Os aldeões ficam surpresos quando...
Inuyasha retorna e...
Os moradores ainda processavam o que ocorreu, até que um deles exclama desesperado:
- Ela levou o corpo da Kaede-sama!
- Sem uma miko estamos perdidos!
- Mas, tem a Shizuka-sama. – um deles fala, olhando expectante para a jovem.
- Tem os fragmentos da Shikon no tama. Ela precisa busca-los.
Então, ocorre um murmúrio que gradativamente, mergulha os aldeões em pânico, com as mulheres abraçando fortemente os seus filhos, enquanto que as crianças choravam. As lágrimas das mulheres afetavam, demasiadamente, Inuyasha, que exclama:
- Calem-se!
Os aldeões se calam e olham para o hanyou, curiosos:
- Vou leva-los até as Terras dos meus pais! Lá, tem vilas humanas, assim como vilas de youkais. Conseguirei um lugar para vocês, já que como príncipe, possuo direito sobre as terras, assim como o meu anii-uê. Temos bastante espaço e tranquilamente pode ser acomodado mais uma vila. Peguem as suas coisas, o que puderem levar e usem todos os animais possíveis, que iremos até as Terras do Oeste. Serão vários dias de viagem.
Os aldeões murmuram entre si, visivelmente descrentes e Shizuka pergunta, sorrindo:
- É um príncipe?
- Não ligo para o meu título. Por quê? – ele arqueia o cenho.
- Fiquei surpresa. Não parece um príncipe tradicional.
- Fala daqueles idiotas que ficam em tronos ou em seus hans, apenas mandando, sem fazerem nada? Eles são uns idiotas. Não é a toa que os seus hans são tomados nessa época conturbada de guerras.
Um aldeão se aproxima e olha atentamente para o hanyou, que está com a típica postura dos braços cruzados no tórax e o mesmo arqueia o cenho:
- O que foi?
- É mesmo um príncipe? Com essas roupas?
- Essa roupa é feita com pelos de Hi no nezumi, o rato de fogo que vive em vulcões. É mais resistente do que muitas armaduras e aguenta as chamas, tranquilamente, já que esse youkai vivia próximo de vulcões. Além disso, não costumamos usar roupas espalhafatosas como os nobres humanos usam e que limitam seus movimentos. Além disso, sempre gostei da sensação da terra nos meus pés. – ele fala seriamente.
Outro aldeão se aproxima e pergunta:
- Vai nos ajudar, mesmo após tudo o que fizemos?
- Tenho os meus motivos – ele fala, virando o rosto, não revelando que eram as lágrimas das mulheres, pois era um segredo dele – Agora, coloquem tudo o que puderem nas carroças.
Uma aldeã se aproxima com um bebê nas costas, preso por duas tiras que circundavam o seu tórax e fala:
- Temos pessoas doentes e mulheres grávidas, próximas de dar a luz. Não sei se elas aguentariam a viagem.
Inuyasha revira os olhos e depois suspira, se virando de costas para ela, exclamando:
- Jiraya! Eu senti o seu cheiro!
Então, após alguns minutos, eles ouvem um som de algo sendo chupado e Inuyasha, após alguns minutos, dá um tapa em seu pescoço e eles vem algo pequeno, flutuando, até a sua mão, para depois ele mostrar a eles, com Shizuka olhando curiosa para o pequeno youkai.
- Este é Jiraya. É um servo nomiyoukai (youkai pulga), dado pelo meu chichi-uê, quando eu era um filhote.
- Prazer em conhecê-los - se vira para Shizuka, com um olhar bobo - És uma bela humana... Qual o seu nome?
- Me chamo Shizuka Higurashi.
A jovem fica confusa ao ver Inuyasha estreitar os olhos para a pulga, enquanto a esmagava com os dedos, falando ameaçadoramente:
- É bom manter as suas patas longe da Shizuka-chan, se tem amor a sua vida, seu pervertido. Assim como, mantenha distância das outras mulheres dessa vila, entendeu?
Nisso, as aldeãs se afastam assustadas por causa da pulga pervertida.
- Sim, meu príncipe. Se bem, que vai me dizer que não está querendo "tirar o atraso", né? Aquela inbaya (prostíbulo) excelente, ainda funciona e...
As mulheres da vila se afastam do hanyou, sendo que ele ouve com a sua audição apurada, o que elas murmuravam:
- Ambos são pervertidos.
- Estaremos mesmo seguras?
Os maridos pareciam escudá-las com o corpo, olhando desconfiado para o hanyou que cora e exclama indignado:
- Não sou pervertido! Essa pulga que é pervertida!
- Quanto mais cedo assumir, melhor, meu príncipe. Lembra-se daquela orgia no inbaya, por mais de quinze dias, que fez com seis fêmeas youk...
Ele começa a apertar lentamente a pulga e fala, ameaçadoramente, rosnando guturalmente:
- Comente novamente sobre isso, que darei você ao Sesshoumaru, para testamos quando tempo uma pulga youkai aguenta o veneno tóxico e corrosivo dele.
A pulga fica apavorada e se prostra, humildemente, na mão do hanyou, se curvando várias vezes:
- Gomennasai, meu príncipe. É a idade sabe? A gente fala muito e...
- Não acredito. E se for mesmo verdade, é melhor começar a controlar a sua boca.
Então, ele olha para o lado e não avista Shizuka, ficando preocupado que ela tivesse se afastado dele, após ouvir Jiraya, até que avista ela vindo com a sua mochila e ao ver a face preocupada dele, pergunta, inocentemente:
- O que aconteceu? Por que todos estão com esse olhar?
- Não é nada. Tem certeza que pegou tudo? – ele fica aliviado ao perceber que ela não ouviu o que o seu servo disse.
- Sim.
