CAPÍTULO 3 – SENTIMENTOS

Nuriko não sabia o que fazer, estava de frente com a pessoa que amou durante tanto tempo de sua vida... E pela primeira vez podia encará-la o quanto quisesse. Podia morrer naquele instante.

- Doutor... O senhor está bem? – disse Hotohorinotando a leve palidez de Nuriko.
- Não... É nada. Sente-se, por favor.

Durante aquela entrevista, Nuriko seguiu seu papel como psicólogo e abrindo mãos do seu sentimento, não demonstrando nada naquele momento.
A entrevista acabou. Finalmente! Foram os 60 minutos mais intensos de sua vida. Queria logo que chegasse quinta-feira, pois era o dia que Hotohori retornaria.

Chegando a sua casa jogou-se em sua cama e fechara os olhos imaginando situações como imaginara há 6 anos atrás. Os sentimentos voltaram. Seria bom ou ruim? Para Nuriko, a simples companhia Dele já era o bastante. Queria que aqueles 60 minutos fossem eternos, por mais intensos que fossem a partir desse dia a vida de Nuriko nunca seria a mesma.

Enfim, quinta-feira. O grande dia chegou.

Ouviu alguém na porta.

- Entre! – disse, esperando mais 60 minutos intensos.

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Passaram-se dias, semanas, meses. Descobrira várias coisas sobre Hotohori. Será que já poderia chamá-la de amigo?

- Estou tão feliz, doutor! Ontem mesmo, conheci uma menina, estou muito afim dela. Ela já me deu bola! Hoje de noite vamos sair. Espero que de tudo certo.

O mundo de Nuriko caiu naquele momento.

-... Muito bom isso. Espero realmente que de certo tudo entre vocês dois...
- Algum problema? – disse Aquela Pessoa notando a diferença de tom em Nuriko.
- Não é nada... Estou muito feliz por você!

Mentira. Nuriko se sentiu péssimo por estar mentindo numa situação como essa. Prometera a si mesmo que nada faria seu humor mudar enquanto trabalhasse. Por que... Tinha que ser assim?

Semana seguinte.

- Como foi seu encontro?
- Ela é incrível! Foi bem melhor que eu pensava! Combinamos de sair neste sábado.

Queria que o mundo acabasse nesse momento.

Mais que nunca Nurikosentiu vontade de chorar na frente de Hotohori e contar toda a sua mágoa que o perturbava durante tanto tempo de sua vida. Sua vida estava se tornando aquilo que era seis anos atrás. Por que tinha que alimentar uma paixão por alguém que nunca saberia dos seus sentimentos? Por que não outra pessoa? Seria o destino tão cruel com Nurikoa ponto de fazê-lo sofrer a tal ponto?