Não foi corrigido, deu uma lida rapida, mas erros sempre tem.

Capitulo 4- "(...)Meu zeloso protetor."

Passos firmes e lentos,presença forte e sorrateira, olhos profundos e gélidos, roupas negras contrastando com as paredes coloridas e aventais brancos, silencio em meio de onde talvez deveria estar silencioso, mãos vazias, mas o livro estava ali em baixo do braço marcando com sua capa colorida e infantilizada o semblante serio das vestes escuras. Mas isso é apenas um jeito pomposo de informar que Kai caminhava ate o quarto de Mikhail.

A sexta-feira rompia em seu amanhecer sem sol com gotas amplas e consistentes, mas nem um tornado faria ele não estar ali, 6 dias por semana sobreviviam, para em um viverem. A figura jovial escondia seu passado sofrido através da mascara fria que insistia em por sobre seu rosto, mas se havia alguém que conseguia partir em pedaços essa cerâmica de gelo era o garotinho dormindo sobre a maca.

Dezessete minutos, vinte e três segundos, dezoito milésimos ou qual mais preciso esse narrador pudesse ser, não seria o suficiente para expressar a profundidade do tempo decorrido na mente do dono daquele par de olhos violetas, antes frios, agora tao ternos. Aquela miúda figurinha rodeada de um mar de aparelho desfigurada pela magreza tao mais frágil com as pálpebras recobrindo as orbes verdes já não mais brilhantes, mas que a presença fria fazia aquecer tornando-as duas esmeraldas nova mente.

Passos felinos, como entrar naquele paço sem despertar aquele pequeno príncipe de seu sono silencioso? Mas logo ele estava lá, sentado, abancado, situado, acomodado, simplesmente, ao lado da pessoa mais importante de sua vida a qual não importava quanto tentasse lhe tirar, seria sempre, eternamente, por quanto perdurasse sua memoria pré ou post mortem.

O resmungo baixo apenas tornou o olhos violetas mais focados, enquanto as pálpebras se abriam preguiçosamente para deixar a vista aqueles pequenas esmeraldas opacas. O entrelace dos dedos fez o garoto agitar os ombros, o único movimento levemente relevante que tinha. O beijo no rosto não o fez relaxar, foi apenas a voz calma que teve esse efeito:

-Bom dia Mikhail- um sorriso desflorou no rosto do pequeno o fazendo se agitar um pouco mais.- Shii...- se aproximou colocando as mãos sobre os ombros do pequeno.- não gaste suas forças agora, temos o dia todo- acariciou a face já não tão cadavérica do filho enquanto levantava para mudar o corpinho de lugar, outro pequeno mochocho fez com que Kai aproximasse o corpo quase num abraço de faces encostadas. - Vou estar o dia todo aqui, não precisa de uma overdose de contato físico agora ou precisa pequeno?- acariciou o rosto com as pontas dos dedos.- Vamos por partes- Pegou um travesseiro para colocar em baixo dos joelhos do garotinho junto da fenix que estava jogada sobre uma mesa.- Aqui esta a Matrizia-

Acomodou a pelúcia próxima do rosto dele antes de inspecionar o corpo ossudo atras de escarras ou pontos vermelhos. Umedeceu um algodão e passou nos lábios secos do garoto antes de sentar-se na beira da cama.

A enfermeira entrou no quarto trazendo uma fralda nova para Mikhail, era uma senhora de meia idade, entrou quieta ao ver que o garotinho sorria enquanto o pai segurava sua mão conversando baixo.

-Bom dia- disse ela se aproximando.

-Bom dia- veio a resposta fria do homem que acariciava o rosto do filho.

-Vim trocar a frauda dele- disse ela enquanto Kai abria caminho para ela fazer o trabalho sem perder o contato com o pequeno. Que resmungou ao sentir as mãos em sua cintura.

-Mikhail- disse calmo fazendo o garotinho o procurar, mesmo quase totalmente cego conseguiu achar o borrão do pai a sua volta.- Ele sempre fica agitado assim?- perguntou frio acariciando a cabeça que já tinha uma leve penugem.

A enfermeira retirou a frauda antiga, enquanto olhava para o garotinho, para ai responder:

-Sim, as enfermeiras mais jovens o deixam mais agitado, ele faz o mesmo com a sua ex-esposa.- Comentou calma.

-Posso afirmar que uma das melhores coisas na minha vida foi nunca ser casado com aquela coisa- disse calmo se reaproximando do garoto que estava com os olhos fechados.- te amo pequeno- murmurou no ouvido dele enquanto a mulher terminava a troca.

