Gente, eu fiquei realmente feliz por estarem gostando desta fic, ela também é especial para mim... E, meninas palpiteiras, praticamente todas que mandaram reviews deram seus palpites sobre o passado da Mirielle! Bem, será que acertaram alguma coisa?
Vamos ao capítulo e aproveito para mandar beijos mais que especiais para minhas lindas Nyx, Pure-Petit, Tenshiaburame e Thyana!
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Capítulo IV
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Eu ouço os sinos de Jerusalém tocando
Os corais da cavalaria romana cantando
Seja meu espelho, minha espada e escudo
Meu missionário em uma terra estrangeira
Por um motivo que eu não sei explicar
Quando você se foi não havia
Não havia uma palavra honesta
Era assim, quando eu regia o mundo
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-Mas, Mirielle, ele não pode ficar sozinho durante a noite... E se tiver febre alta novamente ou alguma outra complicação?
Mirielle olhou bem para a irmã, parada à sua frente de braços cruzados e olhar inquisidor. Não estava nem um pouco afeita a deixar que Julia passasse mais uma noite cuidando de Vincenzo, mas o que faria?
-Julia, eu já disse que não a quero perto daquele homem.
-Eu sei, mas pense bem, quem vai ficar com ele? Alde vai estar caçando pela madrugada junto dos demais homens da aldeia, a Helene tem a casa e filho para cuidar e você não pode deixar os assuntos da aldeia de lado para isso!
-Julia, eu... – Mirielle suspirou, por que a irmã sempre tinha um argumento convincente na ponta da língua? – Está bem, pode ficar com ele durante esta noite. Mas ouça bem o que eu digo: se ele tentar fazer algo contra você, saia correndo do quarto e me avise!
Sorrindo, Julia deu um beijo na irmã mais velha, depois pegou um jarro de água fresca e panos limpos e foi para o quarto onde estava Vincenzo. Mirielle ficou observando-a sair e então baixou os olhos. Julia era uma menina ainda, não compreendia o motivo de ter tanto receio. Ou medo seria a palavra mais correta?
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-Está com medo de mim, Mirielle?
-Não, senhor... – e aquilo não era uma mentira. Se deixasse o medo a dominar, Mirielle ficaria totalmente vulnerável às ações daquele homem. E tudo o que ela jamais faria era se entregar sem lutar.
-Gosto disso... Significa que não vai se entregar tão facilmente a mim, não é?...
A jovem bem que quis responder novamente, mas desta vez à altura. Porém, quando abriu a boca para fazê-lo, a mão que antes segurava a rosa a puxou de surpresa pela nuca e logo a boca dele cobriu seus lábios em um beijo. Era quente, sufocante, nojento... Uma mistura de sensações e muita raiva tomou conta de Mirielle quando sentiu a língua dele invadir sua boca e começar a explorar cada centímetro dela, tentou empurrá-lo para longe, mas não podia, ele era maior e mais forte. Então, acabou por fazer a única coisa ao seu alcance naquele instante: mordeu o lábio inferior do rapaz, até sentir o gosto metálico do sangue em sua própria boca.
Ele a soltou, surpreso com o gesto e a encarou, enquanto limpava o filete de sangue que escorria por seu queixo, um sorriso cínico moldava seus lábios. Mirielle tentou correr, mas, quando passou por ele, sentiu um forte puxão em seus cabelos, acabou voltando com tudo e trombando contra o peito largo, ao mesmo tempo em que, com a mão que ainda estava livre, ele a enlaçou e segurou um dos seios por sobre a túnica que ela usava.
-Me solte!
- Não adianta gritar ou tentar fugir, Mirielle... Não pode evitar o que vai acontecer...
-Seu... Nojento!
-Quantos elogios de sua parte... – ele disse, em meio a um sorriso de escárnio, enquanto beijava o pescoço branquinho e macio da jovem, ao passo que puxava com mais força as melenas negras em sua mão – Tanta raiva... Tanta fúria... Só me deixam mais excitado...
Como era mais forte e alto, ele soltou os cabelos de Mirielle e, agarrando sua cintura, a suspendeu no ar e a levou para sua cama. Por mais que esperneasse, que tentasse se soltar ou machucá-lo, a jovem nada conseguia, muito pelo contrário, parecia que mais se colava ao corpo forte que a deixava enojada. Com um impulso, para evitar que ela tentasse fugir, o rapaz a jogou na cama, deitando-se sobre Mirielle logo em seguida. Com um das mãos, segurava as da jovem sobre sua cabeça, com a outra erguia o tecido escorregadio da túnica que ela usava.
