Capitulo 4:
Impazienza
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- Aiolia, o que quer conosco? - Havia perguntado Camus, segundos antes de se sentar, com pouca calma, do sofá de tecido chenille laranja.
E o rapaz sorriu ao ouvir a pergunta. Era pespicaz e brilhante demais para sua idade, no máximo vinte anos de idade, no entanto tinha como maior defeito a impaciencia, e por tal motivo havia chamado tão precipitadamente os dois companheiros de roubo a aquela hora da noite.
- Vocês sabem... - Começou, andando de um lado para o outro com as mãos nos bolsos da calça jeans. - Que o tal Mitsumada Kiddo queria que nós ligassemos a ele assim que chegassemos na Inglaterra, não é?
Milo balançou positivamente a cabeça e fez um gesto inquieto com uma das mãos como se dissesse para o outro que parasse com a enrolação e fosse direto ao assunto. Camus, por sua vez, nada dizia e nada fazia. Apenas olhava com para Aiolia com os olhos esverdeados semi-cerrados, talvez de raiva ou talvez de sono, ou talvez os dois.
- Eu liguei para ele ainda pouco. - Disse Aiolia, sentando-se na cama king-size da suíte. - Avisar para ele que estava tudo certo, que o quadro já estava conosco e que amanha mesmo poderiamos finalizar o negócio.
Camus bufou. - E daí?
Aiolia pos-se a brincar distraídamente com a tampa do cilíndro perolado em que se encontrava o valioso quadro roubado, e sem levantar os olhos, disse:
- E dai que ele nos mandou esperar aqui por algumas semanas porque precisava resolver uns assuntos na Grécia.
- E você não aceitou, certo? - Camus indagou, inclinando-se para afrente e apoiando os cotovelos nos joelhos. - Podemos vender o quadro para outro colecionador, você sabe disso.
Aiolia sorriu ardilosamente, ainda abrindo e fechando a tampa do cilíndro como quem não quisesse nada. Esperava que um dos dois falasse tal coisa, era de se esperar. - Aceitei sim.
Camus levou a mão a testa e sacudiu o cabelo ruivo em descrença. - Pode me dizer porque raios aceitou isso?
- Ele foi velar a neta, que foi assassinada essa semana. - Argumentou o moreno, deixando de lado o objeto e postando-se a observar, com os ombros abaixados, para a porta aberta do banheiro. - E disse que se não esperassemos, ele poderia nos denunciar anonimadamente.
O francês virou os olhos. - Temos proteção e você sabe disso. Se ele fizesse tal coisa acabaria tendo o mesmo fim que a neta.
Milo, até então quieto e com as sobrancelhas franzidas em dúvidas, levantou a voz: - Se ele nos denunciasse, na pior das hipóteses lembrariamos a polícia que quem encomendou o roubo foi ele. E como o Camus bem lembrou nós somos protegidos. - Respirou fundo e passou a mão nos cabelos. - Aiolia, seu idiota.
- Idiota é você. - Replicou Aiolia, virando-se repentinamente. - E se vocês dois me deixassem explicar eu diria o porque eu aceitei o que o homem mandou.
- Então explica. - Camus ordenou, passando os braços por trás do encosto do sofá.
Milo encostou-se, e como em coro com Camus, disse:
- Tá esperando o quê?
Aiolia por sua vez se levantou sem pressa. Internamente sorria perante a pesctiva de finalmente poder começar a colocar seus planos em prática. - Eu aceitei porque tive uma idéia... não sei se vocês vão aceitar, mas seria lucrativo para todos, já que acabamos virando um grupo...
Camus cerrou as sobrancelhas. - E que idéia seria essa?
- Um roubo. - Os olhos castanhos de Aiolia brilharam em excitação. - No Museu Britânico.
