Agradecimentos:

Mia – Que bom que você voltou!E quem me dera que a Stephanie Meyer continuasse crepúsculo falando da relação de Jake e Nessie....

Bella Giacon – Eu tbm gosto da Leah, pelo menos nos últimos tempos eu tenho entendido melhor o lado dela. Pode deixar que eu não vou parar de publicar, muito menos com leitoras como você =) Agora, recomendar e talz sempre é bom, né? Tô muito feliz que você tenha gostado. Muuuuuito obrigada pela review. OBS: Vi no seu profile que vc tem 13. Não sei se ta desatualizado, mas enfim...eu comecei a escrever com treze, mas acho que soh com uns quinze passei a postar fics. Achei isso interessante isso, sei lá, bom, seja mto bem vinda e avise qnd vc resolver escrever tbm.

Marynna – Me diz uma coisa...você é agitada? Vc escreve de um jeito que parece q vc eh uma pessoa super animada. Bizarro, mas eu li o q vc escreveu imaginando você mexendo as mãos e tal. Hhuahuahua acho q eu sou meio maluca. Bom, em primeiro lugar: vc bem q podia gostar do Jacob, neh? Eu sou defensora número um dele! Aposto que vc gosta de cachorros, um lobinho encrenqueiro não faz mal a ninguém, neh? Em Breaking Dawn dá pra entender o lado dele tbm. Segunda coisa: vc não gosta msm da Leah hein? Quer matar ela, eh? Olha, não sei ainda o que vai acontecer, acho q essa historia eh uma surpresa até mesmo pra mim. Os personagens vão indo e eu to começando a achar que eles tem vida própria, então, não descarto nenhuma possibilidade.

Luna Simon – Vc tem razão, a Nessie ta parecendo a mãe, mas acho que ela está ainda mais dividida. Convenhamos que a Bella sempre quis o Edward, Jacob foi apenas um sol que afastou as nuvens, mas...do que adianta o sol se não houver água? Edward era tipo isso, tipo uma água, uma necessidade extrema, sem ele ela nunca estaria completa, satisfeita...já para Nessie, bom, acho que ela quer as duas coisas, ainda não há uma preferência, só que eles despertam sentimentos diferentes nela, ela ainda precisa descobrir o que é amor e o que não é.

– Minha primeira leitora!!!! Mais uma resposta pra vc!! Uhuuuu – Bom, acho que vc já entendeu o espírito da coisa (em relação às memórias que ela anda vendo) e quanto a Nessie e o Jacob...é, realmente, tadinho dos dois, ambos estão confusos e com raiva, mas...vamos ver neh ainda deve ter mais uns quatro capítulos pela frente. E quanto a este aqui... leia até o final e depois me diga o que achou. Pode criticar tbm! Mas, sinceramente, acho que vocês vão gostar...

OBS: Esta primeira parte é o que já aconteceu na última parte do outro cap., mas na visão do Jacob. Quem quiser pode pular para a parte 9 logo.

Boa leitura!

PARTE 8 – JACOB

Nessie estava linda, ou melhor, ela era linda, mas ela estava ainda mais naquela noite. Fiquei com raiva ao perceber que ela tinha se arrumado para outro, mas senti um grande alívio quando ela disse que ele não ficaria em sua casa. Bendito e sábio Carlisle!

Nós dois fomos ao penhasco. Nessie disse que aquele local lhe transmitia paz e eu achei aquilo interessante. Aquele sempre fora meu refúgio. Lembrei-me do dia em que Bella fora me visitar quando eu ainda me recuperava dos ferimentos causados na luta contra os vampiros que a perseguiam. Logo depois eu havia ido para aquele mesmo local para pensar. Eu estava arrasado com a possibilidade de ela virar vampira. Eu poderia conviver com a agonia de vê-la com Edward, mas não aquilo. Eu não podia aceitar o fato de que ela queria aquilo. Pensar nela com o mesmo frio, o mesmo cheiro deles me causava ânsias e eu tinha medo do que aconteceria conosco. Será que eu teria vontade de matá-la ou o contrário? Eu não queria que nada mudasse entre a gente! Ela era a minha melhor amiga e eu tinha medo que ela acabasse morrendo ou se tornando uma estranha de olhos vermelhos e raivosos. Eu só queria o bem dela, mas eu não conseguia enxergar Edward como algo bom na vida nela, não quando todos os meus instintos diziam que ele era um perigo, não quando minhas mãos tremiam e o lobo em mim queria atacá-lo.

Renesmee olhava para as ondas e eu percebi o quanto tudo estava diferente. Eu podia agora lidar com o fato de Bella ser vampira. Seu rosto estava mais bonito, sua pele mais branca e fria, seu cheiro ardia nas minhas narinas, mas, ainda assim, ela era a Bells que eu amava tanto. Eu podia lidar agora com o fato de que Edward havia mudado aos meus olhos, eu o via diferente desde que ele havia se mostrado disposto a morrer através de mim caso acontecesse algo com a Bella. Naquele dia, eu pensei que talvez ele a amasse de verdade.

Eu podia lidar com tudo isso agora, principalmente, por causa da garota loira ao meu lado. Eu podia lidar com tudo, com qualquer coisa desde que eu pudesse ter esses momentos ao lado dela. No final das contas, eu estava feliz com tudo o que acontecera. Se existe mesmo o tal destino, estava escrito que as coisas seriam assim, que Edward e Bella deveriam ficar juntos e que eu amaria a filha deles com toda a minha alma.

O vento balançava o cabelo de Nessie. Suas mechas ondulavam no ar e eu achei que havia chegado a hora de contar para ela tudo aquilo que eu sentira desde aquele primeiro dia em que a vi.

- Nessie....

