5º capítulo – The Brain
Sinopse: Brennan começa a experimentar situações diferentes em sua vida e precisa aprender a lidar com isso. Enquanto ela tenta se encontrar, o Instituto precisa identificar um corpo encontrado em uma mala abandonada no saguão do Aeroporto Internacional Washington Dulles.
Observação importante: Caso do corpo na mala inspirado em história real ocorrida recentemente em Curitiba, PR.
Temperance Brennan estava sentada, ereta, as pernas cruzadas e as duas mãos apoiadas no joelho. Olhava desconfortavelmente para Dr. Sweets. Ele a encarava como se aguardasse uma resposta. O olhar parecia calmo e os braços repousavam sobre os apoios da poltrona preta.
Brennan respirou fundo e disse:
___Eu não entendo porque estou aqui, sem o Booth.
___Dra. Brennan, isso não é uma de nossas sessões habituais. Essa sessão é só sua. Você perdeu um ente querido recentemente.
Brennan pareceu aborrecida.
___Eu não preciso de terapia.
___Afundar-se no trabalho não é a solução Você foge e se encontra lá, mas precisa trabalhar sua adequação ao mundo real.
Ela não entendia bulhufas do que o psicólogo falava. Sem Booth ficava sem direção. Com ele ali, pelo menos, poderia trocar olhares cúmplices e até fazer troça da psicologia exagerada de Sweets.
___Foi idéia do agente Booth.
Brennan se surpreendeu.
___Eu também terei sessões individuais com ele.
Brennan ficou muito incomodada com a situação. Booth odiava psicologia tanto quanto ela, por que precisaria dela agora?
___Por quê?
___Há coisas que deve ser tratadas individualmente, Dra. Brennan.
Ela discordou mentalmente, entortou a boca sem entender.
___Como se sente agora, passados esses dias após a morte de seu pai?
Brennan foi pega de surpresa pela pergunta.
___Hum. Bem eu acho...
Sweets pareceu inconformado com a expressão imutável de Brennan.
___É... quer dizer... é claro que eu não queria que ele morresse...
___Dra. Brennan, pare de racionalizar. Quantos anos você tinha quando seus pais foram embora?
Brennan o encarou perplexa pelas perguntas íntimas. Lembrou-se de estar em uma sessão de terapia e julgou que eram necessárias.
___Quinze.
___Como se sentiu? – Sweets tentava arrancar um pouco de emoção da doutora.
Ela se ajeitou na poltrona, estava desconcertada.
___Bem... – ela olhou para o chão e depois para a janela – Eu os fiquei esperando, esperando... mas eles não voltaram.
___E como você se sentiu em relação a isso?
Brennan levou a mão ao queixo, o braço apoiado no descanso da poltrona. Parecia estar relembrando algo.
___Mal...
Ela continuava olhando para a janela. Depois com um olhar triste encarou Sweets, aparentemente rendendo-se à tortura psicológica.
___Eu os esperei cada dia, cada semana, cada ano. Todo Natal eu sentava próximo à árvore e esperava. Nunca tinha aberto seus últimos presentes, esperando – os olhos úmidos denunciavam uma lágrima – E um dia... – ela olhou para a janela – Russ foi embora, suponho que ele não tenha agüentado tanto sofrimento.
Sweets ficou satisfeito com a suposição de Brennan. Era sinal de que falava a mulher e não a antropóloga.
___E os presentes continuam fechados?
Ela o olhou enxugando uma lágrima que apontava no canto do olho direito.
___Não. Um dia meu pai me entregou uma fita de vídeo gravada por minha mãe... – ela olhou para o chão – E então eu obtive algumas respostas...
Brennan olhou para algum vazio, possivelmente relembrando o passado. Uma lágrima há muito contida, escorreu pela face branca e morreu na boca seca. Ela ficou um pouco abalada pelas lembranças e pensar no pai a fez tremer, principalmente a imagem de seu corpo carbonizado como se não fosse ninguém. Mas ele havia feito o mesmo com outras pessoas...
___Dra. Brennan – Sweets a arrancou de seus pensamentos – Não tenha medo ou vergonha. Você é mais do que ossos, é carne, coração, é um ser humano.
Os olhos azulados estavam marejados e ela mordia os lábios na tentativa de manter-se calada.
___A pressão é muito grande. Não das pessoas, mas de você. Prende seus sentimentos como se prendesse o próprio ar. Se renda, abra seu coração.
