Shenanigan


Universo Alternativo. Desconsiderando o Epílogo (as always...). Pós-guerra.


Sinopse: Contratos de casamento são artimanhas de séculos passados, certo? CERTO?! | Uma pena que o mundo mágico seja ainda tão, uh, retrogrado em certos aspectos, Mr. Potter...

Sinopse²: Não seria a primeira ou a última vez que alguém fazia o mundo mágico de palhaço, de toda forma. Bônus por este alguém ser Harry Potter.

Disclaimer: Harry Potter e companhia limitada não me pertencem, blablabla. Tudo é da J. K. Rowling e da Warner, whatever.


Observação: Capítulo não betado.


Parte quatro

How do we measure embarrassment?


Como esperado, na hora do café da manhã metade de Hogwarts já sabia que tinham um quarto compartilhado. A outra metade repetia uma exagerada versão do incidente, alguma coisa sobre Hermione montando Harry como se o rapaz fosse um hipogrifo... Honestamente! Hogwarts era a pior espécie de "telefone sem fio" que conheciam. Provavelmente mais tarde iriam começar a dizer que Harry, Hermione, Lilá e Parvati estavam no quarto numa orgia.

Os altos e baixos desse lugar...

Ao entregar os horários na mesa grifinória, a professora Babbling só ofereceu uma advertência para Parvati e Lilá sobre a invasão do quarto. As aulas sequer haviam começado e ela não queria que a Grifinória começasse com uma pontuação negativa.

- x -

Se os olhos de Pansy Parkinson pudessem lançar adagas, Hermione já estaria morta. E muito provavelmente, Harry. O que por si só, fazia o dia de Hermione. Cada maldita vez que percebia Pansy lhe lançando olhares assassinos, Hermione lhe acenava com a mão esquerda, seu anel reluzindo dramaticamente na parede às suas costas. Um sorriso educado em seus lábios enquanto os olhos como pedras de gelo castanhas.

As pessoas eram espertas o suficiente para não comentar qualquer coisa quando reparavam a óbvia inimizade entre ambas as jovens mulheres. Nem sequer professores se envolviam. Bem, pelo menos enquanto não houvessem feitiços e maldições envolvidos, isto é. Ou não atrapalhassem as aulas.

Enquanto anteriormente Hermione preferia ignorar Pansy, o que era oh tão mais fácil que ignorar as indiscrições de Ron... Atualmente um olhar atravessado da outra garota a fazia sorrir sardonicamente. Causava-lhe um estranho prazer o óbvio descontentamento da garota sonserina.

Todos sabiam da cena que Pansy e seu pai fizeram em Gringotts... Ironicamente, Pansy ainda tivera a audácia de se sentir ofendida quando descobriu que seu contrato junto a nobre casa dos Black fora anulado.

Hermione podia "perdoá-la" por conta do contrato. Afinal não fora Pansy a responsável pelo contrato casamento entre os Black e os Parkinson. Mas Pansy não deveria ter mexido com seu melhor amigo. Ou tentado reativar o contrato. E enquanto isso, não deveria ter feito a cena que fez em Gringotts. Ou no ministério da magia. Mas principalmente e antes de tudo ela nunca, jamais, deveria ter tentado entregar Harry para o monstro psicopata Tom Riddle.

Não sentia qualquer remorso em provocá-la. E pra ser honesta, Hermione só estava esperando uma desculpa para enfeitiçá-la para uma realidade de dor e desespero. Se sequer pensasse em fazer algo além de lançar olhares para Harry, se tentasse se aproximar...

-Ela parece tão – Hermione procurou a palavra certa por um instante. – deprimida. Eu poderia dizer que o coração de Pansy está partido... - Fez um som zombeteiro com a boca. - Se ela tivesse um, quero dizer.

Harry engasgou com seu suco sem disfarçar a gargalhada. A morena, satisfeita consigo mesma, deu tapinhas nas costas do amigo e lhe ofereceu um guardanapo.

-Uau, Mione! Eu não sabia que tinha uma língua dessa – Simas Finnigan exclamou insinuante.