Ela me olhou intrigada e eu deixei as palavras saírem, uma a uma. Eu falei, finalmente, que a amava e ela me beijou. Seus lábios eram mais frios que os meus, mas sua pele era macia e seu coração batia forte. Na maior parte do tempo eu até esquecia que ela era meio vampira. Eu estava tão feliz em finalmente poder mostrar meu desejo por ela que me empolguei demais. Quando ela disse que mal conseguia respirar eu me senti muito culpado. Nossa, quanto tempo havíamos ficado lá?Tipo uns dez minutos? Não, acho que foram uns quinze, sei lá...eu precisava me conter.

Eu contei a ela tudo sobre a impressão porque eu queria que ela entendesse e porque eu não queria deixar nenhuma dúvida do quanto eu a amava e do quanto ela representava pra mim. Depois ela perguntou se eu havia me interessado por alguém naquele tempo todo e eu disse que não porque era verdade. Será que ela ainda não tinha entendido sobre a intensidade dos meus sentimentos? Ela voltou a perguntar, de outra maneira agora e eu, novamente, falei que não calmamente. Ela com certeza não havia entendido que eu só via seu rosto e o de mais ninguém.

- Jake, você ficou alguém durante esse tempo?

Era a terceira pergunta do tipo e só então eu percebi que até aquele momento eu estava falando de sentimentos, de amor, de um relacionamento sério. Eu não tinha percebido que uma coisa poderia não ter haver com outra. A terceira pergunta me fez repentinamente pensar em Leah. Eu nunca havia amado ela, mas, de fato, nós estivemos juntos por duas vezes. Nada sentimental demais, nada por amor romântico, tudo por causa da maldita dor, por uma questão física. O que acontecera entre nós era talvez porque nos entendíamos e porque éramos confidentes de nossa dor, éramos ligados como dois membros de uma matilha seriam. Compartilhávamos nossos pensamentos, nossos sentimentos, nosso instinto e tínhamos uma amizade cúmplice. Conhecíamos nossos defeitos, conhecíamos nossos corpos, nossos erros e também nossa raiva e nossa preocupação mútua e exagerada.

Eu me arrependia de ter tido algo com ela, eu, realmente, me arrependia, mas não por ela ou por mim, mas por Renesmee. Eu não conseguia evitar me sentir culpado, eu sentia que havia traído ela e mesmo racionalmente sabendo que era besteira, eu não conseguia evitar de me sentir mal com tudo aquilo.

Renesmee agora sorria para mim e quando ela começou a falar achei que ela entenderia se eu contasse tudo. Pensei na primeira vez em que eu e Leah nos beijamos e achei que eu precisava contar isso a Renesmee. Quando ela me tocou, no entanto, seus olhos ficaram parados e duros. Ela não piscava e olhando para ela, me lembrei de Alice, a fisionomia me lembrava Alice quando estava tendo uma visão. Quando ela voltou a falar eu não conseguia entender o que tinha acontecido.

- Meu Deus....a Leah...você....

Eu a olhei chocado.

- Do que você ta falando? – perguntei com medo da resposta

- Vocês se beijaram.... – ela disse levantando da pedra e se afastando com raiva

- Escuta...

- Não, não...

- Me escuta Renesmee, não foi algo amoroso ou algo assim, nós estávamos muito mal...

- E se consolaram...tudo bem, tudo bem...eu posso lidar com isso, mas me deixa pensar...

Ela virou de costas e andou com pressa. Como ela podia saber disso? E pior, como ela podia parecer não saber disso há um minuto atrás e agora falar sobre Leah e eu?

- Como você sabe? O que aconteceu? – perguntei desnorteado com a situação

- Nada...

- Nessie, olha pra mim. Se você sabe, então, vamos logo conversar sobre isso...

Eu a virei, mas seus olhos logo ficaram do mesmo jeito. Eu estava preocupado e confuso, ela estava tendo visões? Visões como Alice, mas que mostravam o passado ao invés do futuro?

Segundos depois ela balançou a cabeça muito rápido e bateu com o pé no chão. Quando ela me encarou, eu estava impaciente.

- Que houve agora ?

Ela novamente andou para longe de mim, havia um vulto de indignação em seus olhos.

- Quanto tempo eu fiquei parada? – ela perguntou olhando ao redor

- Acho que uns cinco segundos...quê que você tem?

- Jake, me deixa...deixa eu ir.

- Eu deixo o que você quiser, mas me explica o quê que ta acontecendo...

Minha cabeça girava. Eu lembrava de Leah, do que acontecera, pensava em minha culpa, em meu arrependimento, pensava em como aquilo tudo podia ter haver com a reação desesperada de Renesmee, mas tudo ainda estava muito nebuloso. Eu não pude conter o impulso de tocar em Nessie. Segurei seu braço para tentar puxá-la para um abraço, para aquietar o que a deixava nervosa, mas logo seus olhos estavam longe do mesmo jeito, como se ela não estivesse mais ali.

Eu continuei segurando seu braço, mas o corpo dela estava rígido e tenso. Só podia ser isso, meu devaneio estava certo. Ela estava tendo visões do passado e naquele exato momento talvez estivesse vendo algo que não deveria ver. Que ótimo, já seria difícil contar para ela e agora...ela podia ver! Eu a segurei com as duas mãos e a balancei tentando tirá-la do transe. Ela fechou os olhos com força e quando abriu ela estava com nojo de mim, eu tinha certeza disso. Ela estava com nojo e tudo o que eu queria era poder consertar isso, mas era impossível.

