N/A: Todos os personagens pertencem a Stephenie Meyer e a história pertence a Elisabeth Bernard , a mim só pertence a adaptação.


Capitulo 3 - MINHA ALMA NO DIÁRIO

Eu estava parada na calçada do lado de fora da escola, esperando o semáforo abrir. Minhas botas pisavam com firmeza no cimento, mas me sentia como se estivesse flutuando a uns dois centímetros do chão. Que grande dia tinha sido aquele.

Foi então que vi Mike acenando para mim da janela do Jonesy´s, do outro lado da rua. Alice estava lá também, se inclinando por cima do ombro dele. Eu não conseguia ver Jasper, mas o jipe dele estava estacionado em frente ao bar. Todos tinham esperado por mim.

- Ei! Bella ! O grito atrás de mim ficara quase abafado pelo ronco de um motor.

Eu me virei. E lá, montado numa grande Harley preta, estava Edward. Mesmo com o capacete e a jaqueta de couro com o zíper puxado até em cima, eu o reconheci. Ele havia saído do fluxo do trânsito e parara no meio-fio. Acelerou a moto umas duas vezes, e a fumaça que saiu do escapamento me fez tossir. Gostei do jeito daquele "Ei" e tentei fazer igual:

- Hã... Ei, Edward. Linda a sua moto – gritei tentando superar o barulho do motor e o do trânsito.

- Quer uma carona- ofereceu.

Fiquei sem ar.

- Nisso?

Que garota nunca sonhou com um passeio de moto ao pôr-do-sol, na garupa de um bonitão com jaqueta de couro e brinco na orelha? Mas a verdade é que, lá no fundo, tenho pavor de motocicletas! Meu pai é o cirurgião-chefe do pronto-socorro do Hospital Geral de Revere e tem uma péssima opinião a respeito dessas máquinas. Diz que as motos matam as pessoas ou as mutilam para o resto da vida.
Além do mais, Alice, Jasper e Mike estavam bem ali do outro lado da rua, olhando pela janela frontal do Jonesy´s, esperando por mim.

- Não posso.

O sorriso de Edward se desfez.

- Ah... pensei que talvez você morasse em algum lugar no caminho para Keaton Corners...

- Não... Quero dizer, eu moro por lá... – disse, me sentindo completamente desajeitada enquanto apontava para South Chestnut, na direção de Old Town Road. – Mas é que estou indo encontrar com uns amigos – completei, indicando o Jonesy´s com a cabeça.

A velha e recém-reformada lanchonete dos anos 50 brilhava na luz prateada da tarde. "Edward precisa conhecer este lugar", pensei, "se quiser se enturmar por aqui. Se é que nós vamos ser amigos".

- Ah, bom... – se conformou, colocando de volta o capacete.

Pela segunda vez naquela tarde tive a sensação de que ele se sentia sozinho.
Aproximei-me e toquei sem eu braço.

- Escute, por que você não vem também? Você já esteve no Jonesy´s?

Edward não era de sair muito, senão, com certeza, antes do primeiro ensaio eu já saberia quem ele era.

- Só uma vez, na semana passada. Para pegar a vitrola automática para consertar – respondeu, ao mesmo tempo que eu reparei nos três rostos me encarando pela janela do outro lado da rua.

- Seus amigos estão esperando... – acrescentou com um pequeno sorriso. – Mas obrigado por perguntar. Fica para uma outra vez. Agora preciso ir trabalhar.

Na verdade ele ainda não tinha mencionado nem uma vez que trabalhava na oficina do pai. Eu me perguntava se estaria envergonhado por isso, ou algo do gênero. Nenhum de meus amigos na escola fazia algo além de estudar, apesar de que Alice e eu eventualmente éramos baby-sitters para os filhos de amigos de nossas famílias. Eu me perguntava também sobre o que Mike e companhia estariam pensando àquela altura me vendo conversar com um cara montado numa Harley.

- Bom, a gente se vê – despedi-me, abraçando meus livros com força.

Ele afrouxou o breque e acelerou. Justo antes de mergulhar no trânsito, gritou por cima do ombro, acelerando novamente:

- Não se esqueça de que você me deve aquelas lições de memorização. Tudo bem se eu te ligar para combinarmos isso?

