CAPITULO TRÊS

Chase seguiu com Cameron atrás dele para dentro de um bar. Ela olhou em volta se sentindo deslocada. Sentia que não era acostumada a ir a lugares daquele tipo.

- Isso é incrível. – ela disse, mais pra si mesma do que para Chase. – Nunca vim em algo parecido. – e Chase riu.

- Como você sabe?

- Bem... – ela pareceu chateada.

- To brincando. – ele a tranqüilizou. – Do que eu conheço você, não é bem o tipo de lugar que você freqüentaria.

- Isso é bom ou é ruim?

- Pra mim? – ele se virou para ela, a olhando firmemente. Ela tremeu com aquele olho azul de novo. – É ruim.

Chase viu que ela não compreendeu o que ele quis dizer. Ele explicou:

- É que... queria sair com você, te levar em... lugares, mas... você nunca... entende?

Ela levantou as sobrancelhas e deu um sorriso triste.

- Acho que não faz muito sentido eu me desculpar agora.

- Relaxe, Cam. Vamos... Quer uma cerveja?

- Claro. – e eles se aproximaram do bar, onde Chase pediu duas "Bud".

- Como achou este lugar?

- Na verdade, foi recomendado. – ele disse passando uma garrafa long neck para ela, e apontou com a mão munida de uma garrafa também, para um canto do salão. – Um amigo meu, ou melhor, vizinho tem uma banda e tocam aqui toda quinta feira. E ele sempre me convidou pra vir vê-lo tocar e eu nunca venho. Nunca dá tempo. – ele riu e bebeu da garrafa.

Cameron olhou em volta, prestando atenção no local. Era um galpão grande e simples. A sua esquerda estava o imenso balcão onde os freqüentadores se estapeavam para pedir bebidas e a sua direita, havia uma imensidade de mesas já abarrotadas. A sua frente estava um grande espaço e em frente a ele, um palco.

Ela prestando atenção na decoração e nos clientes, não ficou com dúvidas:

- É um bar de reggae, certo?

- Certo. – ele disse. – Você gosta?

- Acho que conheço muito pouco.

- Você vai curtir. É só entrar no ritmo. – ele sorriu.

Ela sorriu de volta. Ele parecia tão deslocado ali como ela.

Algumas pessoas subiram ao palco. Chase pegou na mão livre de Cameron e a puxou até lá.

Um homem alto, moreno de olhos claros, ao vê-lo gritou, surpreso:

- Doutor! Não acredito!

- Consegui vir. – Chase ficou embaraçado, esticando a mão para um cumprimento barulhento. – Esta é Allison.

- Olá, eu sou Benjamim. – ele disse, esticando a mão para ela.

- Oi. – ela disse, sorrindo.

- Ben, eu ia te pedir... sabe aquela minha canção favorita...? – o amigo confirmou. – Você pode dedicar ela pra minha amiga aqui?

- Com certeza. – ele disse, dando uma piscada suspeita para Chase, e riu.

Chase rolou os olhos e sorriu para Cameron.

Ben seguiu até o microfone:

- Boa noite! Nós somos o "Jah Tribe". – algumas pessoas aplaudiram e Chase e Cameron também. – Esta é uma noite especial. Uma noite tributo ao maior poeta do reggae: Bob Marley.

A multidão gritou. E Ben começou:

- "No woman no cry/ No woman no cry/ No woman no cry/ No woman no cry" – ele cantou, e Cameron se pegou cantando. Conhecia essa.

Ela olhou em volta e viu todo aquele povo cantando, de olhos fechados. Se sentiu diferente, como se uma sensação de plenitude se apoderasse dela. Será que era aquilo que ela precisava? Será que era aquilo que ela se privava?

Começou a se sentir viva, solta, calma, feliz. Aquele lugar, a cerveja, a música, a companhia... parecia que era tudo que ela precisava.

- "Say I remember when we used to sit/ In a government yard in Trenchtown/ Observing the hypocrites/ As they would mingle with the good people we mee'/ Good friends we have/ Oh, good friends we lost/ Along the way/ In this great future,/ You can't forget your past/ So dry your tears, I seh..."

Olhou para Chase e o viu cantar junto. Ele estava realmente integrado àquilo, como se o fizesse sempre.

Será que ele a levava para sair? Para ouvir bandas? Beber? Dançar? Mas lembrando do que ele havia dito antes, a resposta era um não. Agora ela lembrava que ele era um brinquedinho pra ela, e se sentia culpada.

Como podia se privar daquilo? Da companhia? De sair, curtir, se divertir? Fazer a mesma coisa que todas as pessoas faziam? Por que e pra quê se privar do Chase? Do amor dele?

Algo lhe dizia que desperdiçava as chances que a vida lhe dava. E Chase era o primeiro item da lista.

Ela o observou novamente. Ele mantinha os olhos fechados, cantando feliz. Ele se balançava no ritmo: a cabeça, os ombros, as pernas. Quase como se estivesse num transe.