Hermione olhou para frente, lançando um olhar de desprezo para o rapaz. Enojada com seu tom e com a forma como se projetava, descaradamente flertando. – Não é como se me conhecesse realmente – retrucou por sua vez. Perguntando-se se no passado Hogwarts era assim também. Com qualquer um metendo o bedelho na conversa alheia. – Por favor, Finnigan, é Hermione. Ou melhor: sra. Potter. Eu não sou sua amiga.

As pessoas a volta finalmente desviaram o olhar da conversa. A vergonha por Simas (e o medo de estar sob o radar de escárnio de Hermione – que aparentemente voltara para Hogwarts com o espirito de uma harpia) maior do que a curiosidade. Bem, pelo menos por enquanto.

Harry tinha um sorriso repugnante no rosto, incapaz de esconder a diversão pelo mal estar do outro rapaz, que pelo menos teve a decência de corar furiosamente. Simas Finnigan era um babaca.

- xxx -

A primeira aula que tinham era poções. E o jovem casal estremecia só de pensar o que o velho Slughorn estava preparando para eles. Desde a noite anterior, no banquete de abertura, o senhor lhes olhava com um sorriso ofuscante. Pra ser honesta, Hermione estava surpresa que o homem conseguira manter-se afastado até o momento.

Harry e Hermione voltaram ao quarto para pegar o material necessário para o dia. E caminharam sem pressa para a sala de aula. Sendo 'protelar' era a única coisa que podiam fazer.

Harry quase tropeçou na entrada da sala ao observar o número de alunos no local: pouco mais de 15, além dele e Hermione.

Levou alguns segundos para lembrar que ano passado Hogwarts estava aberta... e das pessoas que estavam em Hogwarts – excetuando-se o quinto e sétimo anos, que por conta dos NOMS e NIEMs, em sua maioria optaram por refazer o ano letivo, preparando-se melhor para os exames - uma quantidade considerável dos alunos de fato havia passado de ano.

-É tão esquisito – Harry comentou em tom baixo para amiga, quando se sentaram. – Sinto como se eu fosse o novato aqui.

Hermione assentiu, analisando discretamente as pessoas na sala.

Gina ergueu a vista momentaneamente de sua conversa com uma garota da lufa-lufa, apenas para contorcer a boca numa carranca e desviar o olhar novamente. Ron estava numa das últimas cadeiras do local, sentado com Michael Corner, de todas as pessoas(*), e nem sequer lhes dirigiu um olhar.

Malfoy, que estava sentado ao lado de Teodoro Nott (mas não trocavam palavra), meneou a cabeça para eles em reconhecimento. Hermione quase pausou para encará-lo em choque. Apesar do sarcasmo no vagão dos monitores – mais bem: sua pergunta tola -, Draco permanecia civil quando precisava lhes dirigir alguma palavra.

Hermione pensou consigo que Hogwarts muito mais parecia um episódio de "A Ilha da imaginação" ou de "Doctor Who" que uma instituição de ensino... Com Draco sendo polido e evitando confrontos até agora. Ron sendo calmo, composto, evitando cenas. Pansy Parkinson desejando incitar uma briga judicial para ter o direito de se casar com Harry. E ela casada com Harry... Honestamente!

-Bom dia, meus queridos! – Slughorn cumprimentou animadamente. – Ah! Antes que eu esqueça... Senhor e senhora Potter – ele pausou em frente ao casal com um sorriso largo. – Madame Pomfrey deseja vê-los ao fim da minha aula – com um gesto exuberante ele retirou dois envelopes dourados do bolso e ofereceu aos dois. – E é claro, estão novamente convidados ao nosso pequeno clube.

Oh, este será um ano tão interessante... Harry suspirou.

- xxx -

Madame Pomfrey franziu o cenho ao avistar Harry e Hermione.

-Hm, a senhora queria nos ver?

-Eu gostaria de fazer um pequeno check-up com você, senhori... senhora Potter.

Hermione arregalou os olhos, pânico a consumindo de imediato. Ela desviou o olhar da curandeira, incapaz de esconder a crescente onda de medo. Ela não podia, de maneira nenhuma, fazer qualquer exame de rotina com Poppy.

-Por quê? – Harry indagou quando a amiga o encarou pálida. – Eu quero dizer, nós fizemos todos os exames antes de vir a Hogwarts, na Austrália, os médicos afirmaram estamos ótimos em saúde - A senhora pontuou um olhar para o estômago de Hermione. – Oh, ela não está grávida.

