Coisas que podem dar errado no seu casamento
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Disclaimer.: Naruto não me pertence. Se assim fosse Sasukete estaria morto, ou nunca teria arredado o pé de Konoha. :D
Sinceramente eu não morro de amores pela Hinata, mas eu achei que devesse escrever um capítulo para ela, afinal nós nos assemelhamos no amor não correspondido que vivemos nas nossas vidas, então, fresquinho para vocês, fãs da Hinata-chan, o novo capítulo da minha fic (um dos mais longos por sinal) Hinata/Ela.
Tema.: Casamento
Shipper.: Naruto & Sakura
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Capítulo IV – Hinata/Ela
(Kitto kimi wa itsu no hi ka)
Porque certamente algum dia você estará
(Kono sora wo toberu hazu dakara)
Voando por esse céu
(nando tsumazuita to shitemo)
Não importa quantas vezes você caia
E foi assim que tudo começou. A neve caia forte em Konoha e eu chorava. Chorava como se não houvesse mais amanhã. Devia ter por volta dos seis anos naquela época e fora a primeira vez que meu pai me chamara de fraca. Havia doído bastante.
Algumas pessoas do Clã haviam dito a ele que eu nunca seria uma ninja e se fosse, morreria na primeira missão. Ele nunca mexera um músculo para me defender dos comentários maldosos. Os anos se passavam lentamente. Anos de treinamento duro e árduo, sempre dando o meu máximo e sempre vendo Neji se sair muito melhor que eu, mesmo treinando bem menos.
Então de repente me vi voltada muito mais para os deveres de uma dona de casa normal. Sabia cozinhar, bordar com perfeição, tocar diferentes tipos diferentes de instrumentos musicais e cuidar muito bem de um homem. Mas infelizmente isso de nada adiantava, já que como sucessora do Clã Hyuuga, teria ser shinobi, mesmo que fosse para morrer na primeira missão.
Então escutei novamente dos lábios do meu pai enquanto treinavam para o Exame da Academia "Você não serve. Nunca servirá. Kami me puniu ao dar-me uma filha ainda por cima fraca." As lágrimas saíram quentes, mas dessa vez elas não vieram por tristeza e sim por raiva, por angústia, por desprezo. Corri como nunca havia corrido na minha vida e acabei parando em uma área de floresta onde muitos ninjas paravam para treinar.
Fiquei quieta, pois ouvi alguns barulhos. Deveria ter alguém. Levantei um pouco a cabeça e vi uma figura alaranjada batendo em um tronco de árvore. Era um garoto de cabelos louros como o sol, tão brilhantes... Eu mais do que imediatamente me encantei. Até que ele caiu e eu corri para ajudá-lo. Sempre carregava uma pasta curativa dentro do casaco, já que muitas vezes tinha que ajudar Neji com os ferimentos que constantemente adquiria em seus treinamentos com meu pai. Eu me agachei perto dele e o garoto abriu os olhos, tão azuis como o céu acima de nós.
Um calor tomou conta do meu rosto e rapidamente abaixei a cabeça, esticando-lhe os braços com a pasta. Ele virou-se para mim com uma cara confusa e eu me arrependi de ter saído dos arbustos.
-O que é isto? – Ao pegar o pote da minha mão os dedos dele tocaram levemente nos meus e meu coração disparou, ele nem percebeu o contato.
-É-é u-ma paa-s-t-a c-urativa – Sempre fui tímida, mas definitivamente não sei de onde havia saído àquela gagueira.
-Ah, muito obrigado, mas eu não preciso. – No momento que ele disse isto me senti um pouco ferida, mas ele levantou o braço que deveria estar machucado e então pude ver que ele realmente não precisa porque não havia nenhum arranhão. – Me curo fácil. E qual é o seu nome? – De repente me peguei achando sua cara de curioso uma graça.
-Hin-a-t-a. H-yuu-ga H-ina-ta. – Ele sorriu e eu imediatamente tive vontade de sorrir junto.
-Prazer, Uzumaki Naruto, o próximo Hokage da Folha dattebayo! – Ele fez um sinal de positivo e eu corei. –De qualquer forma, tenho que ir, o Ichiraku me espera e Hinata-chan, se esforce, ok? Nada na vida vem de jeito fácil. – Ele sorriu e começou a caminhar.
Então eu decidi que seria melhor. Melhor ninja, melhor tudo, só para algum dia poder chegar aos pés dele, ser mulher para ele. E eu me esforcei tanto que cheguei a lugares que nunca poderia imaginar que chegaria, conquistei amigos, e até meu pai que sempre jogava na minha cara a tal da inutilidade que ele me acusava ter sumiu de repente. Eu pude sentir orgulho de mim mesma e viver sem arrependimentos.
Eu finalmente me sentia preparada. O vi crescer e se transformar no magnífico ninja que era hoje, na figura forte e bonita sem perder a graça da criança que sempre viveria dentro dele. Até que em um momento crítico, tentando o salvar disse que o amava. Ele me salvou também e mesmo pensando que iria morrer, sabia que se aquela fosse minha hora, eu iria feliz. Mas não morri, não naquele dia.
Aconteceu quando ele me chamou para ser madrinha de seu casamento com Haruno Sakura. Sempre soube da paixão que ele tinha por ela, mas também sabia que ela amava Uchiha Sasuke. Essa era minha única chance de ser feliz com o amor da minha vida. Enquanto ela ainda gostasse do Uchiha, eu estaria salva. Mas naquele dia que ele apareceu com um sorriso do tamanho do mundo na porta da minha casa soube que tudo havia acabado para mim.
E eu pensei, apesar de ser bonita e discípula da Gondaime, o que ela tinha que eu não tinha? Eu sabia tomar conta de uma casa, vinha de boa família, fui educada da melhor forma possível para ser uma perfeita dama, era uma kunoiche bem forte, e o mais significativo dos meus argumentos: eu o conhecia melhor que ninguém. Sempre estive lá com ele mesmo que não me visse, algumas vezes por trás dos muros ou pilastras, dentro de arbustos... Então por que ele a escolhera? A garota que sempre o desprezou? Que nunca esteve lá por ele? Que sempre fora apaixonada pelo seu melhor amigo?
A resposta era dolorida e seca. Porque ela poderia ser a melhor garota do mundo para ele, mas o amor nem sempre escolheria o certo. Ele havia escolhido o que Naruto achava que era o melhor para ele, a pessoa com a qual ele passara os momentos mais difíceis, a pessoa que ele tivera os laços mais fortes. A pessoa que ele amava.
Então se ela não poderia o fazer feliz como mulher, não importa o quando isso a dilacerasse por dentro o iria fazer feliz como madrinha, amiga, como o que ele quisesse, porque ela faria tudo para que aquele sorriso que ele abria no seu rosto quando via Sakura não se desfizesse nunca.
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Ok, isso pode ter ficado meio depressivo, mas é como eu acho que a Hinata se sente, espero mesmo que vocês tenham gostado e deixem reviews expressando suas opiniões. Obrigada por lerem.
Ah, e é o primeiro (e único) capítulo narrado em primeira pessoa, vocês perceberam?
(Música.: For You – Azu)
