Capítulo 4

Narrado por Edward

Naquele sábado pela manha, logo após o café da manhã, decidi levar Bernie para passear por LA e na volta aproveitaria para pegar meu carro na oficina.

Bernie parecia criança em noite de Natal, quando depois de pagar Seth o mecânico do meu filho pelo rápido e eficiente trabalho, abri as portas do carro para ela que foi logo se sentando no banco do passageiro. Acho que ela gostava mais daquele carro do que eu, se é que isso era possível.

–Vamos comprar rosquinhas? –me sentei ao lado de Bernie, no banco do motorista, totalmente aliviado por ter meu precioso de volta e não precisar mais andar de táxi.

–Au. –Bernie latiu animada.

–Isso aí garota, toca aí. –ergui a mão e ela tocou com sua pata.

Uma coisa sobre Bernie. Ele era mais inteligente que muita gente. Acho que ela foi adestrada antes de ser abandonada, pois ela simplesmente obedecia tudo o que eu lhe mandava e ainda fazia essas coisas legais como deitar e rolar em troca de petiscos.

Dirigi pelas ruas movimentadas de LA apreciando o ronco do motor e o vento batendo em meu rosto pela fresta no vidro. Bernie estava com a linguona de fora toda animada, também apreciando o vento.

–Fica ai garota já venho. –ela choramingou depois que eu parei o carro no estacionamento de nossa Starbucks favorita. –Não fica assim, você lembra o que aconteceu da ultima vez que você entrou comigo naquela lanchonete?

Eu só havia entrado naquele lugar com Bernie, pois eu precisava comprar agua para ela, já que estávamos andando um pouco longe de casa e ela parecia estar muito cansada. E como eu tinha medo de largá-la sozinha amarrada a um poste, resolvi entrar com ela achando que não teria problema algum. Tudo aconteceu muito rápido. Bernie deu um solavanco na coleira e eu não consegui segurá-la e ela correu em direção a uma família feliz que comiam suas panquecas num domingo pela manhã e ela simplesmente pulou em cima da mesa e começou a devorar as panquecas. No fim das contas tive que pagar as despesas da família e fomos proibidos pelo próprio dono de entrar no lugar novamente.

Os resmungos chateados de Bernie me trouxeram de volta dos meus devaneios.

–Olha porque eu você não fica no banco do motorista e protege nosso bebe até eu voltar? –ela latiu animada em resposta.

Deixei uma brecha aberta nos vidros para que Bernie não ficasse sem ar e me certifiquei de ter trancado as portas devidamente. Ao olhar para trás ri com gosto a ver Bernie estava sentada no banco do motorista com uma expressão concentrada em seu rostinho simpático, como se eu tivesse lhe dado à missão mais importante do mundo para ela e ela estivesse tentando cumpri-la com afinco.

Depois dizem que cachorros não raciocinam! Corta essa, esses bichos são mais inteligentes e espertos do que muita gente que conheço.

Entrei na famosa cafeteria sendo acolhido pelo cheiro de café e canela e fui para a fila o fazer meu pedido. Rosquinhas açucaradas recheadas com creme e um copo de cappuccino com canela para mim e rosquinhas diet de baunilha para Bernie, essas eram suas favoritas.

Meu pedido não levou nem 10 minutos para ficar pronto e ainda tive tempo para flertar com uma garçonete gostosinha e sai de lá com seu numero de telefone gravado no copo do meu cappuccino.

Era quase meio dia e o sol estava bem forte, então coloquei meus óculos escuros ao sair da cafeteria. Caminhando pelo estacionamento até o lugar onde estava meu carro me deparei com a seguinte cena:

Havia uma mulher não muito alta parada ao lado do meu carro, fotografando Bernie que fazia caretas divertidas e fazia bagunça dentro do carro. A mulher vestia uma camisa branca larga, maior do que seu corpo, mas que estava amarrada por um nó na lateral de seu corpo, um short jeans puído e curto que me dava uma visão privilegiada de uma muito bela bunda, que atraiu meus olhos como imã e metal, talvez aquele fosse a bunda mais bonita que já vi, desci meus olhos por seu corpo e visualizei as longas e sensuais pernas, ela calçava um tênis velho. O cabelo castanho e longo, solto sobre os ombros e cabeça coberta por um boné azul da liga de futebol americano, virado com a aba para trás.

