Capítulo 4 – Mudança de Planos

Dean, ainda sentado no sofá, segurava um copo de cerveja entre as mãos e pensava em como sair para procurar Cass. Queria, por motivos mais do que especiais, ir sozinho; ele fora injusto ao afastar o anjo, por isso deveria arcar com as inevitáveis conseqüências.

Largou o copo em cima da mesa e tirou a chave de seu amado Impala do bolso da calça jeans. Dirigia-se em direção à porta quando, para sua surpresa, ouviu o irmão dizer:

– Não é porque fez merda que vou deixar você ir só... E sabe-se lá para onde.

– É, ta, valeu Sammy... Eu fui um estúpido, que besteira! Não é justo tratar de maneira tão rude quem me ajudou.

– Era isso que Bobby e eu tentávamos dizer durante todo esse tempo. Mas, pra variar, você não nos escutou!

– Desculpe, mano... Acho que fiquei na expectativa de levar uma vida normal, que não atentei para o Cass e para a difícil situação que ele enfrenta agora.

– É, cara... Nós podemos pensar em ter uma vida comum depois. E, sejamos francos, quantas vezes isso foi prioritário para você?

– Quase nenhuma – disse, enquanto abria a porta. – Vamos?

– Sim, claro.

Os irmãos saíram da casa. Antes, porém, receberam várias recomendações de Bobby, que lhes falou para retornarem para lá assim que encontrassem o anjo. O caçador mais velho entregou a eles todas as armas que poderiam utilizar.

Como não sabiam o que enfrentariam no caminho, levaram água benta e armas carregadas de sal. Além disso, ainda tinham a faca da Ruby e uma adaga que matava anjos.

Entraram no carro. Rodaram alguns quilômetros por Laurence. Porém, como imaginavam, não o encontraram nas cercanias da residência na qual estavam. Circularam um pouco mais pelas ruas vazias. A madrugada fria afastava as pessoas dos bares e restaurantes, que ainda se mantinham abertos.

– Nada, nem sinal dele. Acho bom voltarmos para a casa do Bobby – sugeriu Sam.

– Nem pensar. Se quiser, pode ir sozinho. Vou procurar mais um pouco. O Cass não virou pó, ora essa!

– Ta, você venceu, vamos continuar a busca.

Em silêncio, andaram por mais algum tempo. Quando estavam a ponto de desistir, tamanho era o desânimo de ambos, uma intensa luz preencheu o Impala.

Os irmãos se depararam com um homem sentado no banco de trás do veículo. Magro, vestia botas, casaco e calça preta. Tinha olhos azuis muito parecidos com os de Castiel, mas o cabelo ruivo indicava que era outro anjo.

– Ótimo. Quer sair do meu carro, agora! – exclamou Dean, após estacionar.

– Sempre impulsivo, não é? – retrucou. – Não acha melhor saber quem sou eu? Talvez Samuel tenha algo a dizer.

– Como veio parar aqui? – perguntou o mais novo, apontando para o banco. – É um anjo, também? E qual é o seu nome?

– Sim, sou. Chamo-me Azrael, rapazes. Vim saber o que há com Castiel... Por que ele sumiu?

– Hum... Achei que você pudesse nos esclarecer melhor tudo o que descobrimos.

– Se pergunto, Dean, é porque não sei nada. Apenas que Rafael o caça por algum motivo.

– Porque Cass se negou a ajudá-lo na marcha de uma tropa de anjos para destruírem todos os humanos que puderem – informou Sam.

– Bem, o que acaba de me contar é relevante. Como soube disso, Samuel?

– Foi Castiel que nos relatou – disse, apontando para o irmão, como a indicar ao recém-chegado que o mais velho sabia a que assunto se referia.

– Entendo. E onde o anjo está agora?

– Nem Deus sabe – brincou Dean.

– Que quer dizer com isso? – perguntou Azrael, o tom sério.

– Por que tenho de responder a você? Como posso saber que quer nos auxiliar?

– Não os ataquei, o que demonstra que pretendo ajudá-los.

– Como quer fazer isso, se nem sabe onde Castiel foi parar?

– Escute aqui Dean Winchester, não temos tempo hábil para discutirmos. Vocês não têm outra escolha: precisam confiar em mim. É, eu não sei de muita coisa, como você bem disse. Mas preciso ajudar meu irmão. Ele acha que Kasbeel é responsabilidade só dele. E como ouvi, pelo Céu, pois estive lá a pouco, que Rafael o acordou...

– Peraí – interrompeu Sam. – O rebelde foi chamado, mesmo?

– Tudo indica que sim.

– Maravilha! – exclamou o loiro. – Mais um idiota para vir atrás do Cass e para, de quebra, esmagar as pessoas como pasteis.

– E esse não é um idiota qualquer – explicou Azrael. – Ele teria de ser educado por nós, mas há problemas que nem Castiel sabe.

– Quais? – questionaram os Winchester's.

– Bem, para resumir... Pois a história é longa... Zacharias raptou o pequeno Kasbeel enquanto nós dormíamos. Logo na manhã seguinte, eu fui enviado a missões no Sistema Solar que habitam. Portanto, não tive quaisquer notícias de meus irmãos mais próximos. Como sou quase que da mesma idade angelical de Castiel, teríamos de cuidar do pequenino. Mas como sei que meu irmão teve missões a cumprir em Saturno logo após o rapto, se não me engano, não pôde educá-lo também. Coube, então, a Zacharias fazê-lo a seu modo.

– Nossa, que gentil deve ser esse tal Kasbeel – falou Dean. – A julgar por quem o educou...

– É, você está certo. Por isso temos de ir. Quero ajudá-los a achar Castiel. Creio que sei para onde o levaram, e não fica longe deste bairro.

– Ótimo! Então vamos nessa! – comentou o Winchester mais velho, enquanto ligava o negro Impala, que saía em alta velocidade.