Autor: Rapousa

Beta: Ci Malfoy

Personagens: Harry, Ron, Sirius (e os outros aí)

Classificação: PG-13

Resumo: Quer dizer, eu estava realmente fadado a repetir os passos de Sirius e, após ser rejeitado pelo meu melhor amigo, virar um bon vivant? Não, eu não ia deixar isso acontecer.

Disclaimer: Ah, claro que eu sou dona de tudo isso aqui! Não vêem como sou loira, rica, e moro na Inglaterra?


IV
"And I just can't look
It's killing me"

Se foi Malcom, de certa forma, quem ajudou Ron a abrir um pouco mais a mente, a pessoa que fez isso comigo foi o Florence, o cara simpático do "galã maduro".

Era o segundo dia que ele passava em casa naquela semana, e eu estava realmente feliz de vê-lo por lá, Florence era muito fácil de conviver e quando estava por perto meu padrinho quase parecia alguém em um relacionamento estável. O que para variar era bem legal. Naquele dia em específico eu havia chegado de um exaustivo dia na faculdade, estava tão cansado que entrei me arrastando, cumprimentei os dois com um gemido enquanto eles cozinhavam juntos o jantar. Aproveitei e avisei que não pretendia comer nada, então rumei direto para meu quarto. Ao chegar lá, larguei minha bolsa no chão, me joguei na cama e tirei os sapatos com meus próprios pés, fechei os olhos e esperei o sono me levar.

E se quer saber, ele estava quase conseguindo quando, de algum lugar muito longínquo, ouvi meu nome. Isso de alguma forma conseguiu me despertar momentaneamente. O que lembro da conversa que acabei por ouvir é mais ou menos isso:

- ...Harry... sempre tão solitário para alguém da idade dele – disse Florence num tom de quem confidencia algum temor.

- Pois é, é o jeito dele – respondeu Sirius, neutro.

- Ele é tão meigo, só que nunca o vi com ninguém, é tão estranho...

- Bom, no começo também estranhei. Quer dizer, ele aceitou vir morar comigo e achei que era tudo o que ele precisava para se libertar. Mas... não sei, ele nunca apareceu com ninguém por aqui, tirando os dois melhores amigos. E olha que eu deixei mais claro do que água que não teria problema algum em trazer qualquer um para cá. E claro, ele sabe muito bem que eu não ficaria delatando-o para os pais...

Fez-se um silêncio, o som de alguns objetos se movendo, a voz dos dois ficou mais baixa, porém, mais próxima. Supus que eles haviam se sentado à mesa. Sirius continuou:

- Veja bem, ele entrou em Oxford com uma bolsa esportiva, já que joga futebol muito bem, e é de se imaginar que, bem, sendo um dos melhores artilheiros do time principal, ele fosse um dos caras mais populares da faculdade, sempre rodeado das mais lindas mulheres... Ou que ao menos vivesse em festas. Só que, tirando as comemorações após as partidas vitoriosas, Harry quase não sai, e quando o faz volta sempre antes das três. Quer dizer, se eu tivesse algum talento futebolístico ao ponto de ser um astro como ele, a última coisa que iria acontecer era voltar cedo ou ficar com a cama vazia.

- Sirius, quando a sua cama está vazia?

- Bem, ela estaria ao menos mais cheia.

Soltei um som involuntário de ironia pelo nariz, e tenho certeza que ou Florence rodou os olhos ou olhou bem feio para meu padrinho.

- O pior é que eu não sei a quem ele puxou – continuou Sirius, retomando o assunto enquanto o som de talheres passou a ser ouvido. – James era tudo menos calmo, e Lily, a mãe de Harry, era meio nerd na época do colégio, mas quando começou a andar com nosso grupinho, logo não ficava parada – novamente uma pausa. Mais som de talheres. - Se Harry não fosse a cara de James eu poderia começar a suspeitar que não é filho do meu melhor amigo. Quer dizer, a quem ele puxou?