Ela saio e Kai mudou novamente o corpo do dono do par de olhos verdes de lugar, virou a cabeça ainda em cicatrização devagar para a deixar de lado, acariciou a bochecha dele antes de colocar os travesseiros para apoiar as costas.

-Você esta mais gordinho, Nana vai adorar que você esta ficando fofo como ela gosta- ele soltou um resmungo enquanto tinha Matrizia colocada entre suas mãos.- Você esta bem gelado- disse indo pegar mais um cobertor no armário e colocando delicadamente sobre o corpo fragilizado do menino.- Seu cabelo esta começando a mostrar que tem duas cores, assim que estiver com o corte bem cicatrizado vou te dar um banho demorado-

A voz calma fez o pequeno relaxar, o timbre aveludado e forte de Kai podia ser comparado ao um vinho de textura e sabor refinado para um jantar social sem emoções ternais, mas para o garotinho era com um chocolate quente bem adoçado com a borda da caneca lambuzada em chocolate derretido, que valia cada segundo de sua espera a cada dia da semana.

Se as orbes verdes pudessem fitar as violetas iriam ver que as pedras tao gélidas agora se derretiam em ternura. Ele era pequeno, quieto, carente, fraquinho e por que não fofo, tantos adjetivos positivos a tão levada criaturinha em seus tempos de maior movimento livre, não podiam deixar o coração frio de diferente modo, ele era terno, mas somente para Mikhail.

-Me falaram que o senhorzinho já esta mexendo os cotovelos- disse calmo recebendo um quase "uhum" como resposta.- então logo vou ter que voltar com os "Mikhail suba a escada andando, não pulando degraus"- disse em tom quase animado mexendo na bariga do filho. Um pequeno sorriso se formou no rosto fino.

Kai estava mais solto com o garoto, a restrição dos segundos que podia passar com ele faziam cada instante ter que ser importante para ambos, o menino não podia falar, mal conseguia ver e dependia de pessoas e aparelhos para sobreviver, então tinha que romper suas barreiras para falar com ele por horas seguidas se preciso.

-Quer que eu leia agora ou a tarde o livro pra você? Sim se quer agora e não se quiser a tarde- Dois pisques, queria a tarde, após isso Kai entrelaçou os dedos com os do menino massageando as palmas dele com os polegares.- Suas unhas estão grandes- disse antes de soltar um das mãos dele para pegar o hidratante no criado mudo

Mikhail sentiu-se melhor por o pai estar ali, suas mãos estavam precisando de algum movimento a alguns dias e as enfermeiras eram ocupadas de mais, mas alem da necessidade de movimento que seus membros quase totalmente atrofiados precisavam, era daquele carinho que ele realmente aguardava.

-Shi...Não force a sua garganta assim- disse calmo após o filho tentar falar algo.- Quer água?- perguntou e o garoto logo confirmou, limpou as mãos numa talha na beira da cama e umedeceu um dos algodoes que estavam num pote para passar nos lábios do filho.

-Pretende ficar ai por quanto tempo?- a voz cortante e escarnosa fez Mikail soltar um pequeno gemido, as pedras violetas se tornaram frias ao entrarem em direta linha com as orbes verdes vibrantes.

-Estou exercendo meu direito de passar a sexta feita com o meu filho. Então, antes que seja meia noite e um, você não pode sequer pensar em me tirar desse quarto- o tom frio era cortante e serio, mas nisso mantinha a mão sobre o corpinho esquelético do filho fez com que o garoto não ficasse mais tao assustado.

-Quanto amor Kai...Para uma coisinha como ele você deve ser como um Deus.- disse cínica se aproximando.

-não se preocupe Lilian, sua vaga como diabo não vai ser perdida tao fácil- respondeu se colocando de pé.- Agora, vá fazer algum dinheiro, acho que ainda tem quem pague por você-

-Que meigo, o poderoso Kai Hiwatari defendendo seu filhote acoado e capturado- disse ela calma levando as mãos a Mikhail que choramingo se contorcendo. Instantaneamente Kai a segurou pelos punhos.

-Você nunca vai ser mãe Lilian, é apenas uma chocadeira, e isso é um elogio para o meu filho, por que uma chocadeira é bem melhor que você- soltou os braços bruscamente os jogando contra o corpo quase todo exposto da mulher.

-Pode passar o dia com esse ratinho, de um pouco de felicidade a essa coisinha invalida e chorona. Lembre bem ele que não vai poder brincar mais...- disse caminhando para fora. Kai a ignorou abraçando o corpo do filho que lacrimejava.