Meus olhos se voltaram para a bela bunda a minha frente e retirei meus óculos para poder ter uma apreciação melhor daquele monumento, aquela bunda merecia um tributo em homenagem a ela. Aproximei-me da mulher que brincava e tirava fotos de Bernie, parando logo atrás de seu corpo, quase colado a ela.

–Oi. –soprei em seu ouvido, depositando certa rouquidão em minha voz.

–Oh meu Deus! –a mulher pulou assustada, levando a mão ao peito.

Fiquei realmente surpreso ao ver quem era a mulher a minha frente. Eu a conhecia, claro que conhecia, afinal não existia possibilidade alguma no mundo de que eu me esqueceria da mulher mais sexy que já vi.

–Olá doutora Swan. –sorri ao cumprimentá-la.

–Ah, oi Edward, como vai? –ela me cumprimentou, completamente sem graça e corada e eu achei aquilo adorável, além de sexy para caralho.

–Vou bem e a senhorita? –lhe estendi a mão para um cumprimento oficial.

–Vou bem, apesar do susto que você me deu. –disse com um sorrisinho tímido.

–Me esculpe por isso, mas porque estava fotografando Bernie? –perguntei curioso.

–Essa é a Bernie? Ela é realmente adorável. –a doutora sexy se virou para sorrir para Bernie, que nos encarava curiosa.

–Eu disse que ela era. –dei de ombros.

–É meu passatempo tirar fotos, então quando passei por aqui e a vi toda seria encarando o volante do carro, não resisti. Ela estava muito engraçada.

–Au. –ouvi o latido irreconhecível de minha peralta amiguinha e ambos, eu e a doutora rimos, Bernie sabia que estávamos falando dela.

–Ela quer te conhecer. –destravei o carro e abri a porta para que Bernie descesse.

O furacão de pelos amarelos desceu e começou a pular no colo da doutora, lambendo suas mãos completamente fora de controle e animada.

–Oi Bernie. –a doutora começou a coçar atrás da orelha, da sortuda da Bernie, e a mesma começou a grunhir contente pelo carinho e toda aquela atenção. Mais uma vez, Bernie sortuda!

–Nunca cheguei a perguntar seu nome doutora. –me dei conta do fato só agora.

–É Isabella, mas pode me chamar de Bella. –ela sorriu enquanto ainda brincava com Bernie.

–Combina com você. –sem querer acabei soltando a pérola com a minha voz de jogar charme, eu só esperava não a ter chateado.

–Obrigada. –ela respondeu completamente corada. –Bom já vou indo então.

–Precisa de carona? –perguntei em um impulso, sentindo a necessidade de tê-la por perto por mais algum tempo.

–Não precisa, vou andando mesmo.

–Vamos Bella, não vai me custar nada e o sol está muito quente. –indiquei a grande bola de fogo amarela acima de nos, que brilhava em sua total intensidade.

–Au-au. –Bernie latiu, parecia que ela estava reforçando o pedido.

Que estranho Bernie não costumava ser assim com pessoas que acabava de conhecer, ela sempre ficava repreensiva antes de conhecer melhor as pessoas.

–É acho que vou acabar aceitando então, está realmente muito quente.

E então para o meu total e completo desespero Bella retirou o boné, jogando seu cabelo para trás, e se abanando com o mesmo e sem que eu pudesse me controlar meus olhos começaram a perseguir o caminho que uma gota de suor fazia de seu pescoço até entrar em sua camisa. E tudo o que eu com seguia imaginar naquele momento era em formas mais prazerosas de fazer Bella suar e de como eu lamberia o suor de seu corpo.

–Au. – latido de Bernie me trouxe de volta a realidade, pois se eu continuasse a imaginar aquelas coisas eu entraria em uma situação muito constrangedora e inapropriada para um local publico.

Droga! Parecia que eu havia voltado a ser um adolescente virgem entrando na puberdade.

–Vamos então? –dei a volta no carro abrindo a porta do passageiro para que Bella pudesse se sentar, mas Bernie se adiantou e pulou na frente dela, reivindicado seu lugar ao meu lado e ouvi o riso melodioso de Bella atrás de mim.

–Acho que vou ter que ir no banco de trás. –ela disse ainda rindo.

–Desculpe por isso. –olhei feio para Bernie, que fingiu não notar enquanto observava um pássaro pousando no carro estacionado ao lado.

