Autor: Dark K.
Título: Soul Meets Body
Capa: no profile (agora ta lá mesmo, eu arrumei o profile XD)
Rating: M
Gênero: Angst\Romance
Esta fic é um crossover, meaning ela trata de personagens de duas obras distintas, que nada tem a ver uma com a outra. Mas não se preocupem, ninguém de Queer As Folk vai virar bruxo. XD
Os personagens de Harry Potter pertencem a J., os de Queer as Folk a alguém que eu não faço idéia de quem seja, mas certamente não sou eu.
Esta obra de ficção visa apenas a diversão, nenhum lucro financeiro está sendo obtido através dela.
O nome da fic vem de uma música homônima da banda Death Cab for Cutie.
Soul Meets Body
4. And feel, feel what it's like to be new
Dias mais tarde encontraram Harry alegremente lendo revistas na loja, enquanto Michael estava fora, visitando sua filhinha na casa da mãe. Menção a crianças lembrava Harry de seu afilhado, que ele acabara vendo muito menos do que gostaria, mas Andie havia apoiado sua intenção de viajar.
Ela entendia o que era sentir como se não se tem nada e, Harry sabia, se sentia de certa forma ameaçada com a presença de Harry na vida do garotinho, como se ele fosse tentar roubar o amor do neto para ele.
Por isso Harry mantinha sua distância, pelo menos enquanto Teddy não fosse mais velho e compreendesse mais do mundo.
De qualquer forma, ter magia o ajudava incrivelmente e quando ele teria passado horas desencaixotando revistas e as organizando, alguns feitiços de organização (que havia aprendido com Molly antes de ir viajar) haviam feito todo o trabalho pesado, deixando-o com várias horas livres.
Nunca lera muitos quadrinhos. Quando era pequeno, porque os Dursley obviamente não deixariam e quando entrou o mundo bruxo porque a grande maioria deles – ou pelo menos os que Ron favorecia e ele acabava tendo contato – eram de alguma forma pejorativos no seu tratamento com os trouxas e ele se sentia incomodado com aquela noção. Os pais da sua mãe haviam sido trouxas, no fim das contas.
Em algumas caixas antigas, encontrara edições de uma história chamada 'Rage', um super-herói gay que defendia a cidade de Gayópolis. Erguendo uma sobrancelha, começara a ler a primeira edição e já estava quase no fim da segunda quando os sinos da loja o alertaram que havia alguém ali.
Levantando os olhos do gibi, deu-se de frente com Kinney.
Havia alguma coisa naquele homem que o irritava profundamente, ele não sabia bem o porquê.
E não tinha vontade alguma de descobrir.
"Michael não está. Ele e Ben estão passando o fim de semana com Melanie e Lindsay."
Brian não respondeu ao comentário, escorando-se no balcão e erguendo a revista que o rapaz lia para inspecioná-la, dando um sorriso amargo ao ver a capa.
"E quem disse que eu não passei aqui só pra ver você?", Harry nem mesmo se incomodou com o comentário, bem avisado que estava de que Brian daria em cima de qualquer coisa que se movesse e fosse do sexo masculino, "Gostando da história?", continuou, ainda encarando a revista com certa repulsa.
"É interessante.", Harry respondeu, com um olhar contemplativo, "Mas tem o mesmo problema de todos os outros heróis: os cidadãos da cidade poderiam lutar por eles mesmos e aí nem Rage ou Zephyr seriam necessários."
Brian pareceu levemente impressionado pela declaração, sua surpresa transparecendo brevemente em suas feições, antes de rir baixo.
"E eu pensando que você ia cair aos meus pés quando soubesse que tinha um super-herói ao vivo na sua frente."
Olhando entre os desenhos da revista e Brian, Harry reconheceu os mesmos traços e riu baixo.
"Alguém superestimou todos os seus atributos e os colocou em uma revista? Muito lisonjeiro."
"Quem disse que eu fui superestimado?", Brian perguntou em voz baixa e tentativamente sedutora, mas Harry não pareceu prestar atenção no som da sua voz, encarando-o seriamente por um minuto antes de falar.
"Eu conheço heróis.", declarou simplesmente.
E mais uma vez Brian soube que havia algo errado com o garoto.
"Você, pequeno Harry, precisa se divertir mais."
Harry arqueou uma sobrancelha em resposta.