Eu a segui pela floresta com medo de que ela voltasse a ter alguma visão sobre o que acontecera entre eu e Leah. Por que afinal ela tava vendo aquilo? Talvez fosse melhor eu não ficar muito perto dela, será que se ela olhasse para mim ela teria isso novamente? Esperei ela entrar em casa, para voltar a La Push. Acho que o ideal teria sido dar espaço a ela, mas eu não conseguia, eu ficava nervoso, eu não podia virar as costas para ela! Não com ela com tanta repulsa por mim, não com ela tão mal por minha causa! Ela estava com raiva de mim e eu também estava me odiando naquele momento. Eu não era um lobo alpha, eu parecia mais um cão burro que só sabia fazer merda. Talvez Rosalie estivesse certa, eu era apenas um cachorro fedido e retardado.

PARTE 9 – RENESMEE

Nahuel ficou até muito tarde em nossa casa. Em nenhum momento ele perguntou sobre o que acontecera. Ele era experiente e maduro o suficiente para saber que eu precisava ficar quieta com meus pensamentos e que eu o procuraria se precisasse desabafar. Ele e Jacob eram tão diferentes que me dava aflição. Por que eu não podia ficar com metade de cada um? Que vida injusta...

Vimos dois filmes de comédia que me fizeram rir. Nahuel também ajudou a me fazer esquecer as cenas que eu tinha visto. Como eu provavelmente já falei, ele me trazia uma calma e uma paz de espírito que funcionava como um calmante ou algo assim. Quando ele foi embora, eu fui até o escritório de Carlisle.

- Entra... – ele falou antes que eu batesse em sua porta.

Entrei e me sentei na frente dele observando os quadros antigos que cercavam a sala. Carlisle era muito mais que meu avô, ele era a pessoa para qual eu podia contar qualquer coisa sem me sentir envergonhada ou culpada. Ele era uma espécie de psicólogo ou algo assim.

- Oi vô, podemos conversar?

Ele sorriu.

- Adoro quando você me chama assim

Eu sorri também.

- Acho que minha mania de chamar vocês pelo que são pra mim está voltando, eu tenho que tomar cuidado com isso.

- É, mas não se preocupe com isso agora. O quê que ta incomodando você?

- Eu...eu to vendo algumas coisas estranhas.

- Algumas coisas estranhas?

- É...

- Que tipo de coisas?

- Eu sempre tive umas visões estranhas, mas elas aconteciam com intervalos de vários anos. Há poucos dias eu tive duas visões no mesmo dia e hoje, hoje eu voltei a ter, mas tive três.

- Que tipo de visões?

- Eu receio que sejam memórias.

Ele me olhou como um médico olha para uma paciente.

- Me parece que você esta descobrindo um novo poder seu, Renesmee...

- Aconteceu, acho que em todas às vezes, quando encostei na pessoa.

- Isso faz sentido.

- Eu posso controlar isso?

- Provavelmente, mas não agora, só com o tempo você vai poder escolher que tipo de memória você vai ver. Não saber lidar com o próprio poder é muito comum, não fique nervosa. Não se preocupe, eu vou tentar ajudar você. Vou pesquisar, ver se algum vampiro já teve isso – ele parou por um instante - na verdade, um dos Volturi parece ter um poder semelhante ao seu, vou entrar em contato com ele...

- Que legal, meu quase assassino me ajudando...

- Não se preocupe. Vai dar tudo certo. Vá descansar agora, você está com um rosto cansado.

- É, acho que sim... – disse bocejando – eu tenho dormido bem menos do que cinco horas nos últimos dias... Boa noite

- Boa noite querida...

Deitei na cama, mas não consegui dormir de imediato. Lembrei da visão em que eu era pequena e estava com os joelhos sangrando. Aquela era uma memória de Jacob, talvez ele a tivesse tido porque eu fiquei perto demais do penhasco. Eu podia entender, ele não queria que eu me machucasse. Depois me lembrei de Alana, o velho que eu vira poderia ser Sam morrendo? Pensei bem. Provavelmente era. Ela sentia falta do avô, era compreensível. Depois lembrei das memórias que ainda me deixavam com raiva. Mas, afinal, por que ele estava comigo e pensava nela? Fiquei com raiva de novo. Podia ter sido minhas perguntas, mas podia ser porque no fundo ele sentia algo mais por ela. Depois de pensar nisso briguei comigo mesma e me forcei a dormir. Eu precisava descansar e não seria uma loba mal humorada que ia tirar meu sono.

No dia seguinte eu estava mais calma. Fui até o quarto da minha mãe e deitei na cama dela. Ela nem precisava daquilo, mas ela gostava de deitar ali para pensar, para preservar uma parte humana dela ou sei lá porquê. Bella apareceu e sorriu. Ela sentou ao meu lado e ficou mexendo no meu cabelo. Lembrei de quando eu ainda era bem pequena, eu adorava quando ela mexia no meu cabelo. Ficamos em silêncio durante muito tempo, mas depois conversamos sobre Forks e ela me contou sobre os amigos que tivera ali e sobre como ela descobriu que meu pai era vampiro. Contou também do quanto era apaixonada por ele. Seus olhos eram tão doces quando ela falava dele... Era lindo, uma historia de romance proibida, perigosa e com um "happy end".

Olhei ao redor vendo tudo o que havia ali dentro que mostrava a historia deles dois. Olhei para o closet dela e de Edward e fiquei espantada com a quantidade de coisas que estavam no chão. Lá dentro estava tudo uma bagunça, ela ainda não havia arrumado aquilo. Meu pai já tinha ajeitado todos os vinis, cd´s, músicas do ipod e equipamentos mais modernos e ela ainda nem tinha ajeitado a parte dela.

- Nossa, mãe! – disse rindo - Ás vezes parece até que você não usa a noite e a madrugada para fazer algo produtivo.

Ela riu.

- Eu sou uma péssima vampira e, na verdade, só de pensar em organizar as coisas, mais uma vez....já fico desanimada.