–Tudo bem, sem problemas. –abri então a porta dos bancos traseiros para que a doutora pudesse se acomodar.

–Então qual é o endereço? –perguntei depois de me acomodar em meu banco.

Bella me deu as indicações de onde ela morava e dirigi tranquilamente pelas ruas de LA.

Ao parar em um semáforo fechado Bernie veio até mim, encostando a cabeça em meu ombro e resmungando.

–Que foi garota? –acariciei sua grande cabeça ouvindo seus resmungos e nesse momento vi um flash e ouvi um clique de maquina, olhei para trás confuso.

–Não pude resistir. –Bella apontou para sua câmera fotográfica que tinha jeito de ser daquelas bem caras.

–Tudo bem, só me dê uma cópia depois. –Bernie começou então a bater com sua pata em minha perna e olhei para frente, vendo que o sinal havia aberto e estava verde. –Garota esperta! –acelerei o carro e continuei pelo caminho.

–Ela é muito inteligente. –Bella disse.

–Ela é mesmo e isso tudo sem eu ter lhe dado treinamento algum. –dei de ombros, convencido e orgulhoso pela minha menina.

–Está com ela desde quando?

–Faz uns dois anos, ela estava parada em frente ao meu prédio debaixo da chuva, e eu tinha acabado de chegar, então a levei para dentro e cuidei dela.

–Isso é muito legal, a maioria das pessoas não tem essa consideração com os animais.

–Fui criado cercado de animais, meus avós tinham muitos na casa deles. –dei de ombros mais uma vez.

–Sempre tive vontade de ter um cãozinho, mas minha mãe era alérgica.

–Você mora sozinha agora não mora? –perguntei e pelo espelho do retrovisor a via afirmar positivamente. –E porque não ter um agora?

–Eu não poderia dar toda a atenção necessária, passo muito tempo no consultório e o bichinho iria se sentir sozinho.

–Também passo bastante tempo fora de casa, no trabalho sabe, mas ainda bem que Bernie sabe se cuidar sozinha, é só deixar bastante água, comida, um jornal onde fazer suas necessidades e uma TV ligada que ela se vira.

–Ela assiste TV? –Bella, pude notar pelo seu tom de voz que ela estava impressionada.

–Sim, e ela assiste qualquer canal que esteja passando desenhos.

–Que linda você Bernie. –Bella foi um pouco para frente no banco e começou a acariciar a cabeça de Bernie por cima do banco.

Filha de uma mãe sortuda! O que eu não daria para estar em seu lugar agora.

–Chegamos. –estacionei em frente a um conjunto de prédios.

–Ah obrigada. –desci para lhe abrir a porta, tentando ser cavaleiro. E Bernie pulou para fora logo atrás de mim, caminhado ao meu lado na calçada.

–Está entregue. –parei ao lado da doutora sexy, sem saber muito bem o que fazer ou falar agora.

–Até terça-feira então Edward. Tchau lindinha. –ela se abaixou para brincar um pouco cm Bernie, que só faltou se jogar no chão e pedir para a doutora coçar sua barriga.

Bernie, a menina sortuda!

–Até então Bella. –enfiei as mãos no bolso da minha bermuda e encostei-me ao carro, observando a doutora abrir a porta do prédio, Bernie se sentou ao meu lado também observando.

–Terça feira levo as fotos de Bernie. –Bella disse parada a porta.

–Certo. Obrigado. –abri a porta para que Bernie entrasse no carro e ela pulou para seu lugar e fui para o meu lugar.

Antes de virar a esquina da rua da casa da doutora sexy, olhei para tarso uma ultima vez e ainda a vi parada ao lado de fora.

–Au. –Bernie latiu.

–Eu sei ela é gostosa pra caralho né? –voltei a me concentrar no transito.

–Au. –Bernie deu um latido irritado e eu podia jurar que a vi balançar a cabeça em negação.

–Não estou te entendendo Ber. –ela virou a cara para a janela me ignorando completamente ao ficar observando o transito movimentado lá fora.

Era só o que me faltava, minha própria cachorra virar a cara para mim desse jeito.

–Tudo bem, acho que alguém não vai querer suas rosquinhas. –eu disse sabendo que aquilo conquistaria sua atenção.

Dito e feito ganhei a atenção total de Bernie, voltando a ser sua pessoa favorita no mundo.

–Sua vendida. –resmunguei e então comecei a rir sozinho.

Aquela cachorra era uma peste.