer. Acho que eu não me perdoaria se eu fosse a causa de mais um sofrimento na vida dela.
- Teria que acontecer para você saber...
- Exatamente! Enquanto isso vivo cada dia plenamente. Mando a tristeza embora quando ela chega sem convite e me agarro na alegria. Não tenho tempo para ficar chorando. Tenho que correr para ter o melhor para minha família!
Naruto estava encantado com Hinata. Como uma garota humilde e cheia de vida encontra forças para encarar sua realidade, não se deixa esmorecer, não se abate diante dos problemas e tem sempre um sorriso no rosto? Enquanto que ele que tem tudo o que o dinheiro pode comprar tem dia que não tem nem vontade de sair debaixo das cobertas. Sentiu vergonha de si mesmo.
- Agora é a minha vez de te levar em um lugar.
- Um lugar que você gosta?
- É... digamos que sim...
Entraram no carro e percorreram até o centro parando em frente a um loja de nome Bike Center Jitensha. Hinata não entrou na loja, parou na porta sem entender nada. Naruto voltou e pegou na mão dela puxando-a para dentro.
- Vem!
Entraram e foram direto ao setor de bicicletas femininas. Hinata olhava para ele, para as bicicletas.
- Escolhe uma.
- Quê?!
- Escolhe uma de seu agrado, do seu gosto .
- Desculpa Naruto, mas eu não posso...
- E por que não? Eu atropelei vocês e sua bicicleta ficou danificada. Nada mais justo que eu pague o prejuízo e além do que você precisa para o seu trabalho de entregar flores.
Hinata ficou surpreendida com a atitude dele.
- Olha... Eu agradeço... Sua intenção é ótima mas eu não posso aceitar!
Naruto olhou para ela, enfiou as mãos no bolso e olhou para o chão. Hinata percebeu que não mandou bem.
- Não é que não queira aceitar... É que eu não posso chegar em cada com uma bicicleta nova! Minha mãe vai querer saber onde eu consegui dinheiro sendo que não temos. ...E ainda tem meu pai... Ele vai pensar o pior de mim. Te falei como ele é!
- Desculpe ...Eu não pensei nas consequências. Só quis ajudar já que causei danos a você!
- Eu não gosto de esconder nada da minha mãe. Se primeiro eu conversar com ela e falar que você quer me dar uma bike nova, e ela não se opor, tudo bem.
- Eu voltei no lugar do acidente e recolhi o que sobrou da bicicleta e também comprei as flores da senhora Chyio.
- Foi você? Por isso o senhor Yamanaka me elogiou. Ele disse que a senhora Chyio gostou da forma como as flores foram entregues.
Naruto riu.
- Sério?
- Ele não contou os detalhes, só falou que eu continuasse sempre assim, fazendo bem o serviço.
Naruto olhou o relógio em seu pulso.
- Vamos. Vou te levar para casa.
Já dentro do carro, Hinata se lembrou do recado de sua mãe.
- Eu estava me esquecendo! Minha mãe me pediu para te ligar por que quer conversar com você. Eu contei sobre o que aconteceu.
- Foi só por isso que você me ligou? – ele a encarou apreensivo, meio que com medo da resposta dela.
- Claro que não! Eu queria te ver também! – ela olhou para ele e só daí que se deu conta da resposta e virou o rosto envergonhada. Já ele, gostou da resposta.
- Eu também queria te ver...
Os dois ficaram em silêncio por um tempo assim, olhando um para o outro, bem dentro dos olhos, desejando falar dos sentimentos que cada um sentia, como se uma força poderosa os impulsionasse para isso. Mas nada foi dito.
- Hinata, eu... É melhor eu te levar para casa...
Hinata ficou com a leve sensação que não veria mais Naruto depois disso.
[ ... ]
- Pare o carro aqui!
- Aqui não!
- Aqui sim! Pare agora, Kiba! Que droga!
- Tá bom chata! Te pego quando acabar o filme!
Sakura entrou no shopping, esperou o carro de Kiba sair e voltou para o estacionamento saindo do outro lado. Entrou no carro onde alguém a esperava.
- Oi...
Se beijaram.
- Oi... amor...
O carro seguiu para o lugar de encontro. Entrou no motel Amaterasu e logo estavam no quarto escolhido por eles. Sasuke pegou Sakura pela cintura e a levantou do chão beijando-a. As pernas dela envolveram a cintura dele e ele a carregou para a cama redonda com espelho no teto. Caíram nela e se amaram até a exaustão, como se a muito tempo não fizessem sexo. Ele deitou do lado dela suado.