Eu resolvi ajudá-la com aquilo, fazia tempo que não fazíamos algo juntas além de caçar. Ela adorou minha disposição. Mesmo tendo mania de organização, ela tinha mais tralha do que qualquer um naquela casa e olha que ela era a mais nova depois de mim!

Abrimos várias caixas e ela achou as fotos que havia tirado no colégio. Vi Jessica, Mike, Ben, Angela, Tyler e várias outras pessoas. Depois vi uma foto de Charlie e outra dela e de Edward. Nossa...e pensar que ela era humana e confiava plenamente em meu pai, um vampiro que podia matá-la num estalar de dedos!

Ela estava montando um álbum com as fotos que havíamos acabado de achar quando eu vi um saquinho de pano no fundo de uma das caixas. Peguei e abri curiosa. Para minha surpresa, era uma pulseira que tinha um pequeno lobo de madeira de um lado e um coração de brilhante do outro.

- Nossa! Que lindo!

Ela virou para mim.

- Onde achou isso, Renesmee?

- Dentro desta caixa, nesse saquinho.

Ela sentou ao meu lado e pegou a pulseira.

- Eu estava procurando isso há algum tempo, não sabia onde tinha botado.

- É lindo.

Ela rolou o coração entre os dedos depois olhou o lobo de madeira mais de perto.

- É mesmo, não é? Que bom que não perdi.

Ela pegou a pulseira e botou no meu braço.

- Use. Vai ficar lindo em você.

- Sério? Está me dando?

- Claro, filha...

Ela botou a pulseira em mim e sorriu.

- Foi Jacob que me deu. Ele mesmo fez o lobo. Depois seu pai me deu o coração. Engraçado como os dois pingentes contrastam, são de materiais e origens diferentes, mas ficam bonitos na mesma pulseira, não?

- É – eu disse rodando o pulso e observando os pingentes balançarem.

Duas coisas que contrastam, mas são bonitas e maravilhosas...hum...minha cabeça já fazia metáforas com um certo meio vampiro e um lobo...

Continuamos desempacotando as caixas e arrumando a bagunça. Faltavam apenas umas quatro quando a campainha tocou.

Alice gritou avisando que era Nahuel e eu olhei para Bella com um pedido nos olhos.

- Pode ir, Renesmee. Depois eu termino isso sozinha...

- Com certeza depois.... – disse meu pai aparecendo de repente atrás dela e lhe dando um beijo no rosto.

Ela riu e acariciou a lateral do rosto dele. Os dois olharam sorrindo para mim. Eu devia tirar uma foto daquilo, eles eram tão lindos juntos!

- A senhora vai dar atenção neste exato momento para o seu marido, não é mesmo senhora Cullen? –Edward falou enquanto abraçava a cintura dela.

- Claro que sim – ela disse beijando-o com carinho.

- Bom, hum...tô indo, tchau pra vocês... – eu disse

Saí de fininho do quarto, eu nem queria saber o que aqueles dois iam fazer.

- Se comporta! – gritou Edward enquanto eu já descia as escadas.

- Pode deixar! – gritei de volta.

Eu e Bella não conseguimos terminar de arrumar as coisas, mas já estava bem melhor. Havia sido legal organizar toda a tralha, havíamos ficado juntas conversando e eu ainda tinha ganhado um presente!

Nahuel estava na sala segurando flores para mim e eu corri para pegá-las. Eu adorava as gentilezas dele! Botei as flores em um vaso enquanto Rosalie dava um cutucão em Emmet. Talvez ela estivesse insinuando que ele devia ser mais romântico, mas, sei lá, Emmet era tão engraçado e fantástico em seu jeito fortinho e meio troglodita de ser, que, sinceramente, ele não precisava daquilo. Nem combinava muito com ele.

Eu e Nahuel saímos para almoçar. Fazia muito tempo que eu não comia fora como uma pessoa normal. Eu gostava de sangue, mas uma carne mal passada também ia muitoooo bem.

Passamos o dia passeando por Forks e conversando sobre a vida dele em Las Vegas. Ele adorava os cassinos e a vida noturna da cidade, mas não sabia ao certo se queria ficar lá. Ele dizia que aquele lugar era bom para passear, não para morar. Eu falei que ele deveria ficar em Forks, mas ele disse que ainda precisava pensar no assunto. Era compreensível, ele teria que vir sozinho porque todos os outros amavam Vegas. Depois de tantos anos, deve ser mesmo complicado ficar longe da família. Eu acho que eu não conseguiria.

Depois de vários assuntos, pedi para que ele me contasse ( e já não era a primeira vez) sobre o dia em que a simples presença dele em Forks salvara minha vida. Era engraçado pensar que eu estivera prestes a morrer, parecia tão surreal agora que minha vida andava estabilizada e quase normal... Ouvir o que acontecera me deixava feliz. Por mais que tenha sido um tempo difícil e perigoso, era muito bom saber que a minha família me amava tanto. Aquela ocasião foi a maior prova disso. Também era bom ter consciência de que eu amava muito uma pessoa que tinha ido até Forks só para salvar uma menina que ele mal conhecia.

Eu sorri para Nahuel. O coração dele era bondoso e gentil. Eu tinha sorte em tê-lo por perto. Ele era o cavalheiro de contos de fadas que toda garota gostaria de conhecer. Cheio de aventuras, de histórias fantásticas, cheio de carinho para oferecer e tão misterioso...

Entramos em uma galeria cheia de lojas de todo o tipo, um mercadão. Enfim...não sei descrever, era um lugar onde você entrava em uma loja de sapatos que fica entre uma loja de peças de banheiro e uma padaria e acaba saindo em outra loja de brinquedos, uma confusão. Pelo menos lá, tudo era mais barato.

