Bella
Essa foi uma das poucas noites onde minha presença na casa dos Cullens não resultou em uma discussão sobre minha transformação.
Foi um alívio. Não sabia até quando poderia esconder o fato de estar ciente de que a morfina não surtia efeito algum quando associada ao veneno. Edward tinha facilidade em ler as expressões em meu rosto.
O assunto da noite foi Irina. Porque quando chegamos, Carlisle estava ao telefone com Tanya. Alice, que estava sentada no banco do piano de Edward, mantinha sua expressão atipicamente fechada.
Alice se sentiu pessoalmente ofendida pela recusa de sua "prima" em comparecer a cerimônia. Ela estava tentando ver o futuro; talvez ver uma possível reaproximação antes do dia D. E ela não estava tendo sucesso. Não da forma que queria.
Irina ainda guardava rancor dos lobos, e possivelmente de mim também.
Eu era egoísta o suficiente para não me importar. O grande problema – para mim – seria se ela resolvesse comparecer. Eu já estava receosa o suficiente com o fato de ter vampiros estranhos e lobisomens juntos em um único ambiente.
Os Cullens haviam começado a separar tudo aquilo que não utilizavam mais, organizando os objetos em caixas para doação. Edward não tinha começado a mexer nas coisas dele, então insisti que fizéssemos agora.
- Deixa pra lá, Alice. – Edward disse a ela enquanto separava seus livros.
Ele guardava os livros no escritório de Carlisle e era lá que estávamos. Alice no acompanhou. Ela estava sentada no chão, com as pernas cruzadas – apenas nos observando e reclamando. Seu rosto se contorcendo delicadamente em desaprovação.
- É um insulto. – ela continuou – Depois de tudo que passamos juntos... você deveria estar chateado também.
- Ela pode fazer o que quiser. Eu não preciso dela aqui. – suas palavras carregavam ressentimento.
- Edward. – eu disse. Ele não precisava falar assim.
- Irina fez a escolha dela, Bella. E ela escolheu Laurent no lugar de nossa família – sua voz era seca - Alice está certa, é um insulto, mas o que podemos fazer?
Alice suspirou.
- Ainda bem Tanya e Kate não compartilham do mesmo sentimento que ela. Seria muito triste, especialmente para Carlisle se nossas famílias se afastassem.
- Eu não acho que isso vá acontecer – Edward afirmou.
- Talvez... Tanya deve estar se remoendo de curiosidade. – Alice comentou olhando para mim.
Eu corei e voltei meus olhos para os livros. Era doloroso fazer comparações entre uma jovem - e provavelmente bela - imortal e eu – e isso era algo que sempre acontecia quando o nome de Tanya era mencionado.
Sabia que tudo não passava de insegurança minha, mas constantemente me atormentava com a idéia de conhecê-la. Eu não estava ansiosa por essa parte.
Edward jogou mais alguns livros no chão. Ele os escolhia tão rápido que eu não fazia idéia qual sistema ele estava utilizando.
Eu não reconheci nenhum dos títulos ou autores.
- É isso. – ele disse a Alice.
- Eu pego as caixas. – ela disse desaparecendo e retornando alguns segundos depois. Com a mesma velocidade, ela colocou os livros na caixa de forma organizada e as selou com uma fita transparente.
- Okay... agora só falta separar as roupas, mas posso fazer isso amanhã. – ela olhou para mim – Deseja doar suas roupas também?
- E usar o que?
- Eu ficaria mais do que feliz em ajudar reformular seu guarda-roupa. Você está precisando.
- Oh... então não tem nada haver com doar e sim em brincar de Barbie comigo de novo. Legal.
Ela riu alto, mas o som permaneceu delicado como sempre.
- Em breve você deixará de resistir. Eu posso ver isso. – ela parecia certa do que dizia - Vou deixá-los sozinhos... e vou precisar do seu carro amanhã por toda a manhã, tudo bem?
- Claro.
- Te vejo amanhã, Bella. Pense com carinho em minha oferta. Eu adoro ir fazer compras com você.
Revirei meus olhos enquanto ela desaparecia. Não pude deixar de sorrir. O mal humor não tomava conta de Alice por muito tempo. Eu a amava tanto. Éramos tão diferentes e ainda assim nos dávamos tão bem.