"Preciso?"
"Precisa. Tão tenso e tão sério o tempo todo... Isso não deve fazer bem para o coração."
Harry riu de novo, com mais humor dessa vez.
"Talvez. O que você sugere?"
"Saia comigo hoje à noite."
Harry o encarou desconfiado por alguns minutos, mordendo o lábio inferior enquanto o fazia, deixando Brian pensando quantas coisas mais divertidas o garoto poderia fazer com seus lábios.
"Confie em mim."
E todos aqueles que conheciam Harry Potter sempre souberam que o problema dele era exatamente esse: confiar demais.
Só que se Harry havia aprendido alguma coisa com os anos que passara escapando por muito pouco da morte, essa coisa fora confiar em seus instintos. E seus instintos berravam e anunciavam em vermelho e dourado faiscante que confiar em Kinney, ou se aproximar de Kinney, ia ser um erro do qual ele se arrependeria amargamente mais tarde.
E entre seguir seus instintos e confiar em sua mania de confiar demais... dessa vez ele ficaria com seus instintos.
"Não.", ele respondeu baixo, vendo Brian sorrir de uma maneira estranha, como que amarga.
"Papai Ben e Mamãe Michael mandaram você ficar longe do malvado Brian Kinney?", ele perguntou, olhando diretamente para Harry, que balançou a cabeça.
"Não. Eles me avisaram que você certamente daria em cima de mim, mas nenhum aviso para ficar longe. Não sou eu que devo ficar longe de você, Kinney. É você quem deveria ficar longe de mim."
"Por quê? Você por acaso é algum psicopata perigoso?"
Harry riu alto dessa vez, balançando a cabeça.
"Não. Só... complicado demais."
Brian encarou o garoto mais alguns minutos, percebendo que ele falava sério.
Complicado demais?
Nada era complicado demais para Brian Kinney, porque ele era o rei dos complicados e complexos.
"Muito bem. Hoje, não, então, pequeno Harry.", ele disse, piscando para o garoto e saindo da loja.
'Hoje não... Mas logo.', pensou Brian.
Sempre gostara mais dos difíceis.
~x~
A manhã seguinte era um domingo que encontrou Harry sem ter absolutamente nada para fazer, e vontade alguma de ficar em casa sozinho, o dia todo mais uma vez. O tempo estava, mais uma vez, chuvoso, e Harry conseguia sentir os pequenos traços de seu famoso temperamento curto aparecendo a cada vez que olhava para o pequeno espaço do seu minúsculo apartamento.
A chuva opressiva batendo insistentemente na janela parecia diminuir ainda mais o espaço, fazendo o lugar parecer um armário mais uma vez.
Cansado de ficar em casa, Harry decidiu seguir o conselho que Michael lhe dera antes de ir para o Canadá: ir até a lanchonete onde Debbie trabalhava para tomar café da manhã e, de lá, tentar encontrar alguma coisa para fazer na cidade.
A lanchonete estava cheia naquela manhã, mesmo com toda a chuva lá fora – ou provavelmente por causa da chuva -, mas Harry não deveria se preocupar em ter lugar para sentar, pois Debbie o avistou rapidamente.
"Harry, querido! Como você está nessa manhã horrível?", ela perguntou a altos brados, atraindo a atenção de metade da lanchonete para o mais novo protegè de Debbie, enquanto ia até o garoto e o apertava em um abraço rápido, mas sufocante.
Definitivamente parecida com Molly Weasley.
"Por Deus que cada vez que eu olho pra você, você está mais magro. Vá sentar naquela mesinha ali com os amigos de Michael e eu vou trazer seu café.", ela disse, conduzindo-o até uma das mesas, onde três homens estavam sentados, saindo para buscar a comida que ele não havia pedido.
Molly Weasley versão trouxa e sem filtro para palavrões.
"Er... olá.", ele cumprimentou, olhando timidamente para os dois homens sentados à sua frente.
"Ora, ora, se não é pequeno Harry.", disse a voz ao seu lado, e Harry sentiu uma vontade imensa de bater a cabeça na mesa à sua frente.
"Como vai, Kinney?"
"Melhor agora que você chegou aqui, pequeno Harry."
Harry apenas bufou com certa irritação, tentando controlar o desejo de azarar o homem sentado ao seu lado.