- Bom, talvez ele seja só um menino romântico? – chutou Florence, e eu acho que Sirius fez alguma sinalização negativa, pois logo em seguida acrescentou: - Por que não?

- Bom, nunca ouvi falar dele apaixonado por ninguém, sabe, com aqueles típicos sintomas. E também nunca ninguém foi apresentada para mim ou para os pais.

- Talvez ele seja discreto.

Sirius bufou.

- Olha, Harry nunca me contou, e eu sei disso pela amiga dele, Hermione. Um dia ela contou para a Lily, que acabou me confidenciando. Então eu fui direto à fonte, quer dizer, à Hermione e ela me contou a história. Uma vez o Harry saiu com uma garota no colégio, mas de acordo com Hermione, a menina é que saiu com ele. Eles se beijaram e tudo mais, e depois Harry não mostrou mais interesse na garota, até que, no ano seguinte, ela meio que deu um jeito de ser chamada para sair. Só que foi só isso, uma saída e nada mais. Mione disse que foi falta de tato do Harry. Só que isso não explica a falta de interesse do meu afilhado. E a garota era bonita, antes que você pergunte.

- Bom... – começou Florence em tom de retórica.

- Olha, além disso, parece que a irmã do melhor amigo dele, aquele ruivo altão e sardento, tem uma quedinha por ele, mas o Harry nunca nem reparou, ou deu bola. Quer dizer, até eu que já passei da idade sei que a garota não é de se jogar fora...

- Talvez Harry apenas seja como eu – disse Florence rapidamente, antes que Sirius o interrompesse. Houve um silêncio após essa declaração, no qual eu franzi o cenho, sem entender aonde ele queria chegar.

- O quê? Um cara calvo de trinta anos? – perguntou Sirius irônico. Senti meus lábios se curvando em um sorriso sonolento.

- Aaaah Sirius! Que horror! – exclamou Florence num tom entre o revoltado e o ofendido. Eu sabia que o fato de ter duas largas entradas nas têmporas o deixava quase desesperado com a idéia de ficar careca. – Eu quis dizer gay.

Silêncio. Nem talheres, nem vozes. Nem meu coração. De repente ele simplesmente parou de bater. Tenho certeza que parou, simplesmente sumiu do meu tórax e me deixou para trás.

- Quê? – exclamou Sirius e fez o favor de parecer chocado.

Então, antes que Florence respondesse, senti meu coração voltando à vida, só que agora com uma velocidade taquicardíaca, como se eu tivesse corrido o campo de futebol inteiro, ida e volta. Estava completamente desperto e comecei a sentir um calor ansioso. Meus olhos arregalados, agora prestando total atenção na conversa. Quer dizer, o que ele dizia era loucura, não era?

- Sirius, não seja hipócrita. O garoto sai de casa, mas não é para farrear. Vive grudado com os dois melhores amigos e, pelo que me consta, quase fugiu da menina que gostava dele. Tem tudo para ser super popular mais prefere se manter fechado e seguro em um grupo de amigos restrito. Por favor, ele é um típico caso de pessoa reprimida. Os pais dele são homofóbicos?

- Florence, adoro quando você tenta dar uma de psicólogo, quer dizer, seu embasamento como professor de física deve ajudar muito, mas... Cara, acorda, os pais do Harry são meus melhores amigos. Como eles poderiam ser homofóbicos?

- Bom - continuou Florence, e eu percebi que ele não desistiria, para meu horror, - Harry não faz muito o perfil galinha, como você. Ele é meigo demais... Será que não está apaixonado por algum cara? – Senti uma fisgada no peito, quis levantar, sair do meu quarto e gritar: NÃO! Pare de achar cabelo em ovo! Mas eu estava grudado na cama. – Talvez um amigo? Alguém em que ele não pare de falar sobre. Um nome que sempre evoca um sorriso? Talvez ele tenha até uma foto dessa pessoa na carteira ou na cabeceira da cama, por exemplo?

