When I tell you I would never leave you
(Quando eu lhe digo que eu nunca iria te deixar)
Do you hear what I say?
(Você escuta o que eu digo?) ·.
Don't understand you, say you need time
(Não te entendo, diz que precisa de tempo).
You be callin' all day
(Você é chamada todos os dias.).
Não surte, você prometeu que não iria surtar.
Meu cérebro ainda processava a informação: Bella estava oficialmente adotando Mason e eu era o último a saber?
- Acho que não entendi, explique isso. –
Uma respiração. Duas respirações. Três respirações. Quatro respirações. Antes que eu contasse a quinta, ela começou.
- Eu sabia que você não ia aceitar, depois do showzinho no restaurante. E antes que queira me enxotar daqui, é só a guarda provisória, não se preocupe. Se a assistente social achar que aqui não é o ambiente adequado, ele vai embora. O que vai acontecer se depender de você. –
- Tem noção do que fez, não tem? Está trazendo uma criança desconhecida para dentro de casa, uma criança que você viu apenas uma vez! – a soltei de mim, virando na cama.
- Eu o quero comigo! – sussurrou me puxando de volta. – É certo, eu sei que é. É quase loucura, mas eu o amo. Faço o que for preciso para tira-lo de lá. –
- Foi longe demais dessa vez, Bella. –
- Eu sei. – disse antes de dormir.
- Edward? – chamou baixinho quando acordou.
- Sim? –
- Você ainda está aqui! – sorriu - me odeia por não ter te contado? – perguntou.
O que? Não!
– Por favor, não se afaste. Por favor, eu... Eu amo você, mas ao mesmo tempo também amo Mason e você não o aceita e... droga! - disse desesperada.
Eu sabia que as coisas mudariam quando ela acordasse e tivéssemos que colocar tudo em pratos limpos. Sabia que teria que lidar com meu choque da melhor maneira possível para não afetá-la. Mas jamais iria afasta-la. Não sei o que seria de mim se deixasse que ela passasse pela porta para não voltar.
Se ela me rejeitasse.
A dor seria imensurável, em escalas maiores do que qualquer outra que eu já tenha sentido. Dor, sofrimento em níveis infinitos.
- Bella... – a vi tentando esconder o rosto no edredom. A ponta do nariz estava começando a ficar vermelha, a que indicava que o choro viria em seguida. – Bella, olhe para mim. -
.- Tudo bem. – respirou fundo. – Diga. Diga que está me odiando, diga que não vai se importar se eu for embora, diga que eu sou uma louca que não pensa nas consequências antes de fazer tudo, diga logo Edward. –
Tive que rir baixo antes de colocar um dedo em seus lábios, calando-a.
- Por que está falando isso? Não seja absurda, Isabella. Me dói só de pensar na ideia de deixar você ir. Eu sou um idiota apaixonado que não passa de massinha de modelar nas suas mãos. Se a informação me chocou? Sim, claro que sim. Mas, aos poucos, eu estou vendo todos os pontos positivos e tudo de bom que isso vai nos trazer. A única coisa que eu queria poder mudar é o almoço hoje quando eu o rejeitei, porque machuquei você e machuquei minha irmã. –
- Vai me perdoar? – disse baixinho me olhando com os olhos ainda cheios de lágrimas.
- Não tenho o que perdoar Bella. Você não fez nada errado, só apressou as coisas. – ri. – Vamos, me dê um sorriso. - pedi.
Recuei um pouco o rosto e olhei os olhos intensos e profundos. Levantei minhas mãos e as coloquei delicadamente em seu rosto, os polegares acariciando sua pele, descansei minha testa contra a sua.
- Para honrar e amar. – respirei fundo. – Todos os dias da minha vida. -
8 de Dezembro de 2010, 8h57min. – Los Angeles, CA.
Cinco dias depois fui chamado ao escritório de Jenks, ao que parece, a guarda provisória era quase nossa.
Nossa porque eu, finalmente, estava aceitando a ideia. Havíamos visitado Mason todos os dias no abrigo e cada vez mais eu via o quanto Bella estava apaixonada por ele.
- Não estamos indo rápido demais com isso? Quero dizer, vocês o conheceram outro dia e já estão quase com a guarda. – disse o advogado. – O que digo aos jornalistas? –
- Minha carreira não tem nada com isso, Jenks. Ele já faz parte da família, se você não quer continuar no processo, eu arrumo outra pessoa. – afirmei e sorri. – Além do mais, convença aquelas mulheres do contrário. –
Assinei os papéis que faltavam, recebendo a notícia de que no máximo ao fim da semana, a guarda seria aprovada e poderíamos leva-lo para casa.
- Edward, eu não quero saber se o berço de mogno tem mais acessórios que o branco, tem que combinar com o resto do quarto. Não vou encher um quarto azul com coisas escuras, entende? Vamos levar o branco. –
Eu e Bella estávamos em uma loja de bebês no centro, recomendada por Jane. Ao redor, haviam coisas em diversas cores, dos mais variados modelos, formas e preços. Tudo que um bebê poderia precisar, e o que não iria.
- Do que mais nós precisamos? – perguntei enquanto andávamos para as próximas sessões.
- Nós já encomendamos um berço, agora precisamos de um colchão e roupas de cama. E depois temos que ver a cadeirinha e um carrinho. –
Deixei que ela escolhesse os lençóis e cobertores, acabamos ficando com um tema de ursinhos para a cama e outro conjunto neutro para as demais ocasiões.
- É muito caro, não podemos levar tudo hoje. -
- É? – sorri encostando no balcão mais próximo. – Você sabe que podemos só escolha o que quiser. –
Nossa pilha de compras só crescia: tínhamos um carrinho de bebê, a cadeirinha do carro, colchão e lençóis. Compramos também algumas roupas e eu ainda pensava em como uma peça tão pequena custava mais do que uma do meu tamanho, por exemplo. Havia também sapatinhos que cabiam na palma da mão e eram a miniatura perfeita dos modelos normais. Peguei dois que eram iguais aos meus, uma surpresa não faria mal a ninguém.
Quase engasguei quando vi uma banheira de plástico custando cem dólares. O que ela tinha de tão extraordinário, afinal?
- É projetada ergonomicamente para o tamanho do bebê, não precisamos disso. – explicou Bella enquanto pegava outra que custava vinte e sete e noventa.
Meu riso parou quando ela puxou uma mochila canguru da pilha e veio sorrindo maleficamente até mim. Não.
- É incômodo? – perguntou ao terminar de amarrar as inúmeras tiras em minhas costas.
- Nem um pouco. Mas quero saber como vai ser com um bebê aqui. –
- É feito para poder ficar com ele e ter as mãos livres ao mesmo tempo, vamos levar. –
Depois de uma manhã quase inteira na loja, com as compras já pagas, estávamos levando tudo para o carro quando Bella parou na frente de uma das prateleiras de brinquedos. Ela olhava um conjunto de bichinhos de pelúcia: ursos, patos, vacas, leões e tigres.
- É perfeito para um primeiro presente. Todas as crianças gostam de bichos, não gostam? –
- Eu costumava gostar... Leve, Mason vai adorar. –
A simples menção ao nome dele fez com que ela abrisse um enorme sorriso, tão linda...
18 de Dezembro de 2010, 09h04 – Bel Air, CA.
- Vamos lá dorminhoca, tenho boas notícias para você aqui... –
Distribui beijos por todo o seu rosto, demorando na testa e nas sardas de suas bochechas.
- Tem que ser uma notícia extremamente maravilhosa para você me tirar da cama na manhã de um sábado. – resmungou cobrindo o rosto com o edredom.
O frio começava a chegar, vindo de Lake Tahoe, um pouco mais tarde esse ano e anunciando a proximidade do Natal. A grama do jardim ainda estava molhada pela chuva de ontem à noite e o céu ainda estava fechado. Talvez chovesse novamente mais tarde.
- Eu considero uma notícia boa, mas se você prefere dormir. –
Foi quase cômico. Em uma fração de segundo, Bella virou na cama, parando por cima de mim. Os lençóis se enrolaram em nossos pés, o edredom nos cobriu e tudo se transformou numa confusão de pernas e braços.
- Wow, bom dia! – ri.
- Bom dia, agora me conte a boa notícia. –
- Tudo que posso dizer é que tem a ver com uma criança ruiva vir para cá. –
Viramos novamente na cama.
- Está falando sério? Já? Tão rápido? –
- Jenks acabou de me ligar. A guarda é nossa. Provisória, mas nossa. –
Seu sorriso em resposta foi deslumbrante.
- Obrigada. –
- Por isso? -
- Por tudo. Por aceitar as minhas loucuras, me aceitar na sua vida com tudo que eu trouxe junto, aceitar que eu mexesse em cada pedacinho de sua rotina, que eu mudasse tudo de acordo com meus gostos e, principalmente, por me amar ao ponto de fazer isso por nós. –
- Faço o que posso Sra. Cullen. – mexi em seu cabelo. - Eu te amo. - murmuro, e ela sorri seu sorriso tímido. - Eu vou sempre amar você, Bella –.
- E eu a você - diz ela em voz baixa. - Apesar da minha teimosia? - levanto minha sobrancelha.
- Principalmente por causa da sua teimosia, Isabella. - sorrio.
"Até que a morte nos separe, e como diz lá no altar: O que Deus uniu na Terra o homem nunca vai separar." – Adriel de Menezes.