- Claro – retruquei rindo, quando ele já entrava de novo na avenida para Keaton Corners. – Ei, meu número de telefone! Não está na lista...!

Mas ele já estava muito longe para me escutar. Fiquei olhando a Harley ondular no meio do tráfego, até perdê-la de vista numa curva. Então me lembrei de que todos os números de telefone dos integrantes do elenco e da equipe técnica de A Bela e a Fera estavam listados nas agendas de ensaio que Carmen havia distribuído. Até mesmo eu tinha o telefone de Edward!

Ouvi o clique do semáforo de pedestres. A luz estava verde. Atravessei a rua num pique rápido e subi de dois em dois os degraus das escadas frontais da lanchonete.

- Oi, gente! – ofeguei, pendurando meu casaco num dos pequenos ganchos ao lado da mesa.

Jasper se levantou e me deixou deslizar para o lado dele. Nós sempre nos sentávamos assim: eu do lado de Jasper, de frente para Mike, e Alice ao lado de Mike, de frente para Jasper.

Desabei no assento de couro falso e afundei nele até meu queixo quase encostar na mesa de fórmica azul-turquesa. Passeei o dedo sobre a mesa e sorri para Mike do outro lado. Depois para Alice. Eu queria abraçar todo mundo. Sentia-me abobada, eufórica e totalmente sem fôlego.

- Eu te falei! - Alice cantarolou, como se fosse uma musiquinha. – Ele é um motoqueiro...

Fiquei pasmada:

- E daí?

- É difícil imaginar você trabalhando com alguém como esse cara, Bella . Ele parece meio bruto – observou Jasper.

Eu me endireitei no assento.

- É um pouquinho. Mas qual o problema? Isso não impede que ele atue.

Alice olhava para mim como se eu fosse uma recém-chegada de Plutão, ou algo parecido.

- Por um segundo cheguei a pensar que você ia convidá-lo para vir aqui também – disse Mike num tom amuado, me encarando. – Você parece diferente... – Agora seu tom de voz pulara de amuado para perplexo.

Na parte cromada do porta-guardanapo eu captei um reflexo retorcido de mim mesma, do tipo "sala dos espelhos". Meu cabelo tinha se desvencilhado da trança, e as maçãs de meu rosto estavam rosadas.

Olhei para Mike do outro lado da mesa e me dei conta de que para olhá-lo nos olhos tinha de levantar ligeiramente a vista. Edward e eu éramos da mesma altura, e naturalmente encarávamo-nos olho no olho.

- Eu me sinto diferente! – declarei.

Desde que o ensaio terminara, tinha a sensação de estar renovada e mais viva, de que a cada segundo, cada pedacinho, de mim se transformavam.

- É, Mike, me sinto diferente. Acabo de experimentar algo novo e maravilhoso...

Mas estava muito eufórica para explicar tudo naquele momento. E não podia deixar de lado o que Alice dissera a respeito de Edward e sua Harley. Ela fizera a palavra "motoqueiro" soar como um palavrão.

- Ele anda de moto, Alice. Você já sabia disso. Motoqueiros não são necessariamente criminosos.

Alice fez um gesto pacificador com as mãos:

- Tudo bem, tudo bem. De qualquer jeito, com o que você está tão exaltada? – perguntou, inclinando-se para trás para deixar o garçom colocar uma soda diet na sua frente.

Alice espremeu delicadamente o limão por cima do montinho de pedras de gelo. Eu detesto gelo na soda, e Alice sempre me provoca com isso. Ela deu uma sugada.

- Você mal conhece o cara. A maioria dos motoqueiros anda com a gangue do Pulito.

- Edward não tem nada a ver com esse tipo de gente – insisti, esperando que realmente não fosse um dos que circulavam com o pessoal do Pulito, garotada da pesada. – Ele é um verdadeiro ator. Pode acreditar.

Minha irritação com Alice estava começando a se dissolver à medida que eu direcionava a conversa para o ensaio.

- Bom, me parece legal tudo isso – concedeu ela.

Percebi que ela tentava parecer entusiástica, mas estava ao mesmo tempo um pouco cética.

- Só que acho também que vai exigir muito de você – completou.

