Capitulo 4 – Encontros e desencontros.

Os olhos tão mais belos do que muitos outros estavam opacos.

Havia perdido totalmente o controle sobre sua personalidade, cabeça, e qualquer outra coisa que ditasse suas ações sensatas.

Não havia nenhum sentimento se quer com qual não pudesse lidar, não conhecia ao menos uma sensação que fosse grande o bastante para conturbá-lo.

Onde estava sua cabeça naquele momento? Talvez aquela fosse a primeira vez em toda sua vida, que a confusão tomara conta de sua mente, e ele, com todo o seu poder de autocontrole e persuasão alheia, não conseguia curar esta aparente doença que aos poucos se apossava de si.

Talvez aquela moça sempre sorridente ainda sorrisse a ele por não poder vê-lo, apenas. Por não enxergar seu rosto asqueroso, e sua grande e suprema frieza estampada. Conhecia-se bem. Mas ainda não havia descoberto aquela sua pequena parte.

'' - Onde está seu coração Sesshoumaru? Você sabe? Por que eu desisto de procurá-lo! Desisto de procurar algum tipo de amor em você! Durante 5 anos eu venho tentado. Mas parece que quanto mais o tempo passa, mais essa crosta de gelo cresce envolta de você! Não deixa com que eu me aproxime de você! Eu venho me humilhando todo esse tempo... Merda! Eu amo você! Eu... Amo você... Por que... Não me ama...? O que eu... Faço de errado para não ter o seu amor e só receber de você, apenas ironias e noites solitárias do teu lado?

- Você nunca precisou de amor Kagura... Quem esta colocando na sua cabeça que precisa?

- Sesshoumaru... – Ela tocou sua face levemente. – Eu nunca disse que não precisava de amor... Você que sempre fez questão de deixar claro que não precisava.

O vento bateu tão forte contra a face de ambos, que tudo se inebriou, o céu nublado daquele fim de tarde ditava o arremate de um longo romance sobre a chuva.

Os olhos de Kagura olharam além do corpo esguio de Sesshoumaru, e seus lábios finos desenharam um sorriso pequeno.

- Acho que nunca consegui... Convencê-lo... Acho que nunca ninguém vai conseguir... Nem que uma bela mulher venha com uma britadeira tentar quebrar esse gelo... Você só congelará o coração dela também... Não é?''

Sesshoumaru bateu forte contra o volante. Ela vinha assombrá-lo justamente quando seus únicos temores resolviam aparecer e tomar conta de tudo.

O sinal ficou vermelho, e ele parou. Uma sina, talvez? Permanecer para sempre como um eterno galanteador de apenas uma noite? Existir apenas para prazeres tão amenos e ilusórios... Tão fáceis de serem esquecidos. Sabia que fora um erro continuar a ter como amante Kagura... Durante tanto tempo tentando amá-la... Apenas quando ouviu o barulho agudo de um coração feminino partindo-se, deu-se conta de seu amor. Era tarde de mais... Talvez nunca devesse ter tentado amá-la daquela maneira tão rude. Tão menos do que nunca pensara em fazer. Os arranha-céus a sua volta sufocavam cada centímetro de sentimento existente.

Falava-se de sentimentos ali, então? Falava-se de rancor e arrependimentos, enquanto olhava para si mesmo através do retrovisor? Era tudo o que tinha; apenas a doce satisfação de saber que nada tinha, a não ser vagamente ele mesmo para apoiar-se.

O fim de tarde nublado expandia-se pelos céus e ele repudiou e gritou contra seus fantasmas dentro de seu carro.

O sinal ficou verde, e acelerou num solavanco, abaixando um pouco o vidro. O transito estranhamente calmo, mal sendo notado. Queria apenas voltar para casa, mas fora impedido a pedido de seu irmão. Retornava a faculdade depois de uma aula exaustiva do outro lado da cidade.

Não queria encontrar Rin, não podia encontrá-la, se não, seus impulsos novamente falariam mais alto, e ele agiria da maneira mais errada que já tivera agido.

Escolhera aquela parte da tarde por saber que a moça estaria em casa aquela altura.