- Não é melhor dar uma olhada, novamente? Só por garantia.
- É mesmo! Vou dar mais uma olhada. Tudo bem em deixar a minha mala aqui? – ela pergunta com um doce sorriso no rosto.
- Claro.
Então, ela se afasta e somente após se afastar, ele se aproxima dos aldeões e fala, ameaçadoramente:
- Se alguém contar a ela a conversa que tivermos, vai ficar nessa vila, exposta a youkais e bandidos. Compreenderam? – ele pergunta ameaçadoramente.
Todos acenam positivamente com a cabeça e após alguns minutos, Shizuka volta com um sorriso de satisfação nos lábios:
- Já peguei tudo. Muito obrigada por levá-los.
- Por nada. – ele fala corado.
- É melhor nos pegarmos o vaso funerário de Kikyou-sama, que está enterrada. – um aldeão fala.
Os demais consentem e se afastam, voltando após alguns minutos, com um vaso funerário sujo de terra. O hanyou olha para o vaso, perdido em recordações, sendo que a jovem notou o olhar perdido dele, sentindo pena do mesmo, pois, soube que ele a amava demais.
Então, Inuyasha fala ao servo:
- Viaje até as Terras do Oeste e solicite youkais capazes de carregar pessoas e levar peso. Se dependermos dos animais, iremos demorar muito tempo. Seguiremos a direção saru-tori (Nishi - Oeste)
- Sim, senhor.
Nisso, ele salta e desaparece na grama.
- Ele vai conseguir voltar a tempo? É que ele é pequeno e não voa.
- Ele pode ser folgado e malandro quando quer, mas, pode usar outros seres ao picá-los, detendo controle sobre os mesmos. Enquanto isso, vamos nos movimentar. Eu sinto o cheiro de vários youkais se aproximando, pois, já detectaram que a miko dessa vila foi assassinada e agora, podem atacar livremente. Além disso, esse fragmento irá atrai-los, também.
Nisso, eles abandonam a aldeia, seguindo viagem sobre o comando de Inuyasha e após alguns dias, os aldeões se assustam ao ver vários youkais, inclusive alguns onis.
Então, ficam surpresos ao verem eles se curvarem para o hanyou, sendo que um deles fala, respeitosamente:
- Nós viemos conforme ordenado, príncipe.
- Bem, carreguem esses humanos, tendo cuidado com as grávidas e crianças. Transportem os animais também e os outros objetos. – ele se vira para os aldeões e fala – Creio que não teremos problemas deles carrega-los, certo?
Os humanos olham dos youkais para o hanyou e consentem com a cabeça, ao perceberem que os youkais não iriam fazer nada com eles.
Então, eles pegam os humanos, animais e itens, partindo velozmente dali, sendo que Inuyasha oferece as suas costas a Shizuka que sorri, subindo nelas, com o mesmo correndo velozmente, subindo em uma árvore e pulando de galho em galho, tomando a dianteira dos youkais, ficando feliz ao ver que Shizuka estava deslumbrada, enquanto olhava em volta, sendo que apreciava o cheiro dela que era perfeito a ele, assim como era com Kikyou, com a sua fera interior rosnando de deleite, ficando feliz ao vê-la corar intensamente ao olhar para ele, assim como, sorrir timidamente.
Após algumas horas, eles chegam ao início das Terras do Oeste e todos avistaram vilas ao longe, sendo que passaram por uma que tinha humanos que olhavam curiosos para eles, sendo que muitos ignoravam os youkais, por estarem acostumados.
Então, os youkais param em frente às portas duplas imensas de um castelo imponente, cuja construção era diferente das outras, com os aldeões ficando embasbacados com a imponência do mesmo, assim como avistavam inúmeros soldados, ladeando as muralhas do alto, sendo que um deles, ao avistar Inuyasha, exclama aos outros:
- O príncipe Inuyasha-sama voltou! Abram os portões!
Os portões duplos imensos são abertos e Inuyasha se vira para os aldeões, falando:
- Fiquem aqui. Vou conversar com aquele que administra as terras e conseguirei um local para vocês. Fiquem com esses humanos, até segunda ordem.
- Sim, Inuyasha-sama. – os youkais falam em usino, respeitosamente.
- Vamos, Shizuka-chan.
Ela consente e sai das costas dele, sendo que dois vultos observavam eles pela janela e ambos estavam abraçados.
Shizuka fica em uma perda de palavras, conforme olhava as litografias, espalhadas pela espaçosa sala, assim como via os moveis requintados e igualmente luxuosos, com todo o lugar emanando imponência e luxo, tal como a construção.
Ela vê uma serva se curvar para Inuyasha, que fala:
- Chame o responsável pela administração das terras. Este Inuyasha sente o cheiro dos meus honoráveis genitores. O imperador e a imperatriz voltaram há algum tempo ou foi agora?
Shizuka notou que a fala dele ficou demasiadamente formal, como os nobres falavam naquela época. Fora do castelo, ele estava mais relaxado. Inclusive, percebeu que a postura dele mudou desde que pisaram nas Terras dele.
- Foi há poucas horas atrás, meu príncipe. O imperador se reuniu com o general e o administrador das terras, para saber o que aconteceu nas décadas que esteve ausente.
- Alguém contou a minha haha-uê, o que aconteceu comigo?
Antes que a serva pudesse responder, Inuyasha ouve a voz preocupada de sua genitora:
- O que aconteceu com você, meu filho?
Então, a serva se retira, fazendo mais uma mesura, enquanto se afastava dali, sendo que Shizuka olhava surpresa para a bela monarca que descia com graça e leveza, assim como exibia um semblante gentil e bondoso, com um doce sorriso nos lábios.
