Capítulo 4 – Normalidade
- Booth...
Brennan continuava com os olhos fechados, mas Booth ouviu seu nome sendo sussurrado por ela.
- Sim.
- Booth...
Ela não acordara. Booth entendeu que era um sonho ou algo próximo e felicitou-se. Era seu nome que ela chamava. Soube então que tudo estava bem agora. A febre já havia ido embora. Ali, próximo, muito próximo a ela, ele deixou que o sono o tomasse novamente.
Pela manhã, quando Booth acordou, Brennan já estava de pé.
- Bones... BONES!Onde você está?
- Na cozinha.
- Bones, o que você faz de pé? – Booth, ainda sonolento, encostou-se na bancada.
- Café.
- Como assim? – cruzou os braços. – Você ardeu em febre a noite inteira. Deveria estar deitada.
- A febre é uma reação do corpo contra patógenos; a sensação ruim que sente a pessoa febril faz com que ela poupe energia e descanse, funcionando também através do maior trabalho realizado pelos linfócitos e macrófagos, Booth. Já sei até o que provavelmente tenho.
- E?
- Uma gripe.
- Assim? Do nada?
- Não do nada. Nada vem do nada. – Fez uma cara completamente confusa ouvindo sua voz proferir palavras tão desconexas no mundo dela. – Certamente entrei em contato com um vírus muito forte e acabei contaminada. Até ontem, estava assintomática, até a tal febre. Agora posso sentir um desgaste físico incrível. Proveniente tanto da febre quanto da gripe. Acho que não vou poder trabalhar hoje. Não que eu não consiga, mas não posso colocar o pessoal do laboratório em risco.
- Você se lembra de tudo? Digo, de ontem?
- Não. Eu devo ter delirado por um período muito prolongado.
- Yeah, pode apostar que sim.
- Eu disse algo ofensivo a você?
- Não.
- Ok. Acho melhor você não ficar muito tempo em contato comigo porque você pode adoecer também.
- Eu não te deixar sozinha aqui, doente.
- Você tem que trabalhar.
- Ok, tenho mesmo. Vou chamar a Angela então. E nada dessa cara de que não concorda. Ela vai vir sim.
- Reluto, mas sei que não tenho outra escolha.
- Que bom.
Angela bateu a campainha meia hora depois de Booth ter telefonado para ela. Trazia uma enorme bolsa.
- Vai viajar?
- Não, querida, vou passar o dia com você!
- Ange, por sua bagagem, podia jurar que você passaria pelo menos uma semana aqui.
- Oh Brenn. A gripe te fez tão bem... Te deixou mais engraçada.
- Como você descobriu isso? Nem contei nenhuma piada pra você hoje...
- Ok... Booth, acho que você pode abandonar o barco. – levantando a mão em sinal de parada na direção de Brennan – Sem perguntas querida, é uma expressão.
- Oh... – Brennan faz uma cara entendida.
- Bones, eu volto à noite.
- Pra que?
- Nem pense que você vai dormir sozinha.
- Mas Angela...
- Ela tem marido e um filho, Bones. Eu virei.
- Sabe que eu não preciso...
- ...de proteção, que sabe se virar sozinha e pode ficar aqui muito bem sem minha companhia.
- Sozinha, Booth. Sem a companhia de ninguém. Você faz parecer tão dramático, como se eu não quisesse você perto de mim todo o tempo.
- E quer?
- Sim. Eu gosto muito de desfrutar da sua companhia. Estou sempre aprendendo com seu jeito engraçado de ver as coisas e com seus conhecimentos populares. Sei que não aprenderia isso na internet, então eu realmente preciso de um "professor" presencial. Não vejo você de outra forma.
- Que bom... Eu... Sabe, eu já imaginava isso. – Seu nome, no meio da madrugada, saindo de sua boca parecia dizer o contrário. Maldita casca fria ela criara. Fazia tudo parecer tão racional e correto. – Até logo meninas, aproveitem a tarde para colocar as fofocas em dia.
- Eu gosto de fofocas – Brennan disse com uma cara muito animada. Linda, do ponto de vista de Booth.
- Tchau.
- Ok, querida, somos somente nós duas nesse apartamento infectado.
- Quer sair daqui?
- Estou brincado. Não me importo com os vírus pairando sobre a minha cabeça. Sou forte.
- Oh...
- Sabe o que nós duas vamos fazer agora?
- Não.
- Conversar. Não fazemos isso há tanto tempo Brenn. Sinto como se não fosse mais sua melhor amiga.
- Você sabe que é. Pessoas mal informadas diriam que não existe lugar no coração para colocar outra pessoa. Mas como sei que meu coração não é uma caixa ou gaveta e sim um órgão cavernoso por onde meu sangue é bombeado de volta ao corpo, posso dizer que não tenho sentimentos parecidos com os que tenho por você por mais ninguém. – disse, fechando a porta de seu apartamento e conduzindo Angela até seu quarto.
- Ui! Cama desarrumada dos dois lados. A noite foi quente, ahn?
- Fria, na verdade. Quando se tem febre, Ange, nosso corpo reage sentindo frio.
- Nada entre você e Booth?
- Existe algo sobre nós que não contei a você.
- Temperance Brennan, vou trocar de roupa e quando me recostar nessa cama, você vai abrir o bico de uma vez por todas.
Rindo, Brennan meneou a cabeça mostrando acordo.