Mal podia olhá-la, depois da confusão na sala de Kagome, mas cada vez, olhava. Olhava tão sem querer, que quase estapeava a si mesmo a cada deslize. Seu único e eterno alivio era saber que mesmo olhando-a de longe, ela não poderia perceber que o fazia.

Mesmo com a conversa que tivera com Bankotsu, mesmo negando tudo o que ele lhe perguntara sobre sentir algo pela estudante.

O que poderia fazer, a não ser negar o que não existia verdadeiramente?

Estacionou o automóvel depois de algumas quadras e saiu, batendo a porta e ativando o alarme.

Alisou os cabelos e respirou profundamente. A maioria dos alunos que passavam pelo professor não o olhava de maneira tão respeitosa quanto antes.

O achavam louco? Pensavam talvez, que havia perdido a cabeça? Ou mesmo cogitassem a idéia absurda de que ele havia se apaixonado pela caloura cega.

Para ele, a sensação de ser observado como certo motivo de risada, era tão mais estranho do que irritante. O único professor daquela faculdade que não precisava ao menos gritar, para que a algazarra acabasse; agora era visto como uma piada?

De certo, os olhares não riam de sua pessoa, e sim, o fitavam com duvida, talvez abismadas.

Virou um corredor, tocando uma pilastra levemente, apenas por tocar. A porta aproximava-se enquanto os alunos, e outros professores iam ficando para trás.

Tudo tem sido estranho e não verdadeiro.

E eu não vou desperdiçar um minuto sem você.

Os passos ecoavam pelo corredor completamente vazio. A sala dos professores mantinha a luz apagada quando ele entrou. Franziu o cenho estranhando. Inuyasha não havia dito para que o encontrasse ali?

Acendeu a luz, depois de fechar a porta. Algo errado. Um pressentimento tomou conta de si, e seus pelos se arrepiaram.

- Inuyasha?

- Será que tudo ficará bem? Toda essa confusão vem me deixando um pouco cansada... – A menina comentou, apoiando o queixo na mão, enquanto parecia olhar para a moça a sua frente, que mantinha um sorriso vazio nos lábios.

- Rin... Passamos praticamente a tarde toda estudando... Por que não para de me perguntar isso cada vez que vira uma pagina e não me pergunta se quero ir à biblioteca da faculdade com você para que eu leia algumas paginas essenciais para a próxima prova pra você?

- Como assim? – A garota sorriu; tímida feito uma borboleta recém formada.

Sango esboçou um semblante engraçado e se levantou do tapete felpudo do quarto espaçoso de Rin. Será que Rin já havia ao menos uma vez paquerado, namorado ou vivido um romance? Ou era de toda inocente e não sabia que o professor de ambas parecia estar um pouco apaixonado pela garota?

Pegou as mãos da moça de cabelos castanhos e a ajudou a levantar-se da cama.

- Apenas repita: Sango, por que não vamos à biblioteca da faculdade agora mesmo pegar um livro que eu acho que tem lá para você me ajudar mais com os estudos?

Rin gargalhou completamente confusa, mas, repetiu:

- Sango, por que não vamos à biblioteca da faculdade agora mesmo, pegar um livro que eu acho que tem lá pra você me ajudar mais com os estudos?

Sango riu também, e afagou os cabelos sedosos da outra. Se estivesse certa Sesshoumaru ainda estaria no colégio. E se encontraria com Rin para conversarem... Mesmo que ele também não soubesse que o faria.

- Boa menina, agora vista qualquer roupa e vamos logo!

- Não vai fazer frio? Já esta anoitecendo! A biblioteca fica aberta nos turnos da noite?

- É claro que fica! E eu não sei se vai fazer frio, mas leve uma blusa, caso esteja certa...

- Quer uma também? Se realmente esfriar, você vai acabar pegando uma gripe. – Rin havia agido com uma boa mãe que se preocupa, e aquilo fez Sango sorrir emocionada com a ação e tom de voz usado. Tão doce, e repleto de apreensão.

- Vamos. Vamos logo. – Em 30 minutos estariam na universidade. Rin vestiu o casaco e despediu-se do pai, seguida de Sango, que fez a mesma coisa com o homem com um sorriso doce no rosto.

