Tocou os lábios com as pontas dos dedos, no lugar onde ele a beijara. Homem algum tivera a coragem para tocá-la de maneira tão intima, despertando-lhe reações tão estranhas. Definitivamente precisava discutir o assunto com o padre Santiago, e faria isso pela manhã, durante a confissão.
Inu Yasha Taysho deveria ter algo a ver com a escolha que seu irmão fizera de não voltar para casa. Ele e o pai haviam discutido após Souta ter voltado da Espanha antes do esperado, e sem uma noiva. Kagome ouvira o pai dizer, furioso, que Souta decerto desencorajara todas as senhoritas com sua conversa sobre guerra e pilhagem de índios.
O inglês devia tê-lo incentivado a se envolver nessa aventura no norte do México.
Kagome caminhou no corredor escuro e estendeu a mão para a maçaneta da pota da suíte. A voz de seu pai ecoou no corredor.
Você está bem, hija?
Sim, papai.
Fale sobre o seu irmão... Ele estava bem?
Kagome suspirou, ciente da dor que seu pai sentia pela ausência do filho.
Sim, papai. Ele parecia bem e feliz...Ela virou a cabeça para a figura sombria. Souta deixou crescer o bigode, e isso o deixou com uma aparência mais madura.
Te amo, mi hija!
Lágrimas inundaram seus olhos ao ver o pai se afastar pelo corredor.
Também te amo, papai.
Era fácil para dom Rafael lhe demonstra toda a afeição que uma filha podia desejar...Por que ele não fazia o mesmo com Souta? Por que alguns homens dificultavam tanto as coisas?

Kagome caminhou para as portas do terraço. Lá fora, o doce aroma das flores do jardim a alcançou. Era o seu lugar particular.
O calor noturno a envolveu. Kaede veio por detrás dela como uma mãe carinhosa, e a repreendeu:
Vai se resfriar, Kagome.A mulher colocou um xale ao redor de seus ombros. Você esteve com o patrãozinho. Como ele está?
Bem, mas continua o mesmo teimoso de sempre. Por que os homens têm que ser tão complicados? As mulheres têm de aceitar tudo, sem protestar, enquanto os homens destroem a família. Aponto na direção da cidade.O melhor amigo de Souta é um tejano alto e moreno que tem os modos de um...um garanhão selvagem. Ele se atreveu a me beijar!
Quando percebeu que eu era uma mulher, apenas fez o que desejou fazer.
Kaede estendeu a mão e tocou-a no braço, levando-a para dentro.
Ele fez mais do que apenas beijar você, criança?
Não. Souta chegou naquele instante e me apresentou como sua irmã. O tolo do inglês pensou que eu fosse uma soldadeira. Eu, uma seguidora do exército mexicano! Você pode imaginar?
Sim, posso. E o que mais ele poderia pensar, diante de uma moça sozinha no meio da noite e vestida feito homem? As mulheres decentes da cidade preferem se manter sob a proteção da família.
Kaede puxou as cobertas da cama de dossel e entregou a camisola a Kagome. Ela despiu os trajes masculinos e vestiu-se antes de se aconchegar aos travesseiros. Kaede cobriu-a com a manta.
Em instantes, Kagome adormeceu.

Na manhã seguinte, padre Santiago rezou a missa na pequena capela familiar, na residência dos Higurashi, então acompanhou a família no café da manhã. Kagome o observava á mesa, desejando saber como levar o assunto Inu Yasha Taysho ao religioso. Educado na melhor universidade da Espanha, ele era seu professor e também confessor.
Havia muito tempo eles anularam a necessidade de entrar no confecionário. Kagome se sentia confortável falando com o sacerdote, a quem considerava como um tio querido. Porém, estava indecisa sobre se deveria falar de suas experiencias com Inu Yasha Taisho.
Estava em meio a uma aula de latim na saleta quando Kagome decidiu não mais adiar o inevitável. Aproximou-se do padre, se pôs de joelhos e baixou a cabeça.
Perdoe por eu ter pecado. Preciso lhe falar sobre algo que aconteceu, más estou insegura.
O espanhol roliço arqueou as sobrancelhas cerradas e recostou-se na cadeira.
O assunto deve ser muito sério, para você estar tão tensa minha jovem.
Tem a ver com um homem padre.
Ele assentiu e começou a enrolar o cordão que circulava a cintura de sua batina preta.
Kagome abriu seu coração, mas preferiu guardar para si o episódio do beijo.
Kagome Angélica, você se arriscou sendo tão negligente.
Não pensou em seus pais, em seus sentimentos? Pecar por omissão é algo grave, criança. Precisarei de um tempo para considerar uma melhor maneira de você se penitenciar.