- não precisa chorar, ela é apenas uma idiota, nunca vai poder falar nada que valha a pena ser ouvida, então respire fundo.-

O carinho logo surtiu efeito, bochecha com bochecha Mikhail fechou os olhos enquanto era

sentado na cama lentamente para ser mudado novamente de posição. Devagar amenizou a inquietação do garoto que adormeceu enquanto ele o cobria.

-Descanse bem filho- murmurou lhe dando um beijo na testa e segurando a mão inerte com cuidado.

Kai aproveitou para comer algo rapidamente enquanto o pequeno dormia, ficou ali olhando o rostinho emagrecido umedecendo periodicamente os lábios finos, quando as orbes verdes se abriam novamente a violeta esquerda não conseguiu conter a lagrima que rolou silenciosa e solitária pelo rosto.

-pa..i- o chamado quase ininteligível e fraquejante fez o pai se aproximar.

-Aqui...ja disse pra não forçar essa garganta- a voz não escondia muito bem a alegria- apesar de ser muito bom você conseguir se expressar, não quero que acabe machucando alguma coisa ai- o beijo no rosto fez o garoto sorrir.

A tarde Kai se preparava para ler o livro para o garotinho quando outro enfermeira apareceu.

-Boa tarde, vim verificar a pressão dele- informou indo ate la e movendo o bracinho magricelo devagar.- não quer colocar ele no colo?-

-Apesar dele ter adorado a ideia seria realmente ideal fazer isso mesmo após tanto tempo da cirurgia?- perguntou olhando a face do filho que expressava exatamente o que acabara de dizer.

-Não há problema- disse ajudando ele em seguida a acomodar o garoto em seus braços, Mikhail sentiu-se em casa ao sentir o perfume fraco do pai que tinha um aroma de madeira e café, os braços fortes em volta do seu corpo e sua voz favorita lhe lendo uma história calmamente enquanto se mantinha aquecido na manta faziam com que o desejo que o relógio parasse fosse maior.

Ficaram assim ate a noite, a enfermeira veio e lhe deu a alimentação pela sonda e pouco depois Kai o deitou massageando seu corpinho delicado devagar. Logo erram 9 e meia e o garotinho lutava contra o sono.

-Mikhail hora de dormir- disse recebendo um resmungo em resposta.- Shi...é hora de descansar.- disse arrumando as talas nas mãos dele Mikhail resmungou de novo, não queria dormir, não queria que aquilo acabasse. Mas logo o sono o venceu, e sabia que quando acordasse ele não estaria mais ali por outra semana, contorceu-se tentando ter mais alguns segundos ali, o boa noite a centímetros de sua orelha fez com os ombros laxasse.

-Quero meu filho de volta- disse ele frio tomando mais um gole de conhaque enquanto encarava a chuva cair lentamente do lado de fora da mansão. O ruivo desoviu os olhos do filho que dormia com a cabaça em seu colo calmo.

-4 meses Kai.- respondeu enquanto acariciava os cabelos do ruivinho que dormia ao seu lado, Hiwatari fitou o rosto deformado de Tala e em seguida olhou para Sasha.

-Agradeça que a mãe do Sasha morreu- disse gélido virando o copo num gole.- se pudesse mataria aquela mulher...- um leve sentimento vivido podia ser visto naquele timbre rouco.

-Ele vai ficar bem...-

-enquanto estiver no hospital, e depois Ivanov?- a voz fria fez com que o ruivo olhasse a tempestade.

-Depois, qualquer marca é prova, seja dolorida ou não. Vou levar o Sasha amanha pra ver o Mikhail, acha adequado?- A pergunta fez um sorriso se formar no rosto já bastante emagrecido de Kai.

-Se seu filho suportar a situação- suspirou levantando e indo ate a janela.- ele tem medo de trovoes- murmurou olhando os pingos grossos contra a janela.

Mikhail choramingava sozinho no quarto enquanto os estrondo o faziam estremecer enquanto o hospital permanecia em silencio, Matrizia estava do lado de seu rosto, era seu único conforto naquele momento, as lagrimas saindo lentamente dos olhos do garotinho que implorava mentalmente para o pai estar ali.

Os soluços baixos fizeram uma das enfermeiras ir ate o quarto, era difícil o garotinho se expressar, por isso parecia ignorar quem estava por perto, mas nesse momento a voz da enfermeira fez ele resmungar ate ela colocar a mão na sua cabeça.

-Tudo bem garoto, é só a chuva, sua mãe não veio ainda de novo?- ele fez uma careta desgostosa, ela estranhou aquilo e cobriu melhor o garotinho depois de mudar o corpo inerte de posição, vou ver com o pra te dar um remédio.- saiu devagar.

