Capítulo 4 - Um encontro muito romântico

Sawyer pigarreou. Olhou para o bloquinho de papel na mão, leu algo para si mesmo e daí olhou de volta para a mulher à sua frente. Fixando o sorriso mais sedutor que tinha no estoque, ele pronunciou a frase que tinha acabado de decorar.

"Eu quero você, baby. Aqui, agora."

Passando a língua pelos lábios, mudou sua expressão sedutora para outra, de pidão.

Sentada a frente de Sawyer, Rose o repreendeu "Olha, isso não é muito romântico." Disse, "Por que não tenta 'você está linda essa noite' ?"

Sawyer anotou a frase rapidamente e voltou a olhar Rose. Se concentrando e tentando fazer soar o mais romântico possível, ele falou vagarosamente,
"Você está linda essa noite."

Rose sorriu, mas antes que pudesse elogiá-lo pelo dever bem feito, Sawyer continuou falando:

"Eu quero você. Aqui, agora!"

Rose suspirou e balançou a cabeça.

"Vou tentar te explicar primeiro o que é romance."

Sawyer havia procurado Rose mais cedo na esperança de praticar com ela algumas de suas melhores frases românticas e conseguir alguma resposta pela perspectiva feminina. Pela última meia hora Rose havia rejeitado todas as frases dele e lhe dado novas, mas Sawyer não aprendia rápido e embora ela lhe houvesse sugerido as frases mais inocentes, ele sempre conseguia fazer com que parecessem obscenas. Pra falar a verdade, Rose já estava cansada de verificar o quanto Sawyer era tarado.

Jack também estava ficando cansado. Durante a última meia hora ele tinha ficado acocorado atrás de um matinho a 5 metros de distância, espionando o encontro de Rose e Sawyer. Ele havia seguido Sawyer o dia inteiro esperando agarrá-lo com a mão na massa, enganando Kate e agora finalmente ele conseguira uma prova. Tinha acabado de ouvir Sawyer dizer a Rose que a queria. E que ela estava linda! Que cara de pau!

Jack queria muito mostrar a Kate o que Sawyer estava fazendo com outra mulher, mas já que era impossível tirar fotos na ilha, ele se sujeitou a fazer desenhos da cena que estava presenciando, em seu próprio bloquinho de papel. Ele nunca pensara que quatro anos como observador na aula de artes da faculdade seria tão útil, mas ele tinha que admitir que os desenhos estavam incrivelmente vívidos. Ele fez uma bolha sobre a cabeça de Sawyer e escreveu "você está linda" nela.

----------------------------------------------------------------------------------------

Um Sawyer apreensivo parou na frente da tenda de Kate, se preparando para a noite que não podia ter nenhuma falha. Ele tinha passado o dia fazendo preparações e ajeitando cada coisinha e agora dependia dele completar tudo. Apalpou os bolsos para se certificar que o presente e o bloquinho com as frases românticas estavam com ele, passou os dedos pelos cabelos penteados para trás e ajeitou o nó da gravata.

Quando estava para bater na tela da tenda, Kate saiu para encontrá-lo.

"Kate, oi. Eu já ia..."

"Você tá parado aqui há 10 minutos. Eu vi sua sombra."

"10 minutos?" Sorriu nervoso, "foi tanto tempo assim?"

Kate balançou a cabeça, mas decidiu esquecer o assunto quando notou a aparência dele. Não estava vestindo seus jeans de sempre, ao contrário, estava com elegantes calças pretas que ela nunca tinha visto antes. Ele também desencavara sua velha camisa quadriculada vermelha e até tinha conseguido uma gravata. Kate teve que admitir que estava impressionada. O visual poderia ter facilmente virado algo como o fazendeiro bate-de-frente-com-o-black-tie, mas ele conseguiu escapar disso. Até tinha lavado os cabelos com xampú. Kate não tinha lavado o cabelo com xampu.

"Você está ótimo", disse ela sorrindo. Olhando para as próprias roupas, embora estivesse usando sua blusa mais limpa (a verde que ela vestira quando se beijaram pela primeira vez) ela se sentiu mal- vestida.

"Acho que estou mal-vestida."

Mal-vestida, Sawyer pensou. Ele poderia deixá-la muito mais mal-vestida em questão de segundos.

"Eu podia te deixar um bocado mais mal..." ele parou rapidamente e lembrou do Rose havia lhe ensinado.

"Você está linda essa noite."

O brilho nos olhos de Kate quando ela sorriu mostrou à Sawyer que as coisas tinham começado bem.