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A noite quente e sem vento explicavam por si sós a mudança de estação que estava por vir. Shura carregava o sobretudo negro pendurado em um dos ombros, deixando a blusa branca sem mangas a mostra pela primeira vez ao longo do dia, e caminhava sem pressa pela ruela estreita e escura a uns dois quarteirões de distância de seu apartamento. O cigarro aceso, pendendo no canto do lábio, criava uma fumaça singular que serviria até como rastro. Tirou-o da boca e deixou cair as cinzas no chão, ainda caminhando. E o silêncio mórbido da caminhada noturna foi cortada por seu acompanhante:
- Me empresta o isqueiro. - Pediu, em tom de ordem, Máscara da Morte, que só o acompanhava porque moravam quase na mesma quadra. Os dois, juntamente com Afrodite e Pandora passaram o restante da tarde naquele Café, discutindo sem chegar a lugar algum sobre o tal traídor do qual precisavam encontrar, mas tomaram lados opostos na volta de cada um para suas respectivas casas e apartamentos. Estavam a sós, na ruela escura de um bairro que se tornava sombrío demais durante a noite.
Shura tirou o objeto do bolso e entregou a Máscara sem dizer nada ou sequer virar o rosto. Máscara acendeu um cigarro e devolvei o isqueiro a Shura, e quando baforaram a mesa fumaça cinzenta quase ao mesmo tempo, iniciaram a primeira e única conversa que tiveram a noite inteira, desde que tomaram o mesmo rumo:
- O que você acha de tudo isso? - Perguntou o italiano, olhando de relance para a figura taciturna e quieta ao seu lado.
- Isso o que?
- Isso de ter um traidor entre nós. - Explicou, gesticulando com as mãos, inclusive a que segurava o cigarro. - Achei que você em especial poderia ter algum comentário sobre o assunto, espanhol, já que você já lidou com um traídor uma vez.
E sorriu, sarcástico, ao perceber que os olhos verdes de Shura o encaravam de lado com um certo brilho. Chegava a espantar-se com a própria cretinagem. Era a primeira vez que um assunto a muito tempo esquecido na memória de toda Santuário ficava tão próximo de ser discutido, e por mais proíbido de menciona-lo que fosse, não pode resistir a tentação de irrita-lo.
- Você sabe o que eu penso a respeito disso. - Respondeu ele, sem demonstrar maior importancia, deixando morrer a brecha para seus passado obscuro.
Máscara levantou uma das sobrancelhas enquanto dava uma nova baforada no ar. - Acho que eu não preciso dizer que comigo você não precisa ser tão anti-social, espanhol.
Shura não o encarou, e sacudiu as cinzas acumuladas na ponta do cigarro no ar. - Eu já disse durante a tarde, precisamos de novas pistas pra poder falar alguma coisa. Por enquanto estamos de mãos atadas.
Máscara, com uma expressão zombeteira, balançou a cabença em concordância. - De fato você tem razão, espanhol. Mas cheguei a imaginar que talvez você tivesse alguma ideiazinha brilhante. Você ou a sua garota.
- Ela tem nome.
- Pandora, certo. - Disse, afundando uma das mãos no bolso. - Você entendeu a quem eu me referia, não precisava de frescura.
- Não é frescura. - Respondeu, sem mais complemento algum. E Máscara da Morte riu.
- Eu fico imaginando o que você viu nela. - Falou, ainda em meio a risos carregados de humor irônico e ofensivo.
- O mesmo que você deve ter visto em Afrodite.
As gargalhadas deram lugar a um sorriso enviesado e misterioso nos lábios do italiano. - Não é o mesmo, você sabe disso... o que eu vi, no Afrodite... você também viu. Ou já esqueceu que antes de se interessar pela branquela metida a gótica você também já não teve um affair com ele?
A reação que Shura teve era justamente o que mais Máscara da Morte queria. Vê-lo se descontrolar, perder aquela pose soturna e tão séria que carregava pra todo lugar. Shura, com uma fúria sem explicação jogou-o contra a parede do prédio abandonado junta a calçada, prendendo-o com o braço direito e segurando sua camiseta com a mesma mão que segurava o cigarro, quase sufocando-o. Mas ainda sim Máscara voltou a rir. Riu insano, descontrolado, quase psicótico.