- Tome cuidado Rin! Não vá se meter em problemas!

- Pode deixar pai! Volto logo!

- Certo; boa noite!

Bateram a porta enquanto o pai da garota urrava com o gol que seu time fizera, vidrado na TV.

Sesshoumaru suspirou enquanto caminhava em direção á lanchonete do lugar. A atendente entediada ainda atendia algumas poucas almas. Três ou quatro estudantes tagarelavam tomando refrigerantes e comendo os últimos salgados que haviam restado do turno da tarde. Pediu um café e rumou em passos lentos e atentos em direção á biblioteca. Onde aquele maldito peste havia se metido? E desde quando Inuyasha se embriagava, - ou qualquer outra coisa que ele tivesse feito de errado, - e pedia para que o encontrasse na faculdade o qual ele estudava, e Sesshoumaru lecionava?

Havia algo de estranho em toda a história. Parecia mal contada, como se não tivesse nenhum nexo ao cérebro daquele homem.

Tocou a porta de madeira clara da Biblioteca, olhou em volta a procura do irmão, o copo de café preso na mão. Os olhos ágeis procurando nas mesas que estavam ao alcance de sua vista cansada.

A Bibliotecária sorriu como alguém que gosta apenas de mostrar os dentes claros e bem escovados, e desviou o olhar.

Adentrou o local de estudo em silêncio, o copo de café já morno jazia em sua mão esquerda como se esquecido ali. Entrou no primeiro corredor a fim de ver as seguintes duas mesas que se localizavam entre a primeira, e a segunda estante de livros diferenciados. Alguns passos a mais e constatou que ambas estavam ainda lustradas. Sinal de que ninguém havia se sentado ali desde a última limpeza, que fora na hora do almoço. Suspirou cansado. A irritação começa a transparecer em sua face em forma de rugas nas pontas dos olhos já estreitos e no cenho fortemente franzido.

Cruzou as próximas três estantes, e passou para o segundo e último corredor largo, uma lata de lixo de cor metálica encostada em uma das abas retas de madeira fez Sesshoumaru vibrar. Encostou o copo de inclinação á lata e a soltou, ouvindo o som que ecoou poucamente.

Vasculhou toda a Biblioteca até que sua face transparecesse a irritação eminente, como havia acabado de se tornar.

Saiu. Olhou pelos corredores, entrou em algumas salas. Perguntou para algumas pessoas, que lhe indicaram novos caminhos pela Universidade.

Sua única vontade era ir para casa. Não queria nem se quer olhar para o irmão.

Queria apenas descansar. Tomar alguns calmantes e dormir.

Um desânimo enorme pairou sobre seu corpo no instante em que se deparou novamente com aquela lanchonete. Lanchonete desgraçada.

- Merda. – Murmurou; Sentou em um dos bancos. A Universidade começa a ficar novamente movimentada, o turno da noite havia começado.

- Vamos Rin, apresse-se. Vamos acabar pegando uma chuva!

- Estou indo o mais rápido que posso.

As duas sombras que perambulavam apressadas pela noite que havia acabado de chegar, em direção as lacunas e luzes que chamavam a atenção do outro lado da rua, estavam preocupadas com a chuva.

O celular de Sango tocou pela terceira vez, mas ela estava preocupada de mais com a escova que havia feito no dia anterior para atendê-lo.

Pisaram nos primeiros degraus da faculdade já suspirando aliviadas; alguns minutos depois, uma tempestade começou a cair, trazendo junto com ela o barulho incomodo de ecos nos telhados de toda a extensão escolar.

Pela quarta vez o celular da garota tocou, chamando a atenção de alguns alunos que estudavam na biblioteca. Para que não houvesse mais constrangimentos, resolveu atendê-lo.

- Sim?

- Sango, é o Miroku! Como esta?

- Hey, muito bem e você?

- Muito bem também, e ai, que ta fazendo? Ta a fim de dar uma saída? Sei lá, ver um filme, jogar conversa fora, ou qualquer coisa assim? – O garoto riu encabulado do outro lado da linha.

Sango riu também, apoiando a cabeça com a palma da mão igualmente constrangida. O que poderia dizer? Será que Rin ficaria chateada? Será que se zangaria por trocá-la descaradamente pela companhia de um garoto?