- Especialmente durante a fase de trabalhos e exames bimestrais. Você não tem um super trabalho de História Americana à vista? Alice tem – disse Jasper, esticando os braços por cima da cabeça.

Ele pediu outro café. Jasper é o único garoto de 17 anos que conheço que praticamente inalava café – café de verdade, com cafeína.

Fim de bimestre. Notas. O maldito trabalho de História. Fiquei pálida e senti um nó no estômago. O tal trabalho teria de ser entregue lá pelos mesmos dias em que eu supostamente já deveria ter todas as minhas falas memorizadas.

- Droga, é mesmo. Os exames e os trabalhos do bimestre era a coisa mais distante da minha cabeça quando me candidatei para a peça.

- O quê! Bella , a rainha da lição de casa dos segundanistas, se esquecendo do fim do bimestre! – exclamou Alice, com uma risada nervos.

- Não sei, não, Bella . Essa história de peça de teatro... Não é do seu feitio folgar desse jeito com os estudos – disse Mike, franzindo as sobrancelhas para mim. – Você não pensou que a peça vai tomar a metade do seu tempo?

- Pois é... Não pensei.

Eu estava começando a me sentir uma boba. Como podia ter me esquecido dos trabalhos da escola? Aquela semana estava se convertendo numa semana de "números 1" para mim: a primeira atitude impulsiva que havia tomado em minha vida; o papel principal na primeira peça de teatro a que me candidatara; o primeiro ensaio; o primeiro novo amigo em anos. E agora começava a temer que todos esses "números 1" me levassem a um outro "número 1": minha primeira nota zero!

- Ei, ânimo! Não é o fim do mundo! - encorajou Alice. - Você vai dar conta de tudo.

- Você sempre dá conta, Bella - acrescentou Alice. - Afinal, não é a toa que todo mundo a considera um gênio.

- Então espero que todo mundo esteja certo - disse eu.

Mas naquele dia eu não estava com vontade de ser gênio coisa nenhuma. Fora o dia de começar a aprender a me soltar.
Só de pensar como aquela tarde tinha sido maravilhosa, eu já me esquecia automaticamente da questão do fim do bimestre. As provas e os trabalhos poderiam esperar até eu chegar em casa e pegar os livros. Por enquanto, desejava saborear aquela magia um pouco mais. Queria que Alice, Mike e Jasper compreendessem quão maravilhoso tudo aquilo estava sendo pra mim.

- De qualquer jeito - continuei -, só o fato de fazer parte do elenco de A Bela e a Fera me faz sentir tão bem! É a sensação de finalmente ter conseguido algo por mim mesma.

- Ué, e ganhar o primeiro prêmio na Feira de Ciências do condado por dois anos seguidos não é consegui algo por si mesma? - perguntou Mike.

Ele fora minha dupla em Ciência num ano e Alice no outro.

- Claro que isso conta... mas eu estou acostumada a ser inteligente. O que não estou acostumada a ser é, bem, talentosa, ou "artística", ou bonita.

A última palavra simplesmente escapou, e eu me senti corar.
Alice alcançou minha trança e a puxou.

- Você é bonita. Mas a Faculdade de Direito de Harvard não vai estar preocupada com a sua beleza. Eles estão interessados em códigos de lei e boas notas.

- Dá um tempo, Alice. Agente está no colegial ainda - disse Jasper.

Esse era um dos motivos mias freqüentes de discussão entre nós quatro. Alice e Mike tinham essa mania de planejar cada detalhe de nossos futuros. Já haviam até previsto que seríamos sócios numa firma de advocacia em Boston: Brandon, Newton, Withlock & Swan. Jasper não estava tão convencido quanto eles a respeito de que rumo tomaria sua vida depois do colegial. E, depois daquele dia, eu também não estava mais.

Eu mudava de ideia o tempo todo. Em certos dias queria ser médica: agarrar a vida e a morte com minhas próprias mãos e superar o desafio. Então a comichão da advocacia voltava, e aí eu começava a sonhar com ser a primeira presidenta dos Estados Unidos. Não importava o que eu quisesse fazer, tinha de ser sempre algo desafiador. Alguma coisa que qualquer um não fosse capaz de fazer. E agora estava achando que talvez quisesse ser atriz.