Brennan apertou os olhos e lágrimas fugiram de seus cílios. Ela pensou em Booth. Que ódio que estava dele por abandoná-la daquela maneira. Agora lá estava ela, em frente...
___... à um garoto de 23 anos que só porque tem um diploma de psicologia acha que entende mais de mim do que eu mesma! Eu odeio o Booth por isso. Eu me odeio também porque estou aqui querendo que ele esteja aqui e eu só quero ser uma antropóloga! Só quero fazer o meu trabalho! Mas tem o meu irmão, minha cunhada, agora tem minhas sobrinhas, tem a Ângela e todos os outros e também tem o Booth. Todos gritando que eu tenho que ser mais humana, que eu posso ter uma família. Eu só quero ser uma antropóloga, mas meus sentimentos estão atrapalhando...
Ela abriu os olhos e deu de cara com um garoto de 23 anos que sorria satisfeito com sua psicologia.
___Quais sentimentos a atrapalham, Dra. Brennan?
Brennan estava paralisada. Como ele havia feito isso? Não podia ser magia, isso não existia. Lembrou-se de quando ficou com uma amnésia que todos atribuíram a um feitiço de Voodo há quase dois anos atrás. Estremeceu.
___Amor? Fraternidade? Paixão? Esperança? Ódio? – Sweets falava e a cabeça de Brennan não raciocinava.
___Eu... eu falei...involuntariamente... Como você fez isso?
Ele riu.
___Esse é apenas seu coração querendo tomar a frente em algumas situações, Dra. Brennan.
___A mente, Dr. Sweets, ela é o placa mãe do corpo! Sem ela não há nada!
Sweets achou graça da comparação feita por Brennan. Se bem a conhecia ela não fazia esse tipo de comentário.
___Mas assim como uma máquina, nós não temos só a mente. O coração é tão importante quanto.
___Como órgão que bombeia vida para o corpo, sim. É o centro do nosso corpo, realmente é vital. Mas o cérebro controla tudo e a mente, nossa consciência, tudo o que somos está aqui.
___Eu não concordo.
Ela pareceu indignada.
___Eu ainda acho que tudo o que somos está aqui – ele bateu com a mão espalmada no peito.
***
Mal Booth entrou pelas portas do Instituto Jeffersonian foi bombardeado por perguntas de uma antropóloga furiosa.
___Que história é essa de terapia individual? Eu não preciso de terapia! Eu odeio psicologia, eu odeio! Por que você também está fazendo terapia sozinho? O que é tudo isso, Booth?
Ela o intimidava e o encarava.
___Bones, não temos tempo para isso, temos um corpo. Eu vim te buscar para...
___Você é insuportavelmente irritante, às vezes - ela disse dando as costas para o agente.
___Bones!
Ele começou a andar rapidamente atrás dela.
___Você está parecendo uma adolescente mimada.
Ela virou-se fervendo de raiva.
___E você é um tira chato e arrogante! Só precisa de mim porque sozinho nunca conseguiria resolver um homicídio.
Ele ficou encarando-a.
___Você está com raiva, fala coisas absurdas quando está com raiva. Odeia psicologia e está descontando em mim.
___Eu estou com raiva porque você não estava lá comigo. Nós sempre fazemos esse negócio juntos, o que deu em você?
Ele ficou sem graça e logo respondeu:
___Bones, você ficou órfã, a terapia é importante neste processo.
Ela ponderou e assentiu. Respirou fundo e sorriu de leve.
___Vamos ao corpo então.
Ele sorriu com a capacidade de mudança repentina de humor da parceira. Ambos caminharam abraçados até o carro.
***
O Aeroporto Internacional Washington Dulles era localizado a 42,5 quilômetros oeste do centro de Washington, nos Condados de Fairfax e Virginia. Brennan e Booth chegaram em 30 minutos e a polícia local já se encontrava no saguão. Havia vários homens do esquadrão anti-bomba. Booth havia informado à antropóloga que um corpo fora encontrado em uma mala abandonada. Os funcionários suspeitaram de bomba e o alarme foi geral.
___Bom dia, sou o agente especial do FBI, Seeley Booth – Booth exibiu o distintivo a um aos policiais – Esta é a Dra. Temperance Brennan do Instituto Jeffersonian.
Brennan ajoelhou-se imediatamente diante da mala. Preta, provavelmente de nylon, não era comum, era comprida e um pouco achatada.
