Drabble feita para o projeto Torre de Astronomia.
Signo/Item: Câncer/Fraternal
amar mais do que se deveria
por Luna Fortunato
Era verdade que Dumbledore o nomeou monitor na esperança de que controlasse Sirius e James e seus impulsos imprudentes, mas deve ter se desapontado ao verificar que nenhum dos dois se acuara diante do amigo monitor. Muito pelo contrário, apenas arrastaram Peter para as suas confusões e ainda faziam com que Remus acabasse por assinar embaixo de todas as coisas que faziam.
Mas haviam exagerado dessa vez. Havia um motivo para adolescentes não serem autorizados a fazer uso de álcool, mas Sirius e James, sempre tão autoconfiantes, não concordavam com a restrição e contrabandearam bebida para dentro do salão comunal, onde dividiram uma garrafa de xerez com Peter. Remus não quis fazer parte, apenas assistindo os amigos se embriagarem pouco a pouco, os narizes avermelhados, as bocas se movendo e enunciando besteiras, os olhos se fechando de sono.
James subiu sozinho ao quarto quando ainda estava bem, e Peter o seguiu como um súdito, mas Sirius quis ficar e terminar sozinho a garrafa. Então Remus ficou, o vigiando. Quando Sirius desabou de sono e deixou a garrafa cair, derramando xerez no tapete vermelho, foi Remus que recolheu a garrafa e limpou o tapete. Quando Sirius estava todo torto na poltrona, com os olhos fechados e balbuciando coisas incoerentes, foi Remus que o levantara, o arrastara até o quarto e o ajeitara na cama. Tirara seus sapatos, trocara sua blusa, desdobrou a coberta, ajeitou o travesseiro, até mesmo garantiu que os pés de Sirius não ficassem descobertos.
Era verdade que todos agiam como irmãos. James lhe era o irmão que nunca tivera, o irmão de porte atlético e cabelos rebeldes, enquanto Peter era o irmão que precisava de proteção. Todos lhe eram tão confiáveis e leais, e viam Remus como o paciente amigo a sempre cuidar de todos. Mas Sirius era diferente.
Ele queria amá-lo como amava James ou Peter, mas não conseguia. Amava-o desesperadamente e ternamente, amava-o devotamente. Amava-o nesses momentos enquanto protegia Sirius dele mesmo e cuidava para que ele estivesse seguro.
Fechou os olhos e encostou a cabeça na beirada da cama de Sirius, rezando baixinho. Não sabia para qual Deus, nem mesmo sabia se acreditava em algum. Mas rezou assim mesmo, pedindo proteção e juízo para aquele garoto que amava mais do que se devia amar um irmão.
Porque um dia, desejava intimamente, Sirius não seria seu irmão.
Um dia ele lhe pertenceria inteiramente, como nunca havia pertencido à ninguém.
Um dia... um dia Sirius perceberia isso.
