You've Changed The Course Of History…

...And didn't even try...

O tempo passara para a pequena Emma, que agora não era mais tão pequena. Ela a cada dia estava mais radiante e mais bonita, além de estar se provando uma moça extremamente inteligente e corajosa.

Mesmo com seus 13 anos e meio já sabia muito bem se defender com uma espada e usar o arco como ninguém.

A pequena princesa saíra para caçar sozinha a cavalo ao redor do castelo. A aljava em suas costas e o arco em suas mãos. O belo alazão branco corria por entre as árvores e ela acertava todos os alvos que queria, mesmo eles já estando cheios de suas flechas. Emma jamais poderia machucar ou matar algum ser vivo, por isso só treinava em alvos fixos.

Divertia-se tanto com aquilo que nem percebera o horário passando, a noite caindo e quando deu por si estava completamente perdida e longe das terras de seus pais.

A floresta era escura, não só pela ausência do sol, mas por ser fechadas. Ela exalava medo, dor e sofrimento. As arvores com galhos tão retorcidos que pareciam clamar seu desespero, implorar por ajuda, por alívio.

Emma estava entrando em desespero sozinha ali, tentando voltar para o castelo, mas a cada metro que o cavalo andava parecia mais e mais perdido, pior do que se andassem em círculos, do que se estivessem em um labirinto.

Seu coração estava acelerado e acabara se deitando sobre o cavalo, abraçando seu pescoço e caindo naquele choro baixinho. Não sabia o que fazer ou o que pensar e então viu o brilho da pulseirinha que jamais tirava. Seus olhos brilharam cheios de lágrimas e seu coração pareceu bater animado, esperançoso.

Emma fechou os olhos e segurou firme a xícara com as pontas de seus dedos.

"Milady. Milady. Apareça. Por favor. Venha me salvar. Por Favor."

Suplicava em pensamentos. Então abriu os olhos e olhou para frente. O sorriso de surpresa e incredulidade estava ali.

–Está perdida, pequena?

–Eu... é. Estou, Milady. Me desculpe incomodá-la... eu...

–Princesa, você sabe que não é incomodo algum. Estou aqui para cuidar de você.

–Co... Como? Como você fez isso?

–Eu ouvi seu chamado e o segui.

–Tão rápido? Você tem mágica? O que é você?

–Eu sou… Seu anjo da guarda, Princesa. –Ela sorriu e mordiscou o inferior, olhando ao redor e a rainha percebeu seu nervosismo. –Feche os olhos, vou levá-los para casa.

Emma fechou seus belos olhos e respirou fundo, mas arregalou-os ao sentir o corpo arrepiar, ao sentir o ambiente quente abraçando-a e a maciez de onde estava sentada.

Estava em seu quarto, com suas roupas de dormir e cheirosa, bem limpinha; os cabelos soltos e já escovados, completamente pronta para dormir.

–O que... Você fez, Milady?

–Magia, pequena... Está com fome?

–Morrendo!

A Rainha assentiu e fez a mesinha onde elas tomavam chá todas as noites se tornar em um pequeno banquete para elas e os olhos da garota brilharam, encantada, como que sem acreditar no que via, como se fosse de mentira.

–Nossa! Eu posso comer isso?

Levantou-se da cama e tocou aquele faisão assado com calda de amoras, umedecendo-os na calda e lambendo-os de forma infantil, arrancando um sorriso encantado da mulher mais velha. Era definitivamente a comida que mais amava no mundo todo, mas sua mãe não permitia que ela se fartasse com aquilo ou comesse sempre.

–Claro...

Então as duas acabaram jantando juntas, brincando e conversando. Regina não se arrependia de ter feito amizade com a garota, de ter entregado seu coração a ela. Era tão bom se sentir assim, feliz. Ver aquele sorriso satisfeito, aqueles olhinhos brilhando com ao simples fato de estar ali, o simples fato de encontra-la.

–Eu posso... Te ensinar uma coisinha ou outra, se quiser. Mas amanhã. Hoje deve estar muito cansada e não conseguirá se concentrar o suficiente.

–Sério? Eu quero! Quero ser como você, Milady.

A Rainha riu com aquilo e negou brevemente. Era má e não queria que a menina se tornasse má, que perdesse o lindo brilho no olhar. Só ensinaria um truque ou outro, coisas inocentes que não fossem alterar a índole da pequena.

–Irei ensiná-la se me prometer que jamais mostrará o que sabe ou disser para alguém, Princesa. Sua mãe jamais permitiria que eu voltasse a vê-la caso descubra.

–Não vou, Milady. Prometo.

Então Regina arrumou a mesa como estaria antes e sorriu de forma fofa para a pequena que se deitou na cama. Regina logo deitou-se com ela, como sempre fazia, acariciando seus cabelos e cantando a mesma música de todas as noites.

Don't give me love
Don't give me faith
Wisdom nor pride
Give innocence instead

Don't give me love
I've had my share
Beauty nor rest
Give me truth instead

A dove came to me
Had no fear
It rested on my arm
I touched its calm, envied its love
But needed nothing it had…

Ela não entendia muito bem como conseguia, de fato, fazer a menina dormir sempre na mesma parte da música, talvez fosse magia e sua vontade que ela jamais chegasse ao fim. Talvez fosse só sorte.

Sorriu e observando-a calmamente, serena. Queria que Emma fosse feliz, mesmo sendo filha daquela maldita mulher que acabara com a sua própria felicidade.

Uma batida forte na porta, Regina prendeu a respiração por milissegundos, seus pensamentos agora longe da felicidade arrancada de si e da que poderia ser se não fosse embora, pegou metade de seu açúcar, um cubinho e meio, sabia que precisava se fazer real pra ela e que era a forma de Emma saber que ela realmente esteve consigo durante a noite.

Branca de Neve e seu Príncipe Encantado entraram ali. Os dois pareciam assustados mas o temor logo se passou quando viram sua pequena dormindo ali, calmamente, como um anjo, sozinha. Ninguém no quarto, apenas a leve brisa da janela entreaberta.

Emma estava em paz e estava feliz. Era possível vê-la feliz. Era possível ver aquele sorriso fofo emoldurando seu sono, seu belo rosto.

Talvez ninguém tivesse percebido quando ela apareceu com o Alazão, quando voltara para o castelo. Sabiam que Regina não tinha nada a ver com aquilo, afinal, estava tudo perfeitamente bem com ela e a Rainha Má era má, não cuidaria dela, não colocaria ela para dormir em segurança e em paz.

Não é?