Esse simples pensamento me petrificou. De repente, tudo pareceu absurdo, ridículo.
E mais petrificante ainda foi pensar em como iria conseguir cumprir com todas as minhas obrigações escolares. A realidade concreta do aqui e agora era estudar para as provas de Biologia e escrever meu trabalho de História — e não ser uma atriz. O mesmo quanto às notas. E o mesmo quanto a decorar todas aquelas falas para dali a uma semana. Meu coração afundou.

— De que estou brincando, afinal? — suspirei. — Acho que mordi mais do que sou capaz de mastigar... eu...

— Você não pode desistir agora! — me interrompeu Mike, parecendo horrorizado. — Você assumiu um compromisso. Está na peça, e tenho certeza de que vai conseguir fazer um belo trabalho no papel de Branca de Neve...

— De Bela! — gritamos Jasper, Alice e eu ao mesmo tempo.

Tive vontade de matar Mike por ter se esquecido de algo tão importante para mim, mas de repente comecei a rir. Deixei para lá...

— Está bom, Bela, ou o que for. — Mike pareceu incomodado. — Você pode fazer tudo isso ao mesmo tempo... se é que alguém pode. E assim se livra duma vez dessa história de teatro.

— "Me livrar"? — mal consegui repetir as palavras dele. Alguém pode se livrar de uma gripe. Ou da mania de só usar roupas rosa-choque. Ou de um engarrafamento.
— Talvez o teatro seja algo de que eu não queira me livrar — aliquei, finalmente. — Por que eu deveria? Talvez atuar seja uma parte importante do que realmente sou.

— Desde quando? — gracejou Alice.

Mike arqueou as sobrancelhas. Jasper sorriu para mim.

— Estou falando sério — afirmei.

— Ha! depois de um único ensaio, ela está falando sério a respeito de se tornar uma atriz. Seja realista, Bella ! — disse Alice. — Aproveite a experiência e depois parta para outra. Não é essa uma das razões pela qual se candidatou para a peça? Experimentar algo novo. E não ficar amarrada à primeira novidade que experimenta!

"Uma das razões, Alice...", disse para mim mesma. Mas eu não estava a fim de começar a falar ali de toda aquela história da peça de Natal na infância e do meu velho sonho de estrelato.

— O próximo passo, Bella , é começar a se preparar para entrar na Escola de Artes Dramáticas de Yale — sugeriu Jasper, brincando.

— Não comece a dar ideias a ela! — exclamou Mike. — A última coisa que tinha ouvido aqui é que nós íamos todos para a Faculdade de Direito de Harvard. Certo, Bella ?

Não respondi. Subitamente, eu não tinha mais vontade de saber o que iria fazer depois do colegial. Não tinha vontade nem de pensar no assunto. Acima de tudo, não queria me sentir enjaulada. Toda aquela conversa me levava a sentir que as janelas escancaradas dentro de mim durante o ensaio estavam sendo todas trancadas novamente, uma a uma.

— Espere um pouco, Mike! Eu estou só no segundo ano. Não tenho por que ficar preocupada com isso desde já.

— Eu te conheço desde que tinha 9 anos e sempre teve planos de ir para Harvard e ser alguém na vida —Mike resmungou, agarrando a conta.

— Eu ainda quero ser alguém na vida — repliquei. — Só não sei direito ainda o que eu quero ser. Só tenho 16 anos, Mike. Minha vida nem começou.

"Ou será que já começou?", pensei enquanto acompanhava Jasper, que já saía da mesa.

— Está sensível hoje, hein? — provocou Alice, brincalhona. — O que há de errado com você, Bella ? — perguntou num tom mais sério, quando nós duas já saíamos da lanchonete, deixando os meninos dentro para pagar a conta.

— Nada, Alice — respondi, um pouco magoada por ela não ser capaz de compreender por si mesma.

Algo de maravilhoso acontecera comigo naquele dia, e meus amigos simplesmente não conseguiam perceber.


