Sofia e Warrick conversam antes de entrar na sala de interrogatório onde Lance e o advogado já os aguardavam.

Sofia – Vartann pediu que eu viesse ajudá-lo, Warrick. Ele não poderá vir.

Warrick – Certo. Já está a par do caso?

Sofia – Sim. Li o arquivo e estou a par das evidências.

Warrick – Então vamos lá!

[Sofia e Warrick entram na sala.]

Warrick – Boa tarde senhores.

Johnson – Boa tarde! Sou Johnson O'Reilly, advogado do sr. Lance.

Warrick – Warrick Brown, criminalística.

Sofia – Detetive Curtis, polícia de Las Vegas.

Lance – Olá detetive Curtis! Sou Lance Riegel.

Warrick – Vamos começar! Então você estava dirigindo a picape Mercury que atingiu a traseira de um Honda no cruzamento da Rainbow com a Tropicana?

Lance – Faz idéia de quantas picapes Mercury há em Las Vegas?

Warrick – Não importa quantas Mercury Mariner há em Las Vegas, e vou lhe dizer porquê. [Enquanto Warrick fala, Sofia sai por alguns instantes para atender o celular.] Temos o vídeo na hora que o acidente aconteceu, desse vídeo conseguimos a placa da picape. A placa nos levou a até o hotel, e os registros do hotel nos levaram a você. [Warrick põe sobre a mesa fotos da Mercury - obtidas a partir do vídeo do acidente, uma cópia do registro do hotel, fotos do acidente tiradas assim que os peritos chegaram e – por último – uma foto de Farrel, encontrado desacordado nas ferragens do Honda. Continua o interrogatório:] Edward Farrel, conhecia esse homem? Farrel estava dirigindo o Honda Accord que você atingiu. Ele morreu ontem, no hospital, às 20 horas e 21 minutos.

[Sofia entra novamente na sala.]

Lance – Edward o quê? Nunca ouvi esse nome antes?

Sofia – Está certo disso, sr. Riegel?

[Johnson cochicha algo para Lance.]

Lance – Não deveria? Tenho uma ótima memória.

Johnson – Não diga mais nada, sr. Lance.

Sofia – E se eu refrescar sua memória? Ajuda se eu disser que sua secretária confirmou que você tinha agendado um almoço de negócios com Edward Farrel no dia do acidente?

Lance – Isso é irrelevante! Vocês estão dizendo que o acidente aconteceu em torno das onze da noite. E mais, eu liguei às 11h para desmarcar o almoço.

Warrick – Você mentiu sobre o fato de não conhecer Farrel. Isso é relevante.

Lance – [Perde o controle e dá um soco na mesa.] E aquele maldito motoqueiro?

Johnson – Pare, sr. Lance! [Fala com Sofia e com Warrick:] Meu cliente não tem mais nada a dizer.

Lance e o advogado, Johnson, saem da sala. Warrick e Sofia conversam.

Warrick – De onde saiu essa bomba?

Sofia – Vartann ligou para avisar que tinha acabado de tomar o depoimento da secretária de Lance. Ele achou que Riegel já estivesse sendo interrogado e que precisaríamos desse fato.

Warrick – Por isso ele não pode vir. Grande Vartann!

Warrick e Sofia saem da sala; entram Bras, Grissom e Wanda entram. Em seguida Sofia retorna acompanhada de Margareth, e entram na sala ao lado. Wanda não sabe que seu interrogatório está sendo assistido pela mãe.

Grissom – Sente-se Wanda. Este é capitão Jim Bras e esta é Rose Gabeline. Rose é assistente social, ela está aqui para assistir ao seu interrogatório e testemunhar que todos os seus direitos serão preservados.

Bras – Quantos anos você tem Wanda?

Wanda – 15 anos.

Bras – Tem alguma coisa que queira nos dizer antes de começarmos a fazer perguntas?

Wanda – Acho que não.

[Bras sinaliza para que Grissom comece.]

Grissom – Quando foi a última vez que viu Robert Carter?

Wanda – Não lembro.

Grissom – Já tentou se suicidar?

Wanda – Sim.

Grissom – Você toma algum medicamento controlado? Um anti-depressivo?

Wanda – Sim.

Grissom – Por que você pediu para sua mãe não pegar qualquer coisa que estivesse no seu quarto quando eu estive lá?

Wanda – Eu estava com medo.

Grissom – Medo de que?

Wanda – Não sei dizer, tá. Eu... Eu estava com medo.

Grissom – Não está mais com medo?

Wanda – Ainda estou.

Grissom – Wanda você acha que fez alguma coisa errada?

Wanda – Não sei.

Grissom – Bras, por favor, peça que o dr. Robbins entre. [Bras sai e chama o dr. Robbins. Assim que o dr. entra, Grissom continua:] Wanda, esse é o dr. Robbins, nosso médico legista. [Fala com o dr:] Dr. Robbins, pode nos falar sobre a autópsia de Robert Carter?

Robbins – Certamente. Quando o corpo foi trazido para autópsia, me chamou atenção o enrijecimento da musculatura dorso-ventral(6), pois ainda não havia se estabelecido o rigor mortis. Encontrei no estômago dele algumas cápsulas, a análise da composição química revelou se tratar de um medicamento a base de clorpromazina. O exame toxicológico confirmou altas doses dessa mesma substância na corrente sangüínea do garoto. Finalmente, a causa do óbito é insuficiência respiratória causada pelo bloqueio da musculatura do gradio torácico, diafragma e músculo intercostal, característica comum da overdose por clorpromazina.

Grissom – Obrigado, dr. Robbins. [Volta a olhar para Wanda enquanto fala:] Wanda, encontramos no seu quarto um frasco vazio de Amplictil7 com suas impressões digitais. [Põe sobre a mesa uma foto que mostra onde o frasco fora encontrado e outra mostrando o código do medicamento. Prossegue:] Você tentou danificar o rótulo do frasco para que não fosse possível identificar qual era o conteúdo, mas restou o código de controle do medicamento. [Mostra a segunda foto.] Ainda que esse código tivesse sido danificado, seria possível identificar o remédio por meio de testes químicos. Além disso, fibras de lã que encontramos na roupa de Robert e no seu quarto são do seu cobertor de lã vermelho. [Novamente, Grissom põe sobre a mesa fotos de como as fibras foram encontradas e uma cópia do teste que confirma que as fibras são do cobertor.] Aqui estão as fotos e o resultado da comparação das fibras.

Na outra sala, Margareth assiste a tudo sem dizer uma palavra. Mas, quando Grissom põe as últimas fotos sobre a mesa, caem lágrimas dos seus olhos.

Margareth – Não. Não a minha menina.

Sofia – Eu lamento muito, sra Parker.

[Voltando ao interrogatório:]

Grissom – Você não teria conseguido levar Robert da sua casa para a casa dele sem ajuda. Quem ajudou a levá-lo Wanda?

Wanda – [Wanda deixa a postura de autoconfiança e se mostra amedrontada.] Não posso dizer.

Grissom – Você teve ajuda?

Wanda – Não posso... Não...

[Sara e Catherine conversam no corredor, indo para a sala de interrogatório.]

Sara – Eu estava olhando novamente o Honda e encontrei impressões digitais de Brian Morissey próximo ao furo no tanque de gasolina. O que eu acho surpreendente é que o furo é bem superficial, parece quem fez não teve tempo de terminar.

Catherine – Não eram dois furos?

Sara – É só um. A outra marca provavelmente é de uma tentativa anterior.

[Vartann e Warrick vem andando pelo corredor, todos se encontram.]

Catherine – Soube da "bomba" no interrogatório de Lance. Parabéns, Vartann!

Vartann – Obrigado, Catherine.

Warrick – Quebramos o sigilo telefônico de Lance, e adivinhem.

Vartann – Foi Farrel que ligou para Lance às 11h. Ele desmarcou o almoço e disse para Lance

encontrá-lo às 22h no Rhodes Ranch Golf Club.

Warrick – Estamos indo para lá agora.

Catherine – Boa sorte!

Vartann – Obrigado!

Warrick – Valeu, Cath!

[Vartann e Warrick saem. Pouco depois Sara e Catherine chegam a sala de interrogatório. Nesse momento Grissom está saindo.]

Catherine – Soube que esta sala está movimentada hoje.

Grissom – Vocês também? Vai ser o terceiro consecutivo.

Sara – Dia cheio!

Grissom – [Chama Greg, que estava passando:] Ei! Greg.

Greg – Estou indo a escola onde Robert estudava para verificar se alguém lá conhece Wanda.

[Grissom e Greg saem conversando. Dois policiais trazem Brian Morissey. Entra também o

advogado.]

Catherine e Sara entram na sala.

Catherine – Vamos começar. [Fala com o advogado:] Dr. Kelvin, o senhor já conversou com Brian?

Kelvin – Já.

Catherine – Sara, estes são Brian Morissey e o dr. Kelvin Yanoff, advogado da defensoria pública de Las Vegas.

Sara – Boa tarde. Sou Sara Sidle, criminalística de Las Vegas.

Catherine – Brian, quando conversamos no hospital, qual foi a sua resposta à pergunta se você lembrava a que velocidade estava andando antes de bater?

Brian – Eu tinha respondido que achava que estava andando dentro do limite de velocidade.

Catherine – Mantém a sua resposta?

Brian – Não. Eu não lembro qual era a velocidade.

Catherine – Lembra onde estava antes do acidente?

Brian – Não.

Catherine – Sara, você tem algum palpite sobre onde Brian estava antes do acidente?

Sara – Tenho. A impressão digital que encontramos no tanque de gasolina do Honda põe Brian no Rhodes Ranch Golf Club antes do acidente.

Catherine – No mesmo lugar que Lance Riegel e Edward Farrel estavam. O que você tem a dizer, Brian?

Kelvin – Brian, é melhor você dizer a verdade. Assim poderemos tentar um acordo.

Brian – Ok. O sr. Riegel foi a minha oficina para fazer uma revisão na picape Mercury Mariner. Nós conversamos um pouco, ele perguntou sobre o movimento na oficina, eu disse que estava passando por problemas que talvez tivesse que fechá-la. Então ele perguntou:

[Flashback]

Lance: Quanto você precisa para não fechar a oficina?

Brian: Por quê?

Lance: Curiosidade.

Brian: Uns seis mil.

Lance: Quero que faça um serviço pra mim.

Brian: Se eu fizer, levo os seis mil?

Lance: Dois mil agora e quatro mil depois.

Brian: O que tenho que fazer?

Lance: Sabotar um carro.

Brian: Como?

Lance: Você é o mecânico. Vai levar seis mil pra isso. Vire-se!

Brian: Fechado.

Lance: Me encontre no Rhodes Ranch Golf Club às 21h40min. Pega isso! Aí tem os dois mil iniciais e o endereço.

Brian: Certo.

Brian – [Continua após o flahback:] Cheguei lá no horário combinado e encontrei o sr. Riegel. Ele me mostrou onde eu deveria estacionar meu carro e disse pra eu esperar, que eu deveria sabotar o carro do cara com quem ele ia conversar. Depois de alguns minutos chegou um outro carro, Lance levou o outro cara até o carro dele, então eu comecei a analisar o que poderia fazer. Como o carro tinha alarme, achei que era melhor ver o que eu conseguiria fazer na parte de baixo. Eu não iria conseguir fazer muita coisa pois não estava na oficina, não tinha minhas ferramentas. Foi quando pensei em furar o tanque de gasolina, afinal a parte de trás do carro não era tão rebaixada, poderia alcançar o tanque.

Catherine – Que ferramenta usou para fazer isso?

Brian – Olhei a caixa de ferramentas que tinha no meu carro, não tinha nada que eu pudesse usar para fazer um furo no tanque de gasolina além de um martelo e um prego, então pensei "ah, serve isso!".

Sara – Você não pensou que podia voltar pra casa e ficar fora disso?

Brian – Não.

Catherine – Depois disso, por que você perseguiu Lance?

Brian – Eu só pensava nos quatro mil.

Catherine – Você estava embriagado?

Brian – Talvez estivesse. Antes de sair de casa, bebi para conseguir a coragem que estava me faltando para ir ao Golf Club.

Catherine – Então dirigiu pela Rainbow, perseguindo Lance, até que bateu no poste?

Brian – Isso mesmo.

Sara – Você está consciente que pode ser acusado de cumplicidade em uma tentativa de homicídio e que será acusado por dirigir embriagado?

Kelvin – Não há a possibilidade de fazermos um acordo?

Catherine – Bem, já temos o que queríamos. [Fala com o advogado:] Vamos deixar que o senhor e

o seu cliente conversem com o capitão Bras a respeito do acordo.

Bras – [Acompanhou tudo na sala e diz:] Da acusação de dirigir embriagado, seu cliente não escapa.

Sara e Catherine saem enquanto Bras, Kelvin e Brian ficam na sala.

[No corredor:]

Sara – Esse cara estava completamente "fora do ar".

Catherine – Furar o tanque de gasolina com um prego e um martelo!? Se não tivéssemos o exame toxicológico para saber que ele estava embriagado, eu diria que ele se drogou. E por falar nisso, temos o resultado da seringa: foi com ela que Lance injetou soro da verdade em Farrel. As digitais na seringa e na arma, encontradas na Mercury, são de Lance.

Sara – Vou ligar para o Warrick, para avisar das "ferramentas".