Só percebi que Edward estava olhando para mim alguns segundos depois. Ele tinha um pequeno sorriso estampado no rosto. Aquele olhar sempre me fazia corar violentamente e meu coração pareceu querer sair do meu peito. Como ele podia ouvir tudo muito bem o pequeno sorriso aumentou junto com as batidas de meu coração- ainda me perguntava se ele era real ou apenas uma ilusão bem elaborada de minha mente. E, se ele era real, como uma criatura de tamanha perfeição pode se apaixonar por mim? Eu não entendia. Assim como todo o restante da cidade. Pensei sarcasticamente.
- Pode me dizer o que pensando, por favor? – ele perguntou, me colocando sentada em seu colo em um dos sofás. Seus braços envolveram minha cintura.
Ótimo.
- Só em como você é perfeito. O mesmo de sempre.
Ele pareceu ignorar minhas palavras. Seus olhos analisaram o meu rosto por um momento.
- Você parece feliz. – ele afirmou, mas puder ouvir a dúvida em sua voz.
- Isso é porque eu estou feliz. – disse honestamente.
E estava. Passava quase todos os meus dias – e noites – com ele. Não podia pedir por nada melhor do que isso. Seus rigorosos limites – com relação ao nosso contato físico – se expandiram. Não muito, mas o suficiente. Bom... suficiente para o momento. Imaginei se ele estava fazendo isso para se testar. Testar seu controle.
Para mim todo esse medo que ele sentia era desnecessário. Não existia ninguém nesse mundo com o mesmo nível de autocontrole que Edward. Ele não poderia me machucar. Nunca. Era ridículo até mesmo considerar esse fato.
Mas esse não era o caso agora. O conhecia bem e sabia exatamente para onde essa conversa estava indo. Ele ainda achava que eu deveria esperar um pouco mais. E eu tinha que ser compreensiva. Era difícil para ele aceitar.
Tinha distraí-lo. Entrar nesse assunto – de novo - não nos levaria a lugar algum e eu não gostava de vê-lo angustiado. Se ao menos existisse alguma forma de provar para ele que toda essa preocupação era desnecessária.
- Sabe o que me deixaria mais feliz ainda? – perguntei deixando meus dedos escorregarem de seu pescoço para seu ombro. Eu quase nunca pedia nada a ele e quando pedia, ele ficava claramente feliz em conceder, seja lá o que fosse.
- Eu gostaria muito de saber...
Funcionou. Um pouco.
A casa estava cheia de vampiros para que eu pudesse pedir o que realmente queria... e normalmente eu não pediria, apenas agiria. Então revirei minha cabeça em busca de algo relevante.
Eu não era boa em improvisar, mas lembrei de algo útil.
- Se você me contasse para onde vamos... depois... você sabe.
Era patético em como eu tinha dificuldades em dizer a palavra. Até mesmo pensar.
Essa era a segunda vez que tocava nesse assunto. Quase não perdi tempo pensando em onde passaríamos a noite, mas estaria mentindo se não admitisse – pelo menos para mim mesma – que estava um pouco... ansiosa.
Edward sacudiu a cabeça e sorriu um pouquinho.
- Isso não. Sinto muito.
- Nem mesmo uma dica? – insisti, mas não por curiosidade.
- Não. Mas, você pode me pedir qualquer outra coisa...
Fingi pensar um pouco.
- Você gostaria de ir a Seattle? Podemos comprar algumas coisas que seriam uteis para você. Como livros e talvez um laptop... você meio precisa de um.
- Eu já tenho um computador.
- Aquilo não é um computador, Bella.
- Acho que Charlie ficaria ofendido se eu trocasse o computador que ele me deu por um dos seus.
Ele franziu a testa, considerando minhas palavras.
- Viu? Melhor deixar as coisas como estão... por enquanto.
- Sim... mas é melhor que você supere essa aversão a presentes bem rápido. Uma vez minha esposa...
- Eu sei, eu sei.
Eu estava tentando distraí-lo e acabei sendo distraída.
O assunto foi evitado, o que era uma vitória. Ele – de todas as pessoas – deveria estar aproveitando cada segundo dessa época improvável. Edward era quem havia insistido com toda essa história de casamento. Era coisa dele.
Eu tinha outras coisas para me preocupar. Coisas que no momento não estavam ligadas a Edward. Não diretamente. E não coisas, por assim dizer, pessoas ou pessoa. Como o fato de meu melhor amigo que agora se encontrava "desaparecido".