A última vez que Sawyer levou Kate numa caminhada pela floresta lhe prometendo uma surpresa, ela foi apresentada ao outro amor da vida de Sawyer, Rhonda. Logo, ela estava bem menos entusiasmada agora quando Sawyer a pegou pela mão e a levou em direção às árvores para mostrar sua nova surpresa.

"Não vou fechar os olhos dessa vez."

"Prometo que a surpresa vai ser melhor." Ele replicou. "Qualé, estamos quase lá."

A despeito da experiência anterior e talvez por que ela realmente quisesse acreditar que Sawyer pudesse mostrar algo romântico, Kate fechou os olhos e deixou que ele a guiasse pelo resto do caminho.

Ela podia ouvir as ondas do mar e sentiu que eles estavam caminhando na areia agora, e deduziu que estavam saindo da floresta e indo em direção a uma parte escondida da praia.

Sawyer parou de caminhar, e ela o imitou, esperando impaciente para abrir os olhos. Ela sentiu ele se mover para trás dela, afastar seus cabelos e aninhar o queixo atrás do pescoço dela.

"Ok," sussurrou "pode abrir."

Kate abriu os olhos. Ali, na frente dela estava Charlie, feliz e sentado de pernas cruzadas, com o violão pousado nos joelhos.
"Surpresa", disse ele, com um sorriso largo.

Kate hesitou. Ela olhou para Charlie e de volta para Sawyer que continuava sorrindo. Ela agarrou a mão de seu encontro e o puxou para uma distância que Charlie não pudesse ouvir o que ela estava falando.

"Que diabo é isso, Sawyer?" ela sussurrou, zangada, "Tomara que você não espere fazer sexo em cima dele também, por que se fôr isso, eu juro que-"

"Ei, ninguém vai fazer sexo em cima de Charlie!" Ele respondeu igualmente sussurrando e zangado "Eu não desejaria isso pra mulher nenhuma."

"Então, o que Charlie está fazendo no nosso encontro?"

"Não se preocupe, baby, você vai adorar o que planejei pra nós essa noite." Ele estendeu a mão pra ela e esperou Kate segurá-la. Após alguns olhares suspeitosos para Charlie, ela decidiu confiar em Sawyer e esperar que algo pudesse sair disso tudo. Ela colocou sua mão na dele e deixou que ele a conduzisse de volta.

"Desculpe, Charlie," Kate disse, sorrindo modestamente, "é que não esperava que você fizesse parte da surpresa."

"Tudo bem" ele respondeu "Você não é a primeira garota a fugir de mim. Acho que essa coisa toda de celebridade as intimida."

"Claro, essa coisa de celebridade."

Sawyer sabia que o leve susto de Kate seria uma falha de nada em sua noite de romance. Até agora ele tinha manejado as coisas correndo bem (principalmente porque não tinha falado muito durante a caminhada na floresta) e ele ainda tinha tempo de fazê-la esquecer de que tinha duvidado da utilidade de Charlie na surpresa. Ele ia fazer bom uso de Charlie essa noite.

"Vamos botar o show na estrada?" anunciou Sawyer. Ele fez Kate se sentar na manta aberta em frente a Charlie e depois se sentou ele mesmo ao lado do cara com o violão.

"Eu trouxe Charlie aqui porque ele toca um instrumento. E ele me contou que as namoradas gostam de ganhar serenatas." Ele percebeu que estava acertando alguma em alguma coisa pelo jeito que Kate subitamente se iluminou e se sentou mais esticada. Ela olhou pra ele com um expressão curiosamente divertida no rosto, o que deixou Sawyer ainda mais nervoso e excitado.

"Eu nunca fiz isso pra ninguém antes, então me fala se eu parecer com um cavalo relinchando ou coisa assim."

Ela parecia prestes a abraçá-lo ali mesmo e ele nem tinha começado a cantar ainda. Mas, a maneira com que ela o olhava, sorrindo docemente, fez com que ele ficasse vermelho e abaixasse a cabeça para que ela não notasse sua perturbação.
Ele levou um tempo catando o bloquinho de papel no bolso, onde havia escrito a letra da canção que ia cantar. Não que precisasse da letra. Era praticamente a única canção cuja letra sabia de cor, mas mesmo assim anotou para o caso dele ficar muito nervoso e pular uma linha.

Sawyer fez então um sinal para Charlie começar e o pequenino inglês obedeceu, dedilhando as cordas do violão. Depois de algumas notas, Charlie iniciou a canção fazendo o backing vocal, num tom alto de garotinha.

