N/A: Capítulo maiorzinho, vocês merecem pela minha demora, obrigada pelas reviews!
Cap. 3 - Paraíso
Minha teoria de ter ido para o céu provava-se cada vez mais certa.
Eu estava diante de um anjo lindo e pálido, seus cabelos rebeldes tinham um tom de ouro, perfeito; ele estava cuidando de mim. Pelo que eu entendi ele passava um algodão pela minha testa - que pela cor do algodão sangrava -, quando eu abri os olhos ele sorriu ternamente fazendo meu coração acelerar.
Se aquele era o paraíso eu não iria sair jamais.
Quando eu abri minha boca pra perguntar ele me silenciou com um dedo, que tocou os meus lábios me mandando choques elétricos.
- Você precisa descansar. - Ele murmurou explicando. - Estão todos ... Inteiros. - Ele pareceu hesitar.
- Jacob... - Sussurrei preocupada, seu rosto mostrou-me uma careta estranha - ele torceu o nariz.
- O seu namorado está bem, já foi pra casa. - Ignorei o fato de Jacob não ser meu namorado, estava intrigada demais para saber porque eu continuara ali e ele não. Ele pareceu notar. - Estava se sentindo melhor, pelo menos foi o que disse quando Carlisle mediu sua temperatura, ele é sempre tão inumanamente quente?
Era verdade, ultimamente Jake tinha uma temperatura mais quente que o normal, mais quente que o normal para Forks. Mas eu gostava dessa sensação.
- Às vezes. - Ele acenou com a cabeça, parecia estar absorvendo aquela informação mais que o necessário. - Onde estamos?
-Na minha casa. - Soltei um muchocho infeliz, mas ele entendeu errado. - Como você está?
- Bem? - Saiu como uma pergunta. Ele sorriu. - Emmett e Alice?
-Estão bem... - Ele sussurrou desviando o olhar para a janela.
Olhei em volta e me encontrei num quarto bonito, estava deitada numa cama de casal com lençóis dourados de frente para uma enorme janela coberta por uma cortina de seda. Um grande banheiro elegante eu pude ver pela fresta da porta no lado esquerdo do quarto, ao lado de outra porta, mas esta estava fechada. No lado direito um quando som estéreo dividia o espaço com estantes gigantes e abarrotadas de CD e outra porta.
Olhei de volta para aquele ser exuberante.
- Achei que tinha morrido - confessei fazendo careta, mas ele riu. Um som lindo.
- Quase, por que acha isso? - Ele perguntou humorado.
- Por nada não... -Hesitei. - Sem querer ser ingrata ou qualquer coisa do tipo, mas quem é você?
Ele gargalhou com vontade.
- Me desculpe, esqueci de me apresentar. Sou Edward Cullen, seu novo vizinho. - Ele indicou com a cabeça a janela, mas com a minha confusão logo se estampou no meu rosto.
Andando demasiadamente lento ele puxou um dos lados da cortina, o sol me fez piscar várias pra poder focalizar a visão da minha casa - minha janela mais propriamente dita. Mordi o lábio pela insegurança. Ele puxou a cortina de volta antes que o quarto se acostumasse com a luz intensa.
- Eu não vou ficar te espionando. - Ele falou lendo meus pensamentos, depois gargalhou me fazendo corar.
Ele se sentou do meu lado de novo e eu tentei me sentar. Ele murmurou um 'eu te ajudo' e puxou o travesseiro pra que eu me encostasse melhor.
-Obrigada. - Um pensamento me atingiu forte. - Reneé. - Sibilei preocupada.
Nessas horas ela deveria estar tendo uma sincope de preocupação. Ou pior. Se Charlie soubesse estaria aqui em poucos instantes com toda a SWAT -se fosse possível - xingando a Reneé de tudo quanto é coisa. Eu precisava sair dali o mais rápido possível.
- Ela esta bem, relaxe. - Eu já estava arfando nessas alturas. - Passou a noite aqui cuidando de você e Emmett - ela se revezava.
- Quanto tempo eu fiquei apagada?
- Dois dias, Carlisle já estava ficando preocupado. - Ignorei aquele nome desconhecido, tinham coisas mais importantes.
- E por que vocês não me levaram no hospital? Ficaram loucos? Eu... - Ele me cortou.
- Carlisle é médico Bella. - Ele disse calmo, corei envergonhada. - Ele cuidou muito bem de todos vocês - tinha tudo o que precisava aqui em casa.
- Mas.. Vocês acabaram de se mudar. - Protestei, mesmo sabendo que era infantilidade e que eu tinha sido muito bem tratada - eu estava viva.