- Sabe o que é Miroku... Estou com a Rin estudando aqui na Biblioteca... Podemos deixar o filme, as conversas ou qualquer outra coisa assim pra outro dia?

- Ah... Claro... Desculpe incomodá-la.

- Não, não! Olha, eu te ligo amanhã, para marcarmos algo ta?

Sango sentiu os dedos um pouco frios de Rin encostarem-se às costas de sua mão esquerda, que segurava uma caneta sobre o caderno; viu-a sorrindo ali, parada, como se olhasse diretamente para seus olhos. Falava ligeiramente baixo ao telefone, por isso, não entendeu por que ela parecia querer interferi-la.

A menina pegou sua mão e a apertou mais uma vez, então Sango pediu para que Miroku esperasse.

- O que foi Rin?

- Pode ir... Não se preocupe comigo. Por que não vai?

- Não, não, Rin, é melhor ficarmos juntas, seu pai...

- Meu pai acha que você vai me deixar na porta de casa. – Rin sorriu.

Então Sango pensou por alguns instantes, se Rin tinha tanta certeza de que ficaria bem, poderia confiar nela certo? Afinal, antes de se conhecerem, Rin se cuidava muito bem sem ninguém... Certo?

- Tem certeza?

- Claro! Pode ir...! – Sango beijou a bochecha da amiga e voltou a falar ao telefone.

- Hey Miroku, onde quer ir? Acho que posso sair hoje.

- Sério? Mas e quanto a Rin?

- Ela já vai pra casa, certo Rin?

Aproximando-se de Sango com a ajuda da mão que a garota segurava, ela sussurrou perto do celular um "certo!" animado.

Logo Sango já havia saído, aproveitando a chuva que havia cessado. Rin sorriu sozinha diante da situação, torcia para que aquele encontro se tornasse algo maior, como um namoro.

A garota se levantou e pegou a vareta bem ao lado da cadeira que Sango estava; andando em seus mesmos passos contados ela foi até a bibliotecária e pediu que a ajudasse a fazer uma ligação de seu celular. A moça aceitou com um sorriso e então Rin passou a ditar o numero. Feito, encostou o aparelho ao ouvido e esperou a ligação ser completada.

A voz masculina surgiu e um belo sorriso desenhou-se em sua boca;

- Alô?

- Oi! Onde está?

- Estou na faculdade e você?

- Eu também! – Ambos riram. E Rin passou a andar vagarosamente, agradecendo antes a moça atrás do balcão. – Estava a sua procura, pode me encontrar aqui perto da biblioteca?

- Claro, estou bem perto.

- Certo.

E desligaram. Rin se encostou à parede e esperou com um sorriso a companhia que a levaria para casa. Passados alguns segundos, sorriu ao toque em seu ombro, o barulho da chuva havia recomeçado e aquilo certamente a havia aborrecido.

- Pode me levar para casa? Está chovendo de mais...

- Claro! Mas antes, vamos a um lugar, quero mostrar uma coisa.

- Certo.

Rin andou ao seu lado por alguns passos, quando se lembrou da ultima ligação que o homem lhe havia feito. Ele não havia dito que se ausentaria por três semanas? Então o que fazia ali, aquele horário, se não havia sido avisado da vinda da menina? Rin ficou pensativa por alguns segundos, e então resolveu perguntar.

- Kouga... Você não estava viajando?

Silencio.

- Kouga! – Rin segurou a mão de seu tutor, e parado de andar, o obrigando a fazer o mesmo.

- Rin-chan... É surpresa... Vim pra te fazer uma surpresa. – Sentiu o carinho masculino na própria mão e então ponderou, voltando a andar. O sorriso inocente desenhou-se, enquanto Rin seguia com Kouga pelo corredor, acorrentada a esperança de acabar com a própria solidão.

Sesshoumaru se levantou quando viu Inuyasha passar no corredor a sua frente, bufou irritado e correu para alcançá-lo.

- Inuyasha!

O homem olhou para trás reconhecendo a voz do irmão e sorriu. Parando para esperá-lo.

- Oi! O que esta fazendo aqui?

