- A gente não devia... – Teddy comentou, enquanto eu lhe guiava pela mão num corredor escuro do castelo.
- Na verdade estou só fazendo meu trabalho de monitora. Quem não devia é você. – soltei um riso baixo.
- Você sabe que não foi isso o que eu quis dizer.
Parei de andar e olhei para ele. Parecia extremamente sério.
- O que foi, Teddy?
- Ah, Vic... – suas costas encostaram na parede e ele escorregou até sentar-se no chão. Olhei para ele de braços cruzados. – Pare de me encarar assim. – e sorriu.
- Ninguém sabe. – garanti-lhe, ajoelhando na frente dele.
- Eu queria que soubessem... Mas parece tão errado... E o seu pai... Ele vai me matar...
- Não, não vai. – eu ri. – Ele gosta de você...
- Sim, de mim, o Teddy, o afilhado do Harry, o filho da Tonks e do Lupin. Não eu, o Teddy, namorado da filha dele.
Arqueei uma sobrancelha.
- Desde quando somos namorados?
- Não foi o que eu quis dizer... é... não sei, é que... – ele respondia, nervoso.
- Olha Teddy, já tem uma semana que é assim. Desde, você sabe...
- Mas não parece certo quando se tem de fazer às escondidas. – ok, eu não sabia como retrucar aquilo.
Desde aquela tarde no campo de quadribol, Teddy e eu passamos a nos encontrar nos horários de estudo. Tudo começou na primeira noite depois do beijo, enquanto eu estudava com alguns colegas na biblioteca. Um bilhetinho veio voando até mim e pousou em cima do meu livro. Antes que alguém visse (ou ele queimasse), recolhi e o li. Dizia: "estante do beijo, daqui a cinco minutos. Seja discreta." Olhei para ele, que explicava a um colega septanista alguma coisa em seu livro. Sem dúvida, e eu nem sabia como tinha ideia disso, aquela era a caligrafia dele.
Fingi ir buscar um livro qualquer e quando cheguei a tal estante, não havia mais ninguém lá, só uma cabeleira azul escura, cujo dono passava o indicador pelos livros empoeirados, como se deliberasse sobre qual tinha mais poeira ou o título mais longo e curioso.
- Oi. – chamei baixinho. Ele se virou para mim.
Imediatamente, antes que eu pensasse, já estávamos nos beijando, meu corpo preso pelo dele contra a estante em que ele estivera segundos atrás.
- Oi. – ele respondeu sorrindo, sem abrir os olhos, a ponta de seu nariz encostada no meu.
Acariciei seus cabelos, penteando-os com meus dedos.
- Você não ia gostar de saber o que eu sinto agora. – ele riu.
- Conte-me. – pedi, encarando-o.
- Não posso... É feio...
- Teddy! – exclamei, afastando ele um pouco de mim. Eu ficaria brava, mas ele tinha um sorriso tão lindo que me fez sorrir também.
- Eu não falei nada! – Teddy se defendeu e me prendeu em seu abraço. – Só queria te ver. E beijar.
Esta foi a primeira das nossas várias escapadas durante a semana. Pouco depois da hora de estudo terminada – tinha de ser assim, se eu quisesse aproveitar cada minuto para meus NOMs e cada minuto dele –, levei-o para vasculhar os corredores do castelo comigo. Posso confessar, com culpa mas sem arrependimento, que não era para monitorar outros alunos além dele. É por isso que hoje estávamos ali.
- Seu pai vai me matar, Vic. Harry vai me matar, Vic. Minha avó vai me matar, Vic.
- Ninguém vai matar você, Teddy.
- Você que não sabe... Eles me colocam dentro da casa deles, me criam como um deles, e eu namoro a menina deles? Que tipo de mal agradecido eu sou?
Meneei a cabeça.
- Olha, Teddy, ninguém vai pensar isso de você, viu? Mas se você quiser parar de me beijar ou se encontrar comigo...
- Não! – ele segurou meu braço. Eu sorri.
- Sabia que diria isso. - acariciei seu rosto.
- Por que não machuquei seus namorados antes?
- Porque eu não tinha namorados.
- Por que você não machucou as minhas, então? Assim eu saberia que não precisava descontar noutras minha frustração em não ter você.
Olhei-o de cara feia.
- Não fale assim.
- Eu sei que é ruim, mas era assim. Quer dizer, as vezes até foi legal, mas... Sempre foi meu conforto, dada a ideia de que você jamais seria minha... – então ele parou e me olhou. – Desculpa, não quis dizer que você é minha, não desse jeito, quer dizer... assim...
- Você é melhor beijando que falando, sabia? – dei-lhe um sorriso. – E só para você saber, eu te aposto que todos vão adorar meu namorado.
Então, Teddy deu o sorriso mais resplandecente e feliz e contagiante que eu já vira na vida. E ele estava lindo assim.
- Você é minha namorada.
- Você disse, então eu sou. – sorri com ele e beijei seus lábios pela milésima vez naquela noite.
No dia seguinte, desci para tomar meu café mais contente que nunca. Teddy sentou-se ao meu lado e acho que pareceu bem óbvio que já estávamos de bem; ao menos para Jay, que de tempos em tempos nos observava, fazendo aquelas caretas marotas que só alguém chamado James Sirius poderia conseguir.
- Vic, você podia me ajudar a estudar, não acha? – ele perguntou quando Teddy resolveu cortar uma fatia de torta para mim sem que eu pedisse.
- Claro Jay, depois que suas aulas acabarem, estarei na biblioteca.
- Tenho treino de quadribol. Precisaria que fosse no horário da noite. – oh Jay... Por que isso?
- Certo.
- Será que eu poderia usar do horário extra de vocês? – aí ele fez um sinal com os olhos que englobava Teddy e eu.
- Não! – Teddy respondeu antes de mim. Todos os Weasley/Potter mais próximos o encararam, surpresos. – Quer dizer... – ele pareceu desconcertado.
- O horário extra é só para quintanistas e septanistas. – tratei de lhe ajudar.
- Poxa... Eu realmente precisava.
- Jay, você está no segundo ano. Não precisa de ajuda. – Molly indagou, com uma sobrancelha arqueada.
- Uma ajudinha sempre é bem vinda. Principalmente quando vem de alguém próximo, não é? – ele sorriu.
- Hum, claro. – Teddy e eu respondemos em uníssono.
- Bom, preciso ir. Passem bem. Depois falamos sobre a ajudinha, certo? – Jay falou, dirigindo-se a mim e Teddy. Depois, levantou da mesa e saiu puxando Fred.
- Eu também já vou... Você podia me acompanhar, Teddy? Preciso que carregue alguns livros para mim até a biblioteca. – justifiquei-me para que ninguém fizesse mais perguntas.
- Claro. Já te encontro, só vou terminar de comer esse empadão e... – mas ele não completou a frase, pois eu sibilei um "agora!" e Teddy tratou de me acompanhar.
Enquanto nos afastávamos do Salão Principal e eu observava tudo ao nosso redor, garantindo que estivéssemos longe de ouvidos curiosos, cochichei para meu namorado: - Jay sabe.
- Sim. – para minha surpresa, ele até que concordou com facilidade. – Eu devia ter imaginado. Aquele maldito mapa...
Ah, claro! O Mapa do Maroto, aquela relíquia que Jay escondia dentro de seu malão desde que o furtara da mesa de tio Harry. O Mapa mostrava qualquer um em Hogwarts. Obviamente que a proximidade entre Teddy Lupin e Victoire Weasley num corredor vazio por diversas noites era extremamente suspeito.
- O que faremos? – Teddy perguntou, nervoso.
- Suborná-lo, é claro. Poderíamos ameaçar contar que ele furtou o Mapa e...
- Não iria dar certo, Vic. Harry já sabe. Estava fácil demais, ali, numa gaveta qualquer.
Claro, tio Harry, a única pessoa nesse mundo que ainda conseguia estar um passo à frente de Jay. Às vezes.
- Então não faremos nada. Você acha que ele contaria, escreveria à tia Ginny? – perguntei.
- Não sei. Deveríamos falar com ele. Mais tarde, você sabe.
Concordei, mas a verdade é que eu estava bem mais tranquila que Teddy quanto à isso. Não entendia porque minha família – quer dizer, nossa família – ficaria brava com ele, de modo algum. Estranhamente, isso me despertou um sentimento de acalento, como se Teddy planejasse nosso namoro há anos e quisesse que tudo fosse perfeito, como eram as famílias antigas, com um pedido formal ao pai da menina. Ele era extremamente fofo!
- Que foi, Vic?
- Hum?
- Você está sorrindo feito boba.
- Ah, nada. Tenho que ir para a aula. Vejo você mais tarde. – dei-lhe um beijo no rosto e, após conferir rapidamente os arredores, depositei um curto beijo em seus lábios surpresos.
Mais tarde, após Teddy, James e Fred saírem do treino de quadribol, resolvi que os encontraria na biblioteca para decidirmos o que seria do nosso futuro.
Avistei Teddy primeiro, que caminhava bem à frente de Jay e Fred; os dois vinham me encarando com seus sorrisos marotos. Surpreendentemente, Teddy me cumprimentou com um beijo nos lábios, seguida de uma expressão de "eles já sabem, fazer o quê?".
- Imaginei. – Jay concluiu para si mesmo. – Não se preocupem, ninguém saberá. Não agora. – e estreitou os olhos, como se considerasse uma razão para livrar nossa cara.
Isso realmente nos poupou de uma conversa extremamente desconcertante com ele, mas infelizmente nos deixou com o benefício da dúvida. Sua vida e do seu namorado nas mãos de James Potter e Fred Weasley; você não ia querer isso.
De certa forma, concluí mais tarde, não havia razão para pânico ali em Hogwarts. Sabia que Molly nunca nos deduraria. Fora meus três primos, não tinha com o que me preocupar por agora.
- Acho que não devíamos mais nos esconder, sabe? – propus para Teddy enquanto ele me ajudava com alguns feitiços na biblioteca.
- Não sei... James é bem volátil...
- Mas ele já sabe. Não mudaria nada. Você confia nele?
- Bom, confio, mas é melhor não o irritarmos.
- De que modo faríamos isso? – como aquele pirralho poderia ter tanto poder sobre minha vida, hein?
- Xingá-lo, priva-lo de nossa companhia quando ele estiver por perto... Coisas assim, sabe? Jay é bem chantagista quando quer, mas ele não fará nada por enquanto. – Teddy confirmou. Na verdade, acho que ele tentava se convencer que o que dissera era verdade. Contudo, Teddy conhecia James desde que ele nascera, era praticamente seu irmão mais velho e tinha tanta influência sobre ele quanto eu tinha com Dominique, minha irmã, por isso acho que estávamos seguros. Mas só acho.
- Então a gente assume? Pelo menos aqui na escola.
Teddy fez com a cabeça que sim.
- Bom, gosto disso. – respondi, um sorriso se formando em meus lábios.
Ele retribuiu o sorriso e me beijou ali mesmo, em público. Nada de estante dos beijos ou corredor vazio durante a ronda – isso também continuou, mas nosso namoro não se limitava mais àquele espaço.
