Uma última chance
Capítulo 2: O lugar que eu preferia estar
Pode ter sido egoísta de minha parte, mas entrar no Expresso de Hogwarts novamente foi um alívio. Rever os amigos me fez sentir renovada, era como se o mundo bruxo estivesse se reabrindo novamente para mim depois de férias tediosas, tristes e sem magia - exceto no dia em que fui ao Beco Diagonal, comprar o material para aquele ano letivo. Por isso o primeiro de Setembro foi uma salvação para minha mente cansada de problemas e meu humor escassamente abastecido. Foi bem revigorante subir no trem, isto é, menos a parte de ter que olhar minha mãe, pálida e fraca, acenando para mim da plataforma. Aquela visão fez com que eu me sentisse um lixo por a estar deixando. De repente quis voltar até lá e abraçá-la, dizer que eu iria ficar com ela, mesmo que tivesse que me privar da escola. Mas isso não adiantaria, seria voltar à discussão que havíamos tido na véspera. Ela tinha que ser tão ridiculamente forte? Tinha que sempre olhar primeiro para os outros e depois para si própria? É, acho que essa é a sina das mães, e no momento não posso criticar esses sentimentos tão nobres, já que estou grávida.
A plataforma 9 e 3/4 foi ficando cada vez mais distante, e fui forçada a procurar uma cabine, preferencialmente uma vazia, já que estava precisando de um lugar calmo para pensar. Achei uma, por sorte, e fiquei lá, meio que num estado de clausura. E assim teria permanecido se Potter, Black, Lupin e Pettigrew não tivessem aparecido. Quase ri quando os vi entrando na cabine - mais pelo clichê da cena. Com aquela visão, tive certeza que o ano havia acabado de começar. Entretanto, meu desalento impediu-me de mandá-los embora e de me importar com as provocações dos garotos, e as tentativas de aproximação de Potter. Apenas suspirei e me virei para a janela, como se nada tivesse acontecido.
É claro que eles não iriam deixar por menos, não estavam acostumados com descaso alheio em relação às suas "ilustres'' presenças, principalmente se tratando de Sirius e James. Pouco depois senti alguém sentar ao me lado, e sem muita surpresa, dei de cara com o sorriso zombeteiro de James Potter. Aquilo, eu querendo ou não, fazia parte do mundo que preferia estar. Bem, mas quanto a Potter...Acho que meu descaso sumiu com facilidade quando ele "abriu a boca" e colocou seu braço ao meu ombro. Provavelmente só para me vir irritada, coisa que ele havia acabado de conseguir. Típico.
- E aí, bela Evans, foi bom pra você?
- Do quê você está falando? - Exclamei furiosa enquanto Sirius Black, Remo Lupin e Pedro Pettigrew riam abertamente. Era incrível como Potter, com apenas uma frase, conseguia despertar meus mais violentos instintos. Só mais tarde viria a descobrir a natureza desses instintos.
- Do verão, é claro - Começou ele cinicamente - Do que mais poderia ser? - Perguntou sugestivo, erguendo as sobrancelhas com ar de deboche enquanto eu corava significativamente, de raiva e vergonha - Vai, me diz, o que você estava pensando? - Sussurrou ele ao meu ouvido. Estremeci. Foram precisos alguns segundos para que fosse recuperado meu eu em sã consciência.
- Dá pra você me deixar em paz? - Foi só o que consegui dizer num ímpeto ao explodir, empurrando-o para longe, pois o garoto estava mais perto do que devia - Pelo menos enquanto ainda não chegamos à escola. Droga, esse é o nosso último ano e eu gostaria de não ter que brigar tanto - Acrescentei com raiva enquanto ele me fitava divertido- Se bem que isso não é fácil quando se trata de você.
- Nossa, Evans, pra quê tanto ressentimento? O que eu fiz pra você ter tanta raiva de mim? Eu só te trato bem e você só me dá patada - Exclamou ele com o tom de voz falsamente melancólico.
- Ora, não me faça rir - Disse revirando os olhos.