- Seu imbecil, você me ligou mais cedo, pedindo pra eu te encontrar aqui, o que foi que você cheirou?

- O que? Eu não cheirei nada, você que cheirou, porra!

- O que é que você quer inferno?

- Eu não te liguei coisa nenhuma Sesshoumaru! Ta ficando doido? Eu heim, já chega soltando os cachorros. Cara doido!

Kouga começou a andar ao lado da garota que se apoiava em sua mão, enquanto os "tec`s" da vareta ecoavam. O sorriso da menina não desaparecia, eles conversavam animadamente, enquanto seu tutor fazia algum tipo de mistério sobre o lugar que a levaria. Talvez no fundo mais fundo de seu coração, ela imaginasse que seria algum tipo de declaração da parte dele. Um homem tão bom, e que sempre a tratou bem, só poderia ter algum tipo de sentimento por ela, não? Afinal, Kouga já havia apresentado alguns sinais estranhos, sinais que apenas namorados apresentam para suas namoradas. Entre a conversa, sorriu comicamente recordando algumas ocasiões em que ele sentiu ciúme da garota e outras em que o tutor simplesmente deixava escapar algumas coisas como "quem não se apaixonaria por você Rin?" E logo depois, se embaralhava todo tentando concertar o que dissera.

Viraram no corredor seguinte, onde Kouga sorriu ao avistar ao fundo a sala que sabia estar vazia. Rin não havia nem notado a mudança em sua face, ou o sorriso estampado em seus lábios. Aquele sorriso... Era tão...

- Chegamos! Agora, você não vai contar a ninguém o que vai acontecer agora não é Rin?

- Espere Kouga... O que faremos? Onde estamos?

- Se acalme. Não vamos fazer nada de mais. – Ele abriu a porta, e acendeu a luz, sabendo que ela nada veria. – Entre e deixe sua vareta aqui comigo. – Ele pegou a vareta que Rin havia soltado sem nenhum protesto, os passos lentos e hesitantes da menina eram inevitáveis. Bateu as coxas contra uma mesa e riu envergonhada. – Você esta bem?

Kouga notou o sim feito com um manear de cabeça, e então sorriu, tirando de dentro da pequena maleta que carregava a fita que colocaria sobre a boca da garota, impedindo-a de gritar. A fita faria seu doce inferno começar.

Por trás do corpo frágil, ele arrancou um pedaço da fita. Rin havia escutado o Som, mas nada havia feito, talvez nem houvesse reconhecido o que era. Ele não se importaria se ela começasse a gritar antes de ele calá-la... Assim teria motivos para surrá-la até que ficasse zonza. E então, em um piscar de olhos, seus braços passaram pelos lados da cabeça feminina, e com o pedaço da fita em uma das mãos, ele simplesmente colocou nos lábios da garota, de modo que a largura do objeto não deixasse que ela arrancasse com a força de seu maxilar. Rin se assustou, virando-se e levando uma das mãos a boca, tentando achar a ponta e arrancar a fita, mas o homem foi mais rápido e segurou suas mãos, atando uma na outra e passando a mesma fita que havia usado para calá-la envolta de seus pulsos. Rin se jogou no chão, tentando engatinhar, num apelo desesperado para tentar chegar a algum lugar. Sua escuridão era sua maldição. Bateu de encontro a uma parede e escutou a risada baixa do tutor. Seus pensamentos estavam a mil, o que era aquilo? O que estava acontecendo? O que ele faria? Onde ele estava? Onde estava a saída? Ela sabia que seria estuprada, sabia que talvez pudesse ser morta, logo depois, mas se recusou a desistir. Ele puxou seus pés, e a arrastou de volta para o pé da mesa. Pegou seus cabelos e os puxou para cima, Rin foi obrigada a se levantar. Ela pressionou os olhos com a dor, o soco em seu maxilar a fez cambalear, uma sensação que nunca havia sentido antes, nunca havia apanhado, nem se quer batido a face. Estava perturbada, e então entrou em choque. Sentiu sua calça cair, e ser arrancada juntamente com seus sapatos... Sentiu a mão do tutor em seu seio direito, apertando-o com uma força descomunal. Não conseguir emitir nada além de gemidos pequenos, no mais puro silêncio, apenas ela parecia escutar.