-Você é uma égua selvagem, mocinha... E pode ter certeza de que o tenente Afrodite é o homem certo para domá-la... – ele disse, antes de voltar a investir em beijos o colo perfeito e sem marcas de Mirielle.
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Como Julia previra, Máscara da Morte acabou por ter febre novamente e muito alta. Quando entrou no quarto, ele já dormia e suava frio, o corpo todo trêmulo e quente. Depressa, a garota molhou alguns panos e os colocou sobra a face do rapaz, rezando baixinho para que ele pudesse ficar bem.
Em seus delírios, o rapaz percebeu que havia alguém ali com ele, pela delicadeza das mãos só podia ser "seu" anjo. Mas não conseguia abrir os olhos para vê-la, sentia que toda força de seu corpo se esvaia, será que iria morrer em meio àquela febre?
Sua mente divagava, delirava, ele via dentro de si mesmo tantas coisas que julgara esquecer... Corpos espalhados por uma casa, alguns sem cabeça, outros sem os membros, esquartejados... Um menino ainda, chorando ajoelhado, ao lado do corpo de uma mulher, em meio àquele cenário podre... Um homem de armadura que o pegava pela mão, quem seria?
-Mãe... – ele disse, com a voz tão fraca que Julia quase não ouvira – Mãe... Onde você... Mãe...
-Eu estou aqui, Vincenzo... – ela respondeu, com o tom de voz mais doce que pudesse ter, quem sabe ele acreditaria que era realmente sua mãe e se acalmasse um pouco?
E, como se ouvir aquelas palavras fosse uma espécie de bálsamo, Máscara da Morte se acalmou ao longo da noite, a febre chegando até mesmo a ceder um tanto. Certamente ao amanhecer, estaria melhor.
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Quando o sol despontou no horizonte e os primeiros raios de sol invadiram o ambiente, Máscara da Morte despertou. Abriu os olhos com certo pesar, acostumando-se à claridade, sentindo algo molhado sobre sua testa. Com uma das mãos, ainda que tivesse alguma dificuldade para tanto, tirou o pano úmido que estava sobre seu rosto e virou a cabeça de lado, deparando-se com Julia acordada, mas de costas para si.
Ela estava debruçada sobre a janela, seus olhos perdidos ao longe. O que será que ela observava com tanto interesse? Com um meio sorriso, o rapaz levantou-se até se sentar, um gemido involuntário de dor escapou de seus lábios e Julia voltou-se para ele. E, foi inevitável perceber, notou que ela tinha os olhos vermelhos, o brilho esverdeado que já havia visto naquelas íris castanhas desaparecera.
-Sente-se melhor? – ela perguntou, sentando-se no chão ao lado do rapaz.
-O que aconteceu? – ele questionou, ignorando a pergunta feita pela garota. Estranhou, que sensação esquisita era aquela que sentia naquele instante?
-Não entendi...
-Estava chorando...
Julia baixou os olhos, sem saber o que dizer e até mesmo surpresa por ele perceber e, pelo que parecia, se preocupar. Máscara da Morte se sentiu incomodado com aquele silêncio, se soubesse que ela ficaria daquele jeito, tinha mantido a boca fechada.
-Desculpe, eu... – o que era aquilo? Estava pedindo desculpas a uma garota? – Eu... Ah, não tive a intenção de... – De o que, droga? Por que não conseguia formular e dizer uma frase decente?
-Está tudo bem... – ela sorriu, meio torto – Vou buscar seu café...
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Havia recebido uma convocação extraordinária em nome do Imperador. E obviamente aquilo o deixara excitado, finalmente teria chegado seu grande dia? Compenetrado, admirando mais uma vez seu reflexo no espelho de seu quarto, Afrodite anotava mentalmente o discurso que faria quando nomeado general do exército romano.
Depois de tantos anos à sombra der um homem rude e nojento como Máscara da Morte, ele poderia finalmente seguir seu destino de vitórias e glórias no Império.
-Entre... – disse, ao ouvir baterem à porta e logo Misty entrou, também devidamente trajado com a armadura do exército.
