N/A: Essa fic possui leve conteúdo NC-17/M.

Aviso: Não foi revisada.


Guiding Light

You were my guiding light

And there's no guiding light left inside


Feixes de luz desviam-se.

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Você me observou e tive a sensação de que era o único a notar seu olhar firme e decidido.

O salão estava cheio de pessoas importantes, trajes de gala impecáveis e vozes esganiçadas. Você segurou minha mão com força e me guiou por entre corpos quentes, sons confusos e fragrâncias muito doces – três coisas que você nunca possuiu.

Notei os vultos ao meu redor dissiparem-se, perdendo o foco conforme eu encarava as suas costas pálidas e nuas devido ao vestido decotado.

Chegamos a um cômodo mais claro, vivo e brilhante. Em seguida, uma porta nos levou ao calor e a escuridão do menor cômodo da mansão. Mas isso não importava, afinal, você me levara até ali por um único motivo.

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Corpos celestes. Supermassivos e ultracompactos.

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Eu não tinha muita certeza sobre como proceder. Queria ter mais experiência, saber mais coisas, ser mais confiante. Segui meus extintos e você pareceu gostar disso, apertando meu ombro com a ponta dos dedos finos conforme eu deslizava minhas mãos por sua cintura e quadril.

Seu beijo intenso era a minha motivação e ao mesmo tempo, me fazia recuar – por parecer congelar os meus lábios. Pensei que a sua temperatura estava sempre inferior à zero graus e se o seu objetivo era fazer-me alcançá-la lá embaixo.

Com esse pensamento, eu desci – as mãos pelas coxas e os lábios pelo pescoço – ouvindo-a pedir num sussurro que não parasse. Então eu estava no caminho certo e isso fez muito bem ao meu ego.

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Camadas externas.

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Seus lábios gelados contra os meus e a pele fria sob minhas mãos ágeis. Não havia novidade naqueles movimentos, portando avancei para algo diferente e nunca antes experimentado. Senti a textura suave da sua peça íntima feita de seda e como ela parecia moldar-se a cada toque, umedecendo a ponta dos meus dedos conforme eu os movimentava vagarosamente.

Você apreciava todas as sensações que eu lhe proporcionava enquanto lutava contra os botões da minha camisa por baixo do paletó que já se encontrava caído aos nossos pés. Havia muitas camadas de tecido em nosso caminho, mas logo elas se tornariam apenas peças esquecidas sobre um velho piso madeira.

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Aberração cromática. Distorção visual.

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Você não possuía calor, confusão ou doçura, mas nenhuma dessas coisas me incomodava. A única coisa que poderia me afastar era aquilo que eu evitava reparar. A sua falta de cores.

Mesmo na escuridão, eu era capaz de enxergar seus olhos sombrios e pele pálida, seus cabelos negros e dentes brancos como leite, suas pérolas escuras e unhas claras, brilhantes... Tudo em você era um contraste, um oposto, um contrário.

Assim como nós éramos um para o outro, ainda que eu também refletíssemos as mesmas cores – ou a ausência delas.

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Enorme densidade.

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Você me conduzia por seus próprios caminhos, ensinando-me a ser como você era. Eu aprendi rápido, assim como o movimento que a fez abrir os olhos – surpresa – e me encarar intensamente. Seus pés roçavam contra meus joelhos conforme eu deslizava suas costas – para cima e para baixo - pela parede escura e incômoda.

Estava tão apertado, tão quente, tão úmido... Porém, sua pele continuava fria como pedra, assim como sua língua – ocupada em traçar uma linha contínua e invisível em meu pescoço. Tão gelada que parecia morta. De fato, a única coisa viva em você era o brilho ofuscante do seu olhar, que tentava penetrar em minha alma, cegando-me para sempre.

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Grávidade extrema. Esgotamento de energia.

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Sentia-me leve e seu corpo parecia feito de ar agora, tornando a minha força para segurá-la quase nula. Continuei com os movimentos, cessando a rapidez e investindo devagar contra você, que sussurrava meu nome num tom cada vez mais baixo e fraco. Sua voz sumiu por um instante e pequenos espasmos prazerosos subiram pela minha espinha, alcançando o clímax apenas segundos antes de você desabar sobre mim, exausta.

O chão desapareça e flutuávamos juntos agora. Olhos fechados, mentes abertas, corações atados. Eu não tinha certeza de como havíamos chegado ali.

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Remanescente da explosão.

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A meia deslizava para cima, cobrindo suas longas pernas novamente enquanto você afastava o cabelo para que eu amarrasse o pequeno laço que fechava o vestido, formando uma linha negra de seda sobre a pálida superfície da sua clavícula.

Não me dei ao trabalho de vestir o paletó de novo, jogando-o sobre o ombro enquanto a via abrir a porta devagar e deixar o cômodo sem olhar para trás. Encostado no batente, eu observei você desaparecer por entre todos aqueles que ainda se encontravam no salão iluminado e barulhento.

Não havia mais caminhos a percorrer, nem sua mão para me guiar por todos aqueles que eram os errados. O silêncio fora incômodo, porém necessário. Eu começava a crer que aquela era a nossa única forma de comunicação, mas não tinha certeza se você concordava. Resposta eu não teria, pois a pergunta jamais fora feita. Palavras não ditas usualmente acompanham momentos guardados a sete chaves.

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Estrelas de nêutrons. Estágios finais de uma vida.

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Você me conduziu por entre pessoas, lugares, ideais e crenças. Porém, eu decidi que estava na hora se seguir meu próprio caminho. Você não foi capaz de perdoar essa minha escolha. Sequer se esforçou para entendê-la.

E assim, deixou de ser minha guia – mesmo que jamais deixasse de ser a estrela que eu sempre tentei seguir.


N/A:

PULSARES/ESTRELAS DE NÊUTRONS: As estrelas de nêutrons ou neutrões são corpos celestes supermassivos, ultracompactos e com gravidade extremamente alta.
A partir de estudos teóricos e observações astronômicas, sabe-se que a densidade no centro destas estrelas é enorme, da ordem de 1015 g/cm³.
Devido à alta gravidade superficial, os feixes de luz que passam próximos a algumas estrelas de nêutrons são desviados, ocasionando distorções visuais, muitas vezes aberrações cromáticas ou o efeito chamado de lente gravitacional.
Estrelas de nêutrons são um dos possíveis estágios finais na vida de uma estrela. Elas são criadas quando estrelas com massa maior a oito vezes a do Sol esgotam sua energia nuclear e passam por uma explosão de supernova.
Essa explosão ejeta as camadas mais externas da estrela, formando um remanescente de supernova. Instantes antes da explosão, a região central da estrela se contrai com a gravidade, fazendo com que prótons e elétrons se combinem para formar nêutrons, e daí vem o nome "estrela de nêutrons".