Era evidente que o homem estava tomado por drogas e bebida, porém tinha plena consciência do que fazia. Suas pupilas dilatadas e seu sorriso louco denunciavam toda sua crueldade escondida, a boca masculina sangrava, pois sem que ele notasse havia mordido a própria língua. Rin não podia ver... Rin só podia sentir... Todo o sentimento de ódio que saia como enxofre de seus poros. Ele a havia enganado com perfeição.

Sesshoumaru seguia o irmão até os armários dos alunos. Além de cansado, estava irritado com tudo aquilo. Quem poderia ter feito aquilo, se não fora o irmão? Haviam passado um trote e pela voz no telefone estar abafada e mole pensou ser Inuyasha bêbado, por isso a preocupação havia vencido o cansaço. O irmão seguia em silencio ao seu lado, enquanto Sesshoumaru olhava o relógio. Viraram no corredor e o mais velho olhou para a sala dos professores, a luz estava acesa. Talvez pudesse encontrar Kagome e pedir desculpas pelo descontrole de mais cedo. Suspirou.

- Inuyasha. Onde esta Kagome?

- Eu não sei... Deve estar ainda aqui, por quê? Quer que eu ligue pra ela? – Aquilo confirmou sua duvida, ela estava ali, se preparando para ir embora.

- Não, ela deve estar na sala dos professores. Vá pegando suas coisas que eu estou com pressa. Volta lá quando acabar.

Inuyasha concordou prontamente e desviou seu caminho para a direita onde estavam os armários, enquanto o irmão esperava o outro se afastar para bater na porta. Devia desculpas à namorada do irmão. Apesar de namorarem em segredo pelas regras da faculdade, Kagome esteve sempre ao lado de ambos para vários problemas e havia sido um erro tratá-la daquela maneira. Bateu duas vezes na porta, apenas por educação, e forçou a maçaneta; trancada. Aquele calafrio percorreu novamente sua espinha, e um estralo fez com que Sesshoumaru empenhasse mais força para abrir a porta. Naquele momento, um grunhido pode ser captado, tal som desesperado fez com que o professor se afastasse levando o ombro à porta com força, a maçaneta cedeu. Seus olhos não podiam crer no que viam, seu corpo talvez não mais o obedecesse, paralisou-se por um segundo, observando Kouga e seu sorriso louco de satisfação. Seu cérebro processava a informação. Enquanto seus músculos trabalhavam para arrancar o coração daquele homem de seu peito. Correu ao mesmo tempo em que gritava o nome do irmão, clamando por ajuda, talvez, ele ainda estivesse nos corredores e poderia escutar.

- DESGRAÇADO! – Pegou Kouga pelo colarinho, arremessando seu corpo de encontro com as prateleiras. Foi em seu encontro enquanto os olhos ferviam de raiva, montou em seu corpo caído e o socou o rosto uma dúzia de vezes. Kouga ria nos primeiros golpes, por isso Sesshoumaru fez questão de continuar, o nocaute foi certo, não haveria luta. Rin estava caída, assustada, os olhos fechados e chorosos, o rosto inchado e já adquirindo a coloração arroxeada- prova viva de que ela havia apanhado. Sesshoumaru tirou o casaco, há muito tempo não sentia aquela sensação, ia matá-lo. Como ele havia ousado tocá-la. Por que fizera aquilo! Ouviu passos que corriam ecoarem pelo corredor, abraçou Rin enquanto colocava o casaco em seu corpo frágil, pegando-a no colo. Afagou seus cabelos emaranhados, tentando acalmar a garota quanto rumava em direção a porta novamente.

- O que ele fez com você? – Sussurrou... Mas para si do que para ela... A voz carregada de consternação. Arrancou com força desconhecida a fita que prendia a circulação as mãos de Rin.

– Se acalme Rin, esta tudo bem agora. Sou eu... – Viu Inuyasha vir correndo, logo a expressão incrédula no rosto do mais novo pode ser notada. Com o pé encostou a porta da sala.

- O que aconteceu? Meu Deus, Rin-chan! – Inuyasha estava perplexo, enquanto a garota segurava-se firmemente no pescoço de Sesshoumaru.