- Seu desgraçado! - Rosnou Shura, prensando-o com mais voracidade contra o muro, segurando mais forte a camiseta do italiano a ponto de faze-lo respirar descompassadamente. - Quando vai deixar de ser tão filho da puta?
- Não se pode negar as origens. - Respondeu, tragando o cigarro, ignorando o fato que mal conseguira respirar. E expirou com a boca a fumaça no rosto de Shura. - Não é mesmo, espanhol?
- Você quer acordar um dia sem essa sua cabeça nojenta, desgraçado! - Continuou, com a respiração pesada e o coração acelerando furiosamente. A cada vez que sentia o hálito quente e com gosto de nicotina de Máscara da Morte mais vontade tinha de mata-lo ali mesmo. Raiva era pouco, comparado ao eu sentia em relação ao italiano. Era ódio misturado a uma tensão que crescia a cada dia. - Quer, não quer?!
- Eu estava pensando, o porque de tanta raiva que existe entre nós. Sabe a que conclusão eu cheguei? - Máscara da Morte falou, como se não estivesse em tal posição tão vulnerável junto a Shura, calmo e cínico. Chegou os lábios ao pé do ouvido de Shura e com a voz rouca sussurou: - No final das contas, você deve imaginar que eu te quero da mesma forma que quero o Afrodite...
A resposta de Shura foi um soco que levou o rosto do italiano sangrar. E a resposta ao soco, por sua vez, foi mais uma gargalhada louca de Máscara da Morte.
- Você sabe que é verdade, espanhol... - Disse, com uma das mãos tingida de vermelho pelo sangue que escorria pelo nariz, e propositadamente deixando o ar dúbio da frase perante a situação. - Você sabe...
Antes que o punho fechado de Shura o atingisse mais uma vez, um celular tocou. Shura abaixou a mão, se afastou alguns centímetros ainda controlando-o com os olhos, e atendeu o celular.
Ao ouvir quem era, ameaçou o italiano uma última vez antes de virar a esquina. E mais uma vez a gargalhada insana de Máscara da Morte ecoou na ruela escura.
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- Um roubo. No Museu Britânico.
- Como?! - Foi a única coisa que Milo conseguiu indagar assim que Aiolia falou. - Ahn?!
- Porque lá? - Camus também perguntou, não menos chocado (porém menos embasbado) do que Milo. - Algo me diz que...
Aiolia sorriu, arqueou as sobrancelhas como se convidasse Camus a terminar a frase.
- Você já tem algo em mente... - Camus completou, com o queixo ligeiramente caído.
- Pior que isso! - Milo exclamou, em exaltação. - Ele já planejou alguma coisa! Tenho certeza!
E de fato Camus tinha que concordar com o que Milo dizia. Era mais do que visível pela expressão de Aiolia que ele já havia armado e combinado alguma coisa a respeito do roubo. O jeito que o rapaz sorria o entregava completamente.
- Tem razão... - Aiolia passou as mãos pelo cabelo e levantou da cama. - Eu de fato já tenho algo em mente...
- E tá esperando o que pra contar?
- Vocês sabem... - Começou, andando de um lado para o outro deixando um Camus e um Milo, sentados lado a lado, olhando-o ansiosos. - Um tal busto de um faraó que existe no Museu Britânico?
Camus percebeu Milo exclamar para si mesmo um "Ahh" em concordância. Arqueou uma das sobrancelhas. - Busto de faraó?
Aiolia balançou a cabeça. - Sim. É um tesouro arqueológico achado a algumas décadas por um inglês, e alguns egípcios acham um absurdo que esse busto esteja aqui e não lá no Egito. Um cara que eu conheci é um desses, e sabe o que eu faço. Disse que nos pagaria bem, caso fizessemos tal "devolução do tesouro nacional deles". - E, acrescentou, obsrvando as expressões marcadas no rosto da dupla a sua frente - Coisa de colecionador maluco, vocês devem saber do que eu estou falando.