Ela se aproxima da jovem, sorrindo, com a mesma se curvando levemente, sendo que Izayoi fala com uma voz gentil e igualmente amável:
- Não precisa se curvar para esta Izayoi, jovem. Ainda mais que é a namorada do meu filho.
Shizuka cora três tons carmesim, enquanto que Inuyasha se aproximava, falando:
- Não é a minha namorada... Assim, nos conhecemos há alguns dias. – Inuyasha falava corado.
Então, a mãe afaga maternalmente a cabeça de seu filho, enquanto ria levemente, falando:
- Como sempre tímido.
- Não sou mais um filhote, haha-uê.
- Para esta Izayoi, sempre será meu eterno filhote. Até parece que foi ontem, que o segurei em meus braços. Você era tão pequeno.
- Este Inuyasha já tem trezentos anos, haha-uê.
A jovem fica surpresa, olhando com os olhos arregalados para o hanyou e depois para a mãe dele, com Inuyasha arqueando o cenho:
- O que houve?
- Quase trezentos anos?! Mas, não aparenta ter mais de dezoito. E a senhora parece ter menos de vinte anos.
- Esta Izayoi foi marcada por um daiyoukai. Quando um youkai marca um humano, o tempo do humano para. Ele não envelhece mais, enquanto o youkai viver. Claro que se for um daiyoukai, mesmo que ele venha a falecer, os efeitos irão perdurar por várias décadas, até o humano começar a envelhecer, sendo que poderá ficar doente nesse período. Um humano marcado por um youkai tem a sua resistência, força e agilidade aumentadas. Um pouco. Com um daiyoukai será bem mais. Faz muito tempo que não conheço a doença. Eu tenho trezentos e dezoito anos. Tive Inuyasha com dezoito anos. O meu companheiro esperou dois anos para termos um filho, após esta Izayoi se casar com dezesseis anos. Um ano depois que conheci ele.
Shizuka processava o que ela disse, sendo que ficou surpresa ao saber que ele esperou dois anos, pois, na época em que estava, era comum as mulheres darem a luz a partir dos catorze anos, sendo que tinha casos com treze anos de idade. Claro que por causa da pouca idade, a taxa de mortes em decorrência da gestação em idade tão jovem, com o corpo não estando ainda capaz de comportar tranquilamente uma gestação, a tornava de alto risco, juntamente com os partos normais, já que não existiam cesarianas, para muitos casos que necessitavam de intervenção cirúrgica.
Naquela época, só havia o parto normal e o índice de morte era alto, juntamente com um corpo jovem demais.
Como se lesse o pensamento dela, Izayoi fala:
- Nós possuímos uma biblioteca imensa e Oyakata já havia viajado pelo mundo. Ele assimilou muito conhecimento e me contou dos riscos de uma gestação e que desejava esperar até eu ter dezoito anos, para que não fosse uma gestação de risco. Inclusive, mesmo com dezoito anos, um curandeiro renomado e oficial das Terras do Oeste, com terras próximas do castelo, dadas pelo meu esposo, sendo um youkai e que casou há um século, atrás, com uma humana e que tem um filho hanyou, chamado Jinenji, acompanhou a minha gestação, trezentos anos atrás. Oyakata passou nove meses, preocupado comigo e somente ficou tranquilo, quando Inuyasha nasceu. Por ele saber quando estou em meu período fértil, pode evitar que eu fique gestante.
Shizuka fica surpresa e se vira para Inuyasha, sendo que estava corada e pergunta:
- Pode saber quando uma mulher está fértil?
- Sim. É fácil. O cheiro de vocês fica mais adocicado e igualmente tentador. Para evitar problemas de youkais perderem o controle com o odor das fêmeas humanas, já que ficam férteis uma vez por mês e por vários dias, ao contrário das fêmeas youkais que compreende alguns períodos, de alguns dias, uma vez por ano, na maioria dos casos, os youkais tem que manter distância mínima de vilarejos humanos e de fêmeas humanas. Em muitos casos, a tentação é grande demais e youkais inferiores, podem não conseguir conter a sua volúpia youkai, ao contrário dos superiores, sendo que são estes que possuem algum contato com as vilas humanas. Para evitar problemas, sendo que estupro é punido severamente, os inferiores tem que manter distância. Os humanos, por sua fragilidade, são especialmente protegidos. Uma fêmea humana nunca conseguiria deter um youkai macho, ao contrário de uma youkai fêmea. Por isso, tomamos cuidado redobrado com os humanos. Entendemos a sua fragilidade. Inclusive, para os youkais, a vida dos humanos é efêmera.
- Bem, de fato, se não for marcado, um humano dificilmente vive mais de cem anos. Considerando o fato que tem trezentos anos e ainda é jovem, não estou surpresa pelos youkais verem a vida dos humanos como efêmeras. – Shizuka fala pensativa.
- Mas, vocês possuem a esperança e uma grande vontade de viver, assim como lutam, arduamente, contra as adversidades. Considero os humanos fascinantes.
Izayoi vai até o seu amado, com Shizuka olhando para trás, para a origem da voz, identificando como sendo do daiyoukai de rabo de cavalo e orbes dourados, com uma armadura imponente, acreditando que era o pai de Inuyasha.
Inclusive, podia sentir o imenso poder dele e apesar de ser uma áurea que podia intimidar muitos, ela sentia bondade e gentileza, com ele sorrindo gentilmente, conforme a observava. Era diferente da áurea de outros youkais que viu, além de sentir nobreza nele. De certa forma, era distinto e ela sentia isso.
- Você não nos apresentou essa bela humana, filho. – Oyakata pergunta gentilmente, olhando bondosamente para Shizuka – Além disso, sinto um grande poder espiritual nela.
- Esta é Shizuka Higurashi. Ela não é dessa época.
- Por isso, a roupa estranha. – Izayoi comenta – Eu ia perguntar sobre a roupa.