- Chame os seguranças e a policia. Estou levando ela para a minha sala. Vai na frente e tira todo mudo do corredor.

Inuyasha correu sem pestanejar, virando a esquina e começando a mover os poucos alunos daquele corredor; Sesshoumaru cobriu a cabeça da garota e começou a andar em passos largos e rápidos em direção a sua sala, que naquele momento, estava inabitada graças à falta de horário para artes no turno da noite e a grande variedade de salas para cada professor que lecionava ali. Rin chorava baixinho, porem, Sesshoumaru não havia retirado a fita que tampava a boca de Rin. O medo de ela gritar e chamar a atenção dos alunos para si era mais preocupante do que o nervosismo da garota. Alcançou rapidamente a sala e a abriu em um solavanco. Se assustou ao acender a luz e ver que no fundo da sala, um casal se beijava. Imediatamente ambos se levantaram.

- Senhor Sesshoumaru...! Desculpe, nós não...

- Chamem o Diretor, rápido, muito rápido. Procurem um segurança e peçam para que vá até a sala dos professores. RÁPIDO. VAI!

Não olhou para trás, porem era certo de que os alunos cumpririam a ordem vendo a provável gravidade do problema. Sesshoumaru colocou Rin sobre a sua mesa e arrumou o casaco de forma que suas pernas não ficassem descobertas. Passou as mãos nervosas por seus cabelos. Ele agradeceu por ela não poder ver sua expressão horrorizada e triste, só faria com que a situação piorasse. Sesshoumaru sentia seu coração fraquejar, estava muito velho para aquele tipo de sufoco. Para aquele tipo de sentimento tão estrondoso que havia se apossado de si, embora soubesse certamente o que sentia, parte de si ainda se recusava a aceitar. A irritação e indignação estavam presentes até nas gotas de suor. Nervoso, passou a mão pelo rosto da garota, precisava de ar para respirar fundo, antes de falar, tinha de se acalmar. O que havia se passado pela cabeça de Kouga? Infernos! era o tutor da garota, não um desconhecido. Como ele não havia notado antes? Seus demônios estavam ali, percorrendo toda a sala e dando risadas dos medos que o cercavam. Respirou mais uma vez antes de puxar com rapidez a fita. A garota urrou poucamente, murmurando coisas inaudíveis logo depois. O silencio predominou por alguns segundos.

- Rin... – Nada mais poderia curar aquela dor. Levaria algum tempo para deixá-la um pouco mais amena. Nada mais seria igual, ele sabia... Aquele sorriso que pareciam acorrentar seus olhos junto dela sumiria por um tempo. – Me fale...

- Não... – A voz esganiçada da garota surgiu, seus braços apertaram o corpo do homem, abraçando o que restara de sua realidade.

Sesshoumaru fechou os olhos, o nó na garganta o fazia engasgar com a própria saliva. Pela primeira vez em muitos anos sentiu vontade de chorar. Percorreu as mãos pelas costas e cabelos da garota. O rosto feminino estava mergulhado em seus cabelos emaranhados. A tempestade se aproximava de seus olhos e o medo já presente em seu coração o impediam de manter-se firme. O silencio que se estabeleceu só era quebrado pelos soluços da menina. Talvez fosse tarde demais... A vida lhe roubou o fogo, roubou seu brilho. Só talvez a vida estivesse tentando roubar o amor.

A porta foi aberta e Bankotsu juntamente com Inuyasha e mais quatro policiais apareceram. Tudo foi muito rápido para que a faculdade não fosse prejudicada. O diretor fez questão de enlaçar Rin envolta de um grande e grosso cobertor, para que Sesshoumaru pudesse levá-la no colo até a ambulância que estava parada do lado de fora do campus. A notícia de que o estupro não havia sido consumado aliviou os policiais, amigos e diretor, porém, Kouga permanecia ali, preso na viatura e agora já acordado olhava tudo através do vidro. Catatônico e sorridente.

- Rin-chan... – Era Sango, ela pode reconhecer, virou o rosto e encontrou a mão da moça que lhe acariciava a face machucada. Inuyasha a Kagome se aproximavam para checar o estado da menina. – Me desculpa... – Os soluços de Sango soaram, e Rin constatou que a garota chorava.