Quando cheguei em casa naquela noite, Charlie estava ao telefone com Billy. Eles estavam discutindo. Como toda boa adolescente, me vi curiosa e sentei na sala tentando entender o motivo da desavença. Depois de ouvir as reclamações de meu pai por alguns minutos que fui entender.
Jacob havia fugido de casa. Palavras de Charlie.
Minha garganta de repente pareceu inchar e meu peito apertar.
Jacob não estava mais em casa.
Sabia que ele não tinha fugido no sentido literal da palavra. Sabia que fisicamente ele estava bem e que Billy provavelmente conhecia seu paradeiro – toda aquela comunicação silenciosa entre lobos provavelmente estava se mostrando útil.
Agora o ar também fugiu de meus pulmões. Eu consegui fazer com que sua própria casa se tornasse um lugar indesejável. Eu consegui expulsa-lo de seu próprio lar.
Naquela noite e em toda as outras, mantive a dor e a culpa em segredo. Não mencionei uma palavra sequer a Edward. Ele não precisava sofrer comigo.
Na manhã seguinte, um pouco depois de Charlie sair para o trabalho, recebi uma ligação de Seth para me parabenizar quando eu estava prestes a sair para comprar algumas coisas no mercado para Charlie.
- Hey, Bella! Meus parabéns.
- Obrigada, Seth.
- Desculpe por não ligar antes, eu tenho pegado mais rondas...
- Oh, não se preocupe. Tenho certeza que as coisas estão... um pouco mais complicadas do que antes.
- Mmm... Charlie te contou? – ele sabia como o assunto era delicado para mim.
- Sim. Você sabe onde ele está?
- Não exatamente, ele não sabe onde está. Sabemos que ele está... bem. Jake precisava de espaço e você sabe que isso é uma coisa difícil de se ter por aqui...
Estremeci e quando falei minha voz era baixa.
- Eu sinto muito, Seth. Eu sei que isso não significa muito, mas eu sinto.
- Ele sabia o que estava fazendo, Bella.
Fechei meus olhos e encostei a testa na parede tentando segurar as lágrimas sem sucesso. Não conseguia encontrar minha voz depois disso.
Alguns segundos se passaram antes dele continuar.
- Como vão os preparativos? Você deve estar ocupada. – ele perguntou, claramente tentando me distrair.
Eu respirei fundo tentando me acalmar.
- Alice está cuidando de tudo. Você vai estar lá?
Sabia que ele iria. Alice não consegue ver quase nada relacionado à cerimônia e a festa há alguns dias.
- Lógico. Por que não iria?
Por Jacob. Pensei.
- Você não vai ter problemas se aparecer? Com seus amigos...
- Relaxa, Bella. Os Cullens estão em bons lençois aqui... especialmente depois do que Carlisle fez por Jake.
Os Cullens estavam em bons lençois. Eu não.
- Posso te pedir uma coisa? Você pode dizer não. Vou entender.
- Manda.
- Posso te ligar... quero dizer, se você tiver notícias... eu posso...
- Eu te mantenho atualizada, não se preocupe.
Suspirei aliviada por saber que pelo menos ele não guardava ressentimentos.
- Obrigada, Seth. De verdade. Muito obrigada.
- Diz "oi" para Edward. Vou parar de te alugar agora, você deve ter uma milhão de coisas importantes para fazer.
- Aham, como ir ao mercado. Muito importante.
Ele riu despreocupado.
- Falo com você depois, Bella.
- Tchau, Seth.
Coloquei o telefone no gancho e respirei fundo.
Foi bom falar com ele. A angústia que sentia quando pensava em Jacob não diminuiu, pelo contrário, apenas aumentou. Ao menos agora tinha como saber como ele realmente estava. Não que isso fosse uma coisa boa. Mas parecia mais do que justo que eu sofresse com ele.
Culpa me tomou – de novo. Eu me policiava quando estava perto de Edward, então pensava em Jacob com menos frequencia agora. Nos raros momentos em que estava sozinha, deixava o remorso – por ter deixado a situação chegar ao ponto que chegou – e a dor – por ter ferido meu melhor amigo – tomar seu devido lugar dentro de mim.
O risco de me descontrolar era grande, então ignorei o sentimento de depressão e segui com meus planos. Estava chovendo muito – de novo – então peguei minhas chaves e corri para o abrigo de minha picape. Não estava com mínima vontade de sair – queria poder encolher em minha cama e ficar ali lamentando sobre os erros que cometi. Desejando poder voltar atrás; desejando poder ter meu Jacob aqui comigo, da forma que deveria ser, como meu melhor amigo e só isso. Mas como isso não era possível, especialmente porque Edward estaria aqui em menos de uma hora, organizei minha mente para que pudesse me recompor.