"Não vai nos apresentar seu amigo, Brian?", perguntou um homem loiro e alto, com olhos azuis claros e cabelos loiros cortados curtos.
Harry sorriu para o homem, estendendo a mão.
"Eu não sou amigo dele.", disse docemente, "Um prazer em conhecê-lo. Harry Potter.", ele se apresentou, fazendo o homem moreno no canto da mesa disfarçar uma risada com um acesso de tosse quando Brian olhou feio para ele.
"Emmett Honeycutt. E esse adorável homem sentado ao meu lado é Ted Schmitt."
"Um prazer.", Harry repetiu, sendo impecavelmente educado, apenas porque notara que isso irritara Kinney.
Desde que ficara amigo de Draco que havia esquecido o quanto era bom irritar pessoas de quem não se gosta.
"Então, Harry, como conhece Debbie?", perguntou Emmett.
"Michael e seu marido adotaram ele.", disse Brian, antes que Harry pudesse responder, mas Harry nem mesmo olhou para o homem, sorrindo angelicalmente para Ted e Emmett.
"Michael e Ben me ajudaram algumas semanas atrás, e agora eu estou morando na parte de cima da loja e ajudando Michael."
"Oh, Mickey comentou sobre você algumas vezes. E isso explica seu sotaque fabuloso!", respondeu Emmett, "Você é inglês, não é?"
Harry concordou com um aceno de cabeça, e continuou conversando alegremente com Emmett durante todo o café da manhã, enquanto um Brian estranhamente silencioso o observava.
Ele queria brincar de ser difícil?
Muito bem. Brian era completamente a favor.
Quando finalmente Harry terminara de comer um terço do que Debbie havia posto na sua frente, ele empurrara o prato para longe e suspirara.
Tinha que vir a essa lanchonete mais vezes.
"O que vai fazer para passar o dia, pequeno Harry?", perguntou Brian, e Harry lhe deu um olhar irritado.
"Ainda não sei. Explorar a cidade um pouco, imagino. Ainda não tive a chance."
"Eu posso te ajudar com algumas explorações.", sussurrou Brian, inclinando-se na direção do rapaz, que apenas se afastou um pouco, balançando a cabeça.
"Obrigado, mas não. Tenho certeza que eu não tenho interesse no mesmo tipo de explorações que você tem."
Sua resposta fez Ted sufocar o riso mais uma vez, e Brian começou a se irritar seriamente com aquele moleque.
"Bem, eu posso mostrar alguns dos lugares bons da cidade, se quiser. Tem algumas lojas fabulosas que ficam abertas nos domingos.", sugeriu Emmett e Harry sorriu para ele.
"Eu agradeceria. Não estou acostumado com... o clima da cidade.", ele declarou, dando de ombros e tomando um gole do seu café.
"Você morava em Londres?"
Harry acenou afirmativamente com a cabeça.
"Nos últimos anos que eu morei na Inglaterra, sim. Mas eu estava estudando para entrar para um... batalhão especial da Polícia, e morava na casa do meu padrinho, que era um lugar enorme, então quase nunca saía. E antes disso eu passava nove meses do ano em uma escola interna na Escócia, então não estou muito acostumado com cidades.", ele terminou com um sorriso de desculpas, e encontrou Emmett sorrindo amplamente para ele.
"Não se preocupe, querido. Quando eu vim para cá do Mississipi, eu também não conhecia nada, e hoje, Pittsburg é meu lar.", ele terminou com uma piscada para Harry que fez o garoto rir.
Não muito depois disso, e prometendo para Debbie que voltaria para o jantar se não jantasse com Emmett, saíram os dois para a chuvosa cidade, deixando Brian e Ted na mesa.
"Então, o grande Brian Kinney encontrou uma pessoa que é imune ao seu charme.", comentou Ted, meio rindo, meio sério, e Brian apenas olhou feio para ele.
"Ninguém é imune ao meu charme, caro Ted.", ele respondeu, levantando da mesa com um andar irritado, fazendo Ted rir sozinho.
Se o garoto queria chamar a atenção de Brian, ele havia certamente tomado o caminho certo.
E Ted queria estar na primeira fila para ver cada uma das tentativas frustradas de Brian Kinney.
Sejam amores e melhorem a minha semana que foi uma caca, por favor? Por favorzinho??? *carinha de cachorro que caiu da mudança*
R E V I E W !