- Não se preocupe Sango-chan... Não foi culpa sua... – Sua voz estava baixa, quase inaudível... Era evidente o choque da menina, sua fraqueza. – A culpa é somente do destino...

O Pai de Rin se aproximava tentando correr, a idade não deixava que fosse mais veloz, porem, todos se afastaram para que ele pudesse estar com a filha. Chorava copiosamente, enquanto a olhava, seu coração cheio de culpa. O rosto machucado de Rin já desinchava graças a bolsa de gelo que hora ou outra a própria levava ao rosto. Abraçou o pai como se a muito não o visse. Sua alma estava mais calma agora, que tinha a proteção extra do pai. Rin também chorava, e apesar de tudo, tentava acalmar o pobre homem que em sua frente, se tornava uma criança.

- Eu não consigo entender... Minha filhinha... – Jaken não podia acreditar, não entendia como havia acontecido.

Logo entraram na ambulância e partiram para o hospital. Sesshoumaru havia ido com o próprio carro logo atrás.

- Senhor... – Sango recuou para dar passagem ao professor que chegava com a face séria. – Muito prazer, Meu nome é Sesshoumaru. Sou o professor de Artes de Rin – O professor fez uma breve reverencia para o mais velho. - Rin já esta sendo medicada, e o quanto antes daremos o próximo passo para ter certeza que de Kouga não volte a incomodá-la. Não se preocupe com a conta, pois a universidade vai se responsabilizar por isso. O senhor também precisa saber que o ato não foi consumado... Ele não teve tempo o bastante para fazê-lo.

- Isso é maravilhoso! O desgraçado não conseguiu.

- Sesshoumaru fez que com que ele desmaiasse antes pai... – Os dois olharam para a garota, que sorria. Ele havia se enganado... Seu sorriso estava ainda mais doce...

Seu coração também sangrava... Ele podia enxergar o estrago que sua ignorância fizera. Apenas agora, seus olhos podiam assistir o que ele se recusou a ver por todo aquele tempo... Aquilo dentro de sua alma... Que gritava, e queria subir o mais alto possível, apenas para protegê-la... Aquilo não era pena... E ele sabia... Apenas morrendo, poderia calar aquele sentimento. Com uma reverencia saiu do quarto o qual Rin repousava. Não estava disposto a deixá-la ir. Não iria deixá-la ir.

De longe, Bankotsu assistia a cena. Seriamente preocupado com a situação de Sesshoumaru depois daquele episodio, chamou Kagome em um lugar afastado. Ambos conversaram sobre os riscos e hipóteses. Kagome sabia bem o que estava acontecendo, e em seus pensamentos, nem por um segundo culpou Sesshoumaru. Aquele sentimento que o perseguiu também havia perseguido a professora, e nada mais fora suficiente, até Inuyasha entrar em sua vida, e amá-la. Sua compreensão ia além da de qualquer outra pessoa, a tempestade que estava dentro dos olhos violetas de Sesshoumaru desde o primeiro dia em que aquela menina aparecera fora notado pela atenção de Kagome. Ele estava tão acostumado a não ter ninguém... Seu coração havia lhe pregado uma peça, e agora, o turbilhão de pensamentos que invadiam a cabeça do professor nada mais era do que amor.

Oi pessoal, desculpe a demora em atualizar. Esta tudo muito corrido, mas tenho dado o meu Maximo. Estou super ansiosa para o que vão achar deste capitulo. Comenteeeeemmm...

Mil beijos.

Dama da noite, pois e variar um pouquinho nehh?

Deby20 aqui esta, espero que tenha gostado. Beijos!

Kuchuki Rin, ai obrigada mesmo. Gostou desse? Rin-chan vai evoluindo seu relacionamento aos poucos com Sesshy. Beijjoooos!

Rin Taisho Sama, muiitississsissimo obrigada, e aqui esta, espero que tenha gostado! =*

Uriel-sama, obrigada, que bom que gostou, esse ta maior então espero que tenha gostado!

Muitos beijos pessoal.

Laura.