Capítulo 4 – Uma noite com Videl (e isso não é o que parece)
Achei que dali para frente ia ficar tudo bem. Mas eu estava enganado. Depois de apresentar Videl para quem ainda não a conhecia, eu pude, finalmente, ter uma refeição tranquila com ela do meu lado. Depois da janta ainda teve mais alguma diversão, colocaram umas músicas para tocar e eu descobri que meus pais são capazes de dançar juntos sem que meu pai quebre os pés da minha mãe. Já o Vegeta não dança, e a Bulma teve que se contentar em dançar com o Oolong. Quando estava ficando tarde, minha mãe saiu tocando todo mundo para os quartos e Videl ficou me olhando, meio apavorada, mas minha mãe chegou perto dela e disse:
- Venha, querida, vou te colocar no quarto com a Lunch.
Na hora eu não soube explicar, mas achei que aquela dupla não ia dar muito certo... talvez tenha sido o fato de que o Tenshin Han e a Lunch não tivessem se desgrudado desde o fim da janta, dançando juntos o tempo todo, ou o fato de que esse quarto era numa das casas-cápsula que a Bulma havia trazido, sem ninguém que a Videl conhecesse por perto... mas algo me dizia que a Videl não ia passar uma noite tranquila...
Aliás, nem ela e muito menos, eu. Meu quarto parecia uma zona de guerra, com o Trunks e o Goten brincando, sem o mínimo sinal de que queriam dormir, pulando de uma cama para outra. Eu ameacei chamar meu pai, o mestre Kame, a Bulma, o Vegeta... mas eles só sossegaram quando eu disse que ia chamar a minha mãe. Nessa hora, alguém bateu na janela do quarto pelo lado de fora. Eu abri e dei de cara com a Videl:
- Videl?
- Oi, Gohan – ela sussurrou – tenho um problema... aquele cara de três olhos e a Lunch começaram a se pegar no quarto dele e mandaram aquele anãozinho esquisito pro meu quarto. E eu fiquei com medo dele!
Meu coração disparou e eu fiquei um instante pensando no que fazer.
Chaos é inofensivo, mas a Videl não o conhece bem e eu confesso que também ia sentir medo se tivesse que ficar do lado de quem tem aquela expressão de boneca Annabele e é incapaz de piscar se não o conhecesse bem. Goten e Trunks já estavam mais pra lá do que para cá, meio dormindo. Então eu estendi meu braço para fora da janela e disse:
- Eu não acredito que não tenha um único quarto livre com tanta casa que a Bulma trouxe! Vem! – ela segurou minha mão e entrou no quarto pela janela. Foi o suficiente para agitar de novo meu irmão e o Trunks:
- Ela vai dormir aqui? – perguntou Goten.
- Eu vim contar uma história para vocês – ela disse e sentou na cama dos dois. Finalmente olhei para ela direito. Videl não estava com nenhuma roupa sexy, pelo contrário, usava um pijama curto e largo, parecido com o tipo de roupa que usa na escola. Ela começou a contar uma história sobre um ratinho valente e, pela primeira vez naquele dia, os dois moleques realmente pararam quietos. E em cinco minutos estavam dormindo.
- Videl como você conseguiu? – eu perguntei abismado.
- Eu gosto de criança. – ela deu de ombros e disse. Eu acho que quero ser professora.
Ela ajeitou os dois na cama que eles estavam dividindo carinhosamente e eu pensei que um dia ela ia ser uma ótima mãe. Ela ficou me olhando sem graça e eu abri espaço para que ela sentasse ao meu lado na cama. Ficamos nos olhando até que ela disse:
- Parece que eu vou ter que dormir aqui.
- É... – eu disse, nervoso. Levantei e puxei as cobertas e ela se acomodou no canto, junto à parede. Eu me deitei também e puxei as cobertas sobre nós dois, apagando a luz. Não ficou tão escuro no quarto porque a janela estava aberta e entrava luz da lua por ela.
Videl estava deitada com a cabeça no mesmo travesseiro que eu, olhando para mim, esperando uma iniciativa, e eu, com um pouco de medo, a puxei para mim e a beijei. Ficamos assim muito tempo, nunca havíamos conseguido nos beijar sem interrupções por tanto tempo, e aquilo era muito, muito bom.
"Tem certeza que ela vai aguentar a sua masculinidade Sayajin?"
Que péssima hora para me lembrar daquelas palavras do Vegeta. Não estava até então nos meus planos transar com a minha namorada, debaixo do nariz dos meus pais, com meu irmão e outra criança no quarto... mas nós estávamos ali, num interminável beijo de língua que dava vontade de fazer outras coisas...
De repente, a Videl descolou sua boca da minha, e nós dois estávamos ofegantes, excitados e eu percebi que ela estava tão nervosa quanto eu. Ela mordeu os lábios e disse:
- Gohan... eu estou com medo – ela baixou a voz até quase sussurrar – e eu não sei se eu estou pronta para...
Então eu percebi que por mais que eu quisesse, eu não queria transar com ela. Não ali, não daquela forma, não cheio de medo de machucá-la, não com meu irmão e o Trunks podendo acordar. Eu olhei para a carinha dela e disse:
- Mas a gente não precisa... transar. Não hoje. Não só porque você está aqui comigo.
Ela deu um sorriso tão aliviado que eu tive que beijá-la de novo, mas dessa vez com menos pressa e mais carinho. E eu acho que foi o beijo mais gostoso que a gente deu desde que tinha começado a namorar. Quando nos separamos, ficamos um sorrindo pro outro com cara de bobo. Então eu perguntei:
- Você quer conversar?