- Por que eles não entendem, Sakura?
- Por que eles não sabem o que é o amor de verdade . São pessoas frustradas com a escolha que fizeram em vida. E tentam impedir quem se amam.
Ele ficou em cima dela e a beijou.
- Mas não conseguem! - voltou a deitar e aconchegou Sakura nos braços - Conversou com o Naruto?
- Sim... Ele não quer casar e como pensei não aceita a decisão do avô. Também quer se livrar das garras dele. Eu falei sobre nós.
Sasuke fechou os olhos. Ele não queria que ninguém mais soubesse. Queria fugir dali com ela para um lugar remoto. Sakura levantou-se apoiando a cabeça com o braço, olhando para ele.
- Saiba que ele ficou surpreso. Nunca desconfiou de nada.
- Naruto sempre foi meio lerdinho para sacar as coisas.
- Pior. Mas ele shippa nós dois.
Sasuke riu e acariciou o rosto dela.
- Shippa?! Hahaha!
- Sim e nos dá o maior apoio. Se precisarmos de ajuda é só contar com ele.
- Um verdadeiro amigo.
- Um verdadeiro amigo.
Os dois voltaram a se amar intensamente. E como desejam estar juntos sem precisar de encontros às escondidas. E lá se vão cinco anos assim desde que terminaram o ensino médio.
[ ... ]
Naruto não tirou Hinata da cabeça desde o dia que se conheceram. Ela ainda não tinha ligado para ele desde o primeiro encontro e a angústia tomava conta do rapaz que começava a dar mal resultado.
- Naruto! Faz três dias que você não se senta à mesa para o desjejum e sequer o vejo no jantar. Esqueceu de sua família de vez?
A cobrança vinha de seu avô.
- Estou com muitos trabalhos na faculdade e... investindo no meu casamento, vovô! E tô atrasado agora!
- Eu quero a data do casamento! Já decidiu?!
O rapaz parou na porta da sala, fechou os olhos e respirou fundo.
- Ainda não...
- Que tanto enrola, menino?! Hoje, amanhã! Decida logo! – o velho encarou o neto – Escolha logo a porra do dia ou eu mesmo caso vocês! E nem ouse me dizer um não! – abriu a porta e bateu na cara dele.
Naruto voltou para o quarto e fechou a porta. Estava cansado do controle do avô sobre a sua vida. Alguém bate a porta. Enxugou as lagrimas.
- Pode entrar.
Era sua mãe.
- Filho... vi que subiu... não vai para a faculdade?
- Não! – ele estava de costas para ela – Não estou bem!
- O que você tem, meu filho?! – Kushina foi até e o fez virar para ela, e viu os olhos marejados. Segurou o rosto do filho
- Naruto! O que aconteceu?
- Estou cansado, mamãe. Cansado deste controle do vovô desde que eu me entendo por gente. A vida toda foi assim! – mais lágrimas corriam do rosto – Aliás, sempre, desde que eu nasci ele decidindo tudo. Não quero mais!
A mulher se enterneceu pelo sofrimento do filho.
- Oh meu menino! Vem cá! – o abraçou.
- Conversei com a Sakura, ela não quer o casamento. É coisa do avô dela também. Somo amigos, tem nada a ver a gente se casar. E tem mais: ela gosta de outra pessoa!
- Essa menina também sofre nas mãos daquele maldito do Danzou, coitada...
- Estou decidido, mãe. Não vou me casar com a Sakura. Vou tomar as rédeas da minha vida. Eu vou enfrentar o vovô e dizer que em mim ele não manda mais!
Kushina se encheu de orgulho ao ouvir as palavras do filho e o abraçou novamente. Depois segurou suas maãos.
- Seja qual for a sua decisão, eu e seu pai estaremos aqui para te dar o apoio necessário. O que precisar, filho... – agora era ela quem chorava, mas de alegria e olhava nos olhos de seu menino - ... conte comigo, sempre! – acariciava o rosto de Naruto.
- Obrigado, mãe.
Os dois ficaram ali no quarto. Naruto deitou a cabeça no colo de sua mãe, que havia sentado na cama e lhe fazia carinho nos cabelos. Para Kushina, seu coração de mãe dizia que tinha chegado a hora do filho se livrar das correntes do destino e ela teria que ser mais que uma fortaleza para ele.