___É mala para acomodar tacos de golfe – Booth comentou.
Brennan colocou as luvas azuis emborrachadas e abriu o zíper da mala. Foi interrompida pelo comandante da operação anti-bomba.
___Ei, moça, não tem como remover essa mala e verificar o corpo em outro lugar? Estamos dentro de um aeroporto.
Brennan o encarou.
___É imprescindível que eu pré-analise os restos no local.
___Fale com ela, agente – pediu o policial.
Booth ficou em dúvida, então ajoelhou ao lado da parceira. Ele falou em voz baixa:
___Bones, não tem como, só desta vez, enviar a bolsa e o corpo pro Jeffersonian primeiro?
___Booth, você sabe que o transporte pode comprometer as evidências – com a voz também baixa, ela olhou para os policiais. – Aliás... porque não pede aos policiais para fazerem uma parede humana para eu dar uma olhada, não vai levar dez minutos.
Booth sorriu com a idéia brilhante que ele não tivera e solicitou ao comandante o pedido da antropóloga. Este, que não ficou muito feliz, mobilizou seus homens. Logo Brennan e Booth estavam cercados por um muro escuro e fardado.
Ele ajoelhou-se novamente próximo a ela e recebeu um olhar agradecido. Ambos sorriram.
Brennan concentrou-se na mala. Voltou a abrir o zíper e inclinou o corpo para olhar dentro. Por ser grande e comprida, a mala estava deitada.
___Bones...
Ela olhava pela abertura quando Booth tocou-lhe as costas, ao que ela sentou. Estava ficando de quatro e ia pegar um pouco mal. Ela percebeu e ele disfarçou um sorriso.
___O que é isso?
Brennan puxou o conteúdo da mala com cuidado. Ela havia estendido um pano grande embaixo da abertura da mala para não contaminar o corpo.
___Está envolvido em...
___Plástico filme, desses de cozinha – Brennan concluiu – Abra minha bolsa, por favor.
Booth abriu e ofereceu a ela. Brennan enfiou a mão no bolso externo e puxou um canivete. Começou a cortar o invólucro com cuidado e um odor de putrefação subiu. Em uma fração de segundos, Brennan contemplou a visão e começou a sentir náuseas assim que o mau cheiro alcançou suas narinas.
___Droga, me dá uma máscara, rápido!
Booth o fez prontamente, puxando-a de dentro da bolsa da parceira, colocou em seu rosto, pois ela segurava o corpo.
De repente Brennan parou.
___Bones?
Ela ficou paralisada por segundos e imediatamente fechou o invólucro, colocando a parte exposta do corpo dentro da mala novamente. Fechando o zíper, tirou a máscara e encarou Booth.
___Você acreditaria se eu te dissesse que pela primeira vez estou passando mal ao examinar um corpo?
Ele sorriu atencioso e tocou-lhe o ombro.
___Sim. Vamos sair daqui, está bem?
Ele ajudou-a a se levantar e conseguiu uma maca e um furgão para transportar o corpo até o Instituto Jeffersonian.
No volante, Booth olhou de relance para a parceira e perguntou:
___Tudo bem?
___É uma criança, Booth. A pele escura, pode ser negra, não deve ter mais do que dez anos de idade.
___Conseguiu ver tudo isso, Bones?
___Ela está em posição fetal, a primeira coisa que vi foi a pélvis. E pelo tamanho, não precisei abrir a mala toda. Muito pequena.
Ela suspirou fazendo lentos movimentos negativos com a cabeça.
___Booth, droga... Eu não posso ter uma família...
Booth sentiu um soco no estômago pela declaração tão cheia de pesar.
___É a primeira vez que isso acontece... eu... eu pensei nas minhas sobrinhas...
Ele se compadeceu dela e sorriu lançando-lhe com olhar carinhoso.
___Eu... Booth, é por isso que nunca quis ser mãe.
Booth notou que ela tentava esconder uma lágrima. Falou, ora olhando para o trânsito, ora olhando para ela:
___Bones, calma. Você está abalada com a morte do seu pai. Viu? Você não é uma máquina, também precisa de ajuda. Foi por isso que falei com Sweets.
Ela o olhou de relance, estava assustada consigo mesma, com essa situação diferente e incômoda.