Lembrando dele tão sério e preocupado no hospital, e tão embaraçado diante da historia que ele lhe contou na casa dela, jamais o imaginaria daquele jeito. Tão livre, tão solto...

Ele abriu os olhos e a viu o observando. Sorriu, ficando vermelho, parando de dançar.

- Não! – ela pediu, se aproximando. – Não pare! Dança comigo!

Chase sem tirar os olhos dela, a puxou para mais perto, colocando as mãos nas suas costas. Cameron levou as mãos ao pescoço dele, e Chase começou a guiá-la no ritmo que ele dançava antes.

E Cameron ficou extasiada.

Era único. Era como se nunca tivesse dançado antes. E nem viu o tempo passar. As músicas eram tocadas, e cantavam e dançavam sem parar. As vezes juntos, as vezes separados. Mas sempre ali, um do lado do outro. E ambos sabiam como aquela proximidade era algo indescritível.

- Eu queria dedicar uma música. – Ben começou. – Para aquela morena ali. – e apontou para Cameron.

Cameron levou as mãos ao rosto quando várias cabeças se viraram para ela. Ela se escondeu atrás de Chase, que ria abertamente, saindo da frente dela. E quando ele corria, ela ia atrás envergonhada.

- É, ela mesma. – Ben continuou. – Aquela morena ali que tá tentando se esconder atrás daquele loiro feioso. – ele riu, e Chase ria mais ainda, com o embaraço de Cameron. – Essa musica foi pedida por esse loiro feioso pra ela. Pra você, Allison, do Doutor.

E começou:

- "Don't worry about a thing,/ 'Cause every little thing/ is gonna be all right./ Sayin',don't worry about a thing/ 'Cause every little thing/ is gonna be all right."

Chase começou a cantar para Cameron junto com a música.

E ela, prestando atenção no que a letra dizia, sorria feliz. Não só feliz com aquela noite perfeita, mas com Chase ali do seu lado, lhe confortando, dando sua amizade e seu amor, sem pedir nada em troca.

- "Rise up this morning/ Smile with the rising sun/ Three little birds/ It's by my doortep/Singin' sweet songs/ of melodies pure and true/ Sayin',"This is my message to you",uh,uh"

Chase se aproximou dela e sussurrou:

- O que está achando da noite?

- Espetacular. – ela sorriu, encantada.

- Fico... feliz.

- Posso pedir uma coisa?

- Qualquer coisa. – ele disse, com os olhos azuis brilhando.

Será que eu peço? – ela pensou.

Ela olhou firmemente aqueles olhos azuis. Aqueles olhos que povoava seus sonhos todas as noites. Lembrava daquele azul sempre que olhava qualquer coisa azul. O que era aquilo? Não podia ser só o desejo de amizade e companhia. Era mais que isso. Parecia uma... necessidade. Necessitava dele.

Da companhia, do carinho, daquele amor que ele lhe passava...

Estremeceu ao pensar que podia não ter aquilo. E antes que sua mente racionalizasse qualquer coisa, o beijou.

Chase se surpreendeu com aquilo, mas não resistiu. Estava atordoado. Queria aquilo a noite toda. Mas estava com medo. Medo do que ela poderia pensar, do que poderia dizer.

E foi ela que se aproximou. Foi ela que deu aquele passo.

E deixou se levar por ela. Precisava ardentemente sentir o seu gosto novamente. Como se fosse precisasse daquele beijo pra sobreviver.

Ah, Cameron... – ele suspirou.

Ele aprofundou o beijo, colocando ritmo e a fazendo perder a força das pernas. O beijo é intenso e avassalador. Ele explorou a boca dela com a língua, e Cameron a abriu mais para senti-lo por completo.

Chase achava que não conseguia mais parar. Não conseguia sequer mais lembrar onde estava, o que estava fazendo. Só sabia que se parasse podia morrer.

Ela leva as mãos aos cabelos dele, pressionando mais o rosto dele no seu. Chase percebendo o incentivo de Cameron continuou ali. Naquele beijo apaixonado.

Cameron sentiu seu corpo em brasa, e percebe que o corpo de Chase começava a corresponder com mesma excitação.

Lembrando de onde estava, e não querendo que as coisas saíssem fora de controle, se afastou. Ela viu que Chase respirava com tanta dificuldade, que ela achou que ele podia enfartar ali no meio do salão.

Ele sorriu, de um jeito que nunca havia visto ele sorrir antes. Como se estivesse vivendo uma felicidade plena.

Ele lhe fez um carinho no seu rosto, e a puxou novamente para dançar. Ela posicionou o rosto ao lado do rosto dele, e deixou a voz grave dele entrar no seu ouvido:

- "Singin' don't worry about a thing,/ worry about a thing, oh!/ Every little thing is gonna be all right./ Don't worry!/ Singin' don't worry about a thing/ I won't worry!/ 'Cause every little is thing gonna be all right."