Nisso, Shizuka explica sobre a sua era e como veio parar ali, assim como sobre Kagome, ocultando o inferno com a sua família, além de falar da shikon no tama que estava com ela.
- Poço Honekui (comedor de ossos)... Mesmo esse Oyakata, já ouviu falar sobre ele. Pelo visto, está conectado ao tempo. Este Oykata acredita que a Shikon no tama, permitiu que vocês passassem por ele. Pelo menos, isso me tranquiliza. Os youkais não podem ir até a sua era. Se bem, que por precaução, vou fechar aquele poço, para sempre.
- Seria o ideal, senhor.
- Pode me chamar de Oyakata. É praticamente da família. Ou melhor, seria dizer, em breve será.
Ele sorri para seu filho que cora e fala:
- Chichi-uê, o senhor também?
- Nós vimos da janela, você chegando com ela em suas costas. Isso para mim já basta.
Inuyasha fica corado e dobra os braços na frente do corpo, enquanto virava a cabeça para o lado.
Outro daiyoukai de semblante gentil se aproxima, usando vestes requintadas, assim como uma armadura, se curva para a jovem, para depois, se curvar para Inuyasha, que percebe pelo cheiro que era um daiyoukai morcego:
- Fico feliz com o retorno do príncipe. Jiraya me falou sobre os aldeões, lá fora.
- Preciso que encontre um local para eles ficarem. – Inuyasha abandona a sua postura anterior e fala seriamente – Seria bom um curandeiro visita-los. Estava pensando no pai do Jinenji, vê-los. Há alguns feridos e gestantes. Também vão precisar de madeira para erguer as suas casas.
- Irei ordenar que seja providenciado tudo o que precisam. Tem um local, não muito longe daqui. Dá para acomodar, tranquilamente, uma vila humana. Irei informa-los, assim como falarei das regras para morar nas Terras do Oeste. Imagino que os youkais ainda estão lá.
- Sim. Este Inuyasha os mandou esperar.
- Ótimo. Irei orientá-los onde deixar os humanos. Com a sua licença, senhorita, príncipe e imperadores.
Eles acenam com a cabeça, inclusive Shizuka, de forma tímida, pois, sentia que aquele youkai era bondoso, também.
- Quem é ele, chichi-uê? Eu também sinto um cheiro fraco de hanyou. Não dele, que é de koumori (蝙蝠) daiyoukai (grande youkai morcego), pelo nível de poder que ostenta.
- Ele se chama Tsukuyomaru (月夜丸 – ciclo da noite da luz da lua). Há alguns anos, este Oyakata o encontrou rastejando na praia, gravemente ferido, tentando ir até uma vila humana, ao longe. Consegui salvá-lo e depois, destruí o seu clã a pedido dele, já que o pai dele o tentou assassinar e para dar paz aos aldeões que viviam no litoral e que eram caçados pelo seu clã. Depois, ele pegou a sua humana e a sua filha, hanyou, da aldeia em que viviam, para sair do litoral, sendo que ofereci a ele a vaga de Administrador das Terras do Oeste, já que Yamagushi se aposentou por causa da idade, após séculos de devoção ao trabalho. Ele tem uma mansão em uma vila próxima daqui, onde reside a sua fêmea e filha koumori hanyou (meia youkai morcego). Ela se chama Shiori (紫織 – tecido violeta). Deixei um pergaminho real, contando da minha decisão, para ele ser recebido pelas Terras do oeste, ter uma vila para si e para assumir a posição de Administrador das Terras do Oeste, para que Yamagushi pudesse se aposentar.
- Então, alguns anos antes, já haviam voltado ao arquipélago?
- Sim. Mas, desejei mostrar alguns lugares muito especiais a sua haha-uê e demoramos em retornar ao castelo.
- Entendi.
- A Shiori-chan é tão fofa. Estou pensando em convidar ela e a sua mãe, para tomarem um chá. A última vez que esta Izayoi a viu, ela era só um bebê.
- É uma ideia excelente, meu amor. – Oyakata fala sorrindo.
Inuyasha sentiu a pulga pulando nele e se escondendo atrás do haori, sendo que seguia a conduta dos servos de se ocultar, somente se revelando a pedido dos seus senhores.
- O velho Myouga continua covarde como sempre? – Inuyasha pergunta.
- As pulgas youkais são muito úteis, meu filho, principalmente para nos proteger de pulgas e carrapatos. Lembra-se de quando era filhote e foi infestado por pulgas e carrapatos, pois, desobedeceu a sua haha-uê ao brincar em uma parte da floresta que não era para explorar? – Oyakata fala, vendo Inuyasha tremer com a lembrança, ameaçando se coçar – Ainda bem que este Oyakata estava no castelo e Myouga combateu todas as pulgas e carrapatos. Sesshoumaru não tem esse problema por causa do veneno tóxico e corrosivo dele, bastando exalar pelos poros. E sim, não mudou nada. Já é idoso. Não pode exigir alguma mudança.
- Engraçado como ele não é lento como os idosos para fugir, quando necessário. Inclusive, ele é bem rápido para fugir, quando deseja.
- Inuyasha-sama, isso é maldade. – Myouga surge de trás do haori de Oyakata.
- Apenas falei a verdade.
- Filho, o que aconteceu com você em nossa ausência, quando viajávamos pelo mundo?
Inuyasha conta resumidamente, assim como o que aconteceu quando ele despertou e depois sobre Kagome, sendo que a mãe dele o abraçou, com Shizuka vendo a tristeza da senhora ao saber o que aconteceu com o seu filho.