Os diários são o que os amigos nunca poderão ser. Um diário é um amigo todo ouvidos, sempre atento e compreensivo, ao qual se pode confiar absolutamente qualquer segredo.
Naquela noite, com o rádio sintonizado numa estação de jazz para notívagos e as pernas enfiadas embaixo do meu edredom púrpura-escuro, despi minha alma no diário. Enchi três páginas inteiras com a minha letra apertada, só falando de tudo o que acontecera no dia, de Edward, e de como me sentira por ter uma chance de fazer um velho sonho se tornar realidade.

Mais do que nada, escrevi sobre o quanto tinha me divertido com todos aqueles jogos malucos, confiando o suficiente em alguém para me deixar cair de costas em seus braços. Claro, não quaisquer braços. Os braços de Edward. Doce pensamento. Depois de escrever isso, mordi a caneta, olhei vagamente para as florezinhas do papel de parede amarelo do meu quarto e suspirei.
O suspiro se derreteu e se metamorfoseou numa nítida pontada de culpa e numa vaga sensação de confusão.
Escrever tanto sobre a peça e sobre Edward me fez pensar em Mike. Às vezes me questiono por que comecei a namorar ele. Tentei fazer uma lista das possíveis razões:

"1. Nós dois somos altos. Eu sou a garota mais alta do segundo ano, e ele é um dos garotos mais altos. Os treinadores de basquete têm 'babado' com a gente desde o ginásio. Nada demais para servir de base a um relacionamento, exceto pelo fato de que nós dois detestamos basquete.

"2. Nós sempre fomos vizinhos, até os pais de Mike se mudarem no ano passado para um belo bairro novo a leste de Keaton Corners. De maneira que nós nos conhecemos praticamente desde sempre.

"3. Nós éramos 'menores abandonados'. O 'pão amanhecido de nossa turma', Mike costumava dizer. Alice, Jasper, Mike, eu e mais outros dois garotos que depois acabaram se mudando para outro bairro tínhamos sempre convivido juntos e saído em grupo a partir dos 13 anos. Mas logo que Jasper tirara sua carta de motorista, ele e Alice subitamente haviam formado um parzinho à parte e começado a sair para todos os lados, sozinhos, no jipe de Jasper. Isso deixara Mike e eu a ver navios, e só dois não formam uma turma.

"Lá pelo nosso terceiro cinema, só nós dois, ele pegou na minha mão. Era o filme mais recente da série das Tartarugas Ninja, e me lembro de cada cena com detalhes. Segurar na mão de Mike não apagara nenhum pensamento de minha mente, nem enchera meu estômago com borboletas amarelas. Nem nada parecido. Fora apenas uma gostosa sensação de familiaridade, de um afeto reconfortante. Rochas não explodiram e fogos de artifício não iluminaram os céus, mas tinha gostado de pegar na mão dele
e de abraçá-lo.

"E foi a mesma sensação de 'torta de maçã quentinha feita em casa' quando mais tarde, naquele mesmo dia, ele me deu o beijo de boa-noite na porta de minha casa. Estávamos os dois meio encabulados com a situação. Nossos narizes trombaram, e ambos demos uma risadinha boba. Nós nos beijamos muitas vezes desde então, mas nenhum dos beijos de Mike jamais me
colocou em órbita".

Eu tinha acabado de escrever isso quando o telefone tocou. Minha primeira reação não foi sair correndo em direção ao aparelho. Foi olhar para o despertador. Eram 23h35min. Todos os que me conhecem sabem muito bem que eu não posso receber telefonemas depois das 22h30min nos dias de aula.

Portanto, imaginei que não fosse para mim. Deixei tocar mais uma vez, fechei meu diário, me enfiei de novo debaixo do edredom e acariciei minha gata Pebbles até ela começar a ronronar. Engraçado como Mike me fizera pensar em torta de maçã, enquanto Edward... Edward me fizera parar de pensar. Ou me fizera pensar somente nele.

— Bella , é para você! — minha mãe gritou um instante depois, num tom que não me pareceu de contentamento. Eu me sentei de supetão.

— Para mim?

Quem poderia estar me ligando àquela hora?
Pulei da cama e corri para a sala. Nem me preocupei em colocar o robe e os chinelos. Minha mãe tinha voltado tarde e ainda estava vestida com a roupa de trabalho. No andar debaixo a TV estava ligada.