Passeamos por ali observando as pessoas. Nós gostávamos de ver a maneira como elas agiam, era muito interessante poder ver o quanto eram compenetrada em suas tarefas, em sua vida mortal e desprovida de qualquer noção sobre a existência de vampiros.

Compramos pirulitos que tinham hélices e passeamos brincando de assoprar o brinquedinho. Eu desmontei o meu logo na terceira vez que assoprei, ele conseguia fazer o ar sair mais leve. Rimos de mim, era provável que ele fosse mais delicado do que eu.

Eu olhava para frente observando a pequena multidão se locomover quando vi dois garotos enormes e morenos andando na minha direção. A cabeça deles ficava acima das outras, era quase hilário. Desviei os olhos para continuar observando Nahuel assoprando a hélice. Eu sabia bem quem eram aqueles dois: Seth e Jacob.

- Nessie! – chamou Seth com sua habitual animação.

Eu fingi surpresa, não queria que parecesse que eu o estava evitando porque não era ele que eu evitava.

- Oi, Seth! Tudo bem?

- Tudo bem. – ele disse enquanto limpava a camisa. Havia farelos de biscoito até em seu cabelo. Ele sorriu e desviou o olhar para Nahuel.

- Oi, cara...e aí?

- Oi, tudo bem – Nahuel disse estendendo a mão – Bastante tempo desde a última vez, huh?

- É mesmo, bom, seja bem vindo. De novo...

Nahuel encarou Jacob e esticou a mão. Ele era gentil e educado, mas fiquei pensando se ele faria esse gesto se soubesse que eu tinha beijado Jacob duas vezes.

- Você continua o mesmo, talvez um pouco mais forte... – disse Nahuel enquanto Jacob apertava sua mão.

- Você também, mas obviamente não estou surpreso. Você está com, sei lá, dois séculos de idade?

Nahuel riu. Eu, nem um pouco.

- Mais ou menos isso...- ele respondeu.

Eu enlacei meu braço no de Nahuel segurando-o com força. Jacob lançou um olhar rápido para meu movimento, depois olhou para a pulseira em meu pulso e só então novamente para Nahuel.

- Eu os chamaria para nos acompanhar e assim desfrutar da presença de vocês, mas estamos indo comprar umas peças de carro, nada muito divertido...

- Não se preocupe, fica pra próxima – disse Nahuel enquanto eu já o puxava dizendo que precisávamos ir.

Idiota. Jacob idiota. - Pensei no mesmo instante que saíamos dali.

"Desfrutar da presença de vocês"? Que porra era aquela? Não tinha NADA haver com ele aquela frasezinha ridícula e nada sincera.

Nahuel pareceu perceber que eu estava irritada. Provavelmente porque eu estava animada antes dos dois lobos aparecerem. Andamos em silêncio e depois sentamos em um banco. Nay me abraçou com carinho e depois me olhou nos olhos:

- Você está com algum problema, Nessie?

- Não, Nay...tá tudo bem...

- Mesmo?

Eu suspirei

- Jacob...não sei, acho que eu to meio irritada porque muita coisa aconteceu, acho que a gente se perdeu um do outro durante esses anos. Ele sempre foi meu melhor amigo e agora...

Ele me olhou pensativo.

- Vai ficar tudo bem, vocês só precisam de tempo.

- É...- eu disse abraçando-o novamente –talvez...

Ele passou o dedo pela pele do meu braço fazendo movimentos circulares. Fazia cócegas e eu o abracei ainda mais, rindo como uma criança sapeca. Ele riu também.

- Ei, acho que está na hora de levar você pra casa. – ele disse no meu ouvido

Larguei o pescoço dele e fingi uma cara emburrada cruzando os braços.

- Por que?

- Bom...seus pais....

Eu botei o dedo indicador na boca dele e ele deu um beijo carinhoso na ponta do meu dedo.

- Por que a gente não vai pro seu quarto? - propus

Ele sorriu um pouco surpreso.

- Quem é esta nova você? Fazendo propostas indecentes agora, é?

- Indecente...palavra que significa imoral, pode representar algo ridículo ou vulgar...hum, acho que minha proposta não é indecente não...

- Ah não, então o que é? – os lábios dele se abriram em um sorriso fino e irresistível.

- Provocação...

- Seu pai vai querer me matar...

- Ah, como se ele não fosse querer fazer isso com qualquer um que eu namorasse.

- Não é certo, né? Ele tão gentil e eu raptando a filha dele...

- Mas a filha quer ser raptada! – exclamei – e só por algumas horinhas....

- Ai ai...minha reputação de bom moço....

- Vamos Nay.....por favor....

Ele coçou o queixo, desviou os olhos e voltou a me encarar.

- "A reputação é um apêndice ocioso e enganador, obtido muitas vezes sem merecimento e perdido sem nenhuma culpa."

- Shakespeare... – suspirei

Ele me beijou e eu o arrastei rua acima para um certo quarto de hotel.

PARTE 10 - JACOB

Naquela madrugada em que Renesmee havia ficado puta comigo um vampiro apareceu perto de Forks e deu muito trabalho para a alcatéia. Royce o matou, mas foi Alana quem conseguiu criar a emboscada para ele. Eu estava triste, na verdade, arrasado, eu só pensava nas poucas horas atrás em que Renesmee havia ficado muito mal por minha causa. Mal participei da perseguição ao vampiro, mal prestei atenção no que estava acontecendo. Alana trouxe a cabeça do sanguessuga e a jogou na minha frente. Seu corpo de lobo estava eufórico, seu rabo balançava como um cachorrinho que está gostando da brincadeira. Eu lhe dei os parabéns pela evolução, mas eu não estava com muita cabeça para pensar muita coisa. Ela virou-se indignada com a minha falta de apoio e, novamente, tive raiva de mim. As coisas não podiam ser mais fáceis, não? Tipo...só de vez em quando alguém poderia me entender? Só pra variar? Alana estava puta, Leah achava que Renesmee não me merecia, Renesmee devia achar que eu é que não a merecia e eu queria dar uma dentada em mim mesmo. Virei tentando alcançar meu próprio rabo, mas desisti de me machucar, não ia adiantar muita coisa.