A gente tinha começado a namorar sem ter nunca conversado de verdade sobre nossas vidas, nossas histórias. Já que a gente estava sem sono e não ia ficar se pegando, me pareceu uma boa ideia. E para ela também, porque ela logo perguntou:
- Gohan... por que todo mundo na sua família é tão forte?
- É uma pergunta complexa, - eu disse, então comecei a explicar tudo do começo. Falei que meu pai tinha descoberto que ele não era da Terra, e que eu era descendente de sayajins. Quando comecei a explicar como havíamos descoberto isso, ela ficou assustada, afinal, eu precisei contar que eu havia sido sequestrado aos quatro anos, e contei sobre a primeira vez que meu pai morreu, sobre meu treinamento com o senhor Piccolo, e ela ficou horrorizada e disse:
- Com quatro anos?
- Sim.
Ela disse que achava aquilo horrível, e eu disse que era só o começo. Contei sobre Vegeta também ser um sayajin e sobre a morte do senhor Piccolo e de todos os nossos amigos, menos Kuririn. Contei que havia viajado para um planeta distante, sobre o monstro Freeza e ela ia ficando cada vez mais admirada. Então contei que o planeta havia sido destruído e que eu escapara apenas por pouco, graças às esferas do Dragão daquele planeta. Ela já conhecia a história das esferas, já havia visto Shenlong.
Então contei sobre os anos que treinamos contra os androides e hesitei quando ia contar sobre Cell. Mas concluí que ela precisava saber daquilo:
- Videl... sobre Cell...
- Eu sei que não foi meu pai que o derrotou. – ela disse – ele me contou quando voltamos e foi um choque. Então ele me disse que achava que tinha sido o seu pai, mas não tinha certeza.
- Não foi meu pai. – eu disse e me virei porque queria contar isso olhando nos olhos dela. – Fui eu.
- Foi... você? Mas... eu tinha dez anos. Você tinha...
- Onze. Mas eu quase morri. Eu não gosto de lembrar de nada dessa época, porque meu pai morreu. E depois foi bem difícil, ficamos só eu e minha mãe... e ela descobriu logo que estava grávida.
- Mas seu pai voltou, não?
- Pela segunda vez. Acho que devemos isso ao Buu. Nunca vi minha mãe tão feliz, eu não sabia que ela sentia tanta falta dele.
Por algum motivo, ficamos em silêncio. Então ela disse:
- Perto da sua vida, a minha é bem sem graça.
- Não deve ser. Não pense que foi divertido viver assim, tanto que eu escolhi mudar. Eu agora só penso em estudar e me formar.
- Também está esperando a carta da faculdade?
- Sim. Mas por que você acha que a sua vida é sem graça? Você é rica, seu pai é famoso.
- Não é assim tão legal e não foi assim sempre. Quando eu nasci meu pai e minha mãe eram bem pobres, meu pai era segurança de uma boate. Eu não me lembro bem dessa época.
- E o que aconteceu?
- Minha mãe foi embora... então meu pai não queria abrir mão de mim e decidiu que precisava tentar o torneio de artes marciais.
- E ele se tornou o maior campeão.
- Se o seu pai ainda participasse, o meu não teria nenhuma chance.
- Mas ele parou de participar. As coisas são como são. – eu sorri pra ela e lhe dei um beijo de leve na boca, e ela se aninhou no meu peito e deu um suspiro profundo.
- Gohan... – ela disse – Eu sei que não vai ser hoje. Mas vai ser com você.
Posso ser muito ingênuo, mas entendi o que ela queria dizer e a abracei forte, mas com cuidado para não machucá-la. E foi assim que nós adormecemos.
Vocês devem lembrar que eu tinha dito que foi um fim de semana horrível, e não devem estar entendendo porque depois de uma noite dessas, vocês não devem estar entendendo por quê.
O problema aconteceu de manhã. Eu acordei primeiro. Fiquei olhando para ela ali, tão... minha. A gente só tinha conversado e dormido, mais nada... mas tinha sido a melhor noite da minha vida. Dei um beijo de leve na sua testa e ela acordou. Então, nós começamos a nos beijar. E continuamos nos beijando sem perceber que o Goten e o Trunks haviam acordado.
Os dois ficaram ali, rindo até que começaram a achar chato e saíram do quarto para brincar em algum lugar lá fora, deixando a porta aberta. Nesse meio tempo, minha mãe já estava acordada porque afinal de contas, tinha um batalhão de gente lá em casa, e ela, acreditando nas suas responsabilidades de dona da casa, estava se preparando para começar a acordar todo mundo para o café da manhã.
Enquanto isso meu amasso com a Videl tinha esquentado um pouco. Como da primeira vez que a gente tinha se beijado dessa forma, minha mão ganhou vida própria e agora estava debaixo da blusa da Videl. Eu toquei de leve o seio dela e quando ela gemeu, percebi que não devia, de jeito nenhum, tirar a mão dali. Até porque era muito bom.
Foi nesse momento que, sei lá porque, minha mãe resolveu me chamar para o café da manhã e vendo a porta do quarto aberta, resolveu entrar.
E me encontrou beijando a Videl, na minha cama, segurando o seio dela que saía pela blusa.
- AI MEU DEUS, MEU GOHAN SE TORNOU UM TARADO!
Quem quer que estivesse dormindo naquele momento acordou e, pior, ficou sabendo que eu estava num contato íntimo com a minha namorada.
Entenderam porque a partir daquele momento eu queria morrer?
Notas:
1. Eu disse que ia piorar antes de melhorar, lembram? Mas, pelo menos foi uma noite fofa.
2. Não odeiem a Chichi, ela só é uma mãe meio excessiva...