— É alguém do tal grupo de teatro — disse, me passando o fone. Tirou o casaco e soltou os pequenos botões prateados de sua blusa de seda. Pareceu-me um pouco cansada enquanto se dirigia para seu quarto. — Não sei quem pode estar te ligando a estas horas... — acrescentou, com algo mais do que um leve traço de irritação na voz.

Eu tampouco tinha a mínima idéia, mas gostaria que ela não tivesse ficado tão irritada. Esperei até que fechasse a porta do quarto, e destapei o fone.

— Alô? — disse eu.

— Hã... Bella ? — a outra voz respondeu. Eu conhecia aquela voz de algum lugar.

— Edward? — quase sussurrei o nome dele.

Inclinei-me para trás, me apoiando contra a parede, e enfiei um pé debaixo da barra da camisola.

— Eu não pensei que fosse tão tarde... De repente me senti muito novinha, com todo o "peso" dos meus 16 anos nas costas. Afinal de contas, ele era um veterano.

— Regras da casa. Nada de telefonemas depois das dez e meia da noite em dias de aula — tive de dizer, para o caso de ele tornar a ligar nesse horário "impróprio".

Comecei a sorrir. Talvez ele realmente ligasse de novo.

— Eu estive pensando...

— Sobre?

— Sobre os truques para decorar o texto.

Eu me senti meio desapontada.

— Ah, as nossas lições de memorização...

— É.. eu sabia que era meio tarde e tal, mas não pensei...

— Não, tudo bem, não tem problema... — interrompi.

Eu não queria que ele desligasse. Estava prestando atenção aos sons de sua casa que vinham pelo telefone. Havia uma música tocando... Ele estava ouvindo a mesma estação de jazz que eu!

Fiquei imaginando como seria a casa de Edward. Tentei visualizar onde estava o aparelho de telefone, e decidi que ficava na cozinha. Imaginei-a toda amarela e luminosa, da cor dos girassóis. Eu podia vê-lo apoiado contra a bancada, falando comigo.

Sentei-me no chão e fiquei encaracolando os grossos pêlos do tapete com os dedos do pé.

— E então, o que é que têm as nossas aulas de memorização?

— A gente tem tão pouco tempo para decorar essas falas! Ainda bem que você é boa nesse negócio — disse ele —, porque você aparece em quase todas as cenas da peça. Eu só tenho de ficar bancando o monstro e grunhir bastante. — E então ele deu uma espécie de rosnada no telefone.

Joguei a cabeça para trás e soltei uma gargalhada. Ele riu junto.

— Mas, mesmo assim, tenho muita coisa para memorizar. Achei que devia começar já.

— Tem razão.

Tentei repassar minha agenda mentalmente.

— Talvez você pudesse me dar umas dicas agora... pelo menos para eu dar a partida.

— Agora? Pelo telefone? — perguntei, escutando o tom de decepção de minha própria voz.

— É verdade, já é tarde. É melhor eu esperar.

— Não!... — quase gritei no fone. — A gente pode começar já. — Fiz uma pausa para clarear as idéias. — Bom, lembro que a primeira lição que aquela professora me ensinou foi pegar pequenos trechos daquilo que se quer memorizar e cantá-los para si mesmo.

— Cantar?

— É, do mesmo jeito que as criancinhas fazem quando estão aprendendo o alfabeto. De alguma forma isso ajuda. Mas, o mais importante, pegue algumas frases, metade de uma cena, qualquer coisa, e leia antes de dormir. Então repita uma e outra vez, até cair no sono com aquela ladainha ressoando na sua cabeça... Quando você acordar, vai se lembrar de tudo.

— Sério?

— Confie em mim! — disse eu, exatamente no mesmo tom que ele havia usado comigo no ensaio daquela tarde. Nós dois rimos.

— É, vou ter de confiar mesmo! — retrucou ele, bem-humorado.

Houve um silêncio. Eu não queria desligar ainda. E acho que ele também não estava com nenhuma pressa de se despedir.

— Bom... é tarde... — Edward arrematou finalmente, com uma voz mais grave.

— É... eu tenho de ir.

— É... amanhã então...

— Legal.

Os dois desligamos, mas nenhum de nós disse "tchau".