Coloquei a chave na ignição e a virei.
O motor fez um barulho estranho, quase que estrangulado e não ligou. Tentei novamente. O mesmo barulho.
- Não, não, não, não, não. Funciona, por favor. – sussurrei.
Tentei de novo e de novo e de novo.
Nada. Deixei minhas mãos caírem em meu colo. Estava começando a perder a paciência.
- Isso não está acontecendo. Por favor, funcione.
Tentei mais uma vez sem sucesso. O motor ao invés de ligar, apenas gemeu. Peguei a chave e voltei correndo para dentro de casa. A pouco não desejei poder ficar aqui? Bom, agora eu não queria mais.
Joguei as chaves em meio às outras e fui para a cozinha. Meus planos para o almoço mudaram, agora que não tinha como comprar o que queria.
Peguei um pedaço de peito de frango, passei água e coloquei em uma vasilha para começar a descongelar – eu teria que usar o microondas de qualquer maneira. Estava frio demais para descongelar sozinho.
Notei que estava agitada.
Não estava planejando ter problemas com minha picape agora, apesar de saber que essas coisas acontecem justamente quando não se planeja. Eu não entendia nada sobre mecânica, então não tinha como olhar...
E então, algo me ocorreu.
Talvez tenha sido planejado... por outra pessoa.
Minha testa franziu enquanto considerava as possibilidades. O timing foi muito preciso. Ele nunca gostou do meu carro...
- Ele não iria fazer isso – pensei alto.
Não era do feitio de Edward sabotar meu carro. Bem, ele fez isso uma vez, mas sua motivação foi completamente diferente. De qualquer forma era conveniente demais que meu carro – meu amado carro – resolvesse não funcionar agora.
Quando ele chegou – apenas alguns minutos depois – eu não estava completamente imersa em minha mais do que merecida depressão. Jacob ainda fazia parte de meus pensamentos, mas a irritação pareceu prevalecer.
- Bella? – ele chamou antes de entrar na cozinha – provavelmente tentando não me assustar.
Ele chegou um pouco mais cedo e eu percebi que estava começando a ter uma de minhas crises de paranóia.
- Hey – a irritação que estava sentindo parecer desvanecer. Incrível em como ele conseguia fazer essas coisas sem sequer tentar.
Ele veio até mim, beijou minha testa e depois pareceu se distrair com o que eu estava fazendo.
- Jantar especial? – ele perguntou.
- Só separando algumas coisas, descongelando outras... você não está com seu carro, está?
- Não, está com Alice, mas só pela manhã. Por que?
- Nada.
Ele franziu a testa insatisfeito com minha resposta. Edward não gostava que eu escondesse meus pensamentos dele, por mais insignificantes que fossem.
- Eu estava planejando fazer algo mais incrementado para Charlie hoje, você sabe, puxar um pouco o saco dele e fazer minha vida um pouco mais fácil e para isso eu precisava ir ao mercado de novo... – meus olhos passaram a sondar seu rosto automaticamente - ... e minha picape está fazendo um som estranho.
- Outro?
- O que quer dizer com outro? Ela estava funcionando perfeitamente até ontem. Bom... até semana passada, na última vez que usei.
Eu mal dirigia meu próprio carro. Sempre indo e vindo da casa de Edward no dele.
- Sua picape não funciona perfeitamente bem desde o século passado, Bella. Seus ouvidos que são delicados demais para ouvir os gritos de socorro por trás do barulho do motor.
- Certo...
- O que foi? – ele demandou.
- Você não acha um pouco estranho que depois de tantos anos de vida e apenas alguns dias depois que a gente acertou os outros detalhes do nosso acordo...
Seus olhos se arregalaram antes que eu pudesse terminar de falar.
- Eu não toquei no seu carro, Bella.
- Você pediu a alguém para fazer isso? – mudei a pergunta.
Ele riu alto.
- Não!
- Por que isso é tão engraçado para você? – demandei.
Seu rosto era de quem estava se divertindo.
- Por que você parece estar falando sério. Realmente acha que eu sabotei seu carro?
- Eu não sei. Só estou perguntando.
- Acho que entendo de onde veio essa desconfiança, mas eu juro que não toquei na picape. Aquela coisa era velha.
Aquela coisa?
Ele continuou.
- Se ela morreu; morreu de causas naturais.
Me senti um pouco ofendida com a forma que ele falou do meu carro. Mas por outro lado, ele também devia estar se sentindo ofendido por minhas suspeitas. Eu não fui discreta em acusá-lo.
- Ela não morreu ainda – disse na defensiva.
- Se quiser posso pedir a Rosalie para dar uma olhada para você. Ela está em casa...
- Oh... não. Muito obrigada.
As coisas entre Rosalie e eu melhoraram bastante nas últimas semanas. Estávamos longe de ser amigas, mas agora ela pelo menos reconhecia minha presença. Mesmo assim eu não conseguia imaginá-la curvada sobre meu velho carro.
- Tem certeza?
- Sim... eu tento de novo mais tarde, se parar de chover.
- Eu te levo na cidade a tarde.
Ele ainda estava rindo. Ao menos ele não levou minhas acusações a sério. Não tinha a intenção de ofendê-lo.
- Me desculpe – disse um pouco sem graça.
- Não se preocupe. Gostaria de poder dizer que suas suspeitas são infundadas... eu já me precipitei antes, mas esse não é o caso agora. E para ser completamente honesto, apesar de sentir muito sua perda...
Revirei meus olhos ao ver que ele estava zombando e voltei minha atenção ao que estava fazendo.
Senti seus braços frios em minha cintura. Ele colocou seu rosto em meu ombro.
- Sinto muito. De verdade – e então seus lábios tocaram meu pescoço. Ele não precisava me persuadir. Eu acreditava nele... um pouco.
Ele continuou ali e em silencio por alguns minutos. Quando Edward falou, sua voz era cautelosa.
- Quanto tempo devo esperar antes de entregar a chave de seu novo carro?
Soltei a faca e me virei para ficar de frente para ele. Fiquei presa entre a pia e seu corpo gelado.
- Você já comprou?
Era idiotice de minha parte acreditar que ele realmente iria esperar alguma coisa acontecer com meu carro. Supondo que ele não fez nada, minha picape poderia parar de funcionar hoje, como aconteceu, ou daqui a dez anos. E conhecendo Edward, ele não esperaria tanto tempo para comprar meu presente.
- Há algumas semanas na verdade.
- Semanas? Por que não me disse nada?
- Porque eu não tinha a intenção de te dar o carro antes... mas agora que as coisas mudaram.
- Tecnicamente meu carro ainda funciona – eu era teimosa. Mal podia acreditar que ainda estava falando disso. A menos de uma hora atrás eu estava chorando no telefone...
- Sim, e mesmo que ele pare de funcionar, provavelmente deve haver alguma forma de consertar. Mas acho que isso seria trapaça. Deixe-o descansar em paz.
Franzi minha testa enquanto considerava aquilo.
Não fazia idéia do tipo de carro que ele considerava apropriado para mim. Provavelmente algo caro demais, bonito demais e que chamaria muita atenção.
A idéia de atrair mais olhares – porque todo mundo estava me olhando torto e não era paranóia minha – me fez encolher.
Era fácil ver como ele queria poder me mimar com bens materiais. Eu sempre resisti a tudo. E no passado meus motivos eram válidos. Mas agora estava ciente de que as coisas haviam mudado. Em breve me tornaria uma Cullen – era muito bom e estranho pensar dessa forma - e teria que me adaptar ao estilo de vida deles.
Meu lado teimoso não queria dar o braço a torcer, mas como estava determinada a ser menos difícil – eu tenho me comportado assim nas últimas semanas, até aceitei o celular que ele me deu sem reclamar, pelo menos em voz alta e na frente dele.
- Tudo bem – disse devagar - Vamos considerá-lo... morto – e então me apressei em dizer - Mas não precisa me dar nada agora. Está chovendo muito.
E eu não queria ficar sozinha.
Seu sorriso era enorme e tão lindo. E eu estava com medo. Era estupidez minha, mas estava com medo de qualquer forma.
- À noite então – ele abaixou a cabeça para me beijar.
A desconfiança ainda existia, mas não iria fazer muita diferença no final das contas. Estava determinada a ser menos difícil – ele me via dessa forma – e aceitar esse presente era parte desse meu novo lado.
Tinha que admitir – as mãos de Edward desceram até a parte mais baixa de minhas costas, parando ali - o lado novo dele era muito mais atrativo.
SAUDADES DO COMENTÁRIOS...
BEIJOS,
LOLO CRISTINA