Afrodite sorriu para ele e, segurando seu elmo debaixo do braço, foram para a sala do trono, onde o imperador Nero já se encontrava. Dedilhando uma pequena harpa, ele viu os dois soldados entrarem pela porta principal e se ajoelharem diante de si. Muito sério,d eixou o instrumento sobre uma pequena mesa de canto e foi até os dois.
-Presumo que imagine o motivo de tê-lo chamado à minha presença, Capitão.
-Honestamente, eu não sei, Imperador. – mentiu, ainda de joelhos. Com um gesto, Nero ordenou que ele e Misty se levantassem.
-Com a morte de nosso General, Máscara da Morte... – ele começou a falar, sem muitos rodeios – É natural que seu posto seja ocupado pelo segundo em comando no exército, ou seja, você, Capitão Afrodite...
Sem dizer uma única palavra, Afrodite acompanhava com um sorriso cínico o que Nero lhe dizia. Seu momento de glória estava próximo. Porém...
-No entanto, Capitão, existem rumores de que o General Máscara da Morte não tenha de fato morrido.
-O quê?
-Homens do exército e também camponeses que foram feitos prisioneiros afirmam que ele está vivo, Capitão... O que me diz sobre tal fato?
-É impossível, Imperador... Eu estava na batalha que o vitimou, eu mesmo vi quando um camponês o surpreendeu pelas costas e o matou com uma espada!
Estava nervoso, como podia ser verdadeira aquela história? Ele vira tudo, tinha certeza de que Máscara da Morte estava morto! Misty, ao seu lado, mantinha-se impassível, mas um turbilhão o revirava por dentro. Por que o Capitão parecia tão abalado com aquela notícia?
-Entendo sua surpresa, Capitão, mas receio lhe dizer que confio na palavra dos homens que me contaram tal fato... Sendo assim, eu mandei lhe chamar para que verifique se esta história tem realmente algum fundamento. E, se por um acaso o General Máscara da Morte estiver mesmo vivo, quero que o traga de volta à Roma.
-Sim, Imperador... – Afrodite respondeu, entre dentes.
Dando as costas para o Imperador Nero, saiu, sem dizer mais nenhuma palavra ou mesmo alguma explicação para um aturdido Misty. Estava furioso, essa era a palavra correta. Seria mesmo possível que Máscara da Morte estivesse vivo?
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Julia voltou pouco depois, trazendo vinho e pão para o rapaz. Sem dizer nada, entregou a ele que, mesmo ainda sentindo alguma dor, não teve muita dificuldade para pegar a comida e o copo e se alimentar. Em silêncio, se ocupou apenas em comer, mas por dentro estava morto de curiosidade. Aliás, se sentia assim desde que conhecera a garota.
Claro que ainda desejava tomá-la para si, mas percebeu que queria saber mais sobre ela, sua vida e suas coisas. Curiosidade que nunca sentira em relação a nenhuma outra mulher antes.
-Obrigado. – disse por fim, quando acabou de comer.
Julia aproximou-se para pagar de volta o copo e então aconteceu de novo: com certa força, mas delicadeza também, o rapaz a segurou pelo braço, mas, desta vez, não lhe disse nada ao pé do ouvido. Ficou encarando os olhos castanhos dela, que por sua vez não conseguia desviar seu olhar daquelas íris azuis.
Uma sensação de formigamento correu por toda sua espinha, quando se deu conta do que fazia, Máscara da Morte já tinha sua boca cobrindo os lábios de Julia em um beijo casto. Um simples tocar de lábios, uma sensação quente e gostosa a percorrer todo seu corpo, sentiu o braço da jovem estremecer e amolecer sob sua mão...
Por que tinha aquela sensação de entrega, naquele momento? Por que não dominá-la ali, mesmo estando ainda machucado, já que a sentia tão vulnerável?
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E aqui foi o primeiro beijo do casal, interrompido de propósito pela ficwritter que vos escreve... Afinal de contas, precisamos manter a freguesia curiosa em relação ao desenrolar desta história, não?
Nyx, você reclamou que não apareceu no capítulo passado, satisfeita com este? Eu, particularmente, adorei... Assim como adoooooro o Dite mal! Acertaram o passado da Mirielle, meninas... E podem ter certeza de que ainda tem mais desenrolar dessa história também...
Beijos e até o próximo capítulo!