Estiquei as pernas para a frente e fiquei sentada no chão, com os fios do telefone ao meu redor. Nem sei quanto tempo me deixei ficar lá, daquele jeito. Não conseguia parar de pensar no que poderia significar falar ao telefone com um cara que acabara de conhecer e não ter a mínima vontade de desligar.

— Bella ? — Minha mãe tinha saído de seu quarto. Ela estava vestida com o roupão de banho e passava uma escova no cabelo. — Quem era no telefone?

Algo na voz dela me deixou alerta:

— Você quer dizer quem acabou de ligar agora?

— Isso mesmo — disse, olhando para mim. Levantei-me e dei um sorriso, com a esperança de que parecesse bem casual.

— Ah, era o Edward. Edward Cullen. É o rapaz que pegou o papel da Fera.

— Sei...

Ela continuava parecendo não muito satisfeita.

— Ah, é mesmo, me esqueci... — continuei, ainda tentando manter o tom casual. — Você não estava aqui na hora do jantar e por isso ainda não está sabendo... — Agora já não conseguia mais controlar o meu sorriso. — Ganhei o papel principal. Vou fazer a Bela!

Os olhos de minha mãe se arregalaram.

— Ei, que bom! — exclamou ela. — Só espero que participar de uma peça não interfira nos seus trabalhos escolares. Não se envolva demais com esse negócio de teatro, senão ele vai tomar lodo o seu tempo. Os ensaios podem exigir muitíssimo.

— Nem precisa falar!

— Mas esse garoto... como é o nome dele?

— Edward — eu disse cuidadosamente.

Minha mãe nunca esquecia um nome.

— Por que ele te ligou tão tarde? É melhor ele não se acostumar. Você o conhece bem?

— Ah, mãe — choraminguei —, não fique tão preocupada! Ele não vai mais ligar tão tarde. O Edward só queria repassar umas falas do ensaio de hoje. Vamos trabalhar muito próximos daqui para a frente. Afinal de contas, ele é o meu parceiro agora.

Algo na expressão de minha mãe me disse que era melhor não dizer mais nenhuma palavra.

— Desde que ele respeite as regras da casa... — replicou ela. E começou a descer os degraus da escada e então se virou dizendo:

— Para falar a verdade, não posso dizer que gostei muito do jeito dele no telefone. Não é tão educado quanto o Mike.

Suspirei.

— Olha aqui, mãe, o Edward é legal, pode acreditar. Se ele não fosse, você acha que a Carmen Denali o teria selecionado para a peça? Você sabe muito bem como ela é durona.

— Está bem, tudo bem, mas ele não tem jeito de se parecer com os seus amigos de sempre, é só isso.

Ela franziu os lábios levemente, numa expressão um pouco preocupada. Encarou-me por um segundo e continuou a descer as escadas.

— Edward não é como eles. Não, não mesmo — retruquei, nas numa voz suave, que na verdade ela não poderia ouvir.


N/A: Olá queridos

Estou vindo aqui na madruga de sexta pra poder postar mais esse capítulo pra vcs, porque essa semana foi feroz!

Enfim, vou falar um negócio pra vcs: eu ADORO uma moto, e uma harley então?

Adoro quando tem um Ed desse jeito...

Obrigada pelas reviews, e as da semana passada que eu não respondi vou responder agora:

Reszka: Eu amoo de paixão motos, e todas as historias que o Ed tem uma moto eu gamo! Aqui está postado o capítulo e espero sua review mais tarde ^ ^ Bjcas

Lih: Oie flor, infelizmente esse não tem Ed POV , mas nos contentamos mis pra frente com ele nos respondendo conforme a fic for desenrolando neah? Espero sua review flor, bjca ^ ^

Gabi: Aqui está o capitulo flor, então estou esperando aquela review ok? Bjcas ^ ^

Camilla052: E nesse capítulo ele é ainda mais lindo neh? Adoro a parte do telefone ^ ^ Bjcas pra vc e continue comentando que eu tentarei ser mais rápida dessa vez pra atualizar ok?

PS: Minha outra fic já está atualizada pra quem quiser ver

Só esperando pra ver o que vcs acharam desse capítulo, ok?

Bjas,

Days3.