-Médicos? Não medibruxos?

Finalmente Hermione tornou a encarar a curandeira, já assentindo. – É apenas um rumor que aquela repórter horrível, Skeeter, iniciou. – acrescentou desgostosa. Nada como Rita Skeeter e sua máquina de rumores peçonhentos para fazê-la esquecer do pânico. – Não estou grávida.

Mesmo assim, Madame Pomfrey ainda parecia cética. A senhora se aproximou de Hermione e varreu sua varinha sobre ela. Meneando a cabeça com o que quer que uma luz azul saindo da varinha significasse. Hermione fitou intrigada, a mulher mais velha que parecia... desapontada.

Madame Pomfrey crispou os lábios e meneando a cabeça mais uma vez, os forçando a se sentar de fronte à sua escrivaninha. - Parece que não está mesmo grávida.

Hermione forçou a si mesma a não virar os olhos. – Foi o que eu disse.

Pomfrey a ignorou, resmungando alguma coisa sobre idade e como ela sabia mais. E entendia melhor. E eles não podiam estar levando a sério médicos. Assim como algo sobre a barbárie dos tratamentos trouxas... Hermione cruzou os braços ofendida, mas não disse nada.

Pomprey pegou um formulário, pena e tinta antes de finalmente voltar a encará-los. A expressão séria. - Que métodos contraceptivos estão usando?

Oh Deus. Não. De novo não.

Nem Hermione ou Harry havia se recuperado da conversa com a mãe da garota. Quase três meses atrás. Que insistira em empurrar algumas caixas de camisinhas nas mãos de Hermione, antes de afirmar que marcara consultada para "exames de rotina" – em outras palavras: exame de sangue, entre outros - para Harry e Hermione. Assim como uma consulta para a filha com seu ginecologista ("Não se esqueça de lhe pedir a receita para um anticoncepcional, amor!")...

Basta dizer, a senhora Granger queria ter absoluta certeza de que não ganharia um neto antes do ano letivo terminar. E que nesse meio tempo Harry e Hermione estivessem seguros (por isso o check-up).

Corando violentamente o casal ficou em silêncio, o que Poppy interpretou mal. – Por Merlin! Muito me surpreende que não esteja grávida!

-O quê?! – Hermione guinchou. – Nós... nós nos prevenimos – ela cutucou Harry.

-Ye-yeah – o rapaz gaguejou. – Camisinhas – Harry disse apressadamente. Apesar de tudo, eles tiveram que segurar a risada por conta do olhar de extrema confusão da curandeira.

-O que? O que é isso?

Harry e Hermione se entreolharam. - Você explica! – falaram em uníssono. Eles não puderam mais se controlar. Lágrimas surgiram nos olhos da morena enquanto ela segurava os lados do corpo rindo-se. E Harry tinha as mãos no rosto muito vermelho, uma gargalhada borbulhante escapando mesmo assim de seus lábios.

-Ok – Harry suspirou, tentando se acalmar. - Ok. Temos um novo recorde para "conversa bizarra" - Hermione assentiu, secando as lágrimas. Harry começou a rir de novo sob o olhar nada divertido da matrona. – Me desculpe. Me desculpe. É só... me desculpe – disse entre risos.

-Sinto muito, Madame Pomprey. Às vezes esquecemos que o mundo bruxo é tão diferente – Hermione se desculpou, mais composta. – Basicamente, é um método contraceptivo trouxa, além de prevenir todo tipo de doença venérea – De repente Hermione estava em seu modo professoral, tratou de explicar detalhadamente.

Quando Hermione terminou sua explicação, quase meia hora depois, Madame Pomfrey estava espantada e incrivelmente impressionada com as soluções do mundo trouxa. Ela estava tão fascinada que pedida uma amostra à Hermione e, de preferência, uma demonstração... Harry e Hermione se entreolharam mais uma vez, maldizendo a boca e as explicações completas da morena.

Hermione havia explicado que em escolas do ensino médio havia uma disciplina – educação sexual – que fazia demonstrações sobre como utilizar uma camisinha, outros métodos de prevenção, entre outras coisas. Madame Pomfrey ficara horrorizada – acreditando que a demonstração era feita nos alunos. Depois de mais uma leva de risadas de Harry e Hermione, o casal tratou de explicar que não. Que normalmente utilizavam algum material cilíndrico. Como uma banana, por exemplo.

