Capítulo 4
- Príncipe Zuko! - Um tripulante abriu com força a porta da cabine do dobrador de fogo.
Ele não demorou mais que cinco segundos pra se por de pé. Mal dormira essa noite. O primeiro motivo fora sua tentativa frustrada de conversar com o tio já que o mais velho se recusava a admitir que o tinha visto abraçar sua prisioneira. O segundo motivo é que ele realmente abraçara sua prisioneira. Por livre e espontânea vontade.
Maldita fosse ela e seus olhos azuis brilhantes e pedintes. Mas já chega! Fosse qual fosse o plano diabólico que a dobradora de água tenha em mente, o príncipe já estava farto de tudo! A partir daquele instante, ele ia mandar um serviçal entregar-lhe todas as refeições. Por que diabos ele não pensara nisso antes? Nunca mais ia vê-la!
- O que aconteceu?
- A prisioneira... ela... hum...
- O QUÊ?
- Ela parece estar doente.
- Vá acordar meu tio e diga-lhe para me encontrar na cabine dela! - E não foi isso uma coisa idiota a se dizer? Primeiro porque a cabine era dele e não dela. Nem nunca seria. E segundo porque era impressionante como nesses últimos dias as promessas feitas por ele e que a envolviam não chegavam a durar nem um minuto sequer.
XXX
- E então? - Zuko perguntou impaciente e andando de um lado para o outro.
- Você vai acabar criando um buraco no chão se continuar assim, sobrinho. - Iroh lhe afirmou.
- EU NÃO LIGO! - O príncipe gritou, fogo se formando em cima de seus ombros. - Esse é MEU navio e se EU quiser abrir um buraco, é isso que vou fazer! E quero ver quem é que se acha forte o bastante para tentar me impedir!
Iroh balançou a cabeça rindo e colocou uma das mãos na testa de Katara que jazia desacordada no chão.
- É muito raro isso acontecer... É como se fosse o oposto de uma febre. Ela está congelando.
- E? - Zuko gesticulou, impaciente.
- Mas acredito que ela ficará bem se descermos na próxima vila para procurar alguns remédios.
- Você saberia que remédios comprar?
- Eu li em um livro antigo sobre esse mal e acredito ser capaz de desenvolver uma cura.
O príncipe assentiu com a cabeça, tentando esconder o suspiro aliviado que deixou escapar.
- Devo advertí-lo, se ancorarmos, nos tornaremos um alvo muito fácil não só para o Avatar mas também para Zhao.
- Nós queremos ser um alvo fácil para o Avatar e eu não tenho medo de Zhao.
Iroh respirou fundo. Sabia que Zuko jamais se permitiria confessar para os outros que poderia estar desenvolvendo alguma espécie de sentimentos pela prisioneira, mas mesmo assim ele ainda tinha uma ponta de esperança que seu sobrinho fosse capaz de confessar para si mesmo. Entrar em negação de nada adiantava.
- Por fim, eu gostaria de fazer uma última recomendação.
Zuko ficou espantado com a seriedade que estava estampada no rosto de seu tio.
- O que é, tio?
- Eu acho que seria de uma importância imprescindível para a saúde da senhorita Katara se você a aquecesse com seu chii.
Um longo e tenso silêncio pairou entre eles e o dobrador de fogo mais jovem ia ficando cada vez mais vermelho a medida que imaginava.. NÃO!
- Se a situação for muito desconfortável para você, sobrinho, não há motivos para preocupação. Imagino que qualquer um de nossos tripulantes poderia...
- NÃO! - Zuko quase berrou, interrompendo seu tio. Essa era uma possibilidade que ele nem se permitiria cogitar. - Eu... isso a faria parar de sofrer? - Deixou essa frase escapar como um sussurro e olhou para as feições da garota - outrora leves e joviais - que agora pareciam rígidas.
Foi nesse exato momento que Iroh caiu na gargalhada. Sem o maior aviso prévio e sem a menor cerimônia.
Cinco segundos depois os tripulantes presenciaram estupefatos uma enorme e poderosa rajada de fogo quebrar o teto da cabine e ascender aos céus.
XXX
Duas horas se passaram e Zuko continuava queimando de raiva e, por mais que não fosse nunca admitir, vergonha. Seu tio já havia deixado o navio em busca de medicamentos e todos os outros tripulantes pareciam, com razão, tentar evitá-lo.
Observou a garota dormir e... Deus, ela ainda estava tremendo de frio mesmo com dois cobertores. Olhou para a porta relutante que ela pudesse se abrir repentinamente. Balançou a cabeça negativamente e xingou-se por até mesmo considerar a sugestão de seu tio.
Virou-se para deixar a cabine, mas a culpa não lhe deixava dar um único passo. Ela tinha ficado doente no navio dele... noite retrasada ela já não comera direito... E não é como se ele tivesse se importado com a saúde dela antes, mas... e quanto a promessa estúpida que fizera?
Afundou a cabeça nas mãos e suspirou fundo.
- Ninguém precisa saber disso. - Ele virou-se para ela. - Não que vá acontecer uma coisa desse tipo... - Corrigiu-se . - E eu não estou fazendo isso porque me importo, mas é que você não me valeria de nada se morresse e eu não posso correr esse risco. Entendeu? - Apontou para ela.
Seus ombros caíram ao não receber nenhuma resposta. Mas o que ele esperava? A garota estava doente e dormindo.
Deitou-se ao lado dela e relutantemente envolveu-a com os braços, procurando lhe passar calor. Suspirou de alívio ao sentir os músculos de Katara relaxarem com o toque. Bocejou e fechou os olhos. O último pensamento que passou pela sua cabeça foi: "Meu tio ia adorar isso".
Continua...
N/A: =ppp
eu sou podre, gente, desculpa, mas eu não resisti =p