- Uma sacerdotisa colocou uma nenju no kotodama em meu filho?! Ousou colocar uma coleira ordinária em minha cria, para torna-lo seu escravo?! – Oyakata exclamava indignado, enquanto rosnava – Eu teria arrebentado essa coleira de você e de quebra, teria punido essas duas sacerdotisas. Uma por ter ousado colocar essa coleira ordinária em meu filho e a outra por desejar que a coleira desprezível persistisse.
Era possível ver a indignação do Grande cão branco ao imaginar o seu filho um escravo, a mercê dos caprichos de uma garota mimada e arrogante, como se fosse um escravo particular em decorrência da coleira que usaria.
- Meu pobre filho... – Izayoi fala visivelmente chocada – Como esses monstros puderam colocar uma coleira ordinária em você? Quanta dor e sofrimento, assim como humilhação você sentiu, enquanto era subjugado pela coleira desprezível, a simples menção da kotodama, meu filho...
Era possível ver os lábios trêmulos de Izayoi e os orbes úmidos ao imaginar o que aconteceu com o seu amado filho. A dor e o choque no semblante da imperatriz eram nítidos.
Inuyasha se lembrava da dor e da humilhação, enquanto fora convertido, momentaneamente, em escravo por um humano. Não era só a dor e sim a humilhação de ficar a mercê dos caprichos de uma humana, que podia puni-lo, em público, para todos verem, sempre que desejasse e inclusive, humilha-lo em público por ser seu escravo, obrigado a se curvar a todos os caprichos de sua dona, através da nenju no kotodama, que nada mais era, do que a escravidão de um youkai ou hanyou através de uma palavra, convertido em escravo de um humano, obrigado a servi-lo e orando para não ser punido, brutalmente.
- Muito obrigada, Shizuka-chan, por tê-lo salvado da escravidão e por ter tratado dele, após o sofrimento e humilhação que foi imposta ao meu amado filho.
A imperatriz olha emocionada para a jovem, sendo visível o agradecimento em seus olhos, sendo o mesmo para Oyakata que fala:
- Muito obrigado por salvar o meu filho e de quebra, tornar inútil qualquer tentativa de subjugação pela kotodama. Ou seja, ele não corre mais o risco de ser um escravo de um humano. Nós estamos em débito com você. Ou melhor. Todo o reino está em débito com você, por ter salvado o nosso filho e um dos príncipes desse reino.
- Eu não podia permitir que ele fosse escravo. Eu achei uma barbaridade o fato de colocarem aquela coleira ordinária nele. Fico feliz em saber que ele nunca correrá o risco de passar por algo assim, de novo. Além disso, não estão em débito comigo. Eu só queria salvá-lo e fico feliz de ter conseguido isso.
- Se soubéssemos do selamento e da coleira desprezível, teríamos voltado o quanto antes e usaria o meu poder para destruir aquela flecha e aquela coleira. Não há poder de miko, suficiente para me deter. Este Oyakata o teria libertado há muitas décadas atrás, se soubesse o que aconteceu com você.
- Kikyou-chan teve uma vida sofrida. Pelo que eles falaram, acredito que alguém nos enganou. Com o passado triste dela e o fardo de proteger a joia de inúmeros inimigos, diariamente, sem trégua ou descanso, ela acabou acreditando na mentira e comigo não foi diferente. Este Inuyasha acreditou que ela me atacou. Se tivesse confiado mais nela, não teria acreditado no ataque e nada disso teria acontecido, pois, não haveria sangue em minhas mãos e conseguiria caçar o responsável. Este Inuyasha era imaturo, na época e também havia me esquecido do fato de que há youkais, capazes de assumirem a forma humana e que havia uma joia muito almejada por youkais.
- Não atacou nenhum humano, filho?
- Não, haha-uê. Eles mesmos que incendiaram a sua própria vila ao tentarem me atingir.
Oyakata olha para o seu filho e pergunta:
- Queria ser um youkai completo?
- É que aquele meu pequeno problema, como devem saber, me incomoda. Ficar tão fraco ao perder os poderes que normalmente possuo é uma sensação horrível. Eu me sinto tão vulnerável e a sensação de fraqueza, mesmo por um curto período, é angustiante. Você não ter poderes, tudo bem. Mas, quando você tem poderes, força e resistência e subitamente as perde, ficando fraco, é horrível. Não odeio ser hanyou, apenas queria acabar com a angústia desse período que sou obrigado a passar, todos os meses, até o fim da minha vida. – ele fala envergonhado, não conseguindo olhar nos olhos de sua mãe.
- Ainda deseja ser um youkai completo? Este Oyakata compreende os seus sentimentos e de fato, não sei como é isso, pois, somente outro hanyou entenderia o seu sofrimento.
- Não. Parece que a joia, possuí a pessoa, por assim dizer. Ela é muito perigosa. Por isso, vou partir em uma jornada, atrás dos fragmentos. Shizuka-chan virá comigo. Ela pode localizar os fragmentos.
- Acredito que é por ser reencarnação de Kikyou. Isso explicaria a joia dentro dela. – Inu no taishou fala pensativo – Como ela nasceu com a joia em seu corpo e a carregou a vida inteira, está ligada, de certa forma, aos fragmentos. Por isso, consegue localizá-los.
- Haha-uê, este... – o hanyou começa a falar envergonhado, sem ter coragem de olhar para a sua genitora – Este Inuyasha...
Ela o abraça e fala, beijando maternalmente a cabeça dele:
- Tudo bem. Imagino o quanto deve sofrer. Não se sinta mal. Imagino que é bem intenso, para desejar tanto assim ser um youkai puro.
Shizuka não compreendia muito, o que eles falavam, sendo que somente sabia que Inuyasha passava por um período difícil todo o mês e isso a angustiava. Agora, o fato dele ter desejado a joia no passado, faz sentido. Pela forma que ele falava, era demasiadamente angustiante. Não sabia o que era, mas, esperava poder fazer algo por ele.
