David estava saindo da pensão da Granny quando esbarrou nela. Assim que ele olhou para a moça na sua frente, percebeu o quão bonita era. Tinha um cabelo curto, preto, olhos docemente azuis. E parecia assustada demais. Ele sorriu para ela, abaixando e pegando o caderno que ela derrubara.
"Me perdoe."
"Eu é que não olho por onde ando, xerife. Me desculpe."
"Pode me chamar de David."
Ela sorriu.
"O seu nome é...?"
"Mary Margareth . "
"Ah sim, prazer em conhecê-la. Você é nova aqui, Mary?"
"Na verdade não. Faz três anos que me mudei para esta cidade."
David colocou a mão na nuca, desconcertado por não conhecer alguém que já morava ali há três anos. Embaraçoso, para dizer o mínimo. Mary o observava, curiosa. David Nolan era um homem muito bonito. Porém, muito bem casado. Ele sorriu novamente e começou a se afastar.
"Com licença, senhorita. Essa cidade precisa de mim."
O tempo corria lentamente para ela. Regina não podia acreditar que já se passara uma semana desde que Robin a beijara. Parecia uma eternidade. Todos os dias, ela era abordada por lembranças daquele momento. E seu corpo respondia imediatamente, arrepiando sua pele. Ela podia descrever minuciosamente o cheiro dele, o toque dos seus dedos, a força do seu abraço, a maneira possessiva como ele segurara seu cabelo, o sabor da sua boca...
Ela se lembrava de tudo, detalhe por detalhe, como se tivesse acabado de acontecer. O problema é que ela prometera à si mesma que havia sido um erro imenso e que nunca mais deveria sequer pensar nisso. O que fora por água abaixo quando Robin bateu na porta.
"Regina?"
O estômago dela deu um nó. Ela olhou para ele por alguns segundos e desviou o olhar, respondendo enquanto fincava os olhos em um papel qualquer.
"Oi, Robin. Posso ajudá-lo?"
"Estou procurando a Marian."
"Ela está aqui na sala ao lado. Fique à vontade."
Robin a olhou, pensativo e sem responder, foi até sua esposa.
"Eu não acredito!"
"É verdade! Você não está feliz?"
"É claro que estou! Um irmãozinho para Roland! Ou irmãzinha!"
Marian o puxou pela jaqueta, beijando-o de maneira suave. Seus lábios provaram o restinho do beijo misturado ao sorriso de ambos. Ela pegou a mão direita de Robin e colocou sobre a barriga dela.
"Já pode começar a sentir o nosso bebê."
Nesse momento, Regina entrou na sala.
"E-eu... não queria interromper..."
Ela olhou para a barriga, e para o rosto sorridente de Marian. E então seus olhos encontraram com os de Robin. Ela achou que fosse chorar. Ele a olhou como se pedisse desculpas. Robin tirou a mão da barriga da esposa imediatamente.
"Eu só vim lhe avisar que já estou indo. Você fecha a prefeitura por mim?"
"Claro" - respondeu Marian.
O sorriso de Marian, genuíno e puro, só fazia com que ela quisesse morrer.
"E parabéns pelo bebê."
"É o nosso segundo! Você precisa conhecer o Roland!"
Regina sorriu, agora sim ela podia dizer que fora atropelada por um caminhão de remorso.
"Não sabia que vocês tinham filhos." - O olhar dela cruzou com o de Robin, e ele pode sentir a tristeza escorrendo para dentro dela. Merda. Era exatamente o que ele não queria.
"Temos um menino. Ele tem quatro anos."
"Ficarei feliz em conhecê-lo um dia."
Antes que ela saísse, Marian a chamou.
"Preciso de uma assinatura sua, você faria? Eu disse para o John que entregaria o documento hoje."
"Tudo bem, Marian. Eu assino."
Marian atravessara a sala. Ela tinha acabado de sair quando Robin pulou até onde Regina estava e segurou sua mão.
"Desculpe, Regina. Desculpe você ficar sabendo disso desta maneira."
Ela deslizou os dedos nos dedos dele, mas retirou a mão logo em seguida.
"Você não me deve nada, Robin. É a sua vida. Não é da minha conta."
Robin a pegou pelo rosto, o polegar roçando sua pele delicadamente.
"Eu penso em você todos os dias... Tem sido uma tortura para mim."
Regina fechou os olhos e mordeu o lábio inferior. Dando um passo para trás, ela saiu do alcance dele.
"Nossa 'história' acaba aqui, não é?"
Ela assentiu, os olhos ficando marejados.
"Sim."
Marian voltou rapidamente e lhe entregou o papel, que ela assinou rapidamente. Ela deu um beijo na bochecha da consultora e então os deixou a sós.
Deitada na cama, Regina vestia apenas uma camisola curta azul-bebê. De bruços, ela observava David escovando os dentes. O olhar dele encontrou o dela pelo espelho.
"Amor, você conhece a Mary Margareth?"
"Obviamente, David. O que tem ela?"
"Eu a conheci hoje."
Ele cuspiu o resto da pasta na pia e lavou a boca.
"Você a conheceu hoje? David, faz três anos que ela se mudou para cá!"
Regina estava rindo quando ele secou o rosto na toalha e veio na sua direção. Ela sorrira. Mas que homem era o seu marido. Vestido apenas de uma boxer preta, ele era a verdadeira imagem da perfeição. David a virou, fazendo com que a costa dela ficasse contra o colchão e se deitou apoiado pelos cotovelos afim de ficar acima dela.
"Eu não reparo em outras mulheres. Eu tenho a mais gostosa na minha cama, toda noite."
"Hummmm, e você não achou a senhorita Mary gostosa?"
"Ela é bonita. Mas eu prefiro você. Eu sempre vou preferir você." - Com isso, ele a beijou, um beijo apaixonado, calmo, as línguas acariciando uma à outra. Quando se afastaram, ele beijou-a delicadamente na testa.
"Não vai fantasiar que eu sou a professorinha, não é? Só pra saber se vou precisar comprar a fantasia." - Brincou Regina, suas mãos na nuca dele.
"Ela é professora?"
"David, por favor! A senhorita Blanchard trabalha na Escola Irmã Abigail. Como você não conhece as pessoas da cidade da qual é xerife?"
Ela ria embaixo dele.
"Tudo isso é devoção à mim? Você merece uma recompensa apropriada, senhor Nolan."
Ela o virou na cama, ficando por cima dele e puxando-a para um beijo.