O que lhe contei não é o pior de tudo, padre. Ele me beijou, e eu acho que gostei e...Kagome suspirou.
O padre pigarreou, disfarçando um sorriso.
Você acha que gostou?
Sim, padre. Na volta para casa, viemos no mesmo cavalo, e o calor daquele corpo despertou sensações estranhas dentro de mim. O pior de tudo foi que o corpo dele reagiu de forma definitiva em contato com o meu.
Como assim? Que tipo de reação?
Ora, padre, eu vivo em uma fazenda de criação de cavalos. Sei reconhecer quando o macho está... exitado. Ele cresce em certa região.
O padre se moveu nervosamente, enquanto seu rosto, e também sua cabeça calva, ficaram cor de carmim.
Você deve ter ficado muito constrangida. Costuma se chocar quando estudamos a anatomia humana. Santiago tirou um lenço branco da manga da batina e enxugou a testa.
Não é que eu não queira ouvi-la, minha jovem. Mas creio que seja mais apropriado que discuta certos temas com sua mãe.
Kagome se aproximou da janela da arejada saleta, afastou as pesadas cortinas para o lado e olhou para fora.
Mamãe não pode me dar a absolvição padre.
E para que você precisa de absolvição? Eu disse que decidirei como pedirá perdão a seus pais por ter se descuidado dos seus sentimentos. No momento seguinte, o padre estava em pé, colocando as mãos dentro das mangas da batina.
Há algo mais que queira me contar, Kagome Angélica?
Kagome fez que não.
Isso foi tudo. Os sentimentos que aquele homem despertou em mim não foram ...bons.
Não se preocupe, criança, seus sentimentos estavam apenas lhe avisando que você cresceu, que agora já e uma mulher, e se sentiu atraída por aquele homem.
Eu, atraída? Por ele? Aquele rapaz foi imperdoavelmente rude comigo e me carregou no ombro como se eu fosse um saco de batatas. Pelo visto não fui bastante clara quando contei o que aconteceu.

Do corredor, eles ouviram vozes. Kagome se apressou para a porta da saleta e espiou. Kaede falava com alguém na entrada da casa. Era um dos homens de Inu Yasha Taysho chegando para programar a vinda dele ao jantar.
O padre, que seguira Kagome, permaneceu á soleira e esperou até que Kaede falasse com o homem. Seus olhos castanhos voltaram-se para sua aluna.
Eu gostaria de falar com você antes de ir, Kagome Angélica.
Ela seguiu o padre de volta á saleta e humildemente ajoelhou-lhe no chão diante dele. O padre fez o sinal-da-cruz.
Creio que encontrei a penitência certa para você. Considerando que pecou por desobediência a seus pais, após fazer um bom ato de contribuição, pegue seu terço e reze. Depois se encarregue da limpeza da prata para o jantar desta noite.

Perfeitamente padre. Farei isso.
Kagome hesitou antes de entra na sala de estar onde seus pais entretinham o convidado. Então, tomou Fôlego, empinou o queixo e entrou.
Inu Yasha Taysho olhou em sua direção, e os olhos de âmbar varreram seu rosto, em seguida o decote, antes de retornar e capturar seu olhar. Kagome podia sentir o calor do corpo dele contra o seu, como se de novo estivesse nos braços de Inu Yasha.
Suspirou enquato o pensamento inundava sua mente. Se não controlasse os próprios sentimentos, no dia seguinte teria de limpar todos os bronzes da cada.
Dirigiu-se ao pai e o beijou no rosto.
Boa noite, papai.
Em seguida, sentou-se junto da mãe no sofá antes de olhar para Inu Yasha.
Boa noite señor.
Inu Yasha inclinou-se de leve.
Boa noite, senhorita. Espero que seu pai não tenha nada a objetar, mas a senhorita e sua mãe estão adoráveis esta noite.
Dom Rafael entregou uma taça de vinho a Kagome.
Nada tenho a objetar, señor Taysho. Tem toda razão, elas estão excepcionalmente belas.
Por favor, me chame de Inu Yasha, dom Rafael.
Como está meu irmão , señor Taysho? Kagome ergueu a leque até o rosto e abanou-se.
Como a permissão de dom Rafael, claro, eu gostaria que a senhorita me chamasse de Inu Yasha, também. "Señor Taysho" me faz sentir com idade suficiente para ser seu pai.

