Capitulo 3

Na mesma hora, na mesma cidade, só que um pouco mais longe.

"Deixe-me ver como fica em mim!"

"Você está ridícula! Parece o Carlitos!"

Alice caminha de um lado para o outro sobre o tapete do quarto de sua mãe, vestindo o terno azul de seu pai, cujo tamanho é pelo menos cinco vezes maior que o seu.

"Que nada, fica melhor em mim do que nele!"

"Mas, coitadinho, seu pai só tem um pouco de barriga..."

"Um pouco? Parece o leão-marinho do filme «Como se fosse a primeira vez!» Olhe só as calças."

Alice prende as calças na cintura e as estica com a mão.

"Este é o saco de papai Noel."

"Ótimo! Então onde estão os presentes?" E as Ondas se levantam e correm para ela, revistando-a de todos os lados como se realmente estivessem procurando alguma coisa.

"Vocês estão fazendo-me cócegas, chega! Além do mais este ano foram garotas más, só merecem carvão! Para Leah, uma barra de alcaçuz, ao menos ela se comporta!..."

"Ufa, será preciso que sempre me precisa gozar, só porque não faço como você, que não poupa ninguém!"

"É por isso que me chamam de Exterminador!"

"Essa é velha, você a roubou."

E, rindo mais uma vez, atiram-se na cama.

"Vocês imaginam que tudo começou aqui?"

"Em que sentido"?

"A imensa sorte de ter uma amiga como eu!"

"E o que isso quer dizer?"

"Mamãe e papai, dezoito anos atrás, numa noite quente decidiram que a vida deles necessitava de um choque, de uma sacudida de energia, e então, pimba! Acabaram exatamente aqui e mandaram brasa!"

"Que linda forma de falar do amor, Alice".

"Sei amor, use o nome certo, sexo! Puro e sadio sexo!"

Leah abraça o travesseiro ao seu lado. "É um quarto maneiro e essa cama é bem confortável... Vejam essas fotos sobre a cómoda! Estavam lindos os seus pais, no dia do casamento."

Kate agarra Bella pelo pescoço e finge que a estrangula.

"Você, Bella, aceita como legitimo esposo a este aqui não presente Fábio?" E Bella responde com um safanão.

"Não!"

"Então, garotas, falando disso. Como foi a primeira vez de vocês?" Todas se viram imediatamente para Alice. Depois olham umas para as outras. Leah, de repente, fica quieta e silenciosa.

Alice sorri.

"Ora, eu não perguntei se mataram alguém! Está bem, entendi, eu começo assim vocês ficam menos tímidas. Então...Alice foi precoce desde o início. Já no maternal pregou um beijo em plena boca de seu coleguinha Ilario, conhecido como Sebo pela enorme produção de porcarias provenientes dos seus milhares de bolinhas que prolifetaram em seu rosto como pequenos vulcões..."

"Nossa, que nojo, Alice!"

"Sei lá, eu gostava dele sempre, competíamos no escorregador.

Mais tarde, no primário foi a vez de Rubio..."

"Rubio? Mas você escolhe todos?"

"Mas é um nome?"

"Sim, é um nome! E até bonito. Então, Rubio era um tipinho bem maneiro. Nossa história durou dois meses, de carteira escolar em carteira escolar."

"Sim, está bem Alice, mas assim fica fácil. Você disse a primeira vez, não as histórias de crianças", interrompeu Bella, ajeitando-se com as pernas cruzadas sobre os travesseiros e apoiando-se na cabeceira da cama.

"É verdade. Mas eu queria que vocês entendessem como os fenómenos já são visíveis quando ainda somos pequenos! Então, vocês querem algo pesado? Então prontas pra um conto digno de Playboy? Lá vamos nós. Minha primeira vez foi a três anos."

"Com quinze anos?"

"Quer dizer que você perdeu a virgindade ao quinze anos?" Leah a observa de boca aberta.

"Sim, claro, eu ia guardar pra quê? Algumas coisas é melhor perder do que encontrar! Bem, eu estava ali...uma tarde depois das aulas. Ele, Paolo, era mais velho do que eu, dois anos. Um fofo que mais fofo impossível. Tinha roubado o carro do pai, só pra dar uma volta comigo."

"Ah, sei, Paolo! Você nunca disse que foi com ele, a primeira vez!"

"Mas, com dezassete anos já dirigia?"

"Sim, bem, já sabia dirigir um pouco. Bem em resumo o carro era um Alfa 75 vermelho fogo e acabadíssimo, com os bancos em couro bege..."

"Chiquérrimo!"

"Ora, o que vale era ele. Ele gostava muito de mim. Fomos para a via Appia Antiga e estacionamos um pouco escondidos."

"Na Appia Antiga com um Alfa Antiga."

"Que gracinha! Em suma...aconteceu ali e durou bastante. Ele até disse que eu era boa, imaginem, eu não sabia de nada..., isto é, havia assistido a alguns pornos com meu primo na praia, mas fazer de verdade..."

"Mas dentro do carro é deprimente, Alice...diabos, era a sua primeira vez. Será que você não teria preferido, sei lá, a música, a magia da noite, um quarto repleto de velas..."

"Sim, claro, estilo velório. Ora Kate, é sexo! Onde acontece, acontece, não importa onde, o que vale é como!"

"Estou chocada." Leah agarrou mais forte o travesseiro. "Quer dizer, eu assim, nunca... A primeira vez, mas você se dá conta? Você não vai se esquecer por toda a vida!"