No dia seguinte acordei com Seth pulando em cima de mim. Abri os olhos assustado e quase dei um soco na cara dele.

- Que merda, Seth! Quê que foi agora?

- Você não vai acreditar!

- Não vou acreditar no quê? – eu disse puxando o travesseiro e enfiando minha cara nele.

- Eu tive a impressão, finalmente Jacob, eu tive!

Eu sentei na mesma hora.

- Nossa Seth...uau, isso é...incrível! Como foi que aconteceu?

- Eu estou trabalhando em uma ONG, você sabe né? Pra preservar as florestas daqui e salvar as árvores mais antigas que estão...

- E essa papagaiada toda....quê que tem?

Ele me criticou com os olhos.

- Eu sei que isso é importante pra todos os seres do planeta e tudo, mas não dá pra você falar logo, Seth?Quer me matar de curiosidade?

- Então...eu estava numa das reuniões, foi numa cidade próxima, enfim, e aí uma bióloga que vai trabalhar com a gente apareceu e taran! Tive a impressão!

- Nossa...

Os olhos de Seth brilhavam.

- Ela é tão inteligente Jacob, você não pode nem imaginar nas coisas maravilhosas que ela fala e faz. Ela tem um cabelo loiro comprido e uma ruguinha linda na testa que aparece sempre que ela fica nervosa ou quando ela está muito séria e ....

- Peraí, ruguinha?

Ele passou a mão no cabelo.

- É, bem...ela tem...hum...trinta e sete anos.

- Trinta e sete?

- É...qual o problema? Eu tenho quase cem!

- Sim, mas você tem cara de...sei lá, vinte?

- Ah, Jacob, ta de preconceito agora? A Renesmee tinha acabado de sair da barriga quando você teve a sua com ela.

- Seth, não é preconceito, é só que....bom, ela vai continuar envelhecendo, então, acho que você vai ter que pensar em fazer o mesmo, não?

Ele ficou sério.

- Não tinha pensado nisso.

- Pois é...

Seth levantou.

- Acho que é melhor eu pensar um pouco nisso...e, bom, também não sei se ela vai me querer, né? Depois a gente conversa sobre isso...levanta e toma um banho porque você ta com uma cara horrível.

- Valeu....

Deitei de novo. Eu tinha que trabalhar num carro de um cara naquele dia, mas eu não tinha vontade de levantar da cama. Além de tudo, mais essa. Eu estava feliz por Seth, mas eu sabia que aquilo significava que ele ia sair da alcatéia para envelhecer com a tal da bióloga. Rolei na cama chutando o lençol para longe. Será que se eu ficasse ali esparramado no colchão as coisas poderiam simplesmente melhorar e ficarem perfeitas quando eu saísse de casa? Não...óbvio que não, por isso, levantei e fui tomar banho.

Quando saí do banheiro Seth ainda estava na minha casa.

- Ei, quê que você ta fazendo? – perguntei enquanto ainda me secava.

- Pow, a Leah acabou com os biscoitos lá de casa e esses aqui tão como uma cara tão boa... – ele disse pegando alguns e enfiando na boca

Tirei o pote de biscoito da mão dele e dei um soco em seu ombro.

- Meus biscoitos!

Ele riu.

- Só mais um....

- Se você for me ajudar a comprar umas parada pro carro que eu tenho que fazer hoje eu te dou todos eles.

- Tranquilo... – ele disse pegando o pote de volta.

Saímos pra comprar todas as paradas, mas entes de chegar na loja, olha que legal...só para animar mais ainda meu dia, encontrei Renesmee e o namoradinho engomadinho dela. Grrr....raiva! O pior de tudo era que ela usava a pulseira que eu dera para Bella. Usava a pulseira e ainda ficava agarradinha com outro? Só podia ser sina, meu Deus! Será que seria eu e mais um, sempre?

Ela estava emburrada comigo, claro, como não estaria? Eu era a pessoa com mais azar de La Push, ou melhor, do país! Eu tinha certeza que acontecesse o que acontecesse eu ia continuar deixando as pessoas putas comigo sem querer...eu era mestre nisso. Tudo bem, eu exagerava às vezes, eu não podia conter minhas emoções e mal meus pensamentos, mas será que eu merecia tudo isso? Senti saudade do meu pai, ele seria um grande apoio naquele momento, ele diria a coisa certa na hora certa.

Seth brigou comigo quando nos afastamos do casal-de-bracinhos-dados.

Aeeee!Eu tava conseguindo, isso aí...tava me superando em criar falta de compreensão nos outros.

- Você podia manerar né, Jacob... – o cara não fez nada.

- Me deixa Seth, eu nem tentei matar ele ok? Falar não arranca pedaço...

- Você ta distorcendo o ditado.

- Ah, vai se fuder Seth....

Ele pulou no meu pescoço tentando me enforcar.

- Vai você primeiro seu viadinho... – ele rebateu enquanto as pessoas olhavam assustadas

- Olha que eu vou quebrar você, hein...

- Briga! – gritou uma mulher apavorada.

Seth me deu um soco forte e eu revidei. Brincamos de nos quebrar até juntar várias pessoas ao nosso redor. Eu dei uma rasteira nele e ele caiu fingindo que estava todo quebrado, não que não estivesse um pouco.

- E nunca mais se meta com a mulher dos outros- gritei.