- Sabe, eu adoraria ver você rir pra variar. Parece estar sempre carrancuda, séria - Disse com o tom um pouco menos zombeteiro.
- Eu tenho motivos para isso, ok? Motivos os quais não te dizem respeito, e mesmo assim, é impossível ficar feliz quando tenho você por perto - Disse isso pondo peso às palavras, e por fim virei-me para a janela novamente.
- É, acho que esse ano não vai ser nada diferente - Comentou Remo Lupin, com a voz cansada, mas levemente divertida. De todos os marotos, Remo era o mais amigável.
- Sabe, caro Aluado, é aí que você se engana - Começou Black, que estava ao lado de Lupin e em minha frente, seus olhos brilhando ao fitar James e depois a mim, o tom de voz não menos debochado do que o do garoto ao meu lado - Eu acho que justamente por esse ser o nosso último ano é que o Pontas não vai querer deixar a Evans em paz. Mas não do jeito que ele sempre faz - Virou-se para Potter- Não é? Você ainda tem esse ano James e eu, particularmente, não suporto mais suas queixas em relação à ruivinha aqui.
Nem me dei ao trabalho de responder ao discurso de Black, apenas bufei impacientemente, mas grande foi o meu susto ao perceber que Potter fuzilava o amigo com olhar, e pelo que pude notar, estava corado. Seria possível James Peverall Potter ter vergonha de alguma coisa? Ele nunca fora nem um pouquinho tímido, ainda mais se tratando de garotas, e de uma em especial: eu.
No decorrer da viagem, ele não dirigiu uma palavra a Sirius, e por isso não houve muita conversa, exceto quando Lupin citou os acontecimentos que o Profeta Diário anunciava em relação ao assunto do momento, Lorde Voldemort. Aí até eu entrei num debate sobre o novo partidário das Artes das Trevas. Esse era realmente o assunto que passava pela cabeça da maioria das pessoas, afinal mortes estavam acontecendo. Fora isso, James permaneceu de cara amarrada; eu ainda sentia seus olhares, de tempos em tempos, sobre mim, e isso era demasiadamente desconfortante. Brigar com Potter era fácil, já estava mais que acostumada, mas conviver com seu silêncio, seus olhares e uma seriedade incomum era perturbador. Apesar de tudo, eu mesma duvidava de que o palpite de Sirius, quanto a Potter e a mim, estivesse errado. Só não sabia o que fazer quanto a isso. Ainda tive que aturar algumas insinuações – umas até silenciosas, como olhares furtivos - de Sirius, a respeito desse fato até chegar à hora de trocarmos as vestes.
- Ei, podem saindo vocês três, a Evans vai trocar de roupa – Comentou Black maliciosamente ao me ver abrindo o malão.
- E você pensa que vai ficar aqui pra ver, Almofadinhas? – Perguntou Potter emburrado.
- É muito comovente esse seu "ciuminho", Pontas, mas acho que nem você vai ficar – Replicou o amigo, enquanto Pedro ria e Remo balançava negativamente a cabeça, sem tirar os olhos de um livro que segurava.
- Vocês nunca irão crescer mesmo, não é? – Disse virando-me pra eles, após ter fechado meu malão, com as sobrancelhas arqueadas e os braços cruzados – Mas, fique logo sabendo, Sirius, que nunca pretendi trocar de roupa aqui, seu pervertido. Fiquem vocês que estão em maior número.
Eu já ia me encaminhando para a saída da cabine, mas Potter foi mais rápido e me embargou na porta, com uma postura intimidadora.
- Por que para você ele é Sirius, e eu, depois de sete anos, ainda sou Potter? – Perguntou seriamente, mas antes que eu pudesse pensar em uma resposta, a voz de Black ecoou às minhas costas, chamando nossa atenção.
- Por quê? Ah! Eu posso te listar um monte de qualidades minhas que várias garotas, inclusive a Evans, apreciam. Desista James, essa batalha já está vencida, eu sou definitivamente bem mais atraente que você.