"É claro que se você encontrar um estabanado vai esquecer, lógico, vai esquecer. Mas se você encontra alguém como Paolo, vai lembrar pra sempre! Ele me faz sentir belíssima!"

"E depois?"

"Acabou depois de três meses. Você não lembra? Depois dele foi Lorenzo, chamado, obviamente, o Magnífico...aquele da segunda série. Que fazia remo."

"Não, não consigo acompanhar as suas contas."

"Bem, eu já contei. E vocês? Você, Kate?"

"Eu, mais clássica e naturalmente com Giò!"

"Clássica no sentido posição mamãe e papai?"

"Alice! Claro que não, no sentido que Giò reservou um quarto na pensão Antica Roma, aquela pequena, mas limpinha, que não é muito cara, lá no Gianícolo. Sabe, Bella onde colocamos pra dormir as duas fulanas inglesas que vieram fazer intercâmbio e que seu irmão não queria que ficassem dentro de casa?"

De repente a porta do quarto de abre. Entra a mãe de Alice.

"Mas mãe, o que é isso? Pode sair! Não vê que estamos em reunião?"

"No meu quarto?"

"Bem, você não estava, e se você não está é um espaço livre como qualquer outro, não é?"

"Na minha cama?"

"Sim claro, é tão gostoso em, além disso, me lembra você e meu papai e eu me sinto segura..." Alice mostra o rosto mais angelical possível. A bem da verdade, uma cara de pau.

"Sim, está bem...mas depois deixe tudo arrumado e estique bem a coberta. E a próxima vez que quiserem fazer reunião, vão para o porão, como faziam os carbonários. Boa tarde garotas." E sai um pouco incomodada.

"Enfim, você dizia da Antica Roma. É por isso que você a indicou, dizendo que era aconselhável! Você já havia experimentado!"

"Claro! Bem, fomos pra lá por volta das cinco horas da tarde, e ele havia preparado tudo, perfeitamente."

"Mas não tem que ser maior de idade pra alugar um quarto?"

"Bem, não sei, mas ele jogava bola com o filho da proprietária, que lhe fez o favor."

"Ah!"

"Foi maravilhoso. No início eu tinha um pouco de medo, assim como Giò, porque era a primeira vez pra ele também, e nos movíamos um pouco desajeitados. Mas no fim foi tudo muito natural... Dormimos ali, nem sentimos fome na hora do jantar. Foi aquela vez, Alice, que eu disse que havia ficado em sua casa por causa da assembleia, lembra? Na manhã seguinte fizemos um super desjejum e à uma hora voltei pra casa. Eu me sentia bem. Você fica leve, depois, um pouco grande também e parece que não pode mais deixá-lo..."

"É isso mesmo, não quer mais deixá-lo...", fala Alice em tom de zombaria e Leah lhe da um safanão.

"Ai! O que foi que eu falei?"

"Sempre com duplo sentido."

"Nada disso, eu sou direta, é essa a questão! E você, Bella! Com Fabio não? Em ritmo de rap? "

"Bem, sim...com ele e com o rap de fato. Na casa dele, a família estava de férias. Faz dez meses, um sábado à noite, depois de uma apresentação dele num local do centro. Estava excitadíssimo pela apresentação que correra bem e porque eu também estava lá. Ele também havia preparado tudo pra mim... A sala iluminada com luzes discretas. Duas taças de champanhe. Eu nunca havia experimentado...muito bom. Como fundo musical, as suas últimas músicas. Para ele, não era a primeira vez e dava para perceber. Movia-se com segurança, mas me deixou à vontade, protegida. Disse que eu era como uma guitarra maravilhosa, que podia ser tocada sem precisar de afinação, e de harmonia perfeita..."

Alice olha para ela. "Que sorte! A rabuda de sempre!"

"Sim, mas veja como terminou."

"Mas isto não importa, a primeira vez ninguém vai roubar de você."

Em seguida silêncio. Leah aperta mais o travesseiro. As Onda a observam, mas sem encarar. Indecisas entre brincar e ficar sérias. É ela quem quebra o gelo.

"Eu não. Nunca fiz. Espero a pessoa certa, aquela que vai fazer com que eu me sinta três metros acima do chão, como num conto de fadas. Talvez quatro, ou cinco, ou seis metros. Não quero que seja se qualquer jeito e depois a gente se separe."

"Mas o que tem a ver, como que é que você pode saber o que vai ser depois... o importante é se amar e basta, não? Sem hipotecar o futuro."

"Nossa, que discurso Kate."

"Mas é verdade. Leah deve se lançar, não sabe o que está perdendo, e não no sentido que Alice entende!"

"Não, não, por isso também!"

"Leah, você deve se soltar. Não vê quantos rapazes estão atrás de você? Um montão!

"Um rio!"

"Um time de rúgbi."

"Uma maré, só para manter o tema conosco, as Ondas!..."

"Olhem, para mim seria suficiente um só, mas aquele certo..."

"Eu tenho um certo pra você."

"Quem?"

"Um belo sorvete gelado de coco! Vamos, Ondas!"

"Tenho uma ideia melhor... Algumas de vocês ainda não experimentaram."

"O quê?"

"Não é o que estão pensando... Grande novidade... Sigam-me!"

Alice desce da cama e sai do quarto. Bella, Kate e Leah olham para ela e sacodem a cabeça. Depois a seguem, deixando, naturalmente, a coberta toda desarrumada.

Notas finais:

Então que dizem?

Estas conversas de meninas eheheh…

Esta Alice é safada !