- E se sei. - Camus comentou, voltando a encostar-se contra o sofá e passando mais uma vez o braço por trás dos ombros de um Milo que pareceu mais animado do que constrangido. - Metade desses colecionadores acham que estão fazendo um favor a obra trazendo-as de volta aos seus locais de origem, mas não passa de lorota.
- Exato. - Disse, parando sua caminhada repetitiva em frente ao espelho do banheiro. - E eu precisava que vocês aceitassem para ligar pro cara e falar que iremos mesmo fazer o serviço.
- Mas precisava perguntar isso logo agora? - Milo indagou, tomando as dores do sono perdido do ruivo ao seu lado. - Já são umas duas da manhã.
- Tenho meus motivos. - Respondeu Aiolia, sem mais. E virou em direção a eles. - Mas... vocês aceitam ou não aceitam?
Camus e Milo trocaram um olhar pra lá de significativo, como se perguntassem entre si se deveriam cair naquela ou não. E em uníssono responderam:
- Aceitamos.
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Já era bem tarde quando Pandora Heinstein parou seu carro em frente a central de pedidos do drive thrude uma lanchonete qualquer que abria vinte e quatro horas. Não costumava comer naquele tipo de lugar, mas considerando o horário que era e a sua falta de vontade de procurar algum supermercado ou restaurante aberto as duas e pouco da manhça, era sua única opção.
- Boa noite! Qual o seu pedido? - Perguntou uma moça sem graça com o uniforme da lanchonete, no parapeito que separava o carro de dentro do estabelecimento. Pandora apoiou o braço no vidro aberto da janela e abaixou a cabeça de modo que pudesse ver o cartaz com as opções.
- Ahm... - Franziu o cenho, buscando algo no menu gigantesco que parecesse do seu agrado. - Porção grande de batatas fritas e coca cola light.
- É tudo que deseja, senhora? - Indagou, convidativa, a mocinha sem graça. - Por mais vinte e cinco centavos você pod...
- Só isso. - Interrompeu um tanto ríspida, e a garota deu um sorriso amarelo.
- É só aguardar ali na frente que o pedido já sai!
Pandora não respondeu e andou o carro até aonde a menina havia apontado. E durante o tempo em que esperava, um tanto impaciente, jogou a cabeleira negra para trás, encostando preguiçosamente no banco do carro. Era uma daquelas noites em que sabia que não conseguiria dormir de jeito nenhum, e não era para menos. Peturbada perante tantas preocupações da Santuário não conseguia relaxar instante algum, e pensava, por mais que soubesse que ainda haviam os outros para ir em busca do traídor, que estava tudo nas mãos dela. Sentia-se quase culpada, por não ter conseguido mais que informações fracas de Radamanthys na noite anterior, e jurava a si mesma que não descansaria enquanto aquele enorme problema não estivesse resolvido.
Mas a falta de provas era evidente. E já estava cansada.
- Céus. - Exclamou com a voz fraca, encarando o retrovisor e tentando ignorar as olheiras que sismavam em aparecer debaixo dos seus olhos. - O que vamos fazer?
- A senhora disse alguma coisa? - Perguntou um rapazote com o mesmo uniforme que a garotinha da central de pedidos, parado com o lanche pronto nas mãos e intrigado com aquela mulher que falava sozinha.
- Não, não disse. - Respondeu, puxando com uma das mãos a bandeja com a comida e com a outra entregando o dinheiro. - E pode ficar com o troco.
Antes que o garoto pudesse agradecer, Pandora arrancou o carro e parou no ponto mais longe do estacionamento. Desligou o carro, fechou o vidro e voltou a estirar-se no banco, dessa vez devorando as batatinhas. Encarava o teto como se ele fosse solucionar todas as suas dúvidas, e mergulhava num mar de pensamentos incertos. Precisava haver uma brecha para algum indicio em especial... mas essa brecha não aparecia por si só.
