Acabada. Estava acabada. Aquela guerra maldita estava acabada.
Era a penúltima conferência a respeito, onde as punições aos responsáveis seriam oficializadas.
A reunião estava no meio e a atmosfera em nada lembrava as antigas conferências, descontraídas e até mesmo inúteis. Feliciano não encarava nada que não fosse a mesa ou seus sapatos – principalmente Ludwig. Todos estavam quietos, com exceção de Alfred que discursava, sério e sem hambúrgueres ou milk-shakes em mãos.
As punições à Alemanha prosseguiam, severas, até o momento em que Ludwig e Gilbert arregalaram os olhos.
A região pertencente à Prússia seria ocupada pelos soviéticos.
Ludwig abaixou a cabeça, punhos e dentes cerrados, imaginando o que aconteceria com seu irmão nas mãos daquele psicopata bêbado. O prussiano desviou seu olhar de Alfred para Ivan e o sorriso que o russo ostentava fez calafrios de antecipação percorrer o corpo albino.
Abaixou a cabeça, assim como seu irmão, sua franja cobrindo os olhos vermelhos. Ninguém notou a expressão atônita de Elisabeta - com exceção, talvez e apenas talvez, de Roderich.
Após algum tempo a reunião deu-se como encerrada e aos poucos os países deixavam a sala. Gilbert ainda estava sentado quando sentiu uma mão enluvada em seu ombro e ouviu uma risada sadicamente infantil atrás de si, seguida de um rosnado baixo vindo de seu irmão. Ivan afastou-se, ainda sorrindo, sendo seguido pelo olhar furioso e escuro do alemão.
–Venha, Bruder. Vamos embora.
–Vá na frente, West. Vou daqui a pouco.
Ludwig titubeou, porém assentiu após certificar-se que o soviético já havia deixado a sala. Alfred fechou a porta, murmurando algo para não tomar muito tempo ali.
E Gilbert chorou.
Debruçou-se sobre a mesa, soluçando, o rosto escondido entre os braços.
–Por quê? – murmurou, após alguns minutos, o nariz congestionado pelo choro – Por que ainda está aqui?
Levantou os olhos úmidos e inchados, encarando Elisabeta que permanecia imóvel em seu lugar - mesmo que Roderich tenha tentado lhe esperar por alguns momentos.
O germânico se levantou, esfregando os olhos com a manga do uniforme e contornando a grande mesa oval. Aproximava-se da húngara com passos pequenos.
–Por que fez isso sabendo que eu estaria deste jeito? Me odeia tanto assim, Elisabeta?
A moça não soube responder a nenhuma das perguntas, principalmente o porquê se levantara e se jogara sobre o albino quando este estava a uma distância mínima, abraçando-o forte e sendo abraçada na mesma intensidade.
Não sabiam por que se abraçavam, mas sabiam que era bom. Gilbert puxava a ex-rival pela cintura e podia sentir as lágrimas dela molharem seu ombro, enquanto afundava sua própria face por entre os cabelos compridos e castanhos.
E choraram juntos, em meio a tantas perguntas nunca respondidas ou refeitas.