Eu sai por um lado. Ele levantou dizendo que estava bem e saiu pelo outro. Nos encontramos no final do quarteirão, devidamente cicatrizados.

Ele abraçou meus ombros e andamos nos apoiando um no outro.

- Eu adoro fazer isso.

- Eu também...- respondi rindo também.

- Viu a cara da velhinha? Até fiquei com pena!

- Você adora fazer showzinho...a propósito, muito bom seu soco, hein! Quase que acaba com meu maxilar.

Seth sorriu e eu fingi que botava minha boca no lugar.

- Seu retardado...adoro você, parceiro. – ele disse me dando um soquinho

- Eu também, mas desde que você não roube meus biscoitos...

Fizemos as compras que devíamos fazer e voltamos para casa. Ele estava louco para pegar o carro e ir ver a bióloga dele e eu para ir logo trabalhar e espairecer.

Trabalhei a tarde toda no carro que deveria ser entregue em dois dias, era um Galaxie 83 preto. De noite, fui até a casa de Renesmee. Eu tava mal, precisava tentar conversar com ela. Bella me disse que a filha tinha ido caçar com Emmet, Rosalie e Nahuel. Que família feliz! Nossa, os dois casaizinhos deviam estar se divertindo muito destroçando animais. Romântico. Voltei para casa puto da vida. Durante, pelo menos um ou dois dias eles não voltariam, eu sabia que eles iam longe para caçar.

Decidi me concentrar no trabalho e nada mais e consegui entregar o Galaxie no prazo certo, impecável. Levei ele até a casa do dono, numa cidade vizinha e quando voltei para La Push, um homem, velho conhecido, tinha levado um Porshe 911 turbo branco para eu dar uma olhada. O cara era um colecionador, tinha vários carros antigos, fazia exposições com eles e tudo mais, sempre levava para eu dar uma olhada neles. O Porshe tava fazendo um barulhinho estranho, então eu precisava dar uma olhada nele, conversar, perguntar o que ele tinha, porque tava daquele jeito, enfim... bater um papo com algo que me entendesse. Pelo menos com os carros eu me entendia.

No mesmo dia eu comecei a trabalhar nele, aquilo era como uma terapia para mim. Já havia passado de duas horas da tarde e eu nem tinha almoçado ainda, mesmo assim eu continuei examinando o carro até descobrir o problema e comecei a consertá-lo. Eu estava debaixo dele quando ouvi um barulho na porta da garagem. Eu tinha certeza que era barulho de sandália arrastando no chão. Eu devia ter farejado melhor, mas eu não esperava quem era.

- Ainda bem que você ta aqui, Leah, porque vou pedir pra você não roubar mais os biscoitos do Seth. Hoje foi a segunda vez que cheguei em casa e os biscoitos tinham desaparecido e você sabe que...

- Não é a Leah – a voz soou quase rude

- Ai! – exclamei – eu tinha acabado de bater com a cabeça na lataria do carro.

Olhei para o lado e vi uma calça jeans com pés branquinhos em uma sandália rasteira. Não era a Leah... legal, era a pessoa que odiava ela e eu tinha acabado de chamá-la pelo nome da outra. Nossa, meu azar só tinha me dado alguns dias de descanso. Maravilha...

Saí da onde estava e peguei um pano em cima de uma pia onde eu normalmente lavava a mão.

- Oi, Nessie....

- Oi – ela respondeu sem descruzar os braços.

Eu apertei o pano contra o machucado na cabeça meio envergonhado e irritado. Eu estava só de calça, sujo de graxa e, ainda por cima, sangrando. Que ótima maneira de encontrar a garota que você gosta e que, além disso, tem um namorado limpinho e cheirando a loção cara. Placar final do embate lobo versus meio vampiro: Nahuel 1000 pontos, Jacob zero.

- Tá tudo bem? – ela perguntou segurando minha mão e olhando meu ferimento.

- Claro, já deve estar cicatrizando.

- É, ta sim...

Eu me afastei dela porque não queria que ela se sujasse, também não queria que ela percebesse que eu tinha vontade de beijá-la. Ela estava com os cabelos molhados e o cheiro dela se misturava com o de roupa limpa e shampoo. Eu estava feliz dela estar ali, mas surpreso e sem jeito. Era a segunda vez que ela aparecia em La Push sem que eu esperasse que ela fosse fazer isso tão cedo.

- E aí...o que trouxe você pra cá? – perguntei ainda de costas.

Ela suspirou.

- Não sei, acho que não queria, digo, não quero que as coisas fiquem ruins entre a gente.

- Hum...sei...

- Você ta bravo comigo? Por que não me olha?

Eu desvirei meio impaciente, odiava situações como aquela. Odiava situações em que eu não sabia ao certo o que falar.

- Não. Tô mal com a vida, é só isso. Tô me lamuriando como a Leah, só isso.

Abaixei o rosto e esfreguei as mãos sujas no pano. Merda, já tava eu falando da outra de novo, eu tinha que aprender a calar a boca.

- Ah... – ela disse, também não tava olhando pra mim

Eu joguei o pano na pia.

- Que bom que você veio, não quero que a gente fique de mal um com o outro. – voltei a falar

Ela enrolou o cabelo com o dedo olhando pensativa para mim.

- Eu também não – ela respondeu.

- Ótimo. Estamos bem, então...

- Claro, não temos motivo pra ficar mal né...eu tenho namorado, você tem um caso com a Leah...tamos quites.

- Eu não tenho um caso com a Leah – rebati.

- Bom, acho que isso não me importa muito, não tenho nada haver com a sua vida.

Eu sorri e olhei para o carro. Minha vontade, sinceramente, era de chorar. Não tinha haver???? Ela só era o motivo por eu não querer envelhecer, por eu ainda viver, só isso...simples, não? É...não tinha naaaaada haver, valeu.