- Nós nos acomodamos rápido, - Ele piscou. - depois de tantas mudanças você pega prática. - Ele riu de alguma piada interna, já que eu não entendi o tamanho da graça.
- Obrigada. - Ele não entendeu. - Por me salvar, acho que não estaria aqui se fosse você...
- Não tem de que. - Ele piscou novamente, era tão meigo. - Eu vou avisar a Carlisle que você finalmente acordou. - Ele saiu no quarto e eu suspirei abobada.
Eu sei que deveria estar totalmente histérica já que eu acabara de sofrer um acidente e Jacob estava mal em qualquer lugar de La Push sem nenhum atendimento médico - eu sabia que se dependesse dele ele nunca iria à um médico, teimoso. Que meu irmão e minha melhor amiga estavam desacordados em algum lugar dessa casa e que minha mãe e meu pai poderiam estar se estapeando nesse momento. Mas tudo que vinha na cabeça era aquele deus grego que estava cuidado de mim a poucos instantes.
Louca. Murmurei virando os olhos.
Edward entrou segurando o riso - será que ele ouviu? Impossível. Seguido de um homem jovem e lindo, aparentemente seu irmão. Seu rosto era pálido como o de Edward e os olhos da mesma cor topázio, mas mostravam muito mais experiência.
- Finalmente acordou! - Ele exclamou sorrindo. - Já queria te levar pra Port Angeles para um eletro encefalograma, a batida foi feia! - Eu estremeci.
- Vou avisar Reneé, ela queria muito te ver acordada, mas mandamos ela descansar.
- Boa idéia filho! - Minha boca formou um 'O' e Carlisle riu, Edward já estava longe. - Eu sei que é estranho. Todos eles são adotados. - Todos?
- Quantos são? - Soltei sem pensar, ele riu.
- Quatro filhos adotivos. - Sorriu orgulhoso.
- Estou sendo indelicada, desculpe.
- Que nada, eu não tenho nenhum problema com isso. Eu e Esme temos orgulho de todos eles. - Seus olhos brilhavam confirmando.
- Isso é ótimo. - Concordei.
Ele começou a fazer exames e conversamos sobre coisas banais. Ele declarou que eu estava bem o suficiente para voltar para casa se eu quisesse e passou uns analgésicos se eu sentisse dor. Antes que eu tentasse agradecer Reneé entrou afoita ainda amarrando a faixa de seu hobby na cintura.
- BELLA! - Agora ela tentava aplacar seu cabelo armado enquanto se aproximava da cama. - É tão bom ver você melhor! - Ela desistiu do cabelo e me abraçou.
- É bom te ver também mãe. - Sorri. - Eu já estou bem melhor, eu queria ver os outros. - Falei incerta, não sabia se estava liberada a vê-los.
- Só Emmett, Bella, só ele. - Fiz careta, eu precisava ver minha melhor amiga.
- Por que? - Cruzei os braços no peito, num gesto teimoso.
- Alice sofreu mais que vocês todos com o impacto, então precisa de mais cuidados. Não vamos incomodá-la enquanto... Se recupera. - Carlisle olhou um olhar preocupado pra Edward que eu não perdi.
- Então vou ver Emmett. - Falei decidida e me levantei.
Marchei até a porta pisando duro sem ninguém interromper, mas pude perceber Edward segurando Reneé para isso não acontecer. Abri a porta do quarto e me deparei num corredor grande cheio de portas, mas não desisti.
Abri a primeira e me deparei com o banheiro - que por sinal era grande e lindo, com uma banheira cara - na segunda com um escritório com estantes lotadas de livros, mas quando eu estava chegando na terceira porta - com a mão na maçaneta para ser exata - eu levei um susto.
- Você é teimosa não? - Quase gritei, não tinha percebido ele ali, muito menos tão perto. - Seu eu fosse você não abriria essa porta... - ele deu de ombros.
- Por que? - Fiz bico. - Eu quero ver o meu irmão!
- É aquele quarto ali. - Ele mostrou com a mão o último quarto e eu fui na direção.
Quando eu estava entrando no quarto um gemido alto me fez virar de volta para o corredor, mas a silhueta de Edward me impediu de ver qualquer coisa.
- O que.. O que foi isso?
- Não é nada. - Ele disse me empurrando delicadamente para dentro do quarto.
- Lógico que é Edward! - sussurrei com medo de encontrar Emmett dormindo.
- É só.. Alice.
- Alice? - sibilei.
- Ela sente dores, mas vai passar. - Seu rosto era uma folha em branco enquanto me fitava.
Eu gelei.