Deixou as batatas no banco do lado e bebeu um gole do refrigerante enquanto folheava o jornal amassado que a pouco estava jogado no porta-luvas. Sem muita vontade passava os olhos pelas notícias do jornal que, ela lembrava, era o mesmo para qual Radamanthys escrevia. As mesmas notícias de sempre, pensava a morena, desinteresada. Mas teve que parar no momento que bateu de frente com um pequeno anúncio em especial no início dos Classificados, que vinha da própria redação:
Jornal Meikai¹ procura:
Fotógrafo freelancer para notícias esporádicas. Interessados tratar com (...)
Os olhos negros de Pandora brilharam e deixou escapar um sorriso. Tinha, enfim, uma boa idéia.
E não se importando com o horário que era, buscou o celular na bolsa e discou o número de Shura.
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Aldebaran checou as horas no relógio de pulso assim que fechou a porta do carro, no estacionamento em frente ao luxuoso apartamento de Saga Gemini.
Esperava que o chefe e amigo não demorasse demais, com o que sabe-se lá queria com ele. Havia combinado com Mu num restaurante por ali perto, para conversar sobre algum assunto importante do qual ele não havia explicado direito do que se tratava.
Já a viagem, no dia seguinte, estava entregue a própria sorte. Esperava muito que a ligação de Saga significasse apenas alguma notícia que havia esquecido ou coisa parecida, mas conhecia Saga como ninguém. A urgência e desespero de seu chamado denotavam que ele queria alguma coisa que iria adiar sua ida ao Brasil.
Olhou o próprio reflexo no vidro escuro da entrada do prédio e passou as mãos pelos cabelos. Pensou no que poderia ser, e como ligaria para seus pais para avisar que provávelmente não iria mais. Respirou fundo, tentando ter paciência. Trabalhar na Santuário tinha seus poréns, devia estar acostumado.
Apertou o interfone, abriu a porta. Foi recebido com um aceno simpático do porteiro do prédio, da qual desconhecia o nome. Olhou mais uma vez para o relógio e tirou o casaco marrom pesado que vestia assim que entrou no elevador. Não poderia ser nada que explicasse a inquietação fora do comum que sentia, porque se conhecia Saga tão bem deveria lembrar que o homem era exagerado demais na maioria dos assuntos.
O elevador parou em frente a uma única porta, entreaberta. Lá era o apartamento de Saga Gemini, a cobertura do prédio de vinte e cinco andares, e o apartamento mais caro de Atenas. E não poderia ser para menos. Por mais que a luz da sala estivesse apagada, o comodo era gigantesco, com uma decoração clássica que parecia ter sido tirada de imagens gregas antigas. A varanda, o lugar que Aldebaran considerava o mais bonito daquele lugar, dava para uma vista privilegiada e estupenda de toda a cidade. Se morasse ali, ao invéz de Saga, daria muito mais valor a aquela vista.
Com o casaco num dos braços, meio incerto caminhou até o corredor que se encontrava o escritório. E, quando lá chegou, de solaio na porta, sua inquietação foi automaticamente explicada. Saga parecia desesperado, sentado na cadeira em frente a escrivaninha de carvalho. Tinha olheiras, e a camiseta azulada que vestia parecia amarrotada demais para um homem do calibre de Saga Gemini.
- Aldebaran, você demoru. - Ele disse, desapoiando a mão do queixo e erguendo-se na cadeira, a fim de parecer mais apresentável. - Quer whisky?
Aldebaran fez que não, e ainda de pé perguntou:
- Porque me chamou?
- Mas que impaciente... - Saga cantarolou, disfarçando a própria impaciencia com sarcásmo. - Se eu te chamei aqui é porque eu tenho bons motivos... sente-se.