Depois de prometerem uma demonstração a senhora, quando achassem um tempo livre... Madame Pomfrey voltou para suas indagações.

-Mas e se você esquecem da... camisinha? – ela testou o nome, franzindo o cenho.

-Oh, eu também estou usando pílulas anticoncepcionais.

Então mais uma leva de explicações.

-Mas então, não é algo cem por cento certo, os anticoncepcionais? – o casal negou com a cabeça. – E quanto às outras doenças? – estreitou os olhos.

-Nós fomos testados – Harry afirmou. – E, hm – coçou o pescoço sem jeito. - Somos os primeiros parceiros, uh, sexuais um do outro.

Jesus Cristo! Logo, logo eles teriam que começar um diário de mentiras contadas.

-Oh – Pomfrey parecia definitivamente surpresa agora. Harry e Hermione ficaram ainda mais vermelhos.

-Nós não somos apenas adolescentes hormonais, Madame Pomfrey. E acredite ou não, levamos o ato sexual muito a sério – Hermione retrucou com dignidade.

A senhora assentiu apenas. Então se ergueu ao encontro de seu armário de poções, fez uma rápida busca e voltou com um frasco pequenino. – Eu não tinha certeza se estava ou não grávida. Na verdade, tinha todos os suplementos vitamínicos prontos, se fosse o caso. Mas desde que não está grávida, aqui está – depositou a frente deles o pequeno frasco vidro. – É uma poção contraceptiva. Seu efeito dura uma quinzena. Até que tenham aprendido à minha satisfação, você, Hermione, virá aqui, pegar sua amostra.

- xxx -

Harry postou suas mãos na cintura da amiga. Desejando que elas ficassem paradas, mas incapaz de controlá-las de fato. Seus dedos se arrastavam distraidamente sobre o pijama dela.

Ele sentiu mais que ouviu a risada abafa de Hermione em seu peito. A morena ergueu a cabeça, lhe oferecendo mais uma pequena risada. – Você é tão sutil quanto um centauro, honestamente, Harry!

O rapaz franziu o cenho. – Eu não fiz nada.

-Oh sério? – ergueu a sobrancelha e então virou os olhos quando o moreno continuou a fitando. – Sabe que não consigo dormir enquanto fica movendo suas mãos – lembrou com condescendência. Em principal sua cintura, que era muito sensível.

Ela podia muito bem voltar para seu travesseiro – em perfeito estado e intocado, bem ao lado deles. -, mas o calor do corpo de Harry a acalentava e, enquanto sobre ele, dificilmente tinha pesadelos. Além do mais, Harry não se importava...

Eles podiam dormir nas posições mais esquisitas. Era ridículo! Algumas vezes nem conseguiam entender como terminavam em certa posição. Normalmente com Hermione praticamente montada sobre Harry. Embora vez ou outra, Harry acabasse sobre ela. Há tempos haviam desistido de dormir cada qual em seu lado... Sempre terminavam entrelaçados de toda forma.

-Oh! – ele comprimiu os lábios, irritado consigo mesmo. – Desculpe Mione – suspirou, movendo as mãos para as costas da garota quando esta voltou a deitar.

-Tudo bem – ela murmurou. Uma de suas mãos se erguendo para se fechar nos cabelos dele, a outra descansando sobre Harry, mas não fechou os olhos, esperando.

Ali. Pensou divertida.

Outra vez, as mãos do moreno passaram a se mover, ao momento vagando sobre sua região lombar. Apesar de lhe acalmarem, mesmo relaxarem, ainda não podia dormir.

-Harry...

-Desculpe!

Normalmente Harry podia deixar suas mãos quietas e mantê-las para si mesmo. Exceto, bem... Digamos apenas que certas manhãs eram menos constrangedoras que outras. Hermione considerou mentalmente. Não que ela pudesse falar muito também... De toda forma. Continuando.

A garota podia sentir pela forma irrequieta do amigo que este era um daqueles dias. Ele estava tenso e desconfortável; tentando não se mover para que ela pudesse dormir, sem muito sucesso, considerando suas mãos.

Ela ergueu a cabeça outra vez. - Qual é o problema, Harry?