Decidiu que não queria mais nada. Não queria lembrar de nada. Queria que o mundo parasse naquele instante, pra ficar ali. Grudada ao corpo de Chase, sentindo seu perfume, seu toque, seu sabor.

A música acabou, e os dois se afastaram, aplaudindo a banda. Só que eles sequer olhavam para Ben e para os outros, olhavam um para o outro. Chase não conseguia desviar o olhar. Não conseguia olhar para mais nada. Só para ela. Para a mulher que amava.

Estava entrando em parafuso. Sua consciência dizia que não devia fazer aquilo. Cameron estava ainda diferente. Sem memória, sem lembranças. Achava que era um erro fazer aquilo. Amá-la e deixá-la se aproximar dele daquele jeito.

Mas ela era tão...

Estava tão...

Era uma versão jovem e inocente da mulher que amava. Não era ela, mas ainda assim era. E este nova Cameron despertava nele a mesma paixão, a mesmo amor, e a mesma vontade de beijá-la até deixá-la sem sentidos.

- Por que está fazendo isso comigo? – ele murmurou.

- Isto o quê? – ela se aproximou, encostando o corpo ao dele.

Chase tremeu novamente.

- Cam... você está me deixando mais... doente do que estava antes.

Ela riu, levemente, sem tirar os olhos dele. Ele devolveu um olhar, implorando pra que o destino mudasse suas vidas, seu mundo.

- Eu quero... que você me deixe doente, Robert. – ela disse, próximo ao ouvido dele.

Chase fechou os olhos e a abraçou.

- Você não está fazendo isso só pra brincar com meus sentimentos, não é?

- Nunca. – ela o olhou profundamente.

Chase, sorrindo feliz como nunca, segurou o rosto dela com as duas mãos e a beijou. Um outro beijo apaixonado e avassalador.

- Vamos sair daqui. – ele disse, com os lábios dela entre os seus.

TO BE CONTINUED...

XxLFxX

N/A: Hehe, não me matem! Não, não, por favor!!! É injusto. É maldoso!!!

Vocês realmente acham que eu colocaria uma cena Nc-17 bem agora? Huhauhuahauhauhahaahuauhua.

Ah, eu tenho duas fics pipocando no meu cérebro. Uma, pós-Hunting; e uma pré-Human Error (essa é baseada num filme). Só que sem o Pépe não adianta nem pensar nelas.

Notas:

Bud é a abreviação de Budweiser. Uma cerveja bem comum e bem vendida nos Eua.Eu já bebi, e não vi muita diferença do que tem aqui.

Jah Tribe é uma brincadeira minha em homenagem a um dos maiores grupos de reggae do Brasi: Tribo de Jah.

Bob Marley? Vocês conhecem? Nunca ouvi falar. Hehe. Brincadeira!! Como disse Michael (do Lost): Quem não gosta de Bob Marley? Ah, as canções desse capítulo são: No Woman, No Cry e Three Little Birds (sua personagem vai ficar pro próximo capitulo, Lalá) BREVE AS CANÇÕES ESTARÃO NO FÓRUM TUESDAY PARA DOWNLOAD!!!

AGRADECIMENTOS A (vou ser curta e rápida dessa vez):

Sally, Lis, Mai, Lalá, Mona, Natassja, Nayla, Lais, Flora, Naiky, Vanessa, e Poliana. Ah, agradeço também a mulherada que NÃO DEIXA REVIEWS, mas sei que lêem.

Traduções (só as partes mencionadas):

No Woman No Cry - Bob Marley

Composição: Bob Marley

Não, Mulher, Não Chore

Não, mulher, não chore

Não, mulher, não chore

Porque me lembro quando costumávamos sentar

Num conjunto habitacional em Trenchtown,

Observando os hipócritas

Misturando-se com a boa gente que encontramos

Bons amigos temos, bons amigos perdemos

Pelo caminho,

Neste grande futuro,

Você não pode esquecer de seu passado;

Então enxugue suas lágrimas, eu digo!

Não, mulher, não chore

Benzinho

Não derrame nenhuma lágrima

Não, mulher, não chore

Three Little Birds - Bob Marley

Composição: Bob Marley

Não se preocupe com coisa alguma

Porque tudo

ficará bem.

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma

Porque tudo

ficará bem.

Acorde hoje pela manhã

Sorria com o sol nascendo,

Três passarinhos

Estão em minha porta

Cantando doces canções

De melodias puras e verdadeiras,

Dizendo "Esta é minha mensagem para você", uh,uh

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma

Porque tudo

ficará bem.

Dizendo, não se preocupe com coisa alguma

Porque tudo

ficará bem.

XxLFxX

No próximo capítulo:

- Sempre foi assim?

- Assim como? – ele não entendeu.

- Assim. Deste jeito. – ela se aconchegou mais ao corpo dele.

- Sempre. – ele disse, sonhador.