Fez-se novamente um silêncio. Meu ouvido começou a apitar, o coração não desacelerava e a boca estava seca. Eu não conseguia me mexer. Porque a descrição de Florence batia sim com um nome, um nome que mais cedo ou mais tarde escaparia da boca de Sirius. E eu tinha sim a foto de um cara na minha carteira, e na minha cabeceira. Estava só esperando, porque sabia, meu corpo sabia, Sirius sabia quem era. Mas eu não conseguiria pronunciar aquele nome e tinha medo de ouvi-lo sendo dito em voz alta, porque quando isso acontecesse, quando eu ouvisse...

- Bom, o único que se enquadra em tudo isso é o Ron, mas... – meu coração deu um salto inteiro e se encolheu. – Eles são amigos de infância.

- E Harry não desgruda dele – completou Florence.

- Sim. Mas sei lá, Ron parece do tipo...

- Preconceituoso.

- Também. Mas... não sei, é só que não consigo ver os dois... o Harry...

- Sirius, eu sou um observador de fora e, por mais que goste de Harry, não tenho tantos sentimentos envolvidos no assunto quanto você, e o que te digo é que ou seu afilhado está apaixonado pelo melhor amigo, ou por outro rapaz que você não está sabendo. Não tenho dúvidas.

Mas eu tinha! E isso não contava para nada? Quer dizer... eu nem sabia o que pensar, já que aquela era uma idéia imensuravelmente estúpida. Na sala, mais um período de silêncio quebrado apenas pelo som de talheres. Pronto, eu estava morto. Fechei meus olhos com força e tentei controlar aquela onda de sentimentos que me invadiu. Merda, merda, merda!

- Ah, claro que você está certo, senhor formado-em-física-mas-excelente-psicólogo! – disse Sirius ainda naquele tom cruel de humor mas, nem para mim, que queria tanto acreditar, ele parecia muito seguro.

- Você tem que começar a me levar mais a sério, minhas intenções são boas.

- De boas intenções o inferno está cheio.

- Sirius!

Merda, merda, merda, merda. MERDA! Putaquepariu, por que meu coração não desacelerava? Por que o ar acabou ficando denso demais? Por que, caralho, eu comecei a lembrar daquele cheiro floral misturado com caramelo? POR QUÊ? Não, porra, eu não estava apaixonado pelo meu melhor amigo! Ron e eu éramos amigos desde sempre, eu nunca, nunca...

Não havia nenhum motivo para acreditar naquela teoria idiota do Florence. Sério, o que ele sabia sobre qualquer coisa? E daí se eu não queria sair com aquelas garotas peitudas e cheias de risinhos imbecis? E daí se eu nunca tinha reparado na irmã do meu melhor amigo? Porra, ela era quase como uma irmã também. Como Hermione. E claro que eu não era gay. Óbvio que não. Certo?!

Droga, meu coração, essa porra não para de bater acelerada. Então eu penso em Ron e... e...

Caralho, eu tô apaixonado pelo meu melhor amigo, é isso mesmo?

Essa não era a pergunta mais importante da noite, porquê, claro, seria dificílimo conseguir me negar a verdade por muito tempo. A real pergunta que me deixaria acordado por noite a fio era: O que eu iria fazer com esse sentimento?

A resposta, essa sim, foi culpa do meu padrinho. Ou deveria dizer, de Hermione. Foi a altíssima capacidade de dedução da minha melhor amiga que fez com que eu tomasse a decisão que no futuro se tornaria a mais importante.

"And taking control"


N/A: Gente, mals por não ter postado semana passada, mas eu acabei esquecendo meu computador em casa e não consegui atualizar a história. E o que houve que teve tão poucos comentários ._.? Espero que esse capítulo esteja mais digno. E no próximo, prometo que as coisas vão avançar... um bocado! Desculpe não responder review, mas estou mesmo com pressa!