Ele ficou em silêncio por incontáveis minutos, brincando com a cintura da calça dela, absorto. Tanto tempo que Hermione passara a se indagar se ele a ouvira.

-Ron não me dirigiu uma palavra hoje.

-Oh Harry.

-É só... Dessa vez é minha culpa.

-Não, a culpa não é sua! Se alguma coisa, a culpa seria minha. Eu tive essa ideia. Eu me voluntariei. Por Merlin, você poderia muito bem ter se casado com Gina!

Harry riu ironicamente, um som despido de qualquer emoção. – É, porque isso daria tão certo.

O tom dele não era exatamente amargo, apenas sarcástico. Quando Hermione perguntara, certa vez, sobre o que ele faria quanto a sua ex-futura-provável-namorada, Harry havia confessado que nunca poderia tentar isso com Gina, mesmo se não fosse de mentira. Principalmente se não fosse de mentira.

Havia ficado afastado um ano inteiro e agora mal sabia como agir ao redor da garota. Não que tivessem muita interação, desde que Gina simplesmente agia como se ambos não existissem. Bem, azar.

Harry se sentia culpado por não sentir falta do que deveria ser a paixão de sua adolescência. Mas toda vez que olhava para trás, só lembrava de beijos e caricias quentes e era atingido por uma sensação forte de frivolidade em principal quando, inadvertidamente, lembra-se de seu término.

O que afinal fora aquela merda?!

Hermione quase tivera um surto quando Harry o descrevera. Risque isso, a morena ficara tão ofendida em seu nome que ele tivera que acalmá-la, afirmando que não era realmente nada demais e que só confirmava que, no fim, fora melhor se afastar. Fora a melhor decisão tomada.

-De toda forma. Isso não é culpa de ninguém. É idiota que tenha parado de falar com você – conosco - por uma escolha que ele nunca teve pra inicio de conversa!

Harry não disse nada. Hermione tendia a se irritar quando comentava sobre como Ron provavelmente via todo o ato deles como uma traição. Lembrava-se de uma vez em particular.

[Flashback]

-Eu não sou propriedade de Ron para que ele se ofenda porque "escolhi" 'casar' com você! – afirmou secamente, fitando-o duramente.

Harry estava em mais uma leva de autocomiseração sobre como Ron o odiaria. Como ele era apaixonado por Hermione e como não era certo que não podiam contar para ele a verdade. Ou sobre como ele a metera mais uma vez em uma enrascada.

E ela estava possessa. Por que Harry não conseguia entender que Ron podia desejar o que fosse dela, mas se ela não quisesse, nada – NUNCA – iria acontecer. E ao momento, o que queria era esmagar qualquer chance que Pansy Parkinson poderia ter de por as mãos imundas em seu melhor amigo. Mesmo que isso ofendesse os sonhos de seu outro melhor amigo.

Prioridades. Ela sabia exatamente quais eram as suas.

Além do mais, um beijo nunca foi promessa para um futuro conjugal, francamente! Harry achava que porque havia trocado um beijo com Ron, sua vida estava entrelaçada à do ruivo para sempre. Uma pequena parte dela considerava aquilo adorável, por sorte estava irritada demais para demonstrar isto.

-Só falta me dizer que porque nos beijamos primeiro, Ron tem alguma espécie insana de reclame sobre mim!

Harry ergueu a vista para ela. A morena espirou desviando o olhar para não ver mais a realidade nos do amigo. Deus, aquele homem era um grande, enorme... argh!

A jovem estalou os olhos abertos, marchando em sua direção. Sem mais, tomou o rosto dele entre suas mãos e apertou a boca na sua com firmeza.

-Um beijo é apenas isso, Harry, um maldito beijo! – e se afastou, queixando-se sobre homens teimosos e idiossincrasias.

[Fim do flashback]

-Eu falo sério, Harry. Ron não tem qualquer dizer em nossa vida. Pelo menos, definitivamente não na minha. Ele é meu melhor amigo e Deus sabe que fiz coisas por ele que não estou orgulhosa... Mas eu fiz coisas por você também. Coisas das quais eu jamais me arrependi. E esta, eu prometo a você, não será a primeira vez.

Sem perceber Harry a apertou mais contra si. – Eu sou um idiota, eu sei. Só queria que tudo fosse como antes.

-Não pode se sentir culpado pelas escolhas dos outros, Harry – ela deslizou os dedos pelo cabelo dele. – Eu sinto muito que Ron não sabe lidar com... mudanças... de forma adequada. Sinto muito que meu plano – ela pausou engolindo em seco. – tenha quebrado a nossa amizade e... eu sinto tanto-

-Hermione! Eu nunca – Harry lutou para se erguer, esquecendo momentaneamente que ela estava com praticamente todo seu peso sobre ele. Ele parou e tornou a fechar seus braços ao redor dela, sem se deter, acariciando suas costas. – Eu nunca pensei no plano como causa do que aconteceu com Ron – Hermione o encarou duvidosa; Harry riu de maneira estrangulada, desviando o olhar. – Nunca seria uma escolha... Nada justo pelo menos. Quero dizer, casar com Pansy e preservar minha amizade com Ron ou... não. Você sabe minha escolha – confessou. - Só estou sendo egoísta, eu suponho que dessa vez eu queria ter tudo. Você, Ron, o maldito contrato vedado – riu sem vontade. – Dois de três não é algo tão ruim assim, não é mesmo? – Harry suspirou. – Parte de mim ainda se sente culpada por ter você envolvida, embora.

Hermione meneou a cabeça. - Tem de entender que sabia exatamente onde estava me enfiando quando sugeri este casamento.

-Eu certamente tenho minhas dúvidas! – Harry comentou rindo-se dessa vez. – Você devia estar sob o efeito de alguma coisa bem pesada... para decidir que casar comigo era uma solução pra algo – brincou.

-Oh, eu não sei. Quero dizer, eu ganhei este lindo anel – fez todo um show de retirar a mão do cabelo dele e praticamente esfregá-la no rosto do amigo. Perdera as contas da quantidade de garotas que a abortaram naquele dia apenas para babar sobre sua aliança. - E meu próprio Teddy-Bear Acrescentou dessa vez empurrando o rosto no pescoço do amigo, propositalmente falando como se estivesse sem fôlego, apenas para vê-lo se contorcer como sabia que ele faria. Harry tinha um enorme ponto sensível na região do pescoço.

Ela riu quando Harry estremeceu todo.

-Pare com isso.

A morena continuou no mesmo tom:

-Mas eu não estou fazendo nada...

Em retaliação, Harry deslizou suas mãos os poucos centímetros para baixou que faltavam. Fazendo cócegas pelo caminho para, por fim, fechar as mãos com firmeza no traseiro dela.

Hermione soltou um gritinho, movendo o corpo para tentar se afastar. Sua risada lhe fazendo perder as forças. E, ainda assim, Harry manteve um firme agarre, esperando que ela desistisse de lutar. Ou se acalmasse o suficiente para tentar com mais força e sem o empecilho das risadas.

-Shhh, precisamos dormir.

-Está me apertando! – reclamou voltando a se acomodar sobre ele. O moreno ainda podia ouvir os vestígios das gargalhadas dela em seu tom de queixume.

Como resposta, ele apertou mais uma vez as nádegas dela.

Hermione imediatamente empurrou contra ele outra vez. – Hmm, você realmente não vai querer fazer isso, Mione...

-Pervertido.

Ele riu. Hermione sorriu.

Bem, pelo menos agora ele não moverá mais as mãos. Ponderou fechando os olhos, seu sorriso brincando de esconder no ombro de Harry.

Aparentemente, Harry era bastante afeiçoado ao seu bumbum. Incontáveis foram as vezes que acordara sobre ele e as mãos dele sobre si. No início, Harry passava todo o dia se desculpando, seus olhos nunca encontrando os dela. E apesar de constrangida, Hermione meio que gostava de vê-lo todo vermelho tartamudeando desculpas e uma pilha de nervos ao seu redor. Ou quando o pegava lançando olhadelas para seu traseiro. Como se estivesse com saudade.


N/a: Feliz ano novo! Atrasadíssimo, mas com boa intenção... rs.

Obrigada pelos comentários! Fico feliz que estejam se divertindo com a estória. Espero que tenham gostado de um pouquinho do primeiro dia de aulas deles.

(*) A observação de Hermione é porque, como sabem, Corner foi namorado da Gina no quinto ano do Harry (Harry Potter e a Ordem da Fênix).