- Poupem-me vocês dois – Supliquei cansada daquilo, mas profundamente agradecida a Sirius. Ele tinha me livrado de uma, porém o garoto à minha frente parecia ainda esperar uma resposta – Potter, por favor, você pode me dar licença? – Pedi rispidamente, sem saber o que responder caso ele insistisse na pergunta que havia feito. Ele assentiu com um suspiro, fazendo uma reverência para que eu passasse.
Ao sair dali, a expressão, séria e esperançosa de James ainda estava em minha cabeça. Andava sem prestar muita atenção até que alguém me embargou, novamente. A grande e pomposa figura de Slughorn sorria para mim.
- Ah! Oi...quer dizer, boa noite professor. Desculpe, estava distraída.
- Não se preocupe com isso senhorita Evans, nem chegamos à escola para eu ter que lhe dar uma detenção, ainda mais para uma Monitora-Chefe.
- O quê?! Professor... Monitora-Chefe? – Exclamei espantada. Não lembrava de ter visto um distintivo dentro da carta que tinha recebido no verão. Só se esta tivesse sido extraviada ou se caiu, juntamente com a dada informação, quando abri. Certamente meu verão havia sido tão cheio de infelicidades, com toda aquela história com Petúnia e mamãe doente, que nem reparei na carta.
- Por que o susto? Isso é óbvio, não é? Visto que você é uma das alunas mais brilhantes que eu já tive.
Assenti com um sorriso tímido e, após termos trocado meia dúzia de palavras, pedi licença para ir me trocar, ainda um pouco atordoada.
Depois de estar devidamente vestida resolvi ir falar com Mary Macdonnald, uma grande amiga, já que não a tinha visto. Era realmente estranho ela não ter me procurado. Achei a garota conversando numa cabine com Jason Brown, seu namorado, um corvinal também do sétimo ano, e com outros colegas nossos. Juntei-me a eles para um momento mais feliz que aquele compartilhado com os marotos. Ao contrário do que James pensava, eu conseguia me divertir com frequência perto de meus amigos, "para variar" . Só me dei conta de que tinha que buscar minhas coisas quando o trem parou.
Ao chegar perto da cabine que havia ocupado no início da viagem, parei ao ouvir duas vozes um pouco altas vindas lá de dentro, enquanto o trem se esvaziava.
- Sirius, eu queria que você parasse de palhaçada, ok? O quê que você pensou, falando aquelas coisas todas pra Lílian, hein? – Era a voz de Potter.
- Você está realmente com raiva da brincadeirinha sobre ela trocar de roupa aqui? – Perguntou Black, rindo com desdém.
- É claro que não seu imbecil. Eu estou falando daquele seu discurso sobre mim e ela, de suas insinuações sobre o fato desde ser o último ano... Minha última chance.
- Eu estava tentando te ajudar – Replicou o amigo na defensiva – Era pra você se tocar e parar de fazer besteira. Irritando ela daquele jeito você só melou tudo.
- O que é, hein? Tá querendo me ensinar a conquistar as garotas, grande galã?!
- Não, até porque você sabe se virar com as garotas em geral, mas não com a Evans em especial.
- Olha, eu não quero discutir, até porque não se tem retórica com você, mas fica na tua quanto a Lílian, ok? Acho que ajuda melhor ficando calado.
- É, e você está mesmo precisando de ajuda com ela – Zombou ele.
Houve um silêncio, pensei que eles iriam brigar, mas ao invés disso quem passasse pelo corredor só ouviria duas sonoras gargalhadas.
Com o clima mais ameno, achei que não tinha risco e resolvi tomar coragem para entrar na cabine. Ao aparecer na porta, eles ficaram momentaneamente sérios. Fiz de tudo para não encará-los, pois não conseguia voltar à cor normal do meu rosto. Peguei tudo o mais depressa que pude, rejeitando a oferta de Potter de carregar minha mala. Aquela conversa, que eu não deveria ter ouvido, acabou me balançando.