___Bones, isso o que aconteceu com você, essa perda tão recente, você sabe, era mais do que um motivo para você pedir um afastamento, não é? Férias antecipadas, sei lá. Você precisa de um tempo, Temperance.
Ela o olhou e nunca concordaria com tal afirmação, mas não sabia por que sua mente aceitara a idéia.
***
___Tá tudo bem, querida? – Ângela entrou na sala de Brennan.
A antropóloga estava sentada no sofá, a cabeça para trás, no encosto. Ângela sentou-se ao lado da amiga que demonstrava cansaço.
___Eu não sei o que está havendo... Eu faço isso há dez anos, Angie...
___Booth disse que você passou mal ao examinar o corpo, amiga. Fiquei preocupada.
Ângela segurou a mão de Temperance.
___Será mesmo que o Sweets está certo? Será que meu coração está querendo dominar meu corpo?
___O Sweets disse isso?
___Sim. Ele disse que eu deveria parar de racionalizar tudo, especialmente neste caso da morte do meu pai.
___Ele tem razão, Tempe. Você está passando uma barra. Eu acho que você se afunda no trabalho para fugir da realidade, para não ter que lidar diretamente com os problemas pessoais que te afligem. Seu corpo está te mostrando que você precisa dar um tempo.
Brennan ficou pensativa olhando para a amiga.
___Eu não sei fazer diferente... – concluiu afinal.
___Você tem que considerar os encontros com o Sweets, Brennan. Por mais que odeie psicologia, acho que depois de tantos anos, você terá que recorrer a ela, pois trabalhar e trabalhar não está sendo mais uma boa terapia para você.
Brennan fez uma careta e antes que dissesse que não tinha entendido, Ângela prosseguiu:
___Imagine que você é um super computador de última geração, o melhor da atualidade – Ângela ficou empolgada ao que Brennan riu – E você tem trabalhado duro por anos, foi programada para ser o mais avançado, top de linha, e você vem desempenhando seu trabalho muito bem, sem nunca falhar ou desligar. Tem um gerador próprio, então quando existe um black-out geral você continua trabalhando.
Brennan riu. Ângela era incrível.
___Você já enfrentou seqüestro, tentativas de assassinato, perseguições, explosões, já foi enterrada viva...
Brennan a olhava, agora séria.
___E o seu gerador interno não falha... Você continua funcionando... Mas, um dia, algo muito sério acontece. Algo muito além de tudo o que você já enfrentou, é como um super-mega vírus dos mais poderosos. E ele atinge o seu coração, mas você, super computador, se mantém firme. Porém...
Brennan estava com os olhos marejados.
___... o vírus atinge o cérebro, o gerador próprio, o que nunca pára. E então, todo o resto começa a falhar, pela primeira vez, em dez anos...
Brennan abaixou a cabeça chorando e Ângela a abraçou. Temperance soltou-se e a encarou sorrindo em meio às lágrimas.
___Você é a única que me entende, até parece que traduz uma língua estranha de algum povo aborígine isolado do mundo...
Ela riu e chorou ao mesmo tempo.
___Querida, eu traduzo o inglês para sua língua. Você é tão esperta, tão inteligente e tão distante da realidade, precisa aprender a viver.
Brennan enxugou o rosto.
___Ângela, você também acha que eu deveria entrar em férias antecipadas?
Ângela sorriu.
___Claro, quem teve essa ótima idéia? Você precisa de trinta dias isolada em algum lugar paradisíaco, refletir sobre si mesma, quem sabe até escrever um novo livro. Você precisa se adaptar socialmente, é verdade, mas acho que neste momento tudo o que precisa é ficar sozinha, Tempe.
Brennan respirou fundo.
***
___Isso é plástico pra caramba – Cam comentou e se corrigiu logo em seguida olhando para o estagiário de Brennan – É uma quantidade considerável de material sintético.
___Quase não se vê o conteúdo, dado o número de vezes que o plástico foi enrolado – Hodgins observava o corpo escuro enrolado como se fosse um bicho da seda.
O novo estagiário observava atento.
___Seria possível retirar o plástico sem rasgá-lo, Dr. Hodgins? – Cam perguntou.
___Podemos tentar, mas esse é um material extremamente flexível – Hodgins ficou pensativo.
___Acho que seria importante saber quantos metros foi usado para avaliar se é um plástico comum, destes que se vendem em qualquer mercado – Cam disse.
Hodgins sorriu com a idéia.