- Mas, antes de partirem em uma jornada, poderiam descansar essa noite. Aposto que a Shizuka-chan adoraria tomar um banho relaxante e se alimentar bem. Vocês podem partir amanhã cedo. – Izayoi fala, se acercando de Shizuka.
Inuyasha consente e Izayoi a leva pessoalmente ao andar de cima, sendo que uma serva aparece e ela pede, gentilmente, algumas coisas, com a mesma se curvando, para depois se retirar dali.
- Venha, vamos conversar, meu filho. Soube que Sesshoumaru está voltando as Terras do Oeste e parece que está com um filhote de humano. – Inu no taishou fala ao seu filho.
- Um filhote?
- Uma pequena fêmea, segundo os boatos.
- Bem, ela deve ser órfã ou algo assim, para estar viajando com ele.
- Provavelmente. A sua haha-uê está ansiosa para conhecê-la.
- Não duvido disso.
Nisso, eles andam por um corredor, colocando o assunto em dia, com Inuyasha sabendo que graças a Sesshoumaru ter mudado por causa de Reika, ele usou a Tenseiga no genitor deles para ressuscitá-lo, após o seu pai enfrentar Takemaru de Setsuna, sendo que o ferimento mortal de Ryuukousei havia provocado a sua morte. Inuyasha agradecia a Sesshoumaru por fazer isso, pois, graças ao seu ato, pode conhecer o genitor deles. Se o seu irmão não o ressuscitasse, ele seria órfão de pai.
Mais tarde, naquele dia, Izayoi emprestou roupas para Shizuka, sendo que chamou uma costureira, para fazer algumas roupas, sendo algumas delas em estilo de sacerdotisa para a jovem que sorria e muito ao vestir um belo quimono, com algumas camadas, para o jantar daquela noite.
Por insistência da genitora e mesmo não estando com fome, Inuyasha se limitava a beliscar algo e beber sakê. O seu genitor bebia somente sakê e as humanas comiam, até que uma serva entra na sala imensa de jantar e após se curvar, fala respeitosamente:
- O príncipe Sesshoumaru-sama, chegou com uma humana e seu servo.
O inudaiyoukai, as humanas e o hanyou se levantam e vão até o salão, avistando Sesshoumaru. O servo dele, Jaken, se prostra humildemente, cumprimentando a humana e os nobres, com o inuyoukai cumprimentando o seu genitor e madrasta, assim como o irmão, ficando surpreso ao ver ele livre do fuuin (selo), feito através de uma flecha espiritual.
Os olhos deles se voltam para a pequena humana que usava roupas rotas e estava suja, sendo que estava encolhida atrás de Sesshoumaru, olhando ressabiada para eles.
Shizuka e Izayoi se aproximam, dobrando os joelhos, exibindo sorrisos gentis, sendo que a imperatriz pergunta, gentilmente:
- Qual o seu nome?
A garota olha para o seu salvador que consente com a cabeça, falando:
- Essas humanas não vão lhe machucar. Não são como os aldeões de sua vila.
Ela sai de trás dele e se apresenta, sorrindo timidamente:
- Me chamo Rin.
- É um belo nome. – Izayoi fala, afagando maternalmente a cabeça da criança que adorava o carinho, pois, lembrava a sua mãe.
Além disso, ela ficou surpresa com o ato dela, pois, pelas camadas de quimono, demonstrava que ela era uma nobre, sendo que ela, Rin, era apenas uma camponesa.
A criança ia se curvar, quando Izayoi detém o ato dela, falando:
- Não precisa pequena. Praticamente, já é da família.
- Fico feliz que a tenha salvado, Sesshoumaru. Pelo que compreendi e pelo estado de suas roupas, ela era maltratada na vila, além de ser órfã.
- Sim, chichi-uê. Ela está me seguindo por livre e espontânea vontade.
- Vai voltar a sua jornada? – Izayoi pergunta curiosa.
- Sim. Vou deixar Rin sobre os seus cuidados.
A criança, que estava conversando com Shizuka, fala se aproximando do inuyoukai:
- Quero seguir o senhor, Sesshoumaru-sama. Rin quer ficar com Sesshoumaru-sama.
- Rin, você estará melhor aqui, no castelo.
- Ouça o Sesshoumaru-sama, Rin. Você estará em segurança, aqui. – Jaken fala, seriamente.
- Não vou incomodar. Rin promete. – ela olha para ele com os olhos pidões.
Sesshoumaru estava descobrindo, naquele instante, que não conseguia resistir, frente a aqueles olhos, assim como, quando ela estava com ele, dando a sensação de paz e a presença dela o confortava, sendo que somente sentiu essas sensações com Reika.
Inclusive, ao olhar para os olhos do filhote de humano, conseguia ver a sua falecida amada. Era uma sensação estranha, considerando o fato de que elas estavam separadas por séculos.
Além disso, a voz e o cheiro eram estranhamente iguais ao dela, assim como sentia possessividade, ao imaginar ela próxima de outros machos. Sua fera interior não apreciava tal sensação, sendo que era a mesma, em relação a Reika, no passado. Algo dentro dele rosnava, demonstrando que Rin era dele e de mais ninguém, além de matar qualquer um que ousasse tocar nela.
Claro que nunca iria fazer nada com ela, pois, ela era criança. Somente iria demonstrar seus sentimentos, quando ela fosse adulta, tendo mais de dezoito e autorizasse. Até aí, manteria a devida distância e sentia que a sua fera interior, estava deprimida por Rin ser apenas um filhote, ainda. Portanto, era intocável.
Afinal, se envolver com crianças e jovens era algo criminoso ao ver de Sesshoumaru.
Oyakata, Izayoi e Inuyasha perceberam a possessividade dele para com o filhote de humano e sorriam frente a esta constatação.