Aldebaran obedeceu-o, sentando-se na cadeira combinada com a mesa. Permaneceu em silêncio experando as explicações do outro. Saga, por sua vez, encostou-se preguiçosamente contra a ostentosa poltrona cor de vinho em que se encontrava, e como em entendimento a falta de perguntas de Aldebaran, começou:
- Meu amigo, sinto muito em lhe dizer que você vai precisar deixar essa viagem para depois. - Disse, servindo o copo vazio do whisky escocês que até então jazia quase esquecido sobre a bandeja prateada a sua frente. - Do jeito que as coisas andam, a sua ajuda é o que eu mais vou precisar nesse periodo turbulento em que nossa família se encontra...
O moreno, dececionado porém não surpreso, suspirou. E deixou-se levar pelas explicações de Saga dos acontecidos recentes. A suspeita de um traidor ("Novamente?") em meio a organização, as intrigas entre a Santuário e as duas máfias irmãs e a chegada a qualquer momento do investigador pessoal de Julian Solo a fim de descobrir se a Máfia do Santuário estava a descumprir o contrato entre as facções, imposto a décadas, de uma não ousar entrar no negócio das outras.
Tudo dito na maior clareza possível pela voz calma de Saga. Suposta calma, sabia muito bem Aldebaran, pois por trás de aparente falta de preocupação estava um homem dividido, impotente perante todas as situações e sem saber para onde correr. Saga era homem perspicaz, confiante de si mesmo e sabia se impor por meio das palavras, e dificilmente deixava transparecer as próprias fraquezas, mas ali, sentia insegurança.
Saga não sabia o que fazer, mas não demonstrava.
- E é isso. - Concluiu, bebendo com classe o último gole da bebida no copo. - Preciso que você fique de olho nesse investigador o tempo que ele ficar infiltrado na nossa família. E diga aos outros para fingirem que acreditam que ele de fato faz parte da Santuário. Existe essa combinação idiota entre as máfias, quero que ao menos pareça a esse braço direito do Julian Solo que eu estou cumprindo-a como devo.
Aldebaran se debruçou sobre a mesa. - Mas porque me chamou com essa urgência? Eu ainda não entendi.
O loiro suspirou. - Porque eu precisava que você chegasse aqui antes desse subordinado do Julian. E ele deve chegar a qualquer momen..
Numa sincronia perfeita com o que Saga estava para dizer, um ranger de portas fez Aldebaran virar a cabeça para trás. E o que viu o fez arregalar os olhos.
- Então realmente é você, Kanon. - Saga falou, examindo-o fixadamente. - Achei que Julian Solo poderia ter blefado.
E o homem, um reflexo perfeito de Saga vestido de calça jeans e camiseta, com um sorriso irônico estampado no rosto, respondeu:
- Quanto tempo, maninho.
¹: Meikai, do japonês, inferno. xp
N/A: Reescrevi esse capitulo umas cinco, seis vezes até eu me dar por satisfeita com o ritmo (as quatro primeiras eu achei que eu estava enrolando, enrolando, e não dizendo nada com nada XD), e espero mesmo que tenha conseguido. Inicia, de vez agora, o yaoi na trama (yep, e não é que aqui eu firmei mesmo o "quadrado amoroso" entre Shura, Máscara da Morte, Afrodite e Pandora? XD Meu deus, eu sou louca. Podem me matar, vai XD), e os fãs de Camus/Milo, não desesperai (abre as mãos e levanta-as aos céus), capitulo que vem compensa MESMO sobre os dois (o que eu to pensando é basicamente... eles, eles e só eles. x3).
O título do capt por sua vez vem de Impaciencia, do italiano, que foi o clima do capitulo ao todo xD (bando de mafiosinhos e ladroezinhos estressados.. cruzes.. u.u)
Comentem e façam uma autora feliz. Vocês não se compadessem com uma escritora doente? T.T (pneumoniaca u.u)
Beeeijos ;ººººº