__Ok.
O trio levou cerca de cinqüenta minutos para desembalar o corpo da menina. Conseguiram manter a integridade do plástico quase que totalmente.
___Por sua fragilidade o plástico deveria ter se rasgado em diversos pontos – Hodgins estranhou a durabilidade do material.
___Bom, dá pra ter uma idéia de sua metragem – Cam começou observando – Acho que o corpo foi embalado e imediatamente colocado na mala para ser abandonado no aeroporto. A consistência do material é a mesma de um plástico filme comum, se mais dias se passassem ele já poderia ter começado a se decompor pelas aminas produzidas pelo corpo putrefato.
___Hum – Hodgins estava com o cenho franzido.
Cam o encarou.
___Algum problema, Dr. Hodgins?
Ele continuou observando o plástico.
___Isso não é plástico filme.
Cam franziu o cenho.
___Veja, toque.
Cam o fez, parecia plástico filme para ela. A legista deu de ombros ao que ele continuou:
___Filme é um polímero termoplástico dos mais comuns – Hodgins começou a explicar analisando o plástico - Hum, no caso específico deste, está um pouco rígido para ser considerado um plástico filme, que é extremamente maleável. Não acredito que ele é comercializado neste estágio.
Cam o encarava tentando acompanhar o raciocínio, aparentemente sem entender. Ele continuou.
___Acredito que este material precisaria de mais tempo para alcançar o nível comercial desejado de maleabilidade – ele piscou triunfante – Este plástico foi retirado antes deste processo, em uma fábrica.
A médica sorriu para o também químico.
___Excelente trabalho, Dr. Hodgins. Para confirmar, quanto tem um destes rolos de filme caseiros? Cem metros? – ela questionou olhando para o estagiário mudo, na tentativa de introduzi-lo no debate. Ela respirou e tirou uma mini fita métrica anelada ao seu chaveiro que estava no bolso do jaleco.
Cam começou a medir o plástico com a ajuda de Hodgins e do estagiário.
__Este plástico não é do tipo caseiro mesmo... – ela começou – Ele tem, hum, uns dois metros e meio de largura.
Cam continuou medindo e os outros dois colegas seguravam o material conforme ela ia medindo.
– Cento e trinta e cinco metros de comprimento por dois e meio de largura. Definitivamente não se compra isso em qualquer varejo – ela concluiu após efetuar a medição.
Cam olhou para Hodgins. Enquanto isso Ângela passava o cartão de identificação.
___E agora?
___Eu posso rastrear as fábricas de plástico da região, empresas que fazem a comercialização e estabelecer um perímetro de investigação – ele disse saindo.
___Isso não é o FBI quem faz? – ela gritou para o entomologista que já estava nas escadas.
___Eu vou dar a informação mastigada – ele piscou e saiu.
___Não gosto dessa aparente rixa com o FBI que o Hodgins tem.
Cam falou para Ângela.
___Não é rixa. Hodgins só quer parecer mais esperto – Ângela respondeu e vendo o corpo sem o invólucro disse: Wow, agora sim posso trabalhar na face dela. Hum, restos pequenos...
Cam confirmou com a cabeça.
___Sim. É uma criança, Ângela – Cam informou enquanto o estagiário mudo olhava alucinado para a artista.
___Vou pegar a câmera e tirar fotos do seu crânio. Brennan não conseguiu fazer isso no local e eu quero reconstruir o rosto dessa criança o mais rápido possível – ela disse saindo, os olhos com um certo pesar.
___Menina, Angie, é uma menina – a médica completou e olhou para o estagiário.
___Ângela Montenegro, Sr. Desmond.
Ele ficou sem graça.
___Uma excelente artista plástica que trabalha a alguns anos como artista forense em nosso departamento.
O rapaz ficou um pouco desconcertado e Cam completou:
___Alguma consideração a fazer sobre o corpo?
___Hum, eu...
___Tudo bem.
Ela respirou fundo e debruçou-se sobre a vítima.
***
Booth estava sentado em sua cadeira lendo um papel e fazendo anotações. Alguém bateu no batente da porta e ele olhou.
___Agente Booth?
O funcionário entrou quanto Booth fez um sinal para ele.
___Aqui está a lista atualizada de pessoas desaparecidas. O senhor quer que eu mande para o Instituto Jeffersonian agora?
Ele ia confirmar quando avistou Brennan junto à porta.