- Eu quero que você tenha haver com a minha vida – respondi.

Ela ficou me olhando, abriu a boca, mas logo fechou.

- Fala...

- Não.

- Fala Nessie...

- Não tenho nada pra falar.

- Fala, poxa...

- Você é muito curioso!

- E você é muito chata.

- Não sou não, você que é... – ela disse já ficando irritada

- Não mesmo. - rebati

- Você é chato e ciumento e infantil. Ficou de cara feia pro Nahuel e agora ta estúpido comigo.

- Eu não to estúpido com você...

- Ah não, desculpa pelo erro, você É estúpido.

- Não fala besteira.

- Ciumento!

- Maluca!

Ela andou até mim e me empurrou. Eu mal me mexi.

- Você ta com ciúmes dele!

- E você tem ciúmes da Leah!

-Não tenho não!

- Tem sim!

- Não tenho ciúmes dela.

- Não? Então porque ficou tão afetada ao saber sobre eu e ela? Hein?

- Eu não fiquei afetada.

- Claro que não, foi ilusão de ótica minha...

- Você é que tem do Nahuel!

- Tenho! Mas pelo menos eu admito, não é?

Ela me encarou com raiva.

- Eu não devia ter vindo aqui.

- Pra falar besteira, realmente, não devia ter vindo.

Eu pensei que ela ia embora naquele momento, mas ela foi até perto da porta para pegar um banquinho que tinha ali. Ela voltou, subiu nele e botou o dedo na minha cara. Eu tive vontade de rir, mas evitei para ela não se sentir mal.

- Você é o homem mais irritante de toda a face da terra. – ela disse balançando o dedo de forma "muito ameaçadora".

- E você ama esse cara irritante – falei mesmo não tendo certeza disso.

Ela abaixou o dedo.

- Você, humpf....você não tem o direito de achar nada sobre mim ou sobre meus sentimentos!

- Desculpe senhorita, não queria irritá-la com meus devaneios.

- Não fala que nem uma mocinha!

- Você não gosta? Mas o seu querido Nay fala assim, não? O mocinho fino e meio vampiro, certinho e engomadinho...

- Para de falar dele!

- Então para de me repreender.

- Para de ser tão irritante!

- Para você de ser tão linda quando fica brava!

Ela ia rebater, mas só então percebeu o que tinha ouvido. Ela jogou os ombros para trás meio assustada, meio confusa e eu a beijei. Ela correspondeu imediatamente, para minha total surpresa. Sua boca beijou a minha com tanta vontade que eu abri os olhos por alguns segundos, impressionado com a força e a intensidade daquilo.

Eu sorri, pelo menos, mentalmente, era muito bom senti-la tão perto. Fechei os olhos novamente e aprofundei o beijo sem pensar em mais nada. Ela me agarrou com força e pulou do banquinho enquanto eu afundava as mãos em seus cabelos molhados e a sustentava entre meus braços. Ela deslizou os lábios pelo meu rosto e depois mordeu minha orelha e eu senti meus pêlos se eriçarem instantaneamente. Apertei seu corpo contra meu peito e segurei sua coxa e ela logo envolveu as pernas na minha cintura. Meu corpo ardia, eu já estaria morto se fosse uma pessoa normal. Ela escorregou um pouco, mas voltou a se segurar escalando o meu tórax. Eu tentava controlar a respiração, mas não conseguia. Meu coração parecia que ia sair quicando pelo chão. Ela mordeu meu lábio fazendo-o sangrar e eu a encostei no Porshe fazendo-a bater com força contra o vidro. Eu abri os olhos preocupado com ela.

- Nessie, ta tudo b...

- Cala a boca! – ela ordenou e eu, como um bom menino, obedeci.

Nessie só podia estar drogada ou algo assim, da onde vinha aquele fogo todo? Ela arranhou minhas costas enquanto eu andava com ela para a frente do carro. Eu a Fiz sentar no capô e quando ela deitou completamente, ele fez um barulho estranho. Mas....que se foda que pudesse amassar ou arranhar, eu dava um jeito nisso depois.

Ela me beijou loucamente e abriu o zíper da minha calça ainda deitada. Meu coração e outras coisas palpitavam fortemente, mas aquilo era loucura. Céus...era loucura de verdade. A segurei pelos ombros tentando respirar.

- Pelo visto, você que perdeu o fôlego agora... – ela disse maliciosamente

A blusa dela estava fora do lugar e dava para ver uma parte do sutiã. Que merda, ele era preto e rendado...

- Nessie, me escuta, não ta certo ok? Acho que não é uma boa idéia...

Ela sentou. O cabelo estava uma bagunça e muito sexy, assim como tudo nela, o cheiro, as bochechas rosadas, o sutiã...

- Por que? – ela botou o dedo na boca e fez beicinho.

- Não ta certo e para de fazer isso comigo – eu estava suplicante

Ela aproximou o rosto de mim e eu senti seu hálito quente fazer cócegas em meu rosto.

- Pensei que o certinho e engomadinho fosse outra pessoa.... – ela disse me olhando de um jeito injusto para alguém na minha condição.

Eu a puxei pela blusa e ela riu antes de me beijar. Ok...ela tinha vencido. Por que eu ainda tentava falar? Pra quê tentar argumentar? Bella nunca tinha escutado as coisas que eu falava, não ia ser a filha que ia me obedecer agora.

Gostaram? Safadinha essa menina....

Gente, preciso admitir pra vcs que meu namorado ta ficando com ciúmes. Nos últimos dias eu passei mais tempo com o computador do que com ele. Então, vou tentar escrever antes do carnaval terminar, mas não garanto.

Obrigada mais uma vez por tudo,

Misure