4º Capítulo: O início da Guerra.

O ano já não era mais 1938, agora era 1939 e havia rumores sobre uma possível guerra que estouraria ainda naquele ano. Luna, durante todo o tempo que correra desde o casamento, jamais havia recebido sequer uma palavra de carinho de Draco.

Na verdade, o casamento nunca fora consumado fisicamente; depois da festa na casa de campo, eles voltaram e foram morar na cidade, um lugar que ela detestava.

Solitária, numa cidade que ela não suportava, mergulhou em seu mundo aparte e procurou não pensar que era casada, ainda que seu marido vivesse circulando dentro de casa.

E ela teve sucesso em viver sua fantasia, porque seu sorriso e sua alegria raramente a abandonavam, contagiando e conquistando todos ao redor.

Numa noite em particular, Draco veio até ela e lhe disse que haveria uma guerra e que esta começaria naquela semana. Ele lhe explicou que lutaria na guerra e que a enviaria para a casa de campo, onde ela estaria mais segura.

Ao ouvir que ele lutaria na guerra, uma centelha do velho amor romântico que ela sentia saltou em seu peito, fazendo- a temer por ele. Mas ao saber que iria ficar na casa de campo, sorriu e murmurou, com olhos sonhadores:

__Vou voltar para o meu castelo!

Ela o viu sair pela porta e mal sabia que seria a última vez que o veria. Na manhã seguinte suas coisas foram empacotadas e ela seguiu para a casa aninhada entre as serras

Logo a guerra estourou e o país virou uma baderna; ficou claro que nada mais seria como antes e que o chão europeu seria lavado com sangue.

Na velha casa de campo, quase à noite, todos se reuniam ao redor do rádio que informava as novidades da batalha e dava as notas de falecimento, mas Luna nunca descia para ouvir; preferia ficar no quarto, sem lamentar e sem se desesperar, lutando para ignorar que muitos de seus antigos conhecidos estavam caindo mortos.

Ela precisava continuar seu conto de fadas, alheada do mundo, para conseguir sobreviver; era preciso esquecer, perdoar, tudo para não sofrer.

Era necessário correr pelos campos, dançar na chuva, viver a vida de princesa não amada que seu pai escolhera para ela. A vida que ela dócil e gentilmente aceitara, encantada por uns olhos cinzentos que a enganaram.

E, ainda assim, eram esses olhos que a visitavam em sonhos, tendo a expressão doce que jamais tiveram na realidade. Uns olhos belos, com as cores do inverno nas montanhas mais altas.

4.1- 1940- Cartas do Sr. Malfoy.

Prezado Sr. Malfoy,

Viemos através desta agradecer- lhe pelos serviços prestados em batalha e condecorá- lo com esta medalha em honra de seus esforços.

Que Deus esteja conosco e que o fim desta guerra chegue rapidamente,

Ministério do Exército Inglês.(¹)

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Caro amigo Draco,

Recebi hoje uma carta de meu superior ordenando que meu destacamento avance mais para o norte, onde os ataques são mais intensos e precisam de nós. Sinto deixa- lo, mas rezo que seja apenas por pouco tempo. Que Deus nos guarde!

De seu amigo fiel,

Ron Weasley.

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Sr. Malfoy,

Aqui nos campos tudo vai bem, nenhum ataque por perto. As colheitas são boas, os animais crescem, a casa funciona bem.

Sua mulher resiste firmemente à guerra; às vezes penso que, talvez, ela não esteja bem da cabeça, mas é uma criatura adorável e sua esquisitices nos fazem mais alegres.

De seu encarregado e fiel servidor,

Sr. Maynard.

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Caro amigo Draco,

Aqui no norte as batalhas são mais cruéis, estamos sob forte ataque e os aviões soltam muitas bombas. Chego a temer por minha vida, mas continuo de pé.

Que Deus continue nos guardando!

De seu amigo fiel

Ron Weasley.

4.2- 1941- Cartas do Sr. Malfoy.

Draco,

Desculpe não ter me despedido pessoalmente, mas tudo foi muito rápido. Fui enviado para a França, mas espero retornar em breve.

Até mais,

Seu amigo de sempre,

Harry.

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Sr. Malfoy,

Sinto informar que sua esposa encontra- se doente, acamada, mas alegro- me em dizer que os médicos já estão cuidando da saúde dela. Ainda não sabemos qual é a doença.

De seu encarregado e fiel servidor,

Sr. Maynard.

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Prezado Sr. Malfoy,

Sentimos muito em comunicar que Ronald Weasley foi morto em combate. Morreu como herói, defendendo uma causa justa.

Condolências.

Ministério do Exército Inglês.(²)

4.3- 1942- Cartas do Sr. Malfoy

Sr. Malfoy.

Sinto informar que um bombardeio destruiu parte da casa e consumiu com algumas lavouras. Tudo aqui parece um pandemônio, sem mais no momento!

De seu encarregado e fiel servidor,

Sr. Maynard.

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Sr. Malfoy,

Ordeno- lhe que pegue seu destacamento e rumo para o leste. O senhor poderá ficar sem receber correspondências durante algum tempo, mas nada preocupante.

De seu superior,

Sr. Rugby.

N/A: Olá, leitores, apenas quero informar que estes dois sinais (¹) e (²) colocados junto a determinadas expressões querem dizer que não tenho certeza se são as expressões certas para serem usadas e que não me dei ao trabalho de verificar...XD

Vocês sabem, a preguiça muitas vezes é uma tremenda inimiga.