___Não.
Ele pegou o papel.
___Pode ir, Paul. Obrigado.
Booth chamou Brennan que entrou e se sentou.
___O agente Delroy é um ótimo policial, mas aqui, na área administrativa, vira um pateta – ele sussurrou as três últimas palavras.
___Por quê? – ela pareceu indignada.
___A lista de desaparecidos, ela é enviada imediatamente para vocês porque se um agente a solicita em nome do Instituto ou qualquer outro órgão é porque já autorizou sua liberação - ele justificou-se diante do olhar desaprovador da parceira. - Ele pede autorização a todo instante, para tudo.
Booth sabia que Brennan desaprovava o mau julgamento que ele fazia das pessoas.
___Está sob suas ordens, só está sendo obediente.
___Hunft... O bom funcionário sabe suas responsabilidades e então as cumpre... deixa pra lá. Como você está?
Ela deu de ombros.
___Estranha, muito estranha... Saí para dar uma volta e olha eu aqui. Preciso do crânio limpo. Também preciso muito de um assistente, Booth. Acho que nunca vou encontrar alguém como Zack. E bem agora minha mente resolve começar a falhar...
___Brennan, acalme-se.
___Eles precisam de mim, não temos outro antropólogo doutor em antropologia forense em todo o complexo de museus do Instituto, Booth.
___Você não analisou o corpo?
___Não. A Cam está fazendo isso, mas... ela é legista, Booth. Seu jeito é um pouco diferente...
Booth deu de ombros, algumas vezes as duas pareciam fazer a mesma coisa.
___E a identificação? Ângela já conseguiu um rosto?
___Quando saí de lá ela estava começando a trabalhar nisto. Eles demoraram um pouco para remover o plástico do corpo da criança. Hodgins está pesquisando as empresas de plástico da região porque o que foi usado para embalar o corpo tem especificações além das vendidas comercialmente.
___Como assim? - Booth falou abrindo o celular e discando um número - Como ele sabe? Plástico filme é muito comum, Bones. Pode ser encontrado em qualquer mercado.
Ela se ajeitou na cadeira diante da aparente irritação do agente.
___Hodgins precisa mandar essas informações para mim, Bones. Agente Booth – ele falou ao celular - quero uma lista das empresas de plástico da região, ok? Estou procurando uma que atenda ao mercado varejista, que produza plástico filme comum, ok?
Booth pareceu aborrecido.
___Às vezes ele se esquece que eu trabalho para o FBI e não ele.
___Ele só quer ajudar.
___Atrapalhando? Quando ele resolve fazer uma investigação que não diz respeito às suas funções e não comunica ao FBI está atrapalhando. Ele deveria se concentrar nos insetos, nas evidências, em tudo que um cientista deve se concentrar. Investigação é meu departamento, Bones.
Ele falava apontando o dedo na direção da antropóloga. Ela respirou aparentando cansaço. Ele tentou controlar a irritação diante da parceira.
___Eles desenrolaram o corpo e tentaram manter a integridade do invólucro – ela continuou - foi o que Hodgins mandou pro meu celular. Disse que são cento e trinta e cinco metros de comprimento por dois e meio de largura.
___Hum, então é só comprar muitos rolos.
___O plástico parece ser diferente de um desses comuns, ele acha que pode ter vindo de uma fábrica mesmo.
Booth colocou a mão no queixo, apoiando o cotovelo na mesa e encarou-a.
___E ele está pesquisando as empresas agora, certo?
___Devem ser muitas em Washington, não é?
___Talvez. Meu pessoal fará uma busca e com a vantagem de conseguir um mandado para cada uma delas, ok?
___ Sinto-me culpada, eu devia estar debruçada sobre o corpo desde a hora em que ele chegara... tem uma família atrás da filha... – ela disse negando com a cabeça.
___Ok, Bones – ele levantou – Vamos almoçar. Você está aqui para almoçar comigo enquanto os squints fazem o trabalho deles, certo?
Ela sorriu e ele a empurrou de leve para a saída da sala.
___Ops, a lista.
Ele voltou rápido, pegou o papel, dobrou e saiu colocando-o no bolso do paletó.
___E Russ? Deve estar ansioso pelo casamento – ele comentou no corredor.
___O casamento! Tanta coisa na minha cabeça, me lembrei que tenho hora no cabeleireiro às seis.
Ele riu enquanto os dois entravam no elevador.
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