XXX
N/A: Oie pessoal! Primeiramente desculpem por não ter respondido os comentários na primeira atualização desse cap. 2, ok? - autora com um sorriso maroto - qqr semelhança, mera coincidência-
Bem, eu realmente tentei, mas estou um pouco atarefada, sabem? Provas próximas na escola e a paranóia do vestibular, sabem como é...Então, deixando de lado as desculpas, vamos às notas desse capítulo.
1) Primeiro, este fazia parte do cap.1, eles estavam unidos, e formavam um cap. gigante, e segundo a minha beta, iria ficar um pouco cansativo para ler, além do que eu presumo que dois caps. são mais reviews ;)
2)Espero que vcs se lembrem de Mary Macdonnald. Ela é uma personagem real, citada no livro 7, quando Harry mergulha nas lembranças de Snape, após a morte deste. O problema foi que eu tive que inventar um personagem (o namô dela), como vou ter q fazer com frequência daqui pra frente, já que J.K não me deu escolha. Particularmente não gosto de fazer isso, mas temos que convir que as informações do tempo dos pais de Harry em Hogwarts não são muitas.
3)O fato de nossa Lil não ter tido o conhecimente prévio de que era Monitora-Chefe foge às regras, eu sei, assim como por conta disso ela não foi à reunião de monitores no trem, mas tem um motivo para tudo isso, que vai ser explicado no proximo cap.
Sendo assim, vamos ás respostas das reviews:
Maria Lua:Concordo totalmente com vc que deve ser muito nojento ter um Válter com segundas intenções por perto - só a Petúnia mesmo pra aguentar - mas acho bem provável isso ter acontecido, já que nenhum de nós tem dúvidas a respeito da falta de caráter e escrúpulos do Dursley, além do que a Lílian era muito bonita. Tive muito medo que isso causasse estranheza aos leitores, mas acho que deu pra aceitar legal o capítulo, né? Muito obrigada pelas suas opiniões sempre presentes nas reviews. Sinta-se à vontade pra criticar e comentar o que for, ok?
jaini: Que bom que vc está gostando da maneira que conduzo os personagens na fic, isso é um pouco difícil, pois nunca sei se está devidamente fiel à realidade do livro. E quanto a Ginny...Eu acho que o diário de Lílian se tornou uma válvula de escape pra ela, e a aproximou da mãe de Harry de uma forma irreal (espero ter deixado isso claro no cap.1). Torço para que vc continue acompanhando a fic, e prometo que daqui pra frente os caps. vão melhorar.
Igorsambora: Fiquei super feliz com suas reviews! Minha fic um tesouro? Que, isso!... Tem muita coisa melhor, e por isso sou abrigada a descordar de sua opinião em relação às fics em geral, existem umas incríveis, e pra vc (que como eu) adora H/G, sugiro uma fic (por sinal a que me inspirou nessa aqui), "Nas Palavras de Ginevra Molly Potter", traduzida por Gisele Weasley (aqui nesse site mesmo). É linda, vai lá que vc vai gostar. Hum...mas quanto a mais H/G por aqui...O que posso garantir é que vai ter mais, sim (até porque eu não resisto a esse shipper), só que gostaria de esclarecer que o tema principal gira em torno de James/Lily, já que eu sempre tive vontade de escrever sobre eles, mais para fugir dos clichês desse tipo de shipper e das coisas absurdas que algumas pessoas inventam sobre eles em fanfics. Espero que vc continue a acompanhar o deserolar da história, ok?
Gostaria de agradecer também, como sempre, à Bia! Puxa, muito obrigada pela força que vc está me dando com suas opiniões em torno da fic, eu simplesmente adorei saber que vc está gostando da história (ops...insegurança falando de novo).
Hum...quanto ao próximo cap., o principal já está meio que formulado mentalemente, mas não sei ao certo qndo vou poder postar. Como disse no início estou atarefada, estudando e tals, e às vezes me sinto até mal por dar tanta atenção a fic enquanto deveria estar mais imersa em fisica, matematica, quimica, etc, etc. Gostaria que tivessem paciência, e prometo que não vou deixar a fic, ok?
Bjo a tds e até a proxima.
