Amizade
verdadeira
Hermione
recebeu curiosa uma coruja pequena que bicava sua janela. Ela vinha
apinhada de cartas e parecia cansada. Hermione olhou para sua
caligrafia e achou ali suas cartas amorosas que mandara pra Rony
durante a guerra. Junto com ela vinha um pequeno papel:
"Obrigada Mione
Ronald"
Hermione não pode acreditar que aquilo significava o fim de uma espera longa. Esperava que Rony lesse a carta e de um jeito repentino e misterioso se apaixonasse por ela também. Resolvei então que deveria tomar alguma providencia: Iria falar com Rony sobre as cartas. Respirou para ver se a coragem repentina continuava e abriu a porta do seu quarto. Deparou-se com Gina e Fleur, com sorrisos amarelos.
- Vimos as cartas chegarem... – Gina fez uma expressão solidária.
- Como você está Hermione? – Fleur perguntou.
- Estou ótima, obrigada! – Hermione pareceu furiosa.
- Vi que está... – Gina sorriu. – Vamos fazer compras?
- Compras? – Os olhos de Fleur brilharam, mas ela levou um cutucão de Gina. – Sim, compras!
- Não sei, eu ia... – Hermione pareceu embaraçada.
- Nos convidar para fazer compras não é? – Gina perguntou com os olhos pequeninos. – Não é uma boa você ir atrás dele Mione. – Gina suspirou. – Ele não fez por mal.
- Mas fez Ginevra! – Hermione desvencilhou-se das amigas que já a abraçavam. - Não vou fazer compras. Vou atrás do Ronald! Ele tem de me explicar tudo isso...
- Mione? – Fleur perguntou. – Tem certeza que quer ir até lá e fazer isso?
- Tenho sim! – Hermione empinou o nariz.
- Então vá Hermione. Mas nós avisamos. – Fleur se despediu.
Hermione desceu as escadas ainda pasma com a dureza que tinha tratado suas amigas. Foi até a lareira e com pó de flú se transportou para a lareira d'Toca.
A Toca tinha se tornado mais viva com o passar do tempo. Mas ela tinha sofrido horrores: A morte do Sr. Weasley, a morte de Molly, o ataque de Voldmort nas redondezas. Mas, no entanto, ela estava ali. De pé e triunfante. Ronald estava sentando numa poltrona velha e aconchegante, ao lado de uma pilha de papeis e li um penosamente. Balbuciava de vez em quando:
- A Ordem agradece a grande participação da Armada de Dumbledore...
- ...Pela participação em peso na guerra contra Voldmort. – Hermione terminou entre os dentes. – A armada tomou proporções enormes não é?
- Hermione! – Ronald jogou os papéis longe.
- Ronald. – Hermione se aproximou. – Tem destruído mais coisas ultimamente.
- Mione se é sobre as cartas...
- Não me chame de Mione. – Hermione foi seca. – Rony me chamava de Mione. Você não é o Rony.
- Hermione, eu sinto muito se te desapontei. – Ronald se ajustou na poltrona. – É que eu não sabia o que você esperava.
- Como não sabia? – Hermione pegou o embrulho de cartas do mesmo jeito que tinha sido entregue as ela. – Está tudo aqui. Deu-se ao trabalho de ler?
- Não foi trabalho algum Hermione. Foi legal até. – Ronald corou. – Mas Hermione, eu não sabia o que fazer em seguida.
- Que tal mandar uma carta também. Qualquer coisa sabe? Um: "Sai do meu pé!", ou coisa parecida...
- Mas eu mandei alguma coisa...
- Você as devolveu Ronald Weasley! – O grito de Hermione ecoou n'A Toca.
- Hermione se acalme! – Ronald levantou. – Você quer o que? Juras de amor eterno?
- Não Ronald, quero o Rony bobo de volta. – Hermione pareceu sincera.
- O Rony viu mortes Hermione, o Rony viu pessoas queridas morrerem Hermione, o Rony matou pessoas Hermione! – Ronald pareceu transtornado. – Não sou o mesmo Rony bobo Hermione... – Ronald pareceu exausto.
- Nossa você precisava disso... – Hermione disse surpresa. – Precisava desabafar...
- E daí? – Ronald se sentou de novo. – O que você vai fazer?
- Bem... – Hermione se sentiu terrivelmente culpada. – Eu posso ouvir.
- Quem disse que eu quero falar? – Ronald pareceu desconcertado.
- Posso me sentar? – Hermione falou numa voz mansa.
- Senta Mio... Hermione. – Ronald apontou um banco.
- Ronald, você... Como foi lá? – Hermione puxou o banco e sentou-se na frente dele.
- Foi... Foi horrível Hermione. – Ronald abaixou a cabeça. – Mortes Mione, milhares de mortes.
- Nossa Ronald, você se feriu lá?
- Uma coisa boba Mione, te garanto. – Ronald mostrou uma cicatriz no braço.
- Sei... – Hermione levantou, tirou um lenço azul anil do bolso e amarrou o braço de Ronald. – Isso, bem, isso é pra dar sorte.
- Obrigada Mione.
- E então... Harry, como ele ficou?
- Ele... Mione, foi até engraçado. Não parava de falar de uma tal de Amélia. Anjo ou coisa parecida.
- Mas e a Gina? – Hermione pareceu preocupada. – Ele e ela?
- Eles não se gostam Mione... – Ronald viu Hermione se sentar de novo.
- Sério? Eles parecem juntos agora.
- Sim, eu sei, só que é só até eles se acertarem.
- Está dizendo que estão mentindo?
- Sim, estão. E temo por algo pior. Acho que Gina e Malfoy...
- Não! – Hermione sorriu.
- Eu adoro o seu sorriso Mione. – Ronald ficou vermelho.
- Obrigada Rony. – Hermione corou também.
- Você me chamou de Rony de novo...
- Amigos? – Hermione estendeu a mão.
- Amigos... – Ronald balançou-a.