O sedativo fez Mikhail adormecer, mas nem por isso seu dia foi melhor. O pequeno abriu os olhos no sonho olhando para o teto de seu quarto.

-Papai?- Perguntou ao vazio sentando-se na cama, tirou a coberta pesada sobre seu corpo e correu para o andar de baixo, Kai estava sentando a mesa tomando café e lendo um documento com o cabeçalho da Skyvolt, o pequeno correu para la e o abraçou pela cintura.

Os olhos violetas gélidos cairão sobre o menino que olhou para o pai sorridente, recebeu um afago na cabeça e nada alem disso.

-Va tomar seu café- veio a voz sem emoção do rosto inexpressivo.

Mikhail olhou de novo para o pai sem entender. Caminhou cabisbaixo ate seu lugar na mesa e puxou a tigela de cereais para perto de si. Olhou para o homem de cabelos bicolores enquanto pegava alguma das bolinhas do cereal.

-Pai, pode ler pra mim hoje de noite?- pediu antes de pegar outro colherada.

-Peça a Nana- respondeu levantando. - Wilians vai te levar para a escola.- os passos indo em direção a sala fizeram o garoto abaixar a cabeça sem compreender o que estava ocorrendo, logo o som do salto batendo contra o assoalho de madeira se aproximou.

-Acha que ele realmente se importa com você?- a voz com tom de escarnio se aproximou ate as unhas compridas estarem sobre o ombro de Mikhail, os olhos verdes de Lilian estavam na mesma direção do seu.- Lembre...ele não esta aqui, eu sim- O sorriso cínico fez o garotinho estremecer.

-Sabe sua coisinha, nem pra dormir direito você serve- Mikhail conhecia aquela voz, conhecia aquela mão que arranhava sua pele, conhecia aquele tom, e por tudo isso não queria abrir os olhos, ver somente o borrão daquela criatura demoníaca já era o suficiente pra ter mais pesadelos acordado- que bonitinho, meu filhinho sabe fingir que esta dormindo- desdenhou passando os dedos pela face do garoto que estremeceu soltando um gemido.

Lilian sorriu enquanto via o garoto tentar se encolher, a pessoinha cadavérica resmungava baixo insatisfeito com a presença da mulher. Os toques dela lhe enjoavam, implorou pra que uma das enfermeiras entra-se no quarto, deixou uma lagrima escorrer enquanto a mãe sorria.

- Não precisa chorar meu querido, eu estou aqui, a mamãe vai ficar aqui com você- murmurou no ouvido do pequeno enfermo entonado cada palavra.

-Suas palavras teriam algum efeito,se ele não estivesse chorando por você esta ai- o tom frio e serio veio da porta, Mikhail abriu os olhos reconhecendo a voz. A falsa loira encarou o par de ruivos na porta deixando uma careta lhe tomar a face quando seus olhos verdes encontraram os de Tala em meio a seu rosto deformado.

Se colocando de pé ela ficou entre os dois e a cama, Sasha encarou a mulher e entendeu na hora os "eu não sinto falta da mamãe, eu não gosto quando ela aparece" que o amiguinho lhe dizia, olhou para trás dela e conseguiu ver com dificuldade o corpo enfraquecido repousando sobre a maca.

-Quem é você o que quer aqui?- disse ela seria assustada pela presença dos ruivos e enojada pelo rosto do que não deixava ela perder o contato visual.

-Sou o padrinho dele.- respondeu com um sorriso por perceber a repulsa da mulher a seu rosto.- Vim fazer uma visita, creio que apenas Kai tem os dias limitados por conta que a juizá ter achado que o garoto não te aceitaria com o pai por perto, não culpo ela por não conhecer o seu gênio e saber que ele nunca vai te aceitar de um jeito ou de outro.- Deu um passo na direção de Lilian a fazendo engolir seco por ter que olhar cada vez mais de perto aquelas cicatrizes.

-Se é que não percebeu- tentou começar o argumento ainda norteada pela presença deles ali- Mikhail não esta muito bem no momento, então não é uma boa hora para uma visita.-

O ruivo sorriu dando uma batidinha nas costas do filho que passou pelo lado dela e foi para o lado da cama segurara a mão de Mikhail. Lilian encarou a cena irritada enquanto as palavras de Tala lhe irritavam mais ainda.

-Creio que Sasha resolve isso.- caminhou para perto da mulher ficando a centímetros da mesma.- então creio que não vai haver nem um problema de ficarmos, vai?-

-Não nem um- respondeu desgostosa saindo de perto dele. Sasha já estava sentado na beira da cama falando baixinho com Mikhail que sorria, o ruivo mais velho pegou o bicho de pelúcia jogado sobre o sofá e colocou ao lado do garoto deixando a mão dele sobre a Fênix.