O inuyoukai suspira e fala:
- Tudo bem. Partiremos amanhã, na parte da manhã.
- Êba! Vou poder ficar com o Sesshoumaru-sama! – Rin exclamava animada, enquanto Jaken ficava boquiaberto, confuso pela mudança da ordem do seu senhor.
- Que bom, né, Rin-chan? – Shizuka pergunta com um doce sorriso nos lábios e a pequena concorda, com um sorriso meigo.
Izayoi suspirava feliz ao imaginar os netos de Inuyasha com Shizuka e os futuros netos por parte de Sesshoumaru e Rin, quando ela crescesse.
Oyakata viu o sorriso de sua companheira e pela marca, sabia que ela pensava em netos, com o inudaiyoukai começando a sentir pena de seus filhos, pois, de ambos, Inuyasha seria o mais cobrado, já que Rin ainda era criança e seu filho nunca tocaria em um filhote e que, provavelmente, iria esperar ela crescer.
Sesshoumaru chama uma serva e orienta onde Rin ficará, sendo que deverá ser preparado o banho dela, enquanto que iria buscar um quimono novo para ela.
A criança segue a serva, enquanto que os demais voltavam a mesa de jantar, sendo que Sesshoumru sai, deixando Jaken na sala, que esperava pelo retorno de seu senhor, até que Izayoi o convida para a mesa e ele aceita, se limitando a tomar saquê.
Sesshoumaru volta e leva o quimono até o quarto de Rin, com uma serva o pegando, sendo que pelo cheiro, sabia que Rin estava na banheira e pela voz animada dela conversando com a outra serva, devia estar apreciando o ôfuro imenso e o uso de essências na água. Para alguém que veio de uma vila, sendo que era camponesa, devia ser um sonho o que ela vivenciava e ele dá um raro sorriso, frente a esse pensamento.
Após alguns minutos, Jaken se levanta, assim que Sesshoumaru entra, falando para o seu servo pessoal avisar os estábulos, que ia levar AhUn, por causa da Rin e o servo faz uma longa mesura, antes de sair rapidamente dali, afoito para cumprir a ordem dada. O inuyoukai senta e começa a tomar sakê.
Após alguns minutos, Rin surge na sala opulenta, acompanhada de uma serva, que fecha as portas duplas, após a criança entrar, com ela agradecendo a serva, para depois olhar para o seu salvador, exclamando:
- Sesshoumaru-sama!
- Você deve estar com fome.
- Sim.
Animada, ela senta na mesa e começa a comer animadamente, sendo que ninguém estranhou a forma dela comer, pois, ela tinha uma origem humilde e não havia aprendido modos na mesa.
Além disso, Rin havia ficado deslumbrada com a mesa farta, uma vez que somente sonhou com tal mesa. Na vila, se conseguia pegar algum peixe do lago, escondido dos aldeões, era um milagre. Normalmente, comia apenas alguns grãos, não sendo o suficiente.
De fato, todos haviam notado que ela estava desnutrida e que carecia de uma alimentação reforçada e ao pensar nisso, Izayoi fala:
- Creio que seria bom adiar em uma semana a sua partida, Sesshoumaru.
Ele olha para Izayoi e depois para Rin, compreendendo a preocupação nos olhos de sua madrasta e fala:
- Fala de Rin, certo? Também percebi. Uma semana será tempo suficiente para ela ganhar peso.
Indiferente a conversa, a pequena continuava comendo animada, com os seus olhos brilhando com a comida e pelo sabor que era divino para ela, sendo um contraste com Izayoi, que comia com elegância e educação por sua ascendência nobre, sendo que Shizuka comia educadamente e auxiliava Rin, quando ela se engasgava, por comer muito rápido. Quando ela se engasga pela terceira vez, Sesshoumaru fala:
- Procure comer devagar Rin. Banquetes como o que está vendo, serão bem comuns. Amanhã terá mais.
- Terá mais? – ela pergunta com os olhos brilhantes – É tão gostoso!
- Sim. Portanto, pode comer mais devagar e mastigue bem,
- Sim, Sesshoumaru-sama.
Ela come com mais calma, saboreando os alimentos, sendo visível seu sorriso de imenso prazer.
Após comerem, eles se levantam, com Oyakata e Izayoi indo para o seu quarto. Shizuka foi para o quarto dela, ficando deslumbrada com a cama de dossel, como das princesas, sendo que os lençóis eram feitos da mais pura seda.
No quarto de Rin, a mesma pulava animada na cama, para depois esfregar o rosto e o corpo ao sentir a maciez extrema do tecido, sendo que nem mesmo, nos seus sonhos mais insanos, para uma camponesa, havia chegado perto de imaginar a sensação da seda. Ela estava vivendo um sonho e não queria acordar, sendo que Rin sorria quando sua mente era invadida pela bela visão do príncipe Sesshoumaru. Os olhos dourados dele, como sol e o símbolo de lua crescente em sua testa, a fascinavam, além dela ter adorado a pelagem dele que era extremamente macia, sendo que também viu a forma verdadeira dele e sorriu ao se recordar, ao abraçar extasiada, uma parte do focinho dele, enquanto sorria imensamente, deslumbrada pela imponência e beleza do enorme cão branco.
No quarto de Sesshoumaru, o mesmo olhava para a majestosa lua no céu, enquanto se recordava de quando encontrou Rin e depois da reação dela, quando fez o que ela pediu, encarecidamente, que era mostrar a sua forma verdadeira. Mesmo sendo um filhote, ainda, havia ficado deslumbrada e em nenhum instante o temeu. Ao contrário, quando ele baixou o seu enorme focinho, ela tentou abraça-lo, só conseguindo abraçar uma parte, enquanto afagava e sorria extasiada, com ele vendo os orbes amendoados imersos em fascinação, sem qualquer resquício de medo, conforme ficava animada, comentando o quanto era belo e imponente.
Ele deu um de seus raros sorrisos ao se lembrar da reação peculiar dela, tão distinta dos demais humanos, na mesma situação que a dela, pois, era a terceira humana, sem ser Izayoi e a sua falecida amada, Reika, que via a forma verdadeira dele e se maravilhava, sem temer um minuto sequer e segundo relato de seu pai, a sua madrasta agiu da mesma forma que Rin e ao se recordar do belo sorriso dela para ele, era inevitável não associá-lo a Reika. O sorriso e olhar de ambas eram idênticos, assim como a voz e o cheiro, sendo que estavam separadas por séculos.
Ele não sabia que Rin carregava uma discreta marca de nascença, que podia ser considerada similar a marca que fez em Reika, quando se vinculou a ela. A marca estava parcialmente oculta.
Conforme se lembrava da tarde que a conheceu, se recorda de que não pretendia seguir por aquela direção.
Porém, algo o impulsionava a seguir pela direção que tomou, encontrando Rin. Se fosse seguir o plano original, sequer se aproximaria daquela região e consequentemente, não iria conhecê-la.
Além disso, sentia que ela não lhe era estranha e Rin havia confessado que também tinha essa sensação ao revelar que havia ficado muda, pelo choque ao ver os seus pais e irmãos, sendo mortos brutalmente por bandidos, sendo que depois vivia sendo maltratada pelos aldeões. Somente após ser salva e conhecer Sesshoumaru, conseguiu falar novamente.
Ele suspira, enquanto saía de seus pensamentos e olhava novamente para a imensa lua no céu.
No quarto de Inuyasha, o mesmo observava o céu e havia recusado uma serva que se ofereceu para se deitar com ele.
No passado, após conhecer os prazeres do sexo em um inbaya, quando foi levado pelo seu genitor, sendo costume os pais levarem os seus filhos a tais lugares, ele também se deitava com servas que se ofereciam de livre e espontânea vontade a ele e a Sesshoumaru, em busca de prazer. De fato, ele já havia tido a maioria das servas e muitas, várias vezes, quando não eram várias de uma vez, sendo bem cobiçado entre as fêmeas, assim como Sesshoumaru.
Quando conheceu Kikyou, em uma de suas jornadas, não conseguia se imaginar com outras fêmeas e ao conhecer Shizuka, o pensamento de se deitar com outras fêmeas, soava como sendo traição, apesar dele não estar namorando ela. Algo o fizera perder a vontade de ter relações com outras fêmeas e somente desejava Shizuka, com a sua fera interior se rebelando por não poder toma-la, até que o hanyou silencia a sua parte youkai, a empurrando para dentro dele.
Ele suspira e olha para a lua, sendo que não imaginava que era a mesma situação com Sesshoumaru, que havia recusado a serva que entrou para se oferecer, pois, ao conhecer Rin, havia perdido o desejo de estar com outras fêmeas, sendo que a única exceção, é que não sentia o forte desejo que tomava Inuyasha, talvez, pela concepção de que ela era criança e seria errado sentir isso.
Portanto, se contentava em sentir a sua presença e cheiro que lhe confortavam e que gradativamente, curavam o seu coração, que parecia que iria explodir de felicidade, junto da pequena humana, embora ele fosse reservado e nada demonstrasse em seu semblante. O fato dela ser uma criança, somente intensificava isso. Precisava respeitar o fato dela ser um filhote e que teria que esperar ela se tornar adulta.
No quarto de Oyakata e Izayoi, a imperatriz suspirava feliz, sendo que com a renúncia da mãe de Sesshoumaru ao título de imperatriz das Terras do Oeste e posterior divórcio, pois, para ela, somente interessava o seu reino acima das nuvens por ser uma tennin inuyoukai, Izayoi havia se tornada imperatriz daquele reino.
Inu no taishou, que havia acabado de sair do banho, arqueia o cenho, frente ao suspiro de sua companheira e pergunta em tom de confirmação:
- Está ansiosa para ter netos, não é?
- Sim. Rin-chan ainda é criança e vai demorar um pouco. É mais fácil com Inuyasha e a Shizuka-chan. Estou ansiosa para ser avó. – ela falava, enquanto os seus olhos brilhavam.
Ele põe uma yukata leve com um laço e deita na cama, com Izayoi apreciando o espetáculo aprazível a ela, ao ver os músculos do belo inudaiyoukai trabalhando, conforme suspirava ao ver o corpo esculpido pelo mais habilidoso dos artistas.
Sorrindo de lado, notando o olhar dela para com o seu corpo e sentindo o leve odor de desejo que emanava de sua fêmea, ele deita na cama, chamando-a para os seus braços, com a humana deitando em seu tórax, sentindo o calor e o cheiro de seu amado, enquanto contornava alguns dos músculos do peitoral do mesmo que rosnava baixo de prazer, sendo que pergunta, roucamente:
- O que acha de termos mais uma cria? Podemos tentar uma princesinha, o que acha?
Ela se levanta levemente e sorri imensamente, falando:
- Adoraria ter uma menina. Tantas roupas fofas que posso colocar nela! – ela exclama animada.
- Mesmo que seja um macho, vou amá-lo, assim como amo os outros.
- Eu também. O que importa é que nasça com saúde. Quanto a ser menino ou menina, será o destino que vai decidir.
Ele deita em cima dela, falando roucamente:
- O que acha de começarmos a providenciar?
- Já estou fértil? – ela pergunta expectante.
- Não. Mas, podemos praticar. O que acha, meu amor? Treinar demais, nunca é ruim. – ele pergunta com um sorriso safado.
Mesmo após terem relações ao longo dos séculos, ela cora e fala:
- Sim.