Alice já tinha quase dezoito, tinha saído da casa da sua avó a um ano atrás. Morava com ela desde que tinha sete anos e perdeu seus pais em um acidente de avião horrível. A avó de Alice dois meses após sua saída de casa e ela se sentia muito culpada por te-La deixado sozinha. Agora a única pessoa que Alice tinha era eu, e eu não iria abandoná-La.
- Eu preciso ver ela Edward. - vociferei, sem causar nenhum efeito nele.
- Sem chances. - sua voz era impassível.
Tentei tirá-lo do meu caminho, mas era como empurrar uma parede.
- Anda logo!
- Desiste. - ele sorriu irônico. Eu grunhi.
Virei para o quarto de Emmett.
- Nervosinha como sempre. - Ele gargalhou.
- Então não é só comigo? Estava levando para o lado pessoal.
- Acostume-se. Você ainda não viu ela na TPM ou quando...
- Cala boca Emmett! - Eu gritei. - Eu vim ver se você estava bem, mas percebi que não precisa da minha preocupação.
Bufei saindo brava do quarto, mas deu pra ouvir a risada dos dois patetas.
- Mãe vamos? - Declarei quando cheguei na porta do quarto, ela estava conversando com Carlisle.
- Claro, você deve estar cansada. Muito obrigada Carlisle, um dia eu ainda te recompenso. - eles deram um aperto de mão.
- Mãe, fique sabendo que o doutor tem esposa. - Emmett disse quando chegou do meu lado, eu lhe dei uma cotovelada bem merecida.
- Emmett! - Ela sussurrou hiper constrangida. - Me desculpe doutor, esses jovens.
- Eu entendo. - Carlisle deu um sorriso tímido, Emmett extrapolou.
Quando estávamos em casa já mamãe deu uns bons tapas nas costas de Emmett, mas pelo seu tamanho de urso foram mais como carinho, o que a irritou mais.
- Arrasando corações, tchururu ! - Emmett cantarolou se jogando no sofá.
- HAHA, para de importunar a mamãe seu idiota! - Estapeei a cabeça dele.
- Quem disse que eu falei dela? - Ele se virou pra me lançar um olhar sacana.
- E de quem mais seria? Ah, ta falando da loira que você ficou babando? - Ele se enfezou e me jogou uma almofada.
- Eu estou falando de Edward Cullen. - dei uma risada histérica e devolvi a almofada pra ele, subindo a escada.
- Efeitos colaterais, é isso.
- Eu não sou bobo Bells... Eu vi o jeito que você olhava pra ele - e principalmente o jeito que ele te olhava. - Sorriu satisfeito.
- Emmett, você é louco. Mãe, dê um jeito no seu filho, ele está variando! - Gritei a última frase para que Reneé ouvisse da cozinha.
- Não é de hoje filha! Não é de hoje! - Mandei um beijinho pra Emmett e fui pro meu quarto.
Os pensamentos sobre Alice estavam me perturbando, eu tinha medo de algo pior acontecer com ela e não iria embora de Forks tão cedo. Desci as escadas decidida, encontrando Emmett ainda largado no sofá.
- Mãe, tem como vir aqui um instante? - Me sentei no outro sofá, longe da mira de Emmett.
- Oi querida. - Ela se apoiou no encosto do meu sofá, afagando meus cabelos.
- Eu resolvi tomar uma decisão, se Emmett não quiser eu vou entender.
- Anda logo. - Ele abaixou o volume da Tv pra me ouvir.
- Mãe, eu acho que vou ficar em Forks, pelo menos esse ano. Se não for te atrapalhar, claro. - Eu me virei pra ver sua expressão.
- É claro que você não atrapalha meu amor! Pode ficar o tempo que quiser, mas eu só não sei se Charlie liberaria... - Sua voz morreu infeliz na última frase.
- Nós somos maiores de idade, ele não pode nos impedir. Você é nossa mãe lembra? - Emmett estava sério.
- Ah, meus queridos. - Seus olhos se encheram d'água. - Venham cá!
Ela nos juntou num único abraço, muito emocionada.
- Vocês são os meus tesouros. - Nos beijou na testa.
-Acabou mãe, já está bom de melação! - Emmett brincou voltando para o seu sofá e aumentando o volume da Tv novamente.
Depois da discussão com Charlie no telefone , dele tentar nos impedir e se negar a mandar as nossas coisas ele desistiu - depois que eu apelei.
Reneé fez um jantar mirabolante - como o de costume - para comemorar. Decidimos que pela manhã já iríamos ver as coisas na Forks High School e que logo depois eu iria ver Alice, de todo o jeito.