Os garotinhos se entenderam mesmo com todas as limitações que o mais novo deles tinha, os olhos azuis de Tala se mantinham no afiliado e na mulher parada próxima a janela. Colocou a mão com cuidado sobre a cabeça ainda não totalmente cicatrizada do garoto e acariciou a área não afetada delicadamente.

-Pretendem ficar quanto tempo aqui?- perguntou ainda irritada.

-O tempo que for.- respondeu calmo- se tiver algo melhor para fazer do que atormentar a vida do Mikhail pode ir fazer, iria ser um grande favor- Os olhos de Lilian se encheram de ódio, mas antes que pudesse fazer alguma replica ele prosseguiu – Creio que alem dele adorar muito isso, vai ficar livre de olhar para o meu rosto e eu para o seu- Por fim a ignorou e seguindo um pedido de Kai mudou corpinho debilitado de posição.

Sasha rapidamente foi pegar dois travesseiros que estavam sobre o sofá e deu para o pai apoiar o corpo esquelético do garoto de olhos verdes. Lilian ficou por mais duas horas na teimosia de não abandonar o local, mas após isso caminhou para fora sem falar nada.

- Tudo bem, o demônio loiro já foi embora.- disse Sasha fazendo o pai suspirar, não ia repreender o filho pela frase, ele realmente também teria falado isso ao menino.

Kai olhou para o jardim e tentou relaxar o corpo enquanto mantinha em sua mente que por algumas horas Tala estaria lá com o garotinho. Não suportava pensar no que aconteceria quando ele fosse parar na casa de Lilian, ali tinha controle do que ocorria questionando médicos e enfermeiros.

-Se eu não tiver o meu filho por bem...vou ter que conseguir por mal...- murmurou largando o copo sobre a mesa ao lado e caminhando ate o quarto do garoto, olhou o ambiente vazio e deixo os ombros caírem enquanto suspirava dando as costas para a cama recoberta de cobertores com ícones infantis enquanto ia ate o seu quarto largando-se na cama, quantas doses foram hoje? 4 ou 5 talvez...Seu estomago estaria vazia se não fossem tantas doses de wisky passou a mão pelo rosto e deixou-se enfim cair em um sono inquieto.

As semanas se passavam rápido e os sinais de melhora do garoto ao invés de aquietar o estado de nervos que Kai estava entrando, apenas o aumentava, pois cada melhora era um paço na direção de Lilian. Agora o garotinho já conseguia rir e começava a ter mais facilidade para respirar, com isso já conseguia produzir uma palavra ou duas de indicasse que queria falar para que a traqueostomia fosse fechada por alguns estantes.

-Vai tentar agarrar?- perguntou Kai enquanto o pequeno, ainda sem movimentos nas mãos buscava, uma maneira de segurar a fenix de pelúcia, o pai não interferiu na luta do garotinho ate que a Fenix rola-se para onde ele não consegui-se pegar. -Você estava indo bem- comentou colocando-a perto do rosto dele.- Quer algo filho?- perguntou notando os movimentos dele, fechou por alguns segundos a canula da traqueostomia¹ para ouvir a palavra "colo".- Manhoso- disse balançando a cabeça e fazendo os gostos do filho.

Mikhail foi aninhando contra o peito do pai enquanto praticamente ronronava enquanto ouvia a voz calma e firme lhe contar outra história. O garotinho adormeceu na metade do conto.

Os olhos violetas vibravam em ódio enquanto olhavam, do sedã preto de vidros escuros, Lilian sair com Mikhail do hospital, o garotinho estava agitado e parecia chorar, mas a mulher não fazia nada.

-Controle-se – a voz seria do ruivo não parecia surtir muito efeito em Kai.

-Me controlar? Quero uma arma- disse enquanto fechava as mãos com força sobre o volante

-Isso é com o Bryan, agora vamos embora antes que você atropele-a.- disse olhando para o afilhado deixando um pouco de dó transparecer.

-Se ela não estivesse com ele perto, já estaria embaixo desses pneus - o tom gélido e ao mesmo tempo carregado de ódio.

-Vamos Kai, não podemos fazer nada por hora.- o rapas de cabelo bicolor encarou o padrinho do filho bufando.

-é bom conseguir a guarda dele.- disse mais gélido que antes mantendo os olhos no filho.

O sedã preto acelerou passando ao lado da mulher loira com o garotinho, os pensamentos de Kai trasbordavam e raiva.

Cada marca é uma prova, preciso lembrar disso, mas cada marca é um trauma, uma dor, mais uma labuta pra ele. Só mais um pouco Mikhail.