"Minha nossa. Cara, olha aquele popozão. Tão grandão. Parece até namorada de funkeiro."

Kate ficou de orelha em pé e juntou as sobrancelhas, pensando. Essa letra soava horrivelmente familiar e ao mesmo tempo muito estranha, e bem quando tinha lembrado qual música Sawyer tinha escolhido para a serenata, ele começou a soltar a letra inteira.

"Eu gosto de popozão, é isso aí
E os caras não vão negar
Que uma garota de cinturinha
E um popozão
Te deixa bem doidão
Dá pra ver o popozão
No jeans apertadão
Tô na dela, gosto de olhar
Aí, amor, vamos ficar
Quero te filmar
Meus colegas tão cum inveja
Mas, esse popozão me deixa ligadão."

Kate não sabia se dava para acreditar no que estava vendo. Sawyer estava mesmo sentindo a música, enfatizando as palavras "popozão" e "doidão" no tempo apropriado. Até Charlie tinha entrado na música também, fazendo a música com a boca e olhando pra Sawyer como se ele fôsse alguma lenda do rock and roll.

O que mais perturbava Kate era o que a música dizia. Sawyer estava tentava dizer que Kate tinha um traseiro grande ou que ela devia tentar conseguir um traseiro grande, porque ele gostava? Em vez de suscitar sensações romãnticas, que era a intenção, Sawyer só conseguiu causar uma grande confusão e insegurança em Kate. Discretamente, ela moveu a mão para o quadiril, tentando esconder ao máximo o popozão da vista de Sawyer.

"Aí, maluco!" continuou
"Aí!" Charlie ecoou.
"Tua namorada tem o popozão?"
"Tem o popozão!" (Claire não tinha " o popozão")
"Diz pra sacudir" continuou Sawyer, "Sacode, sacode, sacode o popozão!"

Charlie dedilhou a última nota e Sawyer olhou para Kate cheio de expectativa. Percebendo que eles estavam esperando algum tipo de aplauso, ela rapidamente juntou as mãos e aplaudiu, para alegria dos dois.
"Você gostou?" Perguntou Sawyer, incapaz de esconder o orgulho da cara. "por que dá pra cantar outra." Se virando pra Charlie, "Cê conhece a melô da tanga?"
Charlie fez que sim com a cabeça e começou a tocar no ato, mas Kate interrompeu o bis antes que fosse muito tarde.
"Isso foi... UAU! Afirmou ela rápida. "Muito, muito...UAU!"

Sawyer abriu o sorrisão, confundindo o "UAU" de Kate com uma expressão real de satisfação. O que não era mesmo.

Sawyer se afastou de Charlie, e em total entusiasmo pela performance, beijou Kate na boca. Ela aceitou essa súbita manobra passional, não era de rejeitar beijos de Sawyer, quando de repente se lembrou que Charlie estava a 1 metro de distância. Olhando.

"Ele... vai ficar pelo resto do encontro?" ela perguntou, se soltando.

"Oh, desculpe," disse Charlie, se levantando e pendurando o violão nas costas. Já estava para ir quando se lembrou que queria parabenizar Sawyer pela bela cantoria.

Ele puxou um relutante Sawyer de perto de Kate por um momento.

"Ótimo trabalho, parceiro. Valeu por me arranjar minha primeira canja desde o acidente. Quer dizer, é só uma questão de tempo até eu"

"Valeu, carinha." interrompeu Sawyer, dando uns tapinhas no alto de sua cabeça.

"Agora, se você não se importa, tenho uma linda mulher me esperando, então..."

"Espera," disse Charlie, segurando Sawyer, antes que este o despachasse de vez.

"Eu tô começando uma nova banda, sabe? Driveshaft 2. Estamos procurando um cantor, se estiver interessado."

"Você e quem mais?" zombou Sawyer.

"Bem, só eu no momento. Só falei 'nós' por que soa mais maneiro."

Sawyer jogou a cabeça para trás e riu gostosamente. "Você quer que eu entre na sua banda de rock?" perguntou alto, chamando a atenção de Kate. "Tá pensando que sou algum perdedor?!"

Ele deu outra gargalhada alta antes de olhar de lado pra Charlie e dizer baixinho "A gente fala disso depois do encontro."

Charlie se animou consideravelmente e finalmente deixou Sawyer e Kate a sós.

Agora que o lance da serenata tinha acabado, era hora de Sawyer implementar a segunda parte do encontro: o jantar.

Se seus esforços românticos tinham sido inúteis para Kate devido aquela canção nada romântica, levá-la para jantar, compensou isso. Ele passou o braço por sua cintura firmemente enquanto sussurrava coisinhas doces em seu ouvido. Bem, Kate considerou "danada de macia" como uma coisinha doce, enquanto Sawyer achava que tinha achado um novo apelido para sua namorada. A voltinha até a pequena curva na praia onde ele havia arrumado um lugar para o jantar estava indo bem, até que eles escutaram um roçar nas árvores ali perto.

Eles pararam quietos, esperando por novos ruídos, mas como nada aconteceu, eles decidiram prosseguir com o encontro como planejado, achando que era só o vento.

Kate estava impressionada com o ambiente romântico. Sawyer havia arrumado uma manta no chão e ido até a escotilha, de onde apanhara pratos, copos, utensílios e qualquer outro acessório de cozinha possível, que uma arrumação de mesa adequada pudesse precisar.

Ela até mesmo viu, jogados na manta, alguns prendedores de guardanapos que ele, obviamente, não tinha a menor pista pra que serviam, mas que estranhamente, faziam com que ela sorrisse diante da idéia dele ter trazido assim mesmo. Ele até mesmo conseguiu alinhar as tochas acessas em torno da área, propiciando um brilho aconchegante que realmente dava o maior clima.

"Está lindo," disse Kate, sentando em frente a Sawyer.

"E romântico?"

"E romântico." disse sorrindo. "O que vamos comer?"

"Ah, é. A comida." disse Sawyer, abrindo o guardanapo e o colocando no colo. "Claire estava me contando hoje como Charlie fez uma coisa realmente romântica pra ela, quando lhe deu um vidro vazio de pasta de amendoim que eles fingiram comer. Tenho um pouco de vergonha de dizer que achei essa estória bem fofa."

"E é," respondeu Kate. "Onde está nossa comida?"

"Então, eu pensei," continuou Sawyer, "e se eu fizesse a mesma coisa? Só que em vez de fingir um vidro de pasta de amendoim, a gente faria melhor e teria um jantar inteiro de faz-de-conta. Desse jeito nós dois podemos ter nossos pratos favoritos."

Kate ficou de boca aberta por um segundo, antes de seus lábios começarem a esboçar um sorriso.

"Hahaha, Sawyer, muito engraçado," ela disse, dando uma risada. "Agora vamos ver o que você preparou." Sawyer sorriu malicioso e fez um sinal para Kate pegar o garfo. "É isso! O que é mais romântico do que servir a você o seu prato favorito numa ilha deserta, certo?"

O sorriso de Kate foi gradualmente desaparecendo e ela tentou ler no rosto dele se era uma brincadeira.

Depois olhou em volta para ver se tinha uma cesta de piquenique, uma sacola ou mesmo um monte de comida jogado em algum lugar. Ela olhou de volta para Sawyer só para ver que ele tinha agarrado seu garfo e faca e começado, dramaticamente, a atacar a comida falsa em seu prato.

"Vamos lá, Kate, mete bronca!" disse ele, excitadamente. "Estou comendo costeletas de porco, e você?"

Kate o encarou confundida. "Ar, aparentemente," ela resmungou.
Sawyer deu um suspiro e balançou a cabeça, mas continuou concentrado em na teimosa costeleta à sua frente, que não conseguia cortar.

"Sabe, já saí com garotas como você antes. Anoréxicas."
Kate revirou os olhos. "Sawyer, eu não sou-"

Mas, antes que pudesse terminar a frase, outro roçar nas árvores a interrompeu. Sawyer também escutou e parou de bater com o garfo no prato.
"O que é isso?" perguntou Kate.

O barulho foi ficando cada vez mais alto até se tornar o som inconfundível de alguém se movendo através dos arbustos. Sawyer rapidamente se moveu para perto de Kate parar protegê-la, mas parou quando viu que era apenas Jack saindo da floresta.

"O que diabos está fazendo aqui, Jackass?"

"Cale a boca!" berrou Jack, caminhando até onde Sawyer e Kate estavam sentados.

"Você estava nos espionando?" Perguntou Kate, horrorizada.

"Sim! Eu estava espionando vocês! E estive espionando Sawyer o dia todo."

"Mas, que m-"

Jack o cortou jogando algumas folhas de papel solto no colo de Kate. " Aqui estão as provas de que ele está te traindo."

"Do que diabos você tá falando, Pedro? Eu não tô traindo ninguém."

"Dê uma olhada nos desenhos, Kate!" berrou Jack. "Não há como negar agora. Eu te disse depois do abraço que ia chegar ao fundo disso." e se virou para Sawyer.

"Yeah, nos abraçamos."

Os olhos de Sawyer saltaram quando escutou isso e ele se virou para Kate. "Ele te abraçou? Você tá bem?"

"Estou bem." respondeu Kate, distraída com os desenhos que Jack havia lhe dado. Seu rosto ficando mais e mais enojado a cada folha.

"Jack, parecem desenhos pornográficos... e você chamou eles de "José e Kate fazendo neném."

Jack subitamente se virou para os desenhos, arrancando-os das mãos de Kate. Seu rosto ficou vermelho enquanto ele os amassava e enfiava no bolso de trás.

"Desenho errado," murmurou, dando uma tossidinhas para disfarçar o embaraço da voz.

Ele futucou no outro bolso e retirou os desenhos certos, olhando brevemente para eles para ter certeza.

Kate passou os olhos sobre as páginas, seu rosto ficando mais e mais enojado a cada folha. De novo.

"São horríveis," disse ela.

"Isso aí, Sawyer é horrível. Dê um chute em seu traseiro ridículo."

"Eu tô falando dos desenhos."

"Heim, o quê?"

Jack arrancou os papéis de volta e os examinou pessoalmente. "Eu fui observador na aula de artes da faculdade, tá ligada. Tenho certeza que não são horríveis."
"São figuras feitas de risquinhos."

"São Sawyer e Rose num encontro!"

"Isto é Sawyer?" perguntou Kate, pegando os papéis de volta e examinando-os mais de perto. "Pensei que fosse um abacaxi."

"O ponto é!" disse Jack, bem alto, tentando voltar a atenção para o o jeito traidor de ser de Sawyer. "Será que Sawyer é mesmo o tipo de cara com quem você quer ficar, mami? Porque estive espiando vocês este tempo todo e devo dizer que este encontro está mucho ruim.

"Eu sou muito melhor do que ele. Sou um médico, sou um gangster, fui presidente do fã-clube das Golden girls no segundo grau."

Kate deu uma olhada num sombrio Sawyer. Ele ainda estava mastigando suas costeletas de porco.

"Ele te impressionou cantando?" Continuou Jack, "Porque posso cantar também."

Ele fez um punho com a mão e o levou para perto da boca, obviamente fingindo estar segurando um microfone.

"Testando, 1 2 3," disse ele, batendo em cima do punho com sua outra mão. Ele deu uma risadinha, sendo o único apreciador de seu próprio charme, mas rapidamente ele voltou ao trabalho. Tossiu uma vez para limpar a garganta e começou a cantar uma canção que julgava adequadamente retratá-lo.

"Passei minha vida toda no paraíso gangsta," cantou "Passei minha vida toda no paraíso gangsta."
E parou porque era a única parte da letra que sabia.

Kate estava horrorizada. Cantando, a voz dele parecia igual a dela.

Absolutamente sem reações de Kate e muito menos de Sawyer, Jack prosseguiu, determinado a dar o melhor de si.

"Isso daí não te deixa ligadona?" disse ele. "Sem pânico, conheço outra canção de um tal de Eminem que vai te deixar pirada."

"Desculpe, mama! Nunca quis te magoaaaaaar. Nunca quis te fazer chorar, mas, essa noite, vou dar o fora."

"Jack!" interrompeu Kate, levantando a mão para fazer com que ele parasse. "Por favor, nunca mais tente me deixar pirada de novo."

"É José!" bradou ele.

Jack estava prestes a continuara com a música de Eminem, quando outro roçar veio das árvores. Desta vez o barulho veio acompanhado de risadas e roncos.

"Pelo amor de Deus, quantas pessoas mais estão espiando a gente?!" gritou Sawyer.

De repente, Ana Lucia e Libby surgiram. Estavam ambas cavalgando seus respectivos porcos, e rindo até não poderem mais.

"E aí, ele começou a chorar!" Ana engasgou, jogando a cabeça para trás às gargalhadas. Libby - com os olhos injetados, a cara inchada e às gargalhadas também, repetiu as palavras, sem fôlego, "começou a chorar."

Os porcos foram direto até onde estavam Sawyer, Kate e Jack, trazendo Ana Lucia e Libby nas costas. Quanto mais próximo eles chegavam, mais Sawyer e Kate podiam sentir o cheiro de álcool que emanavam delas.

Jack olhou para sua namorada e Libby, desapontado. "Vocês estão dirigindo seus porcos sob influência alcoólica?" murmurou ele. E começou a chorar.