E o señor não tem? Os olhos dela brilharam travessos.
Kagome Angélica! Seus pais a repreenderam.
Inu Yasha riu, gostando da cena familiar.
Entendo que, sendo tão jovem, ela me considere um ancião. Mas na verdade, eu e Souta temos a mesma idade.
Souta é muito mais velho que eu.
Inu Yasha se curvou, devolvendo seu sorriso astuto.
Touché, señorita.
Perdoe o atrevimento de nossa filha. Eu não sei o que deu nela. Primeiro sai de casa sozinha, no meio da noite, sem dizer aonde vai, e agora ansulta um convidado sob o nosso teto. Dom Rafael se virou para filha.Peça desculpas, Kagome Angélica.
Inu Yasha depositou a taça de vinho sobre a mesa.
Deixe-a, dom Rafael. Acho que fui um tanto brusco com Kagome ontem, na pressa em chegar e devolvê-la sã e salva a vocês. Talvez ela ainda não tenha me perdoado por isso.
As portas da sala de jantar se abriram e luzes de muitas velas chamejaram, refletindo-se nos cristais e nas porcelanas sobre a mesa elegantemente arrumada.
Dom Rafael se ergueu e conduziu a esposa pelo braço, após indicar a Inu Yasha para fazer o mesmo com Kagome.
Ainda assim, um pedido de desculpa é necessário.Dom Rafael olhou de relance para filha.
Kagome baixou os olhos enquanto punha a mão no braço de Inu Yasha, e cobriu o rosto com o leque.
Lamento muito, señor, e que pareça ser mais velho.

Inu Yasha abafou uma risada. E murmurou ao ouvido dela, ao empurrar a cadeira para que ela se acomodasse:
Mas ainda assim consegui lançá-la sobre o ombro e montá-lá no meu cavalo, Angel.
O leque tremeu ligeiramente na mão de Kagome, enquanto o som distante da música dos mariachi chagava até eles através das janelas.
Dom Rafael fez um sinal para que Inu Yasha tomasse lugar.
Bankotsu, a quem você conheceu ontem, comemora seu aniversário hoje. Nós nos uniremos a eles após o jantar, e o convite se estende a você.
Inu Yasha assentiu.
Eu de fato preciso falar com Bankotsu, a pedido de Souta.Inu Yasha sorriu e observou o rosto de feições perfeitas de Kagome. Impulsivamente perguntou:Haverá dança na festa?
Kaguya fitou Kagome.
Nenhuma festa espanhola será completa sem dança. Talvez convença Kagome a participar do número do chapéu mexicano.
Inu Yasha fitou Kagome.
È bastante divertido. Foi uma das primeiras coisa que aprendi ao chegar. Talvez Kagome me aceite como par.
Mas o que um texano pode saber de dança espanhola?
Os olhos azuis de Kagome brilharam , indignados.

Aprendi muito durante os dois anos em que vivi na Cidade do México, como por exemplo a apreciar a sopa picante. Sou dono de propriedades no Texas, mas não acredito que esse fato me qualifique como texano, señorita.
Então, como o senhor se qualificaria?
O estômago de Kagome agitava-se cada vez que aqueles olhos ambares a fitavam. O que havia em Inu Yasha Taisho que a perturbava tanto? As maneiras e atitudes dele reforçavam alguns comentários que sua mãe ouvira sobre ele pertencer á nobreza inglesa. Havia algo de misterioso brilhando naqueles olhos enquato conversava com seu pai. Dizer que era bonito não era suficiente para começar a descrevê-lo, e era tão poderosamente másculo que a assustava.
Como um homem em busca de um novo começo. Inu Yasha olhou para dom Rafael.O grande estado do Texas oferece muitas oportunidades, tanto para mim quanto para seu filho. Possuo um touro premiado e um pequeno rebanho de herefords, que trouxe comigo da Inglaterra. Consegue entender a necessidade que um homem sente de provar sua capacidade a si mesmo, dom Rafael?

Olá!! Bom esta e uma das minhas primeiras finc, espero que gostem
E deixem reviews...

Muito obrigada as que eu já recebi...
Ainda estou aprendendo a mexer neste sit...
Graças a Bananinha eu tó conseguido coloca os capítulos...rsrsrrs
Bom vó tá aqui postando sempre...

Beijão